Coluna B, dia 20/11

Não deu

É curioso falar de discos que a gente não gostou. Com a enorme oferta diária de álbuns hoje em dia, a seleção, muito natural, força o ouvinte a desencanar rapidinho do que não curtiu e partir feroz para buscar novidades mais agradáveis. Acumulamos novos discos bons, novas boas experiências, e esquecemos completamente dos fraquinhos. Voltar ao material descartado, aquele que não deixou uma fagulha na sua cabeça nem grudou nadica de nada na sua mente, é uma tarefa árdua. Principalmente quando esses discos geraram expectativa, são de bandas que costumamos gostar e nos frustraram. É o caso dos álbuns lançados este ano pelos ótimos Interpol, Klaxons e Antony and the Johnsons. Sim, são ótimos, mas esse ano, amigos, não deu.

Interpol – Interpol

Perder um membro da banda nunca é fácil. Balança a montagem natural das coisas, desestabiliza o ambiente e faz tudo parecer um pouco estranho. Essa poderia ser a explicação para o fraco desempenho do Interpol neste disco homônimo, já que o baixista Carlos D, um dos fundadores da banda, deixou o grupo há poucos meses. Mas seria falsa: Carlos D ainda gravou “Interpol” antes de buscar novos ares (sua saída ocorreu de maneira amigável, é bom que se diga). Então, como se explica um álbum tão sem graça, tão enfadonho como esse? Bom, talvez não seja preciso explicação alguma. A grande verdade é que o grupo novaiorquino já vinha em uma descendente. Se “Turn On The Bright Lights” e “Antics” conseguem praticamente empatar no quesito imensa qualidade musical, “Our Love To Admire”, que ainda é um disco muito bom, já deixava lá no fundo a sensação de que alguma coisa estava ruindo dentro do Interpol. Três anos de silêncio e o Interpol retorna com um disco apenas mediano, muito abaixo do que a gente sabe que a banda pode render. Há aqui e ali boas canções, como a forte dupla “Lights” e “Barricade”, que guarda semelhança com a boa época do grupo, e “Succes”, que abre bem o álbum. Mas, infelizmente, as outras sete faixas não conseguem sustentar a mesma qualidade, e “Interpol” falha irremediavelmente.

Klaxons – Surfing The Void

O segundo disco da carreira do Klaxons tinha tudo pra dar certo. Os caras praticamente inventaram um novo rótulo, a new rave, fizeram o mundo inteiro dançar com singles de grande porte, como “Atlantis to Interzone” e “Gravity’s Rainbow”, e confeccionaram uma das capas de disco mais sensacionais deste ano, com um gato vestido de astronauta. Mas, na hora de mostrar trabalho, os ingleses escorregaram. A demora em colocar novo material na rua já era comentada por todos. Dizem que o Klaxons fez um álbum completinho, não gostou, jogou tudo fora e começou outro do zero. Ninguém confirma, nem desmente, mas esse atraso surtiu um efeito “Chinese Democracy” na banda – afinal, todos sabemos, a velocidade dos acontecimentos neste século faz com que um ano pareça dez. Quando chegou aos ouvidos do mundo, “Surfing The Void” parecia… deslocado. Como falam por aí, as músicas são tão 2008 que, aparentemente, não combinaram bem com 2010. Como não poderia deixar de ser, o álbum não é uma derrota completa. As faixas “Surfing The Void”, “Flashover” e “Echoes” são um caldo, lembrando aquele Klaxons divertido, aquele Klaxons moleque que arrebatou todo mundo com “Myths Of The Near Future”, em 2007. Mas ficam muito aquém do que se espera de uma banda que tinha a cara da sua geração, o cheiro de leite com pêra envolvendo o ar, e agora parece mais mofada do que um pão de forma com dois meses de idade.

Antony and the Johnsons – Swanlights

Antony Hegarty tem uma das mais belas vozes da nova música. Inimitável, é ao mesmo tempo grave e delicada, unindo uma afinação impressionante a uma sensação de fragilidade crônica. Sua figura andrógina reforça esses sentimenos, e chega a confundir quem não conhece Antony. Com sua banda, os Johnsons, o inglês radicado em Nova Iorque foi responsável por um dos mais incríveis discos deste século, o sensível “I Am A Bird Now”, lançado em 2005. Depois dele, minha relação com o músico se tornou esquisita. “The Crying Light”, que saiu ano passado, não me conquistou. Para mim, é um disco aquém das possibilidade do músico. A esperança estava depositada em “Swanlights”, quarto álbum de sua carreira. Antes dele, o EP “Thank You For Your Love” deixava no ar boas possibilidades, mas eu continuava desconfiando. Quando o disco finalmente chegou, fui com avidez para a primeira audição e… não bateu. Vocês sabem, um disco precisa “bater”, precisa despertar alguma coisa. E nada. Não acredito que “Swanlights”, que vem sendo bastante elogiado, inclusive, seja um álbum ruim. Aqui, como costuma-se dizer em final de namoro, o problema sou eu. Por algum motivo qualquer, não assimilei a mensagem de Antony. Pode ser que daqui a quatro ou cinco meses eu volte fazendo mea culpa e colocando o disco em um altar – coisa que fiz com “I Am A Bird Now”, que também só me ganhou, e aí foi pra valer, seis meses depois. Pode ser. Mas, para agora, a única coisa que tenho para dizer a Antony e seus Johnsons é: amigos, me desculpem, mas não deu.

Notinhas

Várias

O ótimo site Rock n’ Beats (www.rocknbeats.com.br) aproveitou a vinda de Paul McCartney para o Brasil e organizou uma coletânea com músicas do beatle tocadas por artistas nacionais, como Apanhador Só, Wannabe Jalva, Sabonetes, Tulipa Ruiz e outros. O disquinho levou o nome de “Indie On The Run”. Dá uma sacada lá no site e ouça. /// O Rock In Rio 2011 começa a anunciar suas presenças ilustres. Depois de começar com Metallica, a organização confirmou a presença de Red Hot Chili Peppers e Snow Patrol. Fala-se que o Coldplay deve ser o headliner de um dos dias do esquema, mas não há nada confirmado ainda. /// O Strokes finalmente terrminou seu novo disco, foi o que Julian Casablancas comentou via Twitter dia desses. Mas, sobre o lançamento, ainda não há nada oficial. Que enrolação, hein!? /// Adele, cantora inglesa que chamou a atenção do mundo com sua bela voz, prepara sua volta para fevereiro de 2011. O primeiro single, a bela “Rolling In The Deep”, já tem clipe e promete um grande disco.

Coluna B em São Paulo

Neste fim de semana, este colunista está em São Paulo para acompanhar dois dos maiores eventos musicais-culturais do ano: o Planeta Terra Festival, que rola hoje, e o show do beatle Paul McCartney, que rola amanhã (há ainda outro, na segunda). No festival, que rola no parque Playcenter, uma bela quantidade de atrações imperdíveis: Yeasayer, Phoenix, Pavement, Girl Talk, Hurtmold, Passion Pit, Smashing Pumpkins, Of Montreal, Holger, Hot Chip, Novos Paulistas, Mika, Empire of the Sun, Mombojó e República. Já no domingo, uma atração que vale por muitas, na provável última turnê interncional de Macca. Morumbi completamente tomado, certamente um dos eventos mais importante deste novo século. E, na semana que vem, você pode ler sobre tudo isso aqui na Coluna B. Aguarde.

Todo mundo tem que ouvir

Depois de um bom tempo de espera, com várias músicas lançadas com sucesso na internet, finalmente Cee-Lo Green deixou seu novo disco encontrar nossos ouvidos. “The Lady Killer” é uma bela seleção de canção que destacam a poderosa voz do cantor americano, destaque desde seus tempos de Gnarls Barkley. Ouça a bolachinha.

Playlist

Hot Toddies – Boys On Bikes
Girl Talk – Let It Out
Longwave – Best Kept Secret
Nouvelle Vague & Soko – Sandy Sandy
Belle and Sebastian – Come On Sister
Delay Trees – 4:45 AM
Winterpills – Hallway (The Top Of The Velvety Stairs)
Dinosaur Pile-Up – Broken Knee
Yann Tiersen – Palestine
Bad Religion – The Devil In Stitches

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