Coluna B, dia 24/04

LCD Soundsystem: saidera
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Odeio despedidas. Aliás, quem curte? Ninguém. A não ser que seja de algo que te faz mal, todo mundo fica triste na hora de dizer tchau (a rima não foi de propósito). James Murphy, dono, principal cabeça, compositor e idealizador do LCD Soundsystem, já está fazendo com que lágrimas brotem de marmanjos e marmanjas desse mundo afora com a notícia de que seu famoso projeto está se despedindo. Sim, “This Is Happening” é o terceiro e último álbum do LCD Soundsystem. Em meio à maré de tristeza, dá pra adiantar que, se este for mesmo o último álbum do novaiorquino sob este nome, sua história foi fechada com luxo.

É que Murphy, que também é um dos donos do imponente selo DFA Records, nome forte do novo eletrônico indie, tem ventilado por aí sua visão pouco esperançosa da indústria da música. Entre suas previsões, a do “fim do álbum” é a que mais ecoa por aí. Não à toa, o dono do LCD disse em entrevista à revista inglesa NME que não deve mais gravar álbuns, muito menos sob esse pseudônimo, já que teria “fechado uma trilogia”. Digno de nota, claro, vindo de um cara tão importante pro cenário atual da música. O discurso de Murphy dialoga com o de outra imensa estrela da música dos nossos tempos, Thom Yorke. Apesar de informações darem como certo um novo disco do Radiohead entre o fim deste ano e o começo de 2011, o inglês sempre falou abertamente a respeito da morte do disco como um conceito de trabalho musical. Agora, Murphy, como líder de banda e como executivo de um selo, reverbera a teoria.
Enquanto os álbuns não morrem por completo, algo que esta coluna sinceramente acredita que não vai acontecer tão cedo, nos concentraