El Disparo de Pinilla

A história do que poderia ter sido. 

Brasil, um, Chile, um. 119 minutos, o último da prorrogação.

– Pinilla entra pela ponta esquerda. Alexis passa, ele toca, Alexis devolve, bela tabelinha. Pinilla, na entrada da área, se livra da marcação, bate forte no alto, e é gol!
O locutor emudece de desespero. Não há mais o que dizer.

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Gol do Chile, um balaço de fora da área do camisa 9. O atacante comemora demais, corre sem destino, mal sabe onde está. Todos do time chileno, inclusive os reservas e a comissão técnica, se jogam sobre o jogador. O estádio se cala. Os jogadores brasileiros se olham, incrédulos. Julio César busca a bola no fundo das redes e dá uma bica para o meio de campo, desolado. Os canarinhos metem as mãos na cintura, sobre o rosto ou atrás da cabeça e aguardam que os jogadores do Chile terminem suas comemorações, como se mais nada pudesse ser feito. E não pode mesmo.

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A bola volta ao meio de campo. A torcida ainda está em estado de choque. Alguns choram baixinho, outros custam a acreditar. Ninguém emite um pio sequer. Os chilenos retomam seu campo, Pinilla ainda não sabe bem como agir. É difícil acreditar no que acabou de acontecer. O juiz não perde tempo e, tão logo a bola volta a rolar, apita o fim da partida. O Brasil, anfitrião da competição, país do futebol, está eliminado da Copa do Mundo nas oitavas de final. E a culpa é toda dele. Um chute perfeito, no ângulo do goleirão famoso. O melhor chute da sua vida.

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Os jogadores todos correm em direção a Pinilla. Abraços, tapas na cabeça e na bunda, beijos estalados no rosto, e de repente todo o estádio está vendo o camisa nove ser jogado para cima por seus companheiros aos gritos de Chi-chi-chi-, Le-le-le. É a glória, o Chile chega a uma quarta-de-final de Copa do Mundo eliminando um dos maiores rivais, o todo-poderoso-dono-da-casa, e tudo por causa dele. Enquanto é arremessado para o ar, o atacante olha para o céu e vê uma leve chuva que começa a cair. Ao mesmo tempo, seus olhos se fecham em êxtase. Ele é o herói.

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Os olhos de Pinilla se abrem com uma preguiça dolorosa. Um sol exemplar enfia seus raios através da imensa janela que ocupa quase toda a parede do quarto e atinge em cheio seu rosto. Ainda pesquisando mentalmente onde está e como foi parar ali, o rapaz leva as mãos ao rosto e se estapeia de leve, buscando acordar. Demora um pouco para perceber a mulher nua ao seu lado, em sono profundo, e se admira ao perceber como seu corpo é perfeito. Devagar tudo vai voltando: as lembranças da noite, as dores nas coxas pelo esforço extra da prorrogação, o sentimento intransmissível de ter feito história, o troféu de melhor em campo da Fifa. Em pé, em frente à janela, ele vê lá embaixo, na entrada do hotel, uma horda de torcedores de camisetas vermelhas, ensandecidos. O sonho não acabou.

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Assim que adentra o restaurante para o café da manhã, alguém grita: “É o Pinilla!”. Uma carregadíssima salva de palmas é executada, com o vigor de quem vê um deus passar pela porta. Sem graça, acena para os presentes, une as mãos à frente do peito em sinal de agradecimento e procura a mesa mais próxima. Nem bem se senta e a moça que estava em sua cama passa ao seu lado, senta em outra mesa e remete a ele uma piscadela. Em seguida, dois ou três garçons, era difícil dar certeza com tantas mãos sobrevoando seu espaço aéreo, começam a oferecer todo o tipo de comida: bolos, queijos, sucos diversos, pães, presuntos inteiros, frutas, ovos mexidos com bacon, chás, café com leite, e ao final um jornal brasileiro, onde se lia, em letras garrafais: MORTOS POR PINILLA.

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Lá fora, a torcida continua irredutível: só sai dali quando o astro da noite anterior comparecer para fotos e autógrafos. Cansado, mas curioso com o novo tratamento, ele desce. Enquanto o elevador viaja rumo ao térreo, ele lembra da época em que jogava aqui mesmo no Brasil. De tempos em tempos era xingado por torcedores do lado de fora do hotel do Vasco da Gama, time pelo qual atuou e foi mandado embora sem deixar muita saudade. A situação era bem parecida: seu nome era um dos mais gritados, mas, ao invés de um autógrafo e uma foto como lembrança, os torcedores queriam seu sangue e transforma-lo em apenas uma vaga lembrança ruim na história do clube.
“El Disparo de Pinilla”. É a frase que mais se ouve em qualquer corredor do hotel. Depois de atender a todos os torcedores, o jogador recebe uma massagem especial – de graça, oferecida por um outro chileno que está hospedado no mesmo hotel, quando recebe uma ligação: é seu agente, berrando mil elogios, escancarando todo seu amor e comunicando que já havia recebido, até aquela hora da tarde, quase dez sondagens a respeito do seu passe e do seu destino depois da Copa. Pinilla balança a cabeça, experimentando uma sensação completamente inédita em sua vida. Nada daquilo parecia verdade.

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Entre uma massagem e outra, o verde do gramado do Mineirão passeia de volta em sua memória. A maciez da chuteira acertando a bola, o goleiro saltando no vazio, o cheiro de suor do seu marcador, o barulho da rede sendo estufada ante o silêncio do mundo, que parou de respirar para que nada atrapalhasse o caminho daquela bola. E, tão logo retoma a realidade, já se perde novamente em tentar adivinhar qual seria seu futuro. Um time da Itália, talvez? Ou algum ali do meio da tabela da Espanha, quem sabe? No Brasil sabe que as portas estariam fechadas, e se diverte com a ideia.

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Uma pressão mais forte no músculo dos ombros faz com que retome um pouco a realidade. Seria titular na próxima partida da Copa? Passariam para as semifinais? Tão logo se levanta da maca de massagem e sai porta afora, onde descobre o mais alto dirigente da federação de futebol chilena o esperando com um charuto e duas moças belíssimas, Pinilla percebe que pouco importava se jogaria ou não, se receberia propostas ou não. O que havia de ser feito estava feito. A história já trazia PINILLA  escrito em maiúsculas exageradas em suas páginas, e aquele meio palmo que separou a sua bola da trave é onde ele vai viver para todo o sempre.

O que sobrou de 2014

Pronto, 2014 acabou. Ano puxado, que passou mais rápido do que deveria, mas que deixou pra trás coisas boas pra contar sua história pra gente. E o que vai aqui embaixo é a minha versão disso em relação à música.

Fazer listinha de melhores do ano, para mim, já é mais tradicional do que Papai Noel de barba branca e roupa vermelha no Natal. Mas esse ano, em vez de ranquear os melhores, vou apenas juntar todo mundo em uma grande lista de coisas bacanas que ouvi em 2014 (ok, pra não dizer que fugi da raia, pra mim o grande disco do ano é “This Is All Yours”, do Alt-J, hehe, e o resto é história). Pelo que dá pra sacar na aí embaixo, pra mim 2014 foi fraco no hip hop, forte para as mulheres do indie/freak folk e cheio de bandas esquisitinhas. Não sei vocês, mas eu to bem feliz com isso. Baita ano, 2014, vai na fé.

