Coluna B, dia 02/10

Escócia, um país fofo

Se você é um leitor atento da Coluna B, vai se lembrar deste título de algum lugar. E aí, lembrou? Não, né? Tudo bem, acho que nem a minha mãe vai saber porque esse título é familiar (ou pelo menos deveria ser). Mas, como um colunista bonzinho (e realista) que sou, explico: “Escócia, um país fofo”, foi o título usado na primeira Coluna B, a inesquecível estreia, há pouco mais de quatro anos atrás. Abri os trabalhos aqui no Caderno 2 de A Gazeta em 2006 falando sobre as bandas de indie pop escocesas, dando destaque a duas delas que estão entre as minhas preferidas de toda a vida: Belle and Sebastian e Aberfeldy. E por que será que resolvi colocar o mesmo título na coluna de hoje? Simples: em pleno segundo ano de 2010, as duas bandas chegaram com discos novos depois de um bom tempo sem gravar.

Em fevereiro de 2006, o Belle and Sebastian lançou “The Life Pursuit”, seu último disco de inéditas. O trabalho fez grande barulho na mídia, mas desde lá pouco se ouviu da banda de Stuart Murdoch – uma coletânea ao vivo dos estúdios da BBC e o projeto God Help the Girl deram um certo alívio aos fãs mais desesperados, mas a sede por material novo era gigante. A já tão famosa fofura do grupo, que se apresenta no Brasil em novembro (dia 10 em São Paulo e dia 12 no Rio), está mais calibrada do que nunca em “Write About Love”, oitavo álbum da carreira, que chega com participações especialíssimas da musa Norah Jones (outra que vem fazer show no Brasil em novembro) e da atriz britânica Carey Mulligan.

O início de tudo, com a bela “I Didn’t See It Coming”, já mostra que este é mais um belo exemplar da suavidade melódica da banda. Os vocais masculinos e femininos que se revezam com tanta graça estão espalhados por quase todas as faixas, ganhando status de nobreza na melancólica “Calculating Bimbo” e em “Little Lou, Ugly Jack, Prophet John”, canção a que Norah Jones empresta sua voz deliciosa e faz dela a melhor do disco. O B&S faz sonhar na lindíssima “Read The Blessed Pages”, toda levada em dedilhados amargurados e uma flautinha safada, e dá uma animadinha com a divertida “I Want The World To Stop”, com a açucarada “The Ghost of Rockschool” e nas alegres “I Can See Your Future” e “Sunday’s Pretty Icons”, que fecham o disco com o astral lá em cima. A surpresa de “Write About Love” fica mesmo com a participação de Carey Mulligan na faixa-título, mostrando que seu talento não se restringe à atuação em cinema.

Se o Belle and Sebastian gera comoção por mais um disco lançado, com direito a presenças ilustres e tudo mais, o mesmo não acontece com o Aberfeldy. Infelizmente, porque a banda merece ser mais conhecida. Assim como o B&S, o Aberfeldy também é escocês (mas de Edimburgo, enquanto o B&S é de Glasgow) e também havia lançado seu último disco nos idos de 2006 – mais precisamente, “Do Whatever Turns You On”, segundo disco do grupo, saiu em julho daquele ano. Com ou sem burburinho, quem conhece e gosta da banda comemorou a chegada de “Somewhere To Jump From”, lançado oficialmente, mas de maneira bem discreta, em agosto. Convenhamos, quatro anos é um período bastante longo para aguardar notícias de uma banda que gostamos muito. A impressão que dava era de que o Aberfeldy havia desistido de lançar novo material: MySpace às moscas, nenhuma notícia sobre nada. Mas o terceiro álbum dos loirinhos é uma ótima surpresa.

Isso fica muito evidente quando ouvimos uma faixa como “In Denial”. Praticamente toda acústica, trabalhada cuidadosamente para emocionar com a forma como a melodia passeia pelos nossos ouvidos, ela se destaca como uma das mais bonitas do disco. Mas o tom de “Somewhere To Jump From”, apesar de ter baladinhas como a faixa-título, a bonitinha “Play The Music Loud” e a fofa “Wendy”, é de pura diversão. A abertura com “Claire” e o clássico tecladinho do Aberfeldy são uma preparação para o que vem a seguir. Há referências diversas, como o country (descarada em “California, West Lothian”, nas entrelinhas do violão de “Mean of Misery” e dando um certo charme a “If I Were A Joiner”) e o pop inglês dos anos 80 (presente em todo o álbum, mas especialmente em “Lisa Marie”), e as harmonias vocais sempre tão caras à banda (preste atenção nas vozes de “Malcom”, “Turn The Record Over” e “Talk Me Round”). Dá pra dizer que “Somewhere To Jump From” do Aberfeldy reúne grandes canções pop, assim como o excelente “Write About Love” do Belle and Sebastian. Mas é impossível deixar de registrar que, quatro anos depois, cá estamos nós falando dessas bandas escocesas fofas que nunca podem deixar de existir. Torçamos para que elas não demorem mais quatro anos para voltar novamente,

Notinhas

E os shows continuam chegando

Semana que vem rola finalmente o SWU, festival que vai reunir bandas como Queens of the Stone Age, Mars Volta, Los Hermanos, Regina Spektor, Pixies, entre outros, em uma fazenda em Itu, interior de São Paulo. Mas as confirmações de atrações gringas por aqui não param. Paulo McCartney confirmou sua presença em terras brasileiras em novembro. A turnê Up and Coming passa por Porto Alegre dia 7 e por São Paulo nos dias 21 e 22. Por enquanto, as datas são essas. Quem também vem é a minha musa querida Norah Jones. A americana toca em Curitiba dia 12, em São Paulo (de graça, no Parque da Independência) dia 14, no Rio dia 16 e em Porto Alegre dia 18, tudo novembro, mesmo mês que o Belle and Sebastian também vem – mas isso vocês já sabem, né.

Várias

A passagem de Brad Mehldau pelo Brasil está sendo sensacional. Segundo relatos, o pianista que enfia Nirvana, Radiohead e Beatles em seu repertório como se fosse a coisa mais natural do mundo deixou todo mundo embasbacado por aqui. Pena que não trouxeram o cara pra Vitória. /// Outra passagem que mexeu com São Paulo doi a do Dinosaur Jr. Além dos dois shows esgotados no club Comitê, os caras tocaram à tarde em uma pracinha de skatistas, embaixo de uma tenda. Quão sensacional isso é? /// Fiquem ligados: a qualquer momento um novo disco do Radiohead pode pipocar por aí. Os caras tão dando dica atrás de dica a respeito de material novo que estaria pintando por aí. /// Falando em disco novo, quem realmente está perto de lançar um é o R.E.M. Os caras já terminaram de gravá-lo, mas a bolachinha só deve sair mesmo ano que vem.

Todo mundo tem que ouvir

No ano em que completa 30 primaveras, a mais clássica das bandas punks do mundo, Bad Religion, lançou um disco novo. E um disco muito bom, diga-se de passagem. “The Dissent of Man” tem algumas faixas sensacionais, como “The Day That The Earth Stalled”, “The Resist Stance”, “The Devil In Stitches”, etc. Tome uma ótima decisão e ouça.

Playlist

Tulipa Ruiz – Do Amor
Paul McCartney – Every Night
Engineers – Twenty Paces
The Phantom Band – The None Of One
Mary Gauthier – March 11, 1962
Patti Smith – Till Victory
Low Sea – All Summer
Tricky – Bristol To London
Celladoor – Legacy
The Chapin Sisters – Palm Tree

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