Coluna B, dia 16/10

SWU, um festival de momentos

Três dias inteiros dedicados a uma única coisa: curtir como nunca um festival de música. Itu, no interior de São Paulo, foi palco do SWU (Starts With U), evento de proporções grandiosas que aconteceu de 9 a 11 de outubro, em uma fazenda da cidade. Tão cheio de bandas quanto de polêmicas, o que deu o tom do festival foi mesmo a sucessão de momentos – bons e ruins. Uma enxurrada de sensações se atropelavam, enquanto mais de 165 mil pessoas se acotovelavam por um lugar mais próximo de suas bandas preferidas (e mais quentinho, a Fazenda Maeda é gelada). E lá estava a Coluna B, atenta a tudo para trazer para você os melhores (e piores) momentos do SWU.

Momento “me tira daqui”
O show do Rage Against The Machine foi caos puro. Tudo começou com uma estrela vermelha tomando o telão vagarosamente, enquanto uma sirene deixava todo mundo apreensivo. Assim que o primeiro riff de “Testify” explodiu das caixas de som, o mundo se tornou um lugar mais alucinado. A poderosa voz de Zach de la Rocha parecia incitar a violência. Empurra-empurra. Celulares perdidos pelo chão. Rodas de mosh. Cerveja jogada pro alto. Tudo o que um show do Rage merecia ter. Ainda que eu quase tenha sido pisoteado, foi épico.

Momento “haja paciência”
Levar duas horas para sair do SWU no primeiro dia não foi fácil. Ainda bem que o problema foi solucionado, e no segundo e terceiro dia foi infinitamente mais fácil deixar o local.

Momento “dei mole!”
Mallu Magalhães, CSS, Josh Rouse, Aeroplane, Mombojó e Bomba Estéreo estão entre as atrações que eu dei o vacilo de perder, seja porque escolho alguma outra coisa no horário, ou porque cheguei atrasado. Mas, acima de qualquer outro, o momento “dei mole” fica por conta do show do Otto, que aconteceu no mesmo horário do Dave Matthews Band, e foi considerado por muitos uma das melhores atrações do festival.

Momento “colírio”
Joss Stone não precisava falar nada. Quieta, ela já ganhava a atenção de qualquer um que tivesse vista para o telão. Que mulher linda! Já o seu show, bem, não faria diferença se estivesse no “mudo”.

Momento “conversa pra boi dormir”
O papo de sustentabilidade, que envolveu o festival, vira conversinha à toa quando notamos diversas formas de desrespeitar as pessoas que estavam no SWU. Desde a turma do camping até as pessoas que queriam se alimentar depois dos shows, o sofrimento foi eterno. Antes de se preocupar com o meio ambiente, o SWU precisa cuidar melhor das pessoas que vão ao festival.

Momento “eu já sabia”
Eu não tinha a menor dúvida de que chegaria aqui após a maratona de shows e diria que o Queens of the Stone Age havia sido o melhor show. Apesar de encurtado em meia hora por causa de um atraso por problemas técnicos, o set list perfeito e a indisfarçável animação de Josh Homme fizeram dele o melhor show do SWU.

Momento “Brasil-sil-sil”
A qualidade dos shows nacionais no SWU foi marcante e uma belíssima prova do quanto a música (indie?) brasileira tem evoluído. Começando pela abertura dos palcos principais com o Black Drawing Chalks, quando as pessoas se surpreendiam por eles serem brasileiros, passando pelas ótimas apresentações de Tulipa Ruiz, Cidadão Instigado, The Twelves, Macaco Bong, B Negão e os Seletores de Frequência e chegando ao sensacional show do Los Hermanos, muito melhor do que aquele do Just A Fest, com o Radiohead. Quem diria, em um festival de grandes atrações gringas, a nova música brasileira foi um dos maiores destaques.

Momento “aumenta o som!”
Regina Spektor sofreu com um som mulambo, raquítico em sua apresentação no SWU. Sua música sensível, fina, ficava quase inaudível por causa do som baixo. A tenda eletrônica sufocava a voz e o piano da cantora russa-americana. De vez em quando, víamos ela apontando o indicador para cima, pedindo que aumentassem seu volume. Uma pena.

Momento “cabeça fundida”
Um dos shows mais incríveis do festival foi o do Mars Volta. Cinco músicas em uma hora, com muita viagem, improvisação, jam e dancinhas de seus protagonistas. Uma aula de guitarra com Omar Rodriguez-Lopez. “Cicatriz ESP” foi antológico. Um show para fundir a cabeça de qualquer cidadão apaixonado por música.

Momento “surpresa!”
Ainda que muitos esperassem que elas fossem a decepção do festival, Incubus e Kings of Leon fizeram bons shows. O KoL animou a plateia, diferente do que se vê em shows transmitidos pela TV. Já o Incubus enfileirou velhos sucessos, da época em que ainda era uma banda relevante no cenário mundial.

Momento “me acorda quando acabar”
Dignos de nota, o show do MSTRKRFT, muito esperado por diversos fãs, foi fraquíssimo. Uma das decepções do festival.

Momento “naquele tempo…”
Pixies, Sublime With Rome, Yo La Tengo e Cavalera Conspiracy fizeram shows para quem sente saudades. O Pixies, meio em rotação lenta por conta da idade e da pouca animação de Black Francis e comparsas, ainda animou muita gente com diversos hits barulhentos antes da tortura com o Linkin Park (a qual nem me dei o trabalho de assistir). O Sublime apenas emulou o que um dia já foi sucesso, encaixando bem como a trilha sonora inofensiva de um lindo fim de tarde em Itu – o mesmo fez o Yo La Tengo, talvez com um pouquinho mais de sucesso, apesar dos fãs de Linkin Park vaiarem a banda por não entenderem o que é uma guitarra bem tocada. Já os irmãos Cavalera, Max e Igor (me recuso a escrever o nome dele cheio de frescuras), metiam músicas e mais músicas do Sepultura, uma atrás da outra, levando um bocado de pessoas ao delírio.

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Um comentário sobre “Coluna B, dia 16/10

  1. Só um comentariozinho sobre show do Los Hermanos? Poxa.. assisti pela tv e fiquei aqui só na saudade. Boas lembranças eu tive.
    Tempão que não vinha aqui espiar!!!
    Bjos!

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