Coluna B, dia 22/05

Um novo Band of Horses

Movimento. Ambição. Incômodo com a acomodação. Tentativas. Erros e acertos, mas, acima de tudo, disposição para a mudança. Quem fica parado, sobra. Quem se mexe, avança. É assim, sempre foi assim, apesar de alguns exemplos de exceções (que, no fundo, só confirmam a regra). Já diziam os gurus de auto-ajuda, “mude, e o mundo muda com você”. Parece que Ben Bridwell escutou a lição. O líder do Band of Horses chega a “Infinite Arms”, seu terceiro disco à frente da banda, com tudo renovado. E quem gosta de boa música agradece.

As mudanças começaram em 2007, tão logo “Cease To Begin”, segundo disco da carreira do grupo de Seattle, foi lançado. Originalmente um trio (além de Bridwell, Ryan Monroe e Creighton Barret) que se transformava em quinteto quando subiam ao palco, o BoH resolveu oficializar a presença dos outros dois integrantes, Bill Reynolds e Tyler Ramsey, e mudou radicalmente sua formação. É certo que isso teria reflexo no som da banda, o que nos leva imediatamente à segunda mudança: “Infinite Arms” traz músicas mais solenes, dá uma bela aprofundada no folk e suaviza o som do Band of Horses como nunca se tinha visto em seus dois álbuns anteriores. Acordes mais leves, passagens cheias de sentimentos, sem pressa, notas e batidas mostrando mais intimidade entre as partes.

“Infinite Arms”, que já caíra na internet há semanas, saiu oficialmente na última terça, dia 18, e à barca da terceira mudança importante do Band of Horses: é o primeiro lançamento da banda pela grande gravadora Columbia. Passo importante para quem já está há anos fazendo música que é consumida de olhos fechados por milhões de fãs pelo mundo. Mesmo nós, baixadores oficiais de música, torcemos que bandas como o Band of Horses vá mesmo para grandes selos que saibam investir no seu talento e amplificar a presença de suas músicas. Este terceiro disco, aliás, parece perfeito para realizar essa transição. Mais uma vez produzidos por Phil Ek, ex-assistente de Jack Endino e responsável pelos discos anteriores e também por belos álbuns de Built To Spil, Pretty Girls Make Graves, Fleet Foxes, The Shins e The Dodos

Bridwell, ainda mais à vontade com seu inconfundível e exótico timbre vocal, continua dominando como poucos a incrível arte de dar forma musical a histórias que parecem comuns, como se fora um conto musicado. São casos de amor perdido e esperanças renovadas, a dor do envelhecimento versus o desejo da juventude eterna, um dia na vida de alguém que enfrenta o sofrimento, dramas de pele, pelos, olhos curiosos, vidas de verdade. Mais doce do que nunca, o Band of Horses cobre e recheia essas letras com arranjos delicados, acordes mágicos que se encontram e estouram no ar como fogos de artifício. Atemporais, faixas como as lindas “Factory”, “Dilly” e “Way Back Home” nos presenteiam com estruturas bem montadas e adornadas, e poderiam tanto ter sido lançadas hoje quanto nos anos 70.

“Laredo”, apesar da letra triste, traz aquela sensação aconchegante de saber onde se está pisando, o prazer de estar em contato com algo familiar, querido. É o bom, aliás, o ótimo e velho Band of Horses atacando novamente, como também nas deliciosas “Compliments” e “Northwest Apartment”. “Older” acha seu espaço no country, como se cavasse as guitarras chorosas do estilo para deixá-las ao lado do refrão de backing vocals que afagam os ouvidos. O lado baladeiro do Band of Horses se destaca com a simples “Evening Kitchen”, de melodias vocais exuberantes entre dedilhados de violão, e a emocionante “Neighbor”, que começa praticamente à capela, e depois ganha teclados e piano, e só se rende à guitarra, o baixo e a bateria quase no fim de seus seis minutos, finalizando um disco que traz um novo Band of Horses justamente como deveria ser: representando todas as mudanças feitas.

Notinhas

Lost: o fim

A série mais importante da história da televisão (e não só: também da história da cultura pop e o grande acontecimento popular deste milênio, ouso dizer) chegou ao fim. Amanhã, dia 23, a emissora americana ABC veicula o capítulo final de Lost. Tão esperado por tantos, os mesmos que desejavam secretamente que a série nunca tivesse um episódio final, “The End” vai ter nada menos que duas horas e meia de duração. Um longa, praticamente. A emissora americana vai dedicar, na verdade, merecidas quatro horas e meia do final de seu domingo para Lost: das 20h às 22h, um programa especial vai fazer um apanhado das seis temporadas; das 22h à 0h30, o último capítulo da intrigante história vai ao ar, dando a nós, fãs da série, os últimos momentos ao lado de Jack, Locke, Kate, Sawyer, Hurley, Juliet, Ben, Claire, Desmond, Jacob, monstro de fumaça preta, urso polar na floresta tropical, viagem no tempo, fantasmas, campos magnéticos, ilusões, teorias, medos, decepções, lágrimas. Lost marcou o mundo, e ao final de tudo, a despeito de todos os questionamentos que a série gerou, a única pergunta que fica no ar é: o que nós vamos assistir agora?

Vários

Mark Lanegan, sim, aquele mesmo do Screaming Trees e de outras dezenas de projetos, virá ao Brasil, mais exatamente em São Paulo, dia 24 de junho, para um show solo. Algo como imperdível, eu diria. /// O Broken Bells, projeto de James Mercer (The Shins) e Danger Mouse, não morreu. Os dois planejam lançar mais uma série de músicas em um novo álbum. Mas, adiantou Mercer, isso só acontecerá depois que ele lançar o novo disco do Shins, que deve sair ainda este ano. Só notícia boa, hein. /// Liam Gallagher, aquele que já foi vocalista do Oasis, vai produzir um filme sobre a Apple – não a do iPod, mas a Apple Corps., selo dos Beatles. O longa será baseado no livro “The Longest Cocktail Party”, de Richard DiLello. /// E o Arcade Fire surpreendeu todo mundo. Quando menos se esperava, a banda anunciou a chegada de um novo single pra daqui a alguns dias, veja só. /// Tired Pony é o nome da sua nova superbanda preferida. Na formação, membros de R.E.M., Snow Patrol e Belle and Sebastian. Tá bom ou quer mais?

Todo mundo tem que ouvir

O Stone Temple Pilots está de volta. Com sua formação original, os caras não só retornaram aos palcos como gravaram um disco de inéditas.

E, pasmem: o disco é bom. “Stone Temple Pilots” já está facinho na internet, baixe e ouça.

Playlist

Janelle Monae – Neon Valley Street
Flying Lotus – Recoiled
Stone Temple Pilots – Samba Nova
The Rolling Stones – All Down the Line
The National – Runaway
Karen Elson – The Birds, They Circle
Exit Calm – Reference
Jamie Lidell – I Can Love Again
Sleigh Bells – Treats
The National – Conversation 16

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