Coluna B, dia 17/07

Nova geração

Há tanto o que se ouvir neste mundo! Às vezes ficamos presos em esquemas repetitivos e não nos damos conta da variedade de boas canções que estão por aí. Hoje a Coluna B apresenta duas novidades que podem fazer com que você deixe aqueles seus discos dos anos 70 na gaveta por um tempo: Twin Sister e The Drums. Senta e ouve, amizade.

Twin Sister – Color Your Life
Música de sonho. Acho que essa é uma boa forma de tentar traduzir em palavras o que faz o quinteto norte-americano Twin Sister. De sonho porque não é desse mundo: é de um outro, mais matreiro; de sonho porque tem efeitos que a gente desconhece; de sonho porque tem cara de trilha sonora de filme amalucado, cenário esfumaçado, protagonista com cara de doida correndo não se sabe de quê, nem para onde. Engatinhando na carreira enquanto lança apenas seu segundo EP, o lindo “Color Your Life”, o grupo mostra a contribuição que pode dar além da música e coloca em seu site as trilhas de suas faixas para download e encoraja o público para que faça remixes com elas, já que todas as músicas estão sob uma licença não-comercial do Creative Commons.

Nada mal para quem procura matéria-prima de qualidade para novas peças de colagem musical. Faixas como a magistral “Mik & Honey”, que vai de um extremo a outro em poucos minutos, ou “The Other Side of Your Face”, que abre o EP se derretendo por mais de sete minutos entre camadas e mais camadas de melodias adoráveis, são sensacionais em sua forma original, mas poderiam resultar em grandes remixes. A mistura de barulhinhos eletrônicos com batidas suaves e vocais como confissões de amor ao pé do ouvido criam atmosferas surreais que podem se transformar em qualquer coisa. Os sonhos também têm a ver com possibilidades infinitas, afinal. Sonhar com um mundo livre de amarras e burocracias, onde a criatividade é o principal combustível da alma, é o que o Twin Sister deseja. A música de sonho, para começar, eles já fazem, e muito bem.

The Drums – The Drums
É tosquinho, mas é legal. Tem aquele jeitinho largado, jeans sujo e franja esquisita, mas faz melodias que a gente passa dias assoviando sem perceber. O tênis Converse está arrebentado pelo tempo, moldando-se ao todo como um conjunto perfeito do desleixo calculado, mas a veia experimental salta quando os primeiros acordes flutuam pelo ambiente. Molecada boa é assim, tem cara de que não vai dar em nada, mas, quando menos se espera, descobre-se todo o talento escondido sob a pesada camada de maquiagem. Essa descrição poderia servir para dezenas de bandas deste novo rock que emergiu na primeira década deste século, de Strokes a Franz Ferdinand, passando por Libertines e Black Rebel Motorcycle Club, mas se encaixa perfeitamente com o quarteto novaiorquino The Drums, os novos queridinhos da cena indie.

Alçados a uma das grandes promessas de 2010 por especialistas em uma pesquisada realizada pela BBC de Londres, a banda chega finalmente ao seu disco de estreia, “The Drums”, após ver seu primeiro EP ser recebido com festa ano passado. Com fortes influências de bandas britânicas como Smiths e Joy Division, além de trazerem em seu DNA um bocado da cena punk de Nova Iorque nos anos 70, o Drums viu suas doze músicas sobre a alegria do verão e a tristeza de uma vida solitária serem comemoradas por críticos de todo o mundo. O pop de guitarras em cores vivas faz de “Let’s Go Surfing” e “Best Friend” pérolas do cenário atual. “Down By The Water” se deixa derreter em uma balada cinzenta, enquanto “We Tried” e “Me and the Moon” são viagens confortáveis e saborosas ao pop dos anos 80. Há por todo “The Drums” uma saborosa corrente de melodias, levadas e riffs que nos prendem inexplicavelmente. Ou talvez não seja assim tão difícil de explicar: é o tipo de som que leva o bastão do rock dos anos 2000 um pouquinho mais adiante.

Notinhas

Shows no Brasil
A coisa anda esquentando por aqui. Enquanto crescem os boatos de Queens of the Stone Age e Pavement no Planeta Terra Festival, em novembro, aumenta também a possibilidade do SWU anunciar o Rage Agains the Machine para outubro, algo que já vem sendo ventilado faz tempo. No caminho, outros nomes ganham força para tocar por aqui: Miike Snow, um dos mais badalados grupos indie da atualidade, traz da Suécia seu ótimo show em setembro, direto para Rio, São Paulo e Porto Alegre; o californiano She Wants Revenge, com seu rock obscuro, também desce para o Brasil no mesmo mês, para apresentações em São Paulo e em Brasília. O nono mês do ano também é aquele que deve receber o Dinosaur Jr. no país. Tá bom ou quer mais?

Vários
O Intrepol continua vagarosamente mostrando o que há de bom em seu novo disco, que deve sair em setembro. Mas eu nem diria que é tão bom assim: “Barricade”, a nova faixa liberada pela banda, não é lá tão empolgante. Será que esse disco novo vai prestar? /// E o Oasis, vai voltar? Noel Gallagher está gravando o seu disco, que deverá ser lançado como se fora um disco do Oasis, com exatamente a mesma banda com que tocava antes. Até Liam, seu irmão com quem anda brigado, tem comparecido às gravações. Será que volta? /// Laura Marling, Mumford & Sons e Dharohar Project estão prestes a lançar um projeto com temas indianos que promete ser bem bacana. O coletivo já colocou duas faixas na internet e deu pra sacar que vale a pena aguardar pelo disquinho. /// Quem também está perto de lançar novidades é o Los Campesinos. A banda escocesa chega no dia 19 com o EP “A|ll’s Well That Ends”, com quatro canções ao melhor estilo fofo e barulhento. Fiquem ligados.

Todo mundo tem que ouvir
O Best Coast, que já vinha sendo comentadíssimo quando ainda nem tinha disco lançado, agora está mais do que bombada. Com o lançamento de seu álbum de estreia, “Crazy For You”, a dupla californiana ganhou destaque nos blogs do mundo com seu disco de canções ensolaradas e marcantes. Corre pro download.

Playlist
Soundpool – Makes No Sense
Chief – Your Direction
Bombay Bicycle Club – Word by Word
Tulipa Ruiz – Às Vezes
Jamaica – By The Numbers
Brendon Boyd – The Wild Trapeze
Boston Tea Party – Lately
Fyfe Dangerfield – Barricades
Janelle Monae – Cold War
Mombojó – Amigo do Tempo

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