Melhores discos de 2014 (em ordem alfabética):
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Adult Jazz – Gists Is
Angel Olsen – Burn Your Fire For No Witness
Alt-J – This Is All Yours
Caribou – Our Love
Chet Faker – Built On Glass
Cloud Boat – Model Of You
FKA Twigs – LP1
Jenny Lewis – The Voyager
Jose James – While You Were Sleeping
Jungle – Jungle
Kele – Trick
Lake Street Dive – Bad Self Portraits
Lucas Santtana – Sobre Noites e Dias
Mø – No Mythologies To Follow
Museum of Love – Museum Of Love
Perfume Genius – Too Bright
Russian Red – Agent Cooper
Sharon Van Etten – Are We There
Sohn – Tremors
Sondre Lerche – Please
Spoon – They Want My Soul
The War On Drugs – Lost In The Dream
Torres – Torres
TV On The Radio – Seeds
Twin Peaks – Wild Onion
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E tem também aquelas coisas que não saíram do meu fone de ouvido esse ano, mas que foram lançadas no ano passado. Atrasado, mas nem tanto, vai.
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Bons discos de 2013 que só ouvi em 2014:
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Laura Marling – Once I Was An Eagle
Courtney Barnett – The Double EP: A Sea of Split Peas
Blaenavon – Koso EP
Wardell – Brother/Sister EP
Majical Cloudz – Impersonator
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E as músicas que eu mais escutei em 2014 – fora de ordem, mas onipresentes.
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PLAYLIST – 14 MÚSICAS PRA 2014
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Lake Street Dive e demais conexões

*Texto feito a pedido da New Gents e publicado no site http://www.newgents.com.br em 15 de agosto de 2014.

O negócio é a química da conexão. Como as coisas se juntam, a maneira como são uma coisa quando separadas e uma outra coisa quando adjacentes. E a transformação que se dá aos nossos olhos – e ouvidos – é pura magia. É unir pontos que se insinuam para lados opostos e, a partir disso, expandir o resultado. Soa matemático, mas é da vida, e é ainda mais da música.  É assim com o grupo de Boston Lake Street Dive.

Radicados no sassaricante Brooklyn, para onde vão 12 de 10 bandas indie que aspiram alguma coisa nos Estados Unidos, o quarteto busca na dinâmica da conexão o que expõe. A começar pelo estilo musical. Jazz? Tem. Soul, também. Há também espaço para o folk, para o rock setentista e para o pop dos anos 60. Tudo isso com uma linguagem moderna, na velocidade certa, com o ritmo que cabe perfeitamente no nosso dia a dia. Se essa conexão lhe parece um pouco desconexa, por favor, aperte o play em algum dos três discos da banda e deixe-se levar – com destaque para o mais recente lançamento, “Bad Self Portraits”, particularmente minha porta de entrada para esse universo de junções.

Outro exemplo de conexão poderosa é facilmente descoberto com uma análise rápida nos integrantes – principalmente em uma apresentação ao vivo, como foi o caso naquela deliciosa noite de 2 de maio, no Whelan’s, em Dublin. Um baterista falante, de ritmos inesperados e mãos sagazes: check. Uma baixista habilidosa, empunhando seu baixo acústico com temperamento suave e dedos imparáveis: check. Um guitarrista de riffs fáceis e conquistadores, que vez ou outra empunha o trompete e dá nova cara para as músicas: check. Todos fazendo backing vocals com precisão tremenda para uma vocalista cheia de carisma, com voz perfeita, cantando com as mãos na cintura e rebolado em dia para uma platéia que não conseguia desviar o olhar: ok, check. Todos têm óbvio talento musical e estão ensaiadinhos, mas vão além com um detalhe especial: um charme incontrolável.

Toda essa química faz com que o público, mesmo com aquela animação controlada típica dos entusiastas europeus, não consiga segurar os quadris nas canções mais animadas e arrebente em palmas e gritinhos ao fim de cada ato. Dá pra entender. Não há mesmo como se discutir com as leis da natureza, e todas essas conexões de personalidade e sinapses musicais tornam o Lake Street Dive uma banda para ser observada bem de perto, com cuidado e atenção. Ah, e não esqueça seus sapatos de dança e o espírito leve. Você vai fazer bom uso deles, pode acreditar.

Gabriel Garcia Marquez, uma dose de ópio no café

*Texto publicado anteriormente na fanpage do blog, facebook.com/misquilinas.

Eu precisava de um nome. Só um nome. Mas aquilo parecia me custar muito. Criar a partir do nada um nome para algo que me seria tão presente, para onde eu sempre voltaria, para um organismo que eu precisaria alimentar por tanto tempo. Não é fácil. Nunca é.

Resolvi pedir ajuda ao mestre. O expediente era manjado, mas funciona. Busquei um de seus livros na estante. O meu preferido. Bati o martelo: as primeiras palavras da página randômica que eu abrir vão dar nome ao projeto. Pronto, seria isso e nada mais.

Enfiei os dedos entre as folhas amareladas do clássico “Cem Anos de Solidão” e abri em uma página qualquer, que não lembro o número, e nem fiz questão de decorar. Foi certeiro. Não seria tão perfeito se eu tivesse buscado entre as tantas frases algo que falasse diretamente comigo.

As primeiras palavras da página eram “uma dose de ópio no café”. E, naquele momento, eu me dei conta de que com Garcia Marquez é sempre assim: qualquer parte de seus escritos, com ou sem lógica, dentro ou fora de contexto, é magia pura. As histórias, os personagens, as frases e a forma única como faz uso das palavras, é coisa de mágico.

Por motivos justos, o tal nome foi encurtado para “Ópio no Café” (ainda que, no coração, tenha permanecido o original, sem cortes), e foi usado para denominar uma coluna semanal de textos que escrevi por mais ou menos seis anos na saudosa Revista Paradoxo.

Eu precisava apenas de um nome, mas não teve um dia, nem uma única postagem de texto, que eu não pensasse em Gabriel Garcia Marquez ao colocar um ponto final em qualquer um daqueles bolinhos de parágrafos. O fantástico mestre, sempre uma dose generosa de ópio no cafezinho da minha vida.

À grande beleza

* Texto publicado originalmente na fanpage do blog, facebook.com/misquilinas.

Pé ante pé, passos firmes e desenhados com ponta fina, ela parecia ter escolhido a Rua Carmo de Carvalho como passarela definitiva da vida. Era esguia e clara, os cabelos loiros quase completamente descoloridos, escorrendo abaixo dos ombros com parcimônia, como se fosse tudo montado e ensaiado à exaustão. Talvez fosse, mas provavelmente era apenas o caimento natural, como parecia também ser tudo que fazia naquele curto espaço. Trazia à mão uma bolsa preta de couro, nada muito exagerado, construindo um belo conjunto com sua camiseta branca e a calça jeans mais pro azul do céu da noite que do mar da tarde. E ia, segura, sem parar.

Mal olhava para o lado. Quando o fazia, era com uma graça que poderia derreter alascas inteiros. A segurança dos seus passos era uma óbvia referência à própria beleza e à consciência do que seu caminhar significa em uma cidade violenta como essa, com um clima opressivo como esse, embaixo de uma luz do sol imperativa como essa. Andava pela rua como se construísse com as próprias pegadas um novo caminho dentro do caminho, onde só ela poderia passar, do qual seria a única dona, uma capitania que nada teria de hereditária, já que nunca poderia ser de qualquer outra pessoa que não dela, portadora solitária de tais poderes especiais.

Eram quase duas da tarde de uma terça e a Carmo de Carvalho havia sido fechada para aquele desfile. Os carros deixaram de funcionar seus motores roucos, as bicicletas não mais rodavam a correia pela coroa, os chinelos dos trabalhadores da construção civil se recusavam a tirar o peito do chão. Os únicos movimentos realizados naqueles parcos metros de chão acinzentado vinham dela e das árvores que, com a anuência da brisa salvadora, batiam palmas tímidas para o rolezinho encantado da menina. Era mesmo uma cena de cinema, daquelas que a gente vê na grande tela e fica se perguntando se existe a possibilidade de acontecer na vida real.

Existe, sim.

E a certeza da existência fica ainda mais forte quando nos damos conta de que nada é assim, tão imaculado, tão eterno. Pois, quando na esquina da qual a moça cada vez mais se aproximava com seu gingado (in)voluntário passa o ônibus que ela tomaria em seguida, tudo muda. Ao ver o coletivo curvando há bons metros de caminhada, provavelmente sendo guiado por um motorista apressado, como são todos eles, a bela loira de cabelos quase descoloridos e caminhar desenhado com ponta fina chuta para longe a graça e se mete num sprint de 50 metros com fôlego olímpico.

Os braços que antes bailavam em harmonia com as pernas agora balançam para cima com o destempero que só o desespero da pressa é capaz de forjar. Ela corre com jeito de menina desajeitada, como se tivesse crescido mais de um lado do que do outro, joelhos enormes golpeando o ar, gritando pela misericórdia do chofer. De repente, os motores dos carros voltam a tossir em descompasso, as bicicletas passam correndo sobre seus aros, as chinelas se arrastam novamente no terreno empoeirado. O vento para, o tempo volta a andar. Estamos livres do feitiço, a Carmo de Carvalho é viva de novo. Eu sorrio por dentro com essa anedota da vida. A grande beleza não resiste nem a um ônibus perdido.

O tempo passa rápido, né?

Faz algum tempo que eu abandonei esse espaço para abrir outro, todo metido, com um .com no final.

Acontece que aquele lá precisava pagar todo mês. E eu não queria mais fazer isso. Simples, né. Meio mão-de-vaca, também. Mas, e daí?

Então acho que vou voltar a atualizar esse aqui, porque essa onda de postar só no facebook (onde mantenho meu facebook.com/misquilinas) não é lá muito animador. Aliás, o facebook é cada dia menos atraente pra mim. Então, voltemos.

Uma maquiagenzinha nessa cara branca dele deve dar uma melhorada.

Será que vai?

Coluna B, dia 22/05

Um novo Band of Horses

Movimento. Ambição. Incômodo com a acomodação. Tentativas. Erros e acertos, mas, acima de tudo, disposição para a mudança. Quem fica parado, sobra. Quem se mexe, avança. É assim, sempre foi assim, apesar de alguns exemplos de exceções (que, no fundo, só confirmam a regra). Já diziam os gurus de auto-ajuda, “mude, e o mundo muda com você”. Parece que Ben Bridwell escutou a lição. O líder do Band of Horses chega a “Infinite Arms”, seu terceiro disco à frente da banda, com tudo renovado. E quem gosta de boa música agradece.

As mudanças começaram em 2007, tão logo “Cease To Begin”, segundo disco da carreira do grupo de Seattle, foi lançado. Originalmente um trio (além de Bridwell, Ryan Monroe e Creighton Barret) que se transformava em quinteto quando subiam ao palco, o BoH resolveu oficializar a presença dos outros dois integrantes, Bill Reynolds e Tyler Ramsey, e mudou radicalmente sua formação. É certo que isso teria reflexo no som da banda, o que nos leva imediatamente à segunda mudança: “Infinite Arms” traz músicas mais solenes, dá uma bela aprofundada no folk e suaviza o som do Band of Horses como nunca se tinha visto em seus dois álbuns anteriores. Acordes mais leves, passagens cheias de sentimentos, sem pressa, notas e batidas mostrando mais intimidade entre as partes.

“Infinite Arms”, que já caíra na internet há semanas, saiu oficialmente na última terça, dia 18, e à barca da terceira mudança importante do Band of Horses: é o primeiro lançamento da banda pela grande gravadora Columbia. Passo importante para quem já está há anos fazendo música que é consumida de olhos fechados por milhões de fãs pelo mundo. Mesmo nós, baixadores oficiais de música, torcemos que bandas como o Band of Horses vá mesmo para grandes selos que saibam investir no seu talento e amplificar a presença de suas músicas. Este terceiro disco, aliás, parece perfeito para realizar essa transição. Mais uma vez produzidos por Phil Ek, ex-assistente de Jack Endino e responsável pelos discos anteriores e também por belos álbuns de Built To Spil, Pretty Girls Make Graves, Fleet Foxes, The Shins e The Dodos

Bridwell, ainda mais à vontade com seu inconfundível e exótico timbre vocal, continua dominando como poucos a incrível arte de dar forma musical a histórias que parecem comuns, como se fora um conto musicado. São casos de amor perdido e esperanças renovadas, a dor do envelhecimento versus o desejo da juventude eterna, um dia na vida de alguém que enfrenta o sofrimento, dramas de pele, pelos, olhos curiosos, vidas de verdade. Mais doce do que nunca, o Band of Horses cobre e recheia essas letras com arranjos delicados, acordes mágicos que se encontram e estouram no ar como fogos de artifício. Atemporais, faixas como as lindas “Factory”, “Dilly” e “Way Back Home” nos presenteiam com estruturas bem montadas e adornadas, e poderiam tanto ter sido lançadas hoje quanto nos anos 70.

“Laredo”, apesar da letra triste, traz aquela sensação aconchegante de saber onde se está pisando, o prazer de estar em contato com algo familiar, querido. É o bom, aliás, o ótimo e velho Band of Horses atacando novamente, como também nas deliciosas “Compliments” e “Northwest Apartment”. “Older” acha seu espaço no country, como se cavasse as guitarras chorosas do estilo para deixá-las ao lado do refrão de backing vocals que afagam os ouvidos. O lado baladeiro do Band of Horses se destaca com a simples “Evening Kitchen”, de melodias vocais exuberantes entre dedilhados de violão, e a emocionante “Neighbor”, que começa praticamente à capela, e depois ganha teclados e piano, e só se rende à guitarra, o baixo e a bateria quase no fim de seus seis minutos, finalizando um disco que traz um novo Band of Horses justamente como deveria ser: representando todas as mudanças feitas.

Notinhas

Lost: o fim

A série mais importante da história da televisão (e não só: também da história da cultura pop e o grande acontecimento popular deste milênio, ouso dizer) chegou ao fim. Amanhã, dia 23, a emissora americana ABC veicula o capítulo final de Lost. Tão esperado por tantos, os mesmos que desejavam secretamente que a série nunca tivesse um episódio final, “The End” vai ter nada menos que duas horas e meia de duração. Um longa, praticamente. A emissora americana vai dedicar, na verdade, merecidas quatro horas e meia do final de seu domingo para Lost: das 20h às 22h, um programa especial vai fazer um apanhado das seis temporadas; das 22h à 0h30, o último capítulo da intrigante história vai ao ar, dando a nós, fãs da série, os últimos momentos ao lado de Jack, Locke, Kate, Sawyer, Hurley, Juliet, Ben, Claire, Desmond, Jacob, monstro de fumaça preta, urso polar na floresta tropical, viagem no tempo, fantasmas, campos magnéticos, ilusões, teorias, medos, decepções, lágrimas. Lost marcou o mundo, e ao final de tudo, a despeito de todos os questionamentos que a série gerou, a única pergunta que fica no ar é: o que nós vamos assistir agora?

Vários

Mark Lanegan, sim, aquele mesmo do Screaming Trees e de outras dezenas de projetos, virá ao Brasil, mais exatamente em São Paulo, dia 24 de junho, para um show solo. Algo como imperdível, eu diria. /// O Broken Bells, projeto de James Mercer (The Shins) e Danger Mouse, não morreu. Os dois planejam lançar mais uma série de músicas em um novo álbum. Mas, adiantou Mercer, isso só acontecerá depois que ele lançar o novo disco do Shins, que deve sair ainda este ano. Só notícia boa, hein. /// Liam Gallagher, aquele que já foi vocalista do Oasis, vai produzir um filme sobre a Apple – não a do iPod, mas a Apple Corps., selo dos Beatles. O longa será baseado no livro “The Longest Cocktail Party”, de Richard DiLello. /// E o Arcade Fire surpreendeu todo mundo. Quando menos se esperava, a banda anunciou a chegada de um novo single pra daqui a alguns dias, veja só. /// Tired Pony é o nome da sua nova superbanda preferida. Na formação, membros de R.E.M., Snow Patrol e Belle and Sebastian. Tá bom ou quer mais?

Todo mundo tem que ouvir

O Stone Temple Pilots está de volta. Com sua formação original, os caras não só retornaram aos palcos como gravaram um disco de inéditas.

E, pasmem: o disco é bom. “Stone Temple Pilots” já está facinho na internet, baixe e ouça.

Playlist

Janelle Monae – Neon Valley Street
Flying Lotus – Recoiled
Stone Temple Pilots – Samba Nova
The Rolling Stones – All Down the Line
The National – Runaway
Karen Elson – The Birds, They Circle
Exit Calm – Reference
Jamie Lidell – I Can Love Again
Sleigh Bells – Treats
The National – Conversation 16

Ópio apaixonado

Um texto não muito novo, mas que ainda faz muito sentido. E espero que continue fazendo, por muito tempo.

(…) Abri a boca para falar, mas empaquei. Parece que travou de repente, tão de repente e tão sincero quanto a vontade de falar que chegou sem dar sinais. Apenas parecia destinada toda a vida a sair, uma frase que foi feita para aquele momento, exatamente aquele, e que a partir de hoje todo mundo ia ter que pagar direito autoral ao verdadeiro criador dela – eu, claro. Foi estranho, ela veio na ponta da língua e parou, como um pássaro que acha a porta da gaiola aberta e por institnto vai rumo à saída, mas pára e apenas coloca a cabeça de fora quando lembra o mundo confuso e aniquilador que há ali fora (…)

Para continuar lendo, clique aqui.

Ou vá até a Revista Paradoxo, que está fazendo uma pausa mas volta já.

Coluna B, dia 8/05

Meninas inglesas fazem melhor

Laura Marling e Kate Nash têm muitas coisas em comum. As semelhanças estão aí, para todo mundo ver. A começar pela origem. As duas são inglesas – Laura vem de Hampshire, Kate nasceu em Londres. Daí, vamos para a idade. Laura é mais nova, veio ao mundo em fevereiro de 1990, uma garotinha de 20 anos, portanto. Kate, de julho de 1987, não fica longe, do alto dos seus ainda incompletos 23 anos. Ambas sofreram as mesmas influências, do folk dos anos 60 ao pop dos anos 2000, e iniciaram suas carreiras exatamente no mesmo feliz ano de 2006. Agora, talvez não por acaso, as duas cantoras, compositoras e musicistas lançam o segundo álbum de suas carreiras: “I Speak Because I Can”, de Marling, saiu em março; “My Best Friend Is You”, de Nash, acabou de sair, agora em abril.
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As diferenças entre elas são justamente o que fazem com que estejam juntas aqui nesta página. Marling tem o dom para a voz e violão, a doçura necessária para encarar de frente uma platéia gigantesca apenas com seu instrumento de madeira em mãos, o sorriso um pouco tímido e a voz maravilhosa abastecendo o ambiente com altas doses de beleza. Talentosa como poucas são à sua idade, Laura se mete pelos palcos desde muito antes de lançar um disco. Essa cancha fica escancarada em “I Speak Because I Can”, onde ela dá mostras inequívocas de saber porque cada nota ornou cada verso em seu momento ideal.

Laura Marling

O folk é o estilo escolhido, e vai facilmente ao pop quando a artista se vê acometida pela poderosa febre dos refrões-chiclete. Apesar disso, aqui não tem muito lalalá, as melodias cuidadosas não pedem o complemento vocal de fácil assimilação. “Devil’s Spoke”, que abre o álbum, é poderosa e cheia de tons dramáticos que elevam a canção a uma categoria especial. Seu violão irrequieto contrasta imediatamente com a calma dos dedilhados suaves de “Hope In The Air”. A toada de “Rambling Man” e seus dois pés nos anos 60, tanto em arranjos quanto em letra, são um caudaloso tempero para a música de Laura, e é nessas horas que a gente olha para seus olhos e se pergunta como uma menina dessas, tão jovem, consegue compor canções tão completas. Ao fim do álbum, com a bela canção “I Speak Because I Can”, tem-se a absoluta convicção de que Laura Marling vai render frutos saborosos por muito tempo.

Já Kate Nash traz um tipo diferente de roupagem para sua expressão artística. Mais frenética, em busca de um pop que se fazia há décadas atrás, a garota londrina senta-se à frente de um piano e encara de frente qualquer pessoa que desafiar seu talento. O visual moderno se encaixa com o salto que sua voz dá vez ou outra em busca de um ponto mais alto. Diferente de sua companheira de coluna de hoje, Nash não usa quase nada do folk – exceção feita a algumas faixas mais leves, onde ela toma seu violão em mãos, como “You Were So far Away”.

Kate Nash

Para Kate, sai melhor um rock quase garageiro, que não raro explode em espancamentos de bateria e algum instrumento maluco compondo o cenário – como é o caso de “Higher Plane”, canção capaz de sintetizar muito bem o que “My Best Friend Is You” representa, e a ótima “I’ve Got A Secret”. “I Just Love You More”, por exemplo, parece Nash engolindo um disco do Nirvana, berrando sobre seu amor para todo mundo ouvir. Quando vem “Don’t You Want To Share The Guilt?”, toda fofinha, bonitinha, com xilofones e violinos angelicais, guitarrinha esperta e levada acelerada para uma letra levemente ácida, que é cantada com manjas de rap, já estamos preparados para o jeito Kate Nash de ser moderna parecendo ter saído de uma banda pop dos anos 60. Ao lado de Laura Marling, a moça mostra que as meninas inglesas fazem melhor. E não adianta chorar.

Notinhas

Várias
O Dead Weather, trigésima banda de Jack White e que tem mais uma galera de outras bandas, tocou o seu disco novo por um dia inteiro no MySpace dia desses. Resultado: o áudio foi captado e “Sea Of Cowards” está rodando por aí, nos melhores blogs e torrents da internet. Se é bom? Preciso ouvir mais vezes. /// John Frusciante largou o Red Hot Chili Peppers por um bem maior: fazer músicas mais interessantes. Prova disso é um projeto ao lado de Omar Rodriguez Lopez, do Mars Volta/At The Drive In. Sem nome, o disco é uma pérola pronta para ser degustada. Faça isso. /// No que um dia foi o Oasis, a situação é quase risível. Noel e Liam Gallagher foram cada um para um lado, mas andam dividindo seus ex-integrantes de banda. Tanto um quanto o outro contam com eles para seus projetos futuros (Liam quer sair em turnê; Noel se prepara pra lançar disco solo), e eles estão dizendo ok para ambos os lados. É claro que isso vai dar confusão.

Carreiras solo
Esse pessoal da música anda meio desanimado com suas bandas e procurando trabalhos solo, mas acho que vão acabar é desanimando quem os ouve. Há algumas semanas, Kele Okereke, do Bloc Party, anunciou que lançaria trabalho solo. O disco se chamará “The Boxer” e sua primeira faixa já foi liberada pelo cantor – algo entre o electro e o disco, chamado “Tenderoni”. Agora, foi a vez de Brandon Flowers, do Killers, anunciar que fará também um disco solo, chamado “Flamingo”. O rapaz ainda não liberou nenhuma música, mas o medo já tomou conta de mim. Se “Tenderoni” já não é nada demais, imagino o que vem por aí para os dois entediados rock stars.

Todo mundo tem que ouvir
Demorou, mas “Infinite Arms”, novo disco do Band of Horses, finalmente bateu. Ouvi por algumas semanas e não entendia o que cercava aquelas músicas.
Agora me dou bem com ele, um álbum mais leve do que qualquer coisa que essa sensacional banda de Seattle já fez. Vale a pena.

Playlist
Soulsavers – You Will Miss Me When I Burn
Lucky Soul – Love 3
Yeasayer – O.N.E.
Pomplamoose – Beat It
Kaki King – Sunnyside
The National – Little Faith
The New Pornographers – Your Hands (Together)
Foals – This Orient
André Paste Mixtape – Cid Moreira on the Dancefloor
Crookers – We Love Animals

Coluna B, dia 24/04

LCD Soundsystem: saidera
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Odeio despedidas. Aliás, quem curte? Ninguém. A não ser que seja de algo que te faz mal, todo mundo fica triste na hora de dizer tchau (a rima não foi de propósito). James Murphy, dono, principal cabeça, compositor e idealizador do LCD Soundsystem, já está fazendo com que lágrimas brotem de marmanjos e marmanjas desse mundo afora com a notícia de que seu famoso projeto está se despedindo. Sim, “This Is Happening” é o terceiro e último álbum do LCD Soundsystem. Em meio à maré de tristeza, dá pra adiantar que, se este for mesmo o último álbum do novaiorquino sob este nome, sua história foi fechada com luxo.

É que Murphy, que também é um dos donos do imponente selo DFA Records, nome forte do novo eletrônico indie, tem ventilado por aí sua visão pouco esperançosa da indústria da música. Entre suas previsões, a do “fim do álbum” é a que mais ecoa por aí. Não à toa, o dono do LCD disse em entrevista à revista inglesa NME que não deve mais gravar álbuns, muito menos sob esse pseudônimo, já que teria “fechado uma trilogia”. Digno de nota, claro, vindo de um cara tão importante pro cenário atual da música. O discurso de Murphy dialoga com o de outra imensa estrela da música dos nossos tempos, Thom Yorke. Apesar de informações darem como certo um novo disco do Radiohead entre o fim deste ano e o começo de 2011, o inglês sempre falou abertamente a respeito da morte do disco como um conceito de trabalho musical. Agora, Murphy, como líder de banda e como executivo de um selo, reverbera a teoria.
Enquanto os álbuns não morrem por completo, algo que esta coluna sinceramente acredita que não vai acontecer tão cedo, nos concentraremos no último suspiro do LCD Soundsystem. “This Is Happening” vazou na internet por completo há poucos dias, mas já havia deixado um rastro online de quatro das nove músicas que o compõem. “Drunk Girls”, o primeiro single, já era sucesso na net, em pistas e em comparações com faixas de outros artistas – a mais notável, alarmada pelo camarada Erly Vieira Jr. via Twitter, a colocava ao lado de “White Light/White Heat”, do Velvet Underground. Nasceu pra virar hit, apesar de não ser a melhor música que Murphy já fez, e tem uma levada urgente que é um convite a danças desconexas. O clipe da faixa, com um ataque de pandas alucinados, é impagável.

A irônica “You Wanted a Hit” tem tudo para ser um hit, desde o começo com um teclado oitentista hipnotizante, passando pelo vocal seco de Murphy até o refrão singelo, mas insiste em dizer que o LCD Soundsystem não sabe fazer hits. Cinismo deliciosamente puro. Um dos maiores destaques do álbum é a linda “I Can Change”: com jeitão de baladinha, a faixa recheada de sintetizadores é uma viagem romântica, daquelas que fazemos questão de acompanhar do início ao fim. No refrão, o personagem promete uma mudança, caso isso ajude a ela a se apaixonar por ele. Bonito demais. Enquanto isso, “Pow Pow”, que quebra o que vier pela frente com suas pancadas ocas e energia empolgante, as batidas vintage de “One Touch” e seu gritinho de guerra feminino, a relaxante “All I Want” e a charmosa-preguiçosa “Somebody’s Calling Me” também entram na lista de faixas de “This Is Happening” que pulam sobre nossos colos logo de cara.

A longa e viciante “Dance Yrself Clean” abre o disco com uma psicodelia que escorre pelas caixas de som, levando quase nove minutos para abrir os trabalhos da melhor forma possível.  Lá do outro lado, no final do disco, “Home” parece rolar suavemente sobre belos beats e melodias, fechando com classe o que pode ser o último disco do LCD Soundsystem. Será que, colocando esta como a última faixa do álbum, James Murphy dá a dica de que está voltando para casa? Nesse caso, com um trabalho desta magnitude, existe a certeza de que essa despedida vai gerar algumas lágrimas.

Notinhas

Discos que vazam
Essa foi uma semana de bons discos vazando internet afora. No mesmo dia caíram na rede os empolgantes “Total Life Forever”, do Foals; “Infinite Arms”, do Band of Horses; e “High Violet”, belo e esperadíssimo novo trabalho do The National. Dias depois, chegaram “Together”, do New Pornographers, e “Brothers”, do Black Keys. Eles se juntam aos novos discos de Kate Nash, Jamie Lidell, Hole, Fuck Buttons, Medications, The Album Leaf, Gogol Bordello, Crystal Castles, Lux e The Hold Steady, que chegaram há pouco, junto com o já amplamente citado terceiro disco do LCD Soundsystem. Somem a esses os nacionais imperdíveis “Las Vênus Resort Palace Hotel”, da Cibelle, “Na Cidade”, do Pata de Elefante, e o ótimo “Apanhador Só”, do Apanhador Só. Agora diz que não tem música nova para ouvir, diz.

E o Coachella foi…
O Coachella Festival, um dos maiores festivais de música e artes que acontece em Indio, na Califórnia (EUA), rolou no último fim de semana e deu o que falar em sites, blogs e, claro, no onipresente Twitter. Pelo que deu pra sacar pelos comentários da galera que foi, o Atoms For Peace, nova banda que une Thom Yorke (Radiohead) e Flea (Red Hot Chili Peppers) para tocar as canções do projeto solo de Yorke, foi uma das mais festejadas. Também fizeram barulho Jay-Z (com participação de sua senhora Beyoncé), The xx, Julian Casablancas, Yeasayer, Phoenix, Them Crooked Vultures, The Specials, Major Laser, LCD Soundsystem, Calle 13, Ra Ra Riot e sua violoncelista-modelo, Aeroplane, She & Him e o Faith No More. É muita gente boa junta, não?

Todo mundo tem que ouvir
O Foals voltou renovado. Para desespero de uns, adoração de outros, os cinco rapazes ingleses retornam com “Total Life Forever”, segundo trabalho do grupo.
Esqueça um pouco os arranjos frenéticos do primeiro disco, concentre-se mais nas letras e melodias. Este é o novo Foals, e eu gostei.

Playlist
Medications – Home Is Where We Are
Lonely Drifter Karen – Ready To Fall
The xx – Islands
Apanhador Só – Maria Augusta
Jamie Lidell – Compass
Band of Horses – Factory
The National – Runaway
Kate Nash – You Were So Far Away
The Entrance Band – You’re So Fine
Young Heretics – Risk/Loss

Coluna B, dia 17/04

Três discos para agora

Esses primeiros meses de 2010 estão rendendo. Estamos apenas em abril e já há uma superlotação de álbuns e artistas novos que a Coluna B mal está dando conta de colocar em dia. É tanto download, tanta dica boa de novidades, que fica complicado ouvir tudo tendo apenas 24 horas por dia. É por isso que a coluna mostra hoje três discos bastante diferentes entre si, mas todos indispensáveis, pra já: leia, baixe e ouça. E corra, porque o tempo não espera ninguém.

jj – nº 3
O mistério parece ser ingrediente indispensável para algumas bandas suecas. Essa dupla, por exemplo, consegue fazer com que sua música, melodiosa e com toques eletrônicos minimalistas, tenha uma atenção ainda maior ao revelar pouco sobre si mesma. Estou falando sobre o jj, duo formado por Joakim Benon e Elin Kastlander, de quem muito pouco se sabe – basicamente, as informações são de que são suecos e lançaram seus dois discos (“jj nº 2″ e “jj nº3″) por duas gravadoras simultaneamente, Secretly Canadian e Sincerely Yours. Nem MySpace os caras têm. Talvez seja melhor mesmo se concentrar apenas no que ouvimos, principalmente neste “jj nº 3″, delicioso registro que saiu mês passado na Europa. Ainda que tenha ali uma veia pop saltando forte, “nº 3″ não se entrega de bandeja. O som do jj se apropria de batidas eletrônicas camaradas para receber diversos tipos de complementos melódicos, tornando o disco uma obra variada, sempre bonita e nunca óbvia. Há um clima de sossego, de calmaria, que envolve o álbum mesmo nas faixas um pouco mais agitadas. As belas “No Escapin’ This”, “Let Go” (que ganhou um lindo clipe quase todo em preto e branco) e “Into The Light” têm detalhes que saltam aos ouvidos, como belas passagens de sintetizadores, linhas vocais suaves e até gravações de locução em italiano de jogadas do craque de futebol sueco Ibrahimovic, da época em que atuava pela Inter de Milão. O que o jj tem a ver com futebol? Boa pergunta. Taí mais um mistério para a coleção dos dois.

Surfer Blood – Astro Coast
Ouça o barulho das ondas batendo contra as pedras. Ouça o bater de asas das gaivotas, voando baixo sobre o mar. Ouça o estalar dos grãos de areia castigados pelo poderoso sol. Ouviu? Então você está pronto para o Surfer Blood. Direto da Flórida para o mundo, o grupo lançou seu disco de estreia, Astro Coast, e se destacou por conseguir fazer um som tridimensional, encontrando Pixies e Beach Boys sem soar como um Frankenstein, dando riffs sensacionais de presente aos ouvintes sem cobrar caro por isso. Surf music de primeira qualidade, às vezes escapando dessa etiqueta para dar mais cor à música. O Surfer Blood caminha para a glória quando coloca suas distorções no talo, em faixas como “Slow Jarboni”, que se aproxima de uma balada, na bela e desafiadora “Swim”, com arranjos e um refrão que fariam Brian Wilson saltitar de felicidade, ou na contida “Take It Easy”, que pega emprestada a percussão do Vampire Weekend para acompanhar uma simpática guitarra pontual. Outras belezinhas, como “Catholic Pagans”, “Neihbour Riffs” e “Floating Vibes” nos lembram que a surf music pode ser muito mais divertida e variada do que nos acostumamos a ver nos anos setenta e oitenta. Toca para a praia.

The Golden Filter – Voluspa
O Golden Filter surgiu como um relâmpago em 2008, em grande parte pela presença de palco, voz e volúpia da bela vocalista Penelope Trappes, australiana de nascimento. Fazendo o ar misteriosa na balada, a moça joga o cabelo na cara, se mexe em câmera lenta e seduz a plateia a cada verso, sempre muito bem amparada pelas programações eletrônicas e o sintetizador mágico de Stephen Hindman (ao vivo, rola ainda a presença de uma baterista). Em “Voluspa”, esperadíssima estreia em álbum da banda que baseava suas apresentações apenas em alguns singles lançados, o duo consegue passar para o gravador toda a gama de sons, batidas e melodias que conquistou fãs em cima dos palcos e nas poucas faixas da banda que surgiram nos últimos tempos. As canções vão de apaixonantes sussurros oitentistas, como “The Underdogs”, e patadas dançantes como “Dance Around the Fire”, a belas e harmoniosas peças, como “Nerida’s Gone”. “Solid Gold” e “Thunderbird”, primeiros sucessos do Golden Filter, foram lançadas como single em 2009 e estão presentes aqui, enquanto a potente “Hide Me” chega oficialmente apenas uma semana antes do lançamento do disco. Ainda bem que a gente não precisa mais esperar: finalmente “Voluspa”, do The Golden Filter, está entre nós.

Notinhas

Hora de show
Pode parecer mentira, cara de pau ou alguma coisa pior, mas fala-se em uma nova tentativa de turnê do Gossip pelo Brasil. Os ingleses que já deram bolo na gente duas vezes podem baixar por aqui em novembro. Essa eu só acredito vendo. /// A francesa Laetitia Sadier, uma das metades do Stereolab, vem a Porto Alegre e São Paulo nos dias 25 e 28 de abril, respectivamente. A cantora apresenta seus números solo e provavelmente deixa um pouquinho para hits de sua banda, também. /// Lady Gaga deve mesmo vir ao Brasil. O segundo semestre aguarda ansiosamente a presença do novo monstro do pop americano. Confirmações de datas, a seguir. /// Sobre o tão falado Woodstock Brasil, prefiro comentar apenas quando a programação oficial sair. Mas já adianto que estou animado a conhecer Itu, no interior de São Paulo. A cidade onde tudo é grande pode abrigar o maior festival brasileiro. Fará todo sentido.

Várias
O Crystal Castles anunciou que vai lançar disco novo em junho. A banda havia comunicado que seu disco sairia apenas no final do ano, mas resolveu adiantar a parada. /// Duas entidades artísticas admiradas por esta coluna, a banda Arcade Fire e o diretor Spike Jonze, podem estar se unindo para um vídeo. O rumor aparece justamente quando a banda canadense se prepara para lançar novo álbum. Tomara que role. /// Um fim pegou a turma da música de surpresa no começo da semana: o Supergrass, grupo britânico que surgiu junto com outros expoentes do britpop, anunciou sua separação. “Diferenças artísticas”, alegaram.

Todo mundo tem que ouvir
“This Is Happening”, novo disco do LCD Soundsystem, já nasceu criando polêmica. Seu vazamento na internet rendeu chororô do dono da banda, James Murphy, e ficou entre os assuntos mais comentados no Twitter brasileiro.
Aí você pergunta: precisava de tanto? Eu respondo: sim. Discaço, daqueles que a gente ouve seguidamente duas, três, cinco vezes. Corre que vale a pena.

Playlist
LCD Soundsystem – You Wanted a Hit
Black Rebel Motorcycle Club – Bad Blood
The Waltz – Grandfather’s Ghost
Young Heretics – Animal War
Woods – From The Horn
Broken Social Scene – Water In Hell
We Have Band – Divisive
The Xx – Heart Skipped a Beat
MGMT – It’s Working
What Laura Says – McDaniel

Coluna B, dia 25/07

As “EP Girls”
Dizem que é moda, mas pra mim está mais para um sinal importante da atual movimentação do mercado musical. O fato é que muitos artistas iniciantes estão lançando EPs antes de tentar um disco cheio, como se fazia normalmente alguns anos atrás. Atualmente, o motivo pra usar esse tipo de “disco” (que não é um pequeno vinil como antigamente e às vezes nem formato físico recebe, ficando restrito a apenas um pacote de MP3 disponível para download) é não apenas apresentar um artista que ainda possui poucas faixas, mas também se adequar ao novo estilo de consumir música, quando as pessoas ouvem cada vez menos um disco “cheio”, com mais de 30 minutos e 10 faixas.
O mais curioso é notar a quantidade de meninas que usam os EPs para promoção de sua carreia. São jovens cantoras em busca de mais e mais ouvidos que escutem suas músicas, e elas geralmente os encontram em sites e blogs especializados em música e troca de arquivos. É quase um novo nicho, se levarmos em conta que as tais moças também têm em comum os estilos musicais, que vão desde o folk, passando pelo pop acústico, o pop rock, o indie pop e o dream pop – que poderiam ter todos o mesmo nome e ninguém nem ousaria dizer que há diferença. É preciso que se diga: algumas dessas moças são verdadeiros achados.
Kate Earl
Meio americana, meio filipina, Kate Earl literalmente se apresentou por meio de um EP. O disco “Introducing Kate Earl” traz quatro músicas da jovem cantora que parece ter nascido com a música pop no sangue. “Melody” é bonita, singela, enquanto “All I Ever Wanted” flerta com as pistas e as outras duas faixas mostram um pouco do que a moça, que é lá do Alasca, é capaz.
Hannah Scott & John Carden
Hannah Scott era uma artista solo, com disco lançado em 2007 e tudo mais. Mas quando conheceu John Carden tudo mudou. A moça forma com o rapaz a dupla que recebe seus nomes e que lançou esse ano “Falling Into Spring”, um EP singelo, com cinco faixas de fazer os olhos marejarem. Violões e piano são os únicos a acompanhar as belas vozes da dupla, que se entrelaçam de uma forma conquistadora.
Susie Suh
Meio coreana, meio americana, a cantora Susie Suh tem uma voz maravilhosa, lembrando algo como Cat Power e Regina Spektor. Mais do que isso, ela possui um senso melódico de dar inveja. Com um violão a postos, então, é impossível deixá-la passar. Suh tem o projeto de lançar um EP, “The Bakman Tapes”, em duas partes. A primeira já está na internet, e é maravilhosa. A segunda está sendo gravada e sai muito em breve.
Natalie Prass
“Small & Sweet” não é apenas o nome do EP desta americana, é também a descrição perfeita para este trabalho. Curta duração, mas delicioso a perder de vista. Ela mesmo define seu som como folk pop, e o uso de violinos enxertados no meio do combinado violão + piano + voz comprova. Qualidade nos arranjos e nas melodias deixam água na boca de quem ouve as seis faixas do EP de Natalie Prass. O negócio é aguardar por mais.
Laura Jansen
Responda rápido: quantas cantoras holandesas você conhece? Eu só conheço esta. E ela nem mora mais na Holanda. Mas, e daí? O que importa para esta beleza de cantora é a voz de tirar o fôlego, as melodias inspiradas que cria e seus dois EPs, “Trauma” (2007) e “Single Girls” (2009). Uma das grandes promessas para os próximos anos, percorrendo o circuito dream pop com categoria de veterana e empolgação de iniciante. “Soljah”, do primeiro disco, e “Single Girls”, do segundo, são pérolas indispensáveis hoje em dia na playlist deste colunista babão.
Deradoorian
Falei algumas semanas atrás do fantástico “Bitte Orca”, do Dirty Projectors, e agora falo de “Mind Raft”, de Angel Deradoorian. O que conecta as duas coisas é que Angel, que aqui usa só seu sobrenome, é uma das integrantes do Dirty Projectors, Em sua estreia solo, a moça não fugiu dos caminhos intrincados que sua banda escolhe às vezes, mas condensou muitas de suas influências neste belo EP. “High Road”, “Holding Pattern” e “Weed Jam” comprovam as boas escolhas de Deradoorian.
Marina and the Diamonds
Ela se chama Marina Diamandis, mas aproveitou para incluir um pouco de glamour em seu nome artístico com os tais diamantes. Nem precisava. A bela morena, que ainda jura não ser um robô em seu single de estreia, se destaca pelos arranjos recheados de detalhes e pela voz potente, decidida. “The Crown Jewels”, seu primeiro EP, anda fazendo bastante sucesso e, dizem, é o nome de Marina que vai brilhar na virada de 2009 para 2010. Veremos.

As “EP Girls”

Dizem que é moda, mas pra mim está mais para um sinal importante da atual movimentação do mercado musical. O fato é que muitos artistas iniciantes estão lançando EPs antes de tentar um disco cheio, como se fazia normalmente alguns anos atrás. Atualmente, o motivo pra usar esse tipo de “disco” (que não é um pequeno vinil como antigamente e às vezes nem formato físico recebe, ficando restrito a apenas um pacote de MP3 disponível para download) é não apenas apresentar um artista que ainda possui poucas faixas, mas também se adequar ao novo estilo de consumir música, quando as pessoas ouvem cada vez menos um disco “cheio”, com mais de 30 minutos e 10 faixas.

O mais curioso é notar a quantidade de meninas que usam os EPs para promoção de sua carreia. São jovens cantoras em busca de mais e mais ouvidos que escutem suas músicas, e elas geralmente os encontram em sites e blogs especializados em música e troca de arquivos. É quase um novo nicho, se levarmos em conta que as tais moças também têm em comum os estilos musicais, que vão desde o folk, passando pelo pop acústico, o pop rock, o indie pop e o dream pop – que poderiam ter todos o mesmo nome e ninguém nem ousaria dizer que há diferença. É preciso que se diga: algumas dessas moças são verdadeiros achados.

