Lake Street Dive e demais conexões

*Texto feito a pedido da New Gents e publicado no site http://www.newgents.com.br em 15 de agosto de 2014.

O negócio é a química da conexão. Como as coisas se juntam, a maneira como são uma coisa quando separadas e uma outra coisa quando adjacentes. E a transformação que se dá aos nossos olhos – e ouvidos – é pura magia. É unir pontos que se insinuam para lados opostos e, a partir disso, expandir o resultado. Soa matemático, mas é da vida, e é ainda mais da música.  É assim com o grupo de Boston Lake Street Dive.

Radicados no sassaricante Brooklyn, para onde vão 12 de 10 bandas indie que aspiram alguma coisa nos Estados Unidos, o quarteto busca na dinâmica da conexão o que expõe. A começar pelo estilo musical. Jazz? Tem. Soul, também. Há também espaço para o folk, para o rock setentista e para o pop dos anos 60. Tudo isso com uma linguagem moderna, na velocidade certa, com o ritmo que cabe perfeitamente no nosso dia a dia. Se essa conexão lhe parece um pouco desconexa, por favor, aperte o play em algum dos três discos da banda e deixe-se levar – com destaque para o mais recente lançamento, “Bad Self Portraits”, particularmente minha porta de entrada para esse universo de junções.

Outro exemplo de conexão poderosa é facilmente descoberto com uma análise rápida nos integrantes – principalmente em uma apresentação ao vivo, como foi o caso naquela deliciosa noite de 2 de maio, no Whelan’s, em Dublin. Um baterista falante, de ritmos inesperados e mãos sagazes: check. Uma baixista habilidosa, empunhando seu baixo acústico com temperamento suave e dedos imparáveis: check. Um guitarrista de riffs fáceis e conquistadores, que vez ou outra empunha o trompete e dá nova cara para as músicas: check. Todos fazendo backing vocals com precisão tremenda para uma vocalista cheia de carisma, com voz perfeita, cantando com as mãos na cintura e rebolado em dia para uma platéia que não conseguia desviar o olhar: ok, check. Todos têm óbvio talento musical e estão ensaiadinhos, mas vão além com um detalhe especial: um charme incontrolável.

Toda essa química faz com que o público, mesmo com aquela animação controlada típica dos entusiastas europeus, não consiga segurar os quadris nas canções mais animadas e arrebente em palmas e gritinhos ao fim de cada ato. Dá pra entender. Não há mesmo como se discutir com as leis da natureza, e todas essas conexões de personalidade e sinapses musicais tornam o Lake Street Dive uma banda para ser observada bem de perto, com cuidado e atenção. Ah, e não esqueça seus sapatos de dança e o espírito leve. Você vai fazer bom uso deles, pode acreditar.

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