Coluna B, dia 11/12

Onde você esteve em 2010?

Um longo ano. 2010 começa a acabar, ainda que lentamente, e a gente vai olhando pra trás e percebendo quanta coisa aconteceu. Além de uma imensa quantidade de shows internacionais (2010 foi provavelmente o ano mais agitado nesse quesito na história do País), os lançamentos de discos também superaram qualquer expectativa. Novos álbuns de bandas já conhecidas chegaram com força, e muitos novos grupos conseguiram furar a bolha do hype para se destacar de verdade no mundo da música. Se você esteve ligado no que acontecia no planeta Terra neste ano, deve ter ao menos raspado de leve nas estreias dos ingleses Dinosaur Pile-Up e dos neo-zelandeses The Naked and Famous. Se não conhecia ainda, leia o que a Coluna B tem a dizer e localiza-se em 2010. Mas seja rápido, o ano já está acabando.

Dinosaur Pile-Up – Growing Pains

Formada há três anos, o Dinaosaur Pile-Up nada mais é que a resposta dos anos 2000 ao fenômeno grunge, movimento que saiu de Seattle para ganhar o mundo em meados de 1990. Quando falo em “resposta”, quero dizer um reflexo, um resultado do que todo aquele mundo de guitarras berrentas, gritos esporrentos e climão de chuva ininterrupta lá fora causou na juventude que hoje resolve pegar um instrumento nas mãos, chamar os amigos e montar uma banda de rock. Aliás, as palavras de Matt Bigland, vocalista e frontman do Dinosaur Pile-Up, para a BBC são esclarecedoras sobre sua ambição: “eu quero que a molecada fique como nós ficamos quando vimos Dave Grohl detonar o T in the Park”, afirma, referindo-se a um grande festival inglês. Se um dia Kurt Cobain fez isso influenciado pelo que o Pixies esfregava na sua cara, por que Bigland e seus amigos não poderiam fazer o mesmo?

E fizeram. Nota-se uma influência extremamente poderosa de bandas da época, mas com um molho que só um grupo formado por essa molecada que vivenciou plenamente a passagem dos anos 90 pro novo século é capaz de assimilar. Há não o dedo, mas uma pesadíssima mão de Foo Fighters por todo o repertório de “Growing Pains”, estreia do trio em disco, assim como fortes influências de Nirvana, The Hives, Mudhoney e Pixies. Tudo isso com uma pegada guitarreira grossa, um vocal perfeito para músicas do estilo, linhas de baixo que resolvem qualquer problema que surgir e uma bateria que combina potência e apuro técnico. Essa combinação dá muito certo, e coloca o Dinosaur Pile-Up com uma das grandes revelações das bandas de rock, aquele rock de verdade, dos últimos anos. Mas não se confunda, não estou falando de 1994.

The Naked and Famous – Passive Me, Aggressive You

Lembro de ter visto o nome dessa banda em algum post do Twitter: The Naked and Famous. Achei curioso. Na sequência, o nome do disco: “Passive Me, Aggressive You”. Sério, uma combinação de nomes tão boa assim não pode dar errado, foi o que pensei no minuto seguinte, quando já havia começado o download do disco. Sem pesquisa alguma em sites ou blogs especializados – fui pelo nome, ou pelos nomes, arriscando perder uma meia hora da minha vida escutando pura besteirada ou ganhar mais uma banda bacana na minha playlist. O resultado foi essa belíssima surpresa vinda da Nova Zelândia. O Naked and Famous tem Alisa Xayalith e Thom Powers como as cabeças pensantes do grupo, que ganha e perde componentes conforme necessário em estúdio e em apresentações ao vivo. Após lançar alguns singles e EPs nos últimos dois anos, a banda estreou com o delicioso “Passive Me, Aggressive You”, que tem a cara da geração que o fez nascer, com as referências que essa turma absorve tão bem e reproduz com tanta propriedade.

Há um lado shoegaze que é replicado nos riffs de guitarra que se derramam pelas músicas, como dá pra sacar bem em “All of This” e “Punching In A Dream”, mas o Naked and Famous vai muito além disso. A ensolarada “Young Blood”, primeiro single e o hit da banda, mete o dream pop na parada e ganha a simpatia pelo refrão grudento. “The Sun” tem uma cara mais amarrada, jeitão enigmático de ir se mostrando devagarzinho, até chegar o momento certo para deixar cair a máscara, algo que “Girls Like You” segue quando cresce a cada segundo, até estourar em um final inspirador. Direto de Auckland, essa bela surpresa reforça a minha crença de que essas coincidências da vida estão aí para nos guiar até o que realmente vale a pena. Mas já era de se esperar que a combinação de nomes The Naked and Famous + Passive Me, Aggressive You fosse dar muito certo. E deu.

Notinhas

2011 já está fervendo

Parece brincadeira, mas a coisa é séria. Mal saímos de um segundo semestre absurdamente cheio de grandes shows internacionais, e já vem o primeiro semestre de 2011 abalando geral. É tanta coisa que mal dá pra acreditar. Além da Amy Winehouse, que todo mundo já sabe que vem, estão confirmados Vampire Weekend, Two Door Cinema Club, MGMT, Janelle Monáe, Mayer Hawthorne e The Horrors para final de janeiro, começo de fevereiro. Mais: LCD Soundsystem para o segundo mês do ano está certíssimo, e março trará ao Brasil o renovado Alice In Chains em festival imperdível, o Crue Fest, promovido e estrelado pelo Mötley Crue e que ainda colocará no palco o Black Rebel Motorcycle Club. Ainda há boataria colocando Strokes, Arcade Fire, Sonic Youth, Marina and the Diamonds, Gorillaz e até o sumido Tears For Fears na América do Sul também no primeiro semestre. Isso sem falar em U2 com abertura do gigante Muse já em fevereiro. E sem contar a entrada do Coldplay no Rock In Rio, lá em setembro. Gente, aonde vamos parar?

Várias

Sabe quem voltou? O System of a Down, depois de um bom período em hiato, marcou mais de dez shows para o verão europeu. E, se bobear, a gente ainda vê os caras por aqui. Acorda, Rock In Rio! /// O Portishead está em estúdio. Sem data pra sair, mas preparando o quarto disco da banda. Tomara que não demorem quinze anos de novo, né. /// Outro com disco a caminho, o Strokes revelou que jogou o material inicial de gravação todo na lixeira e recomeçou a fazer suas canções até chegar nas dez ideais que verão a luz do dia ainda neste primeiro semestre de 2011. Não é à toa que demorou tanto pra sair. /// Noah and the Whale, Coldplay e Editors também estão com discos novos em construção. Ano que vem promete muitas novidades. /// Hoje rola o terceiro Smoke Island Festival, no Ilhacústico, com diversos DJs e as bandas Trepax, Joe Zee, Audiomindz, Zemaria e The 666 Order. Só o fino. Imperdível.

Todo mundo tem que ouvir

Um verdadeiro clássico. É assim que o recém-lançado “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”, quinto disco de Kanye West, vem sendo encarado. E com toda justiça. Um álbum impressionante, que deve elevar de uma vez por todas o americano ególatra como um dos maiores rappers da história. Obrigatório.

Playlist

The Decemberists – Coocoon
Marcelo Jeneci – Tempestade
Patty Moon – The Raven
Tim Kasher – A Grown Man
Daft Punk – End of Life
Best Coast – Wish He Was You
Iron & Wine – Summer In Savannah
Pulp – Commom People
Damien Rice – Cannonball
Sex Bob-Omb – We Are Sex Bob-Omb

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