Coluna B, dia 27/11

O maior fim de semana do mundo

São Paulo, dias 20 e 21 de novembro de 2010. Existe alguma coisa no ar dessa cidade que faz tudo parecer diferente, e eu não estou falando da poluição. É como se estivéssemos no centro de tudo. Sabe como é, as coisas acontecendo, e a gente fazendo parte disso. No dia 20, um sábado quente, mas sem muito sol, aconteceu no Playcenter o mais legal festival do país. O Planeta Terra Festival não é o maior, mas certamente é o mais bem organizado, mais bem localizado na cidade e com uma formação tão certeira, tão equilibrada, que ficou difícil dizer qual foi o melhor show. A mistura da novíssima música pop com velhos nomes do indie rock colocou 30 mil pessoas entre montanhas-russas, carrinhos bate-bate e a Monga para assistir ao extrato do que melhor acontece na música hoje.

Escolhi começar a festa com o Holger e seu animadíssimo set, que deixa os indies paulistas em polvorosa, mas logo pulei para o imperdível show do Of Montreal, cheio de bichinhos e teatrinhos esquisitos. O som grooveado dos americanos eram um bom preparo para o melhor show do festival, que viria a seguir. Empolgados, os caras do Yeasayer começaram errando o nome da cidade (“hello, Buenos Aires!”), mas logo pagaram a dívida com uma bela apresentação. O grave estouradão fazia com que a gente não conseguisse não pular com as músicas, então o melhor foi se entregar de uma vez à loucura de faixas como “O.N.E.” e “Ambling Alp”. Lindo de se ver. Na sequência, troquei o esforçado Mika por umas cervejas a mais e peguei algumas músicas do animadíssimo show do Passion Pit (deu até pena de sair no meio). Lá no palco principal, o Phoenix entrava para fazer um show irregular, com ótimos momentos e passagens de dar sono. Apesar dos hits, o melhor foi mesmo ver o vocalista Thomas Mars nadando na galera no final de tudo. Uma cena marcannte.

Peguei algumas músicas do ótimo show do Hot Chip, mas corri mesmo para ver a maior celebração indie que já fui: o Pavement entrou no palco daquele jeito, visual largado, climão de quem está fazendo uma jam na garagem de casa. Aquela desafinação camarada, a microfonia e os berros de guitarra, tudo parecia perfeito para aquela noite. A seleção deliciosa de hits que os anos 90 não nos deixam esquecer foi um belo presente da trupe de Stephen Malkmus, bem diferente da pasmaceira exagerada que o Smashing Pumpkins tentou nos fazer engolir. O grande mérito de Billy Corgan foi ter trazido uma baixista tão bonita, porque o resto do show pouco prestou. Cabia a mim terminar de maneira gloriosa esse festival tão bacana, então fugi para ver o Girl Talk armar uma grande festa na despedida do Planeta Terra, no Indie Stage. Aquela turma em cima do palco, com direito ao pequeno gafanhoto André Paste fazendo reverência ao mestre dos mashups, tornou tudo mais divertido, mas infelizmente o Planeta Terra Festival 2010 chegava ao fim, e o dia seguinte reservava novas grandes emoções.

Domingo, 21 de novembro. Dia de ver um Beatle. Ainda com as pernas doendo de quase 12h de shows do Planeta Terra, caminhar até o Morumbi não era nada agradável. Mas o que a gente não faz por Paul McCartney? A chance de ver o autor da maioria das músicas que a gente canta desde criança lá em cima do palco, pertinho da gente, é simplesmente imperdível. Quase 70 mil pessoas enchiam o estádio quando o músico inglês entrou no palco com seu blazer azul e entoando “Venus and Mars”. Paul dividiu seu setlist entre canções dos Beatles, incluindo algumas que nem eram suas, e faixas de seus discos solo, mas todas as canções, sem exceção, foram cantadas pelo público. E é bom que se diga: clichês à parte, cantar o “naaaa, na, na, na na na, naaaa” de “Hey Jude” acompanhado de McCartney e sua banda não tem preço. Particularmente, me emocionei muito com a versão de “Something”, uma bela homenagem de Paul a George Harrison (que é, além de tudo, uma das mais incríveis canções dos Beatles), com a fofura tristonha de “Blackbird”, as memórias implícitas de “The Long And Winding Road”, a poesia simples e tão linda de “Yesterday” e a energia explosiva de “Live And Let Die”, uma cacetada com direito a fogos de artifício e tudo mais. Um espetáculo completo, liderado por um showman de quase 70 anos que poderia ser o mais babaca dos seres humanos, mas prefere ser apenas um gênio simpático e alegre por poder fazer o que tanto ama.

E, assim, com mais uma caminhada deixando o Morumbi rumo a mais um atraso de voos no aeroporto, terminava o maior de todos os fins de semana do mundo. Dois dias em que estivemos inseridos no que de mais sensacional acontece no planeta musical. Um fim de semana para não esquecermos, jamais.

Notinhas

E o Beady Eye?

Se você não sabe o que esse nome significa, fique ligado porque em breve deve ouvir falar bastante dele. Trata-se do Oasis sem Noel Gallagher, com Liam nos vocais e todo o resto da banda mantido. Acontece que os caras estão começando a soltar músicas novas – e outras novidades também. A primeira faixa divulgada, “Bring The Light”, puxa as coisas para o rock dos anos 50, com direito a coro feminino e tudo mais. A segunda, “Sons of Stage”, um cover do World of Twist, é na verdade um b-side, mas já leva o Beady Eye mais perto do que um dia foi o Oasis. Liam em grande forma, cantando como se não houvesse amanhã. Mas há, sim, um belo horizonte para o Beady Eye, que começa a fazer apresentações ao vivo em março de 2011.

Várias

Se você não se lembra, por incrível que pareça, a semana passada em São Paulo não teve “apenas” Planeta Terra e Paul McCartney. The Raveonettes, Stereophonics, The Mummies, Calvin Harris, Lou Reed e Scissor Sisters também estiveram por lá, além do Kevin Costner, o ator, que tocou com sua banda folk. Que demais, hein? /// O Arcade Fire lançou essa semana o clipe de “The Suburbs”. A direção da intrigante história é do talentosíssimo Spike Jonze. Vale a pena assistir. /// Amy Winehouse teve seus shows confirmados no Brasil. E a facada é séria: os preços variam de R$ 180 a absurdos R$ 700 reais. Mais caro que ver um Beatle. Acho que a Coluna B vai passar essa… /// Neste sábado, este colunista promove a festa “Lucky!” no Teacher’s Pub, com discotecagens deste que vos escreve e os DJs Rotiv, Suricate e Bad Little Fingers. A partir das 23h.

Todo mundo tem que ouvir

Li por aí que o Elton John tinha lançado disco novo. Resolvi baixar. E gostei. O ícone inglês, que já teve dias de rock star, se uniu ao histórico Leon Russel e gravou “The Union”, um belo registro, cheio de blues nas veias. Acredite, vale a conferida.

Playlist

School Of Seven Bells – I L U
Scarlet Youth – Between Summer and Spring
The Hot Toddies – Matt Skiba Sandwich
Bárbara Eugênia – Agradecimentos
Metric – Gold Guns Girls
Queens of the Stone Age – Goin’ Out West
Of Montreal – Sex Karma
Paul McCartney – Maybe I’m Amazed
The Concretes – All Day
Wolf Gang – Lions In Cages

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s