Kate Earl

Meio americana, meio filipina, Kate Earl literalmente se apresentou por meio de um EP. O disco “Introducing Kate Earl” traz quatro músicas da jovem cantora que parece ter nascido com a música pop no sangue. “Melody” é bonita, singela, enquanto “All I Ever Wanted” flerta com as pistas e as outras duas faixas mostram um pouco do que a moça, que é lá do Alasca, é capaz.

Hannah Scott & John Carden

Hannah Scott era uma artista solo, com disco lançado em 2007 e tudo mais. Mas quando conheceu John Carden tudo mudou. A moça forma com o rapaz a dupla que recebe seus nomes e que lançou esse ano “Falling Into Spring”, um EP singelo, com cinco faixas de fazer os olhos marejarem. Violões e piano são os únicos a acompanhar as belas vozes da dupla, que se entrelaçam de uma forma conquistadora.

Susie Suh

Meio coreana, meio americana, a cantora Susie Suh tem uma voz maravilhosa, lembrando algo como Cat Power e Regina Spektor. Mais do que isso, ela possui um senso melódico de dar inveja. Com um violão a postos, então, é impossível deixá-la passar. Suh tem o projeto de lançar um EP, “The Bakman Tapes”, em duas partes. A primeira já está na internet, e é maravilhosa. A segunda está sendo gravada e sai muito em breve.

Natalie Prass

“Small & Sweet” não é apenas o nome do EP desta americana, é também a descrição perfeita para este trabalho. Curta duração, mas delicioso a perder de vista. Ela mesmo define seu som como folk pop, e o uso de violinos enxertados no meio do combinado violão + piano + voz comprova. Qualidade nos arranjos e nas melodias deixam água na boca de quem ouve as seis faixas do EP de Natalie Prass. O negócio é aguardar por mais.

Laura Jansen

Responda rápido: quantas cantoras holandesas você conhece? Eu só conheço esta. E ela nem mora mais na Holanda. Mas, e daí? O que importa para esta beleza de cantora é a voz de tirar o fôlego, as melodias inspiradas que cria e seus dois EPs, “Trauma” (2007) e “Single Girls” (2009). Uma das grandes promessas para os próximos anos, percorrendo o circuito dream pop com categoria de veterana e empolgação de iniciante. “Soljah”, do primeiro disco, e “Single Girls”, do segundo, são pérolas indispensáveis hoje em dia na playlist deste colunista babão.

Deradoorian

Falei algumas semanas atrás do fantástico “Bitte Orca”, do Dirty Projectors, e agora falo de “Mind Raft”, de Angel Deradoorian. O que conecta as duas coisas é que Angel, que aqui usa só seu sobrenome, é uma das integrantes do Dirty Projectors, Em sua estreia solo, a moça não fugiu dos caminhos intrincados que sua banda escolhe às vezes, mas condensou muitas de suas influências neste belo EP. “High Road”, “Holding Pattern” e “Weed Jam” comprovam as boas escolhas de Deradoorian.

Marina and the Diamonds

Ela se chama Marina Diamandis, mas aproveitou para incluir um pouco de glamour em seu nome artístico com os tais diamantes. Nem precisava. A bela morena, que ainda jura não ser um robô em seu single de estreia, se destaca pelos arranjos recheados de detalhes e pela voz potente, decidida. “The Crown Jewels”, seu primeiro EP, anda fazendo bastante sucesso e, dizem, é o nome de Marina que vai brilhar na virada de 2009 para 2010. Veremos.

O Decapitator está no Brasil!

Essa eu não sabia, acabei de ver no twitter do URBe.

Para quem não conhece, o Decapitator é um artista que faz intervenções urbanas muito interessantes sobre cartazes, outdoors e outras peças publicitárias de rua. Geralmente, como seu nome já indica, decapitando os protagonistas dessas peças.

Inglês, ele aterrorizou o Reino Unido com as figuras sem cabeça. Agora, o Decapitator está em São Paulo, como bem indica seu flickr, e já atacou na Oscar Freire e no Shopping Iguatemi. Veja um exemplo, nos cartazes das revistas Vogue e Homem Vogue.

decapitator

Segurem suas cabeças, publicitários paulistas.

Los Hermanos – não é a volta

Ontem o Bruno Medina, tecladista do Los Hermanos, falou sobre esse “retorno” do grupo em seu blog no G1. Negando-o como retorno, pra ser mais exato.

Segundo o músico, é verdadeira a informação que a banda vai tocar no mesmo palco de Kraftwerk, Vanguart e Radiohead, mas isso está longe de ser um retorno da banda. “Estes shows não significam um retorno do Los Hermanos à sua regressa rotina; não se deixem iludir por especulações quanto a uma nova turnê ou a pré-produção de um quinto disco. O que há, por enquanto, são apenas estas apresentações e nada além”. Medina também comentou sobre como essa volta aos palcos aconteceu: “Estas duas apresentações não estavam previstas; a ideia partiu dos organizadores do festival que, mesmo considerando pequenas as chances de contar com nossa participação no evento, resolveram fazer o convite. E deu certo”.

E está falado.

Novo vício

Não consigo parar de ouvir essa música.

Wallflowers – Used to be lucky

Mine is a sunshine kind of a valentine
Sometimes I don't feel even worth a dime
Now it Used to be different
before i been where i've been
oooh

You've got a heart so you know how it feels
When you can't move at the top, of the ferris wheel
Now I used to keep trying
But it always felt like dying
Oooh

Sad, sad
Everything has gone bad
When the dreams i've had
they all laughed at what i had

Oh no
Tell me that it ain't true
When I awake i'm still me
When I wish i could once be you
I used to feel lucky
Until i spent some time with me
Oooh

Now if losing is amusing man get a load of me
You seen me falling in love with the gullotine
I used to be funny
To think you would think of me
Ooooh

I wish i could just take all my things and leave
But i'm falling down in the wheels of this machine
But i used to be something
To be nowhere with nothing
Oooh

Sad, sad
Everything has gone bad
When the dreams i've had
they all laughed at what i had

Oh no
Tell me that it ain't true
When I awake i'm still me
When I wish i could once be you
I used to feel lucky
Until i spent some time with me
Oooh

Coluna B de carnaval

Falei sobre algumas bandas e artistas na Coluna B da semana passada, e acabei nem colocando nenhum link aqui nem nada por causa do carnaval. Mas, se alguém viu a coluna e quer saber, ou se quem não leu a coluna quer escutar sobre o que era, aí vai:

Mallu Magalhães: a menina tava até na MTV essa semana – mesmo que ela dê toda a pinta de não curtir muito as músicas da programação. Ouça algo em myspace.com/mallumagalhaes.

Foals: molecada nova, mas tão nova que no site deles tinha a frase “mãe, o que é math rock?”, em alusão a um dos estilos que a banda condensa em seu som. Ouça: myspace.com/foals.

Land of Talk: canadenses liderados por uma mulher, lançaram seu único EP em 2006. Mas, atingidos pela indústria do hype só no fim de 2007, vão relançar em single a faixa “Speak To Me Bones” em março. Valeu ouvir: myspace.com/landoftalkmtl.