Coluna B, dia 26/06

Discografia: The Magic Numbers

A série “Discografia” está de volta à Coluna B. Após o primeiro episódio, estrelado pela incrível banda islandesa Leaves e seus três grandes (e pouco conhecidos) álbuns, desta vez quem tem seus discos comentados por aqui são os melódicos e um bocado instáveis ingleses The Magic Numbers. Arrebatadores em seu primeiro disco, a banda não conseguiu repetir o excelente desempenho no aguardadíssimo segundo trabalho, o insuficiente “Those The Brokes”. Agora, a banda formada em 2002 pelos casais de irmãos Sean e Angela Gannon e Romeo e Michele Stodart retorna, após quatro anos sem lançar material inédito, para o álbum “The Runaway”, que tem lançamento marcado para hoje, 26 de junho, na Europa, mas já está correndo livre pela internet há semanas.

The Magic Numbers (2005)
Logo no primeiro disco lançado, o Magic Numbers ganhou o mundo. Em junho de 2005, a banda era uma das mais comentadas nos sites e blogs especializados, tratada como joias de um revival dos anos 60 que parecia ter chegado pra ficar. Eram doze canções, cada uma mais fofa que a outra, e todas cunhadas com tanto carinho que pareciam ter momentos exatos para que fossem executadas. O primeiro single, “Forever Lost”, era tudo o que você poderia querer para cantar alto, a plenos pulmões. “I See You, You See Me” era a música pro choro – não havia (e talvez ainda não haja) canção tão companheira para as horas tristes do que essa linda e melancólica pérola. Para momentos de puro amor, a contraditória “Love Is A Game” fazia sua parte com uma levada deliciosa e um refrão pouco esperançoso, mas bom de cantar ao pé do ouvido. A caminhada na praia em pleno inverno, com casaco e ondas de vento estourando no rosto, também tinha uma trilha sonora: “Wheels On Fire”. Havia até mesmo o momento ideal para jogar tudo pra cima e dançar sem compromisso – a espevitada “Long Legs” ocupava esse posto com muita categoria. Enquanto isso, “Mornings Eleven” e “Wich Way To Happy” eram daquelas que se ouve a qualquer hora, em qualquer lugar, até hoje – instantâneos de um disco emocionante e atemporal.

Those The Brokes (2006)
Antes que você comece a pensar o contrário, afirmo logo: não, este definitivamente não é um disco ruim. “Those The Brokes” tem seus momentos, fala bem de pertinho com os fãs do Magic Numbers, reproduz melodias e arranjos que deram certo no primeiro disco, e até consegue trazer alguma melhora nas simples e belas letras da banda. Mas falta ao disco algo que costuma faltar a um time vencedor: coesão. Quando analisamos o trabalho como um todo, parece que as coisas foram armadas de última hora, na correria. Essa afirmação não deixa de conter um tanto de verdade. “Those The Brokes” foi lançado apenas um ano e meio após a estreia dos ingleses, meses após o fim de uma extenuante turnê que levou a banda a cantos nunca imaginados. Talvez por isso, Os Stodarts e os Gannon tenham conseguido desfilar belas harmonias em canções como “Boy”, “Take Me Or Leave Me”, “Take A Chance”, “Runnin’ Out” ou “You Never Had It”, mas não conseguiram entregar ao disco a mesma qualidade inescapável de “The Magic Numbers”. Mais longas e introspectivas, as faixas de “Those The Brokes” batem na trave quase sempre, corroborando a ideia de que, com mais tempo, o Magic Numbers poderiam ter colocado na praça outro grande trabalho, mais bem cuidado e amarrado. Uma pena, mas ainda dava pra acreditar neles como uma banda.

The Runaway (2010)
Fazer diferente. Com essa proposta em mãos, e com várias ideias na cabeça, a dupla de irmãos do Magic Numbers começaram a compor o terceiro álbum da carreira. Eles sabiam que estavam fazendo um disco decisivo: se não desse certo, a banda cairia em um ostracismo difícil de sair. Seria complicado recuperar uma carreira de um disco só. Romeo Stodart convocou então Valgeir Sigurösson, produtor que trabalhou com Bonnie Prince Billy, Björk e Múm, para dar uma nova atmosfera ao som do Magic Numbers. Ponto para a ousadia de Romeo – e para o talento de Sigurösson, claro. “The Runaway” leva a banda para um outro  patamar, trabalhando faixas com belíssimas orquestrações (como em “I’m Sorry”), dando força aos vocais femininos e resgatando um pouco da alma pop que a banda havia deixando de lado em “Those The Brokes” (como em “Throwing My Heart Away”). Se “The Magic Numbers” pegava a banda de olho nos anos 60, agora o grupo caminha dez anos à frente e se joga no brilho dos anos 70 em diversas faixas, como a bela “Why Did You Call?”, a melodiosa “The Song That No One Knows” e a emocionante “Sound of Something”. Se não conseguiu superar seu primeiro álbum, pelo menos o Magic Numbers mostrou que ainda dá pra acreditar no talento das duplas de irmãos.

Notinhas

Várias
A banda Natalie Portman’s Shaved Head vai mudar de nome. Segundo comunicado do grupo, o amor deles por Portman e sua cabeça raspada do filme “V de Vingança” acabou, e agora querem ser conhecidos por “Brite Futures”. Ok. /// O Acabou La Tequila, mais festejada banda alternativa dos anos 90, deu o ar da graça em um show do Canastra, semana passada, no Rio. Na formação, além de Renato Martins, vocalista das duas bandas, estava Nervoso no teclado, Rodrigo Barba (Los Hermanos) na bateria, Melvin no baixo e Kassin na guitarra. Dizem que foi sensacional. /// Segundo o site da revista Rolling Stone, Marcelo Camelo vai lançar um DVD nos próximos meses e se preparar pra, ainda em 2010, lançar seu segundo álbum solo. E mais: shows do Los Hermanos estão marcados para breve. /// O Phoenix, que confirmou sua presença (ao lado do Hot Chip) no Planeta Terra Festival 2010, gravou um MTV Unplugged. Alguns vídeos (ótimos, por sinal), já estão na internet.

Radiohead ainda em 2010
O mundo da música deu uma bela de uma engasgada essa semana, após a divulgação da entrevista de Ed O’Brien para a Radio 6 Musica, da BBC londrina, avisando que o Radiohead deve lançar um novo disco ainda esse ano. “Estamos em estúdio neste momento. Estou muito animado e acredito que este será nosso melhor disco”, disse o guitarrista da banda inglesa. Mais do que isso, O’Brien garantiu que o disco deve estar pronto já nas próximas semanas e confirmou que este processo de gravação, mais rápido e objetivo, foi bastante diferente dos três anos de feitura do fenomenal “In Rainbows”, que chacoalhou a música em 2007. Disco novo do Radiohead. Para breve. Não é pouca coisa, não.

Todo mundo tem que ouvir
Uma bela voz. Repertório inspirado. Interpretações emocionantes. Não é fácil achar alguém com todos esses predicados. Quando encontramos, o melhor é espalhar seu nome por aí. E o dela é Tulipa Ruiz, paulista que acaba de lançar seu primeiro disco, o excelente “Efêmera”. Ouça já.

Playlist
Stars – We Don’ Want Your Body
Greg Laswell – Let It Ride
We Have Band – Oh!
The National – Bloodbuzz Ohio
Jamie Lidell – You See My Light
M.I.A. – Story To Be Told
Bad Religion – Struck A Nerve
The Like – In The End
Interpol – Summer Well
Weezer – Represent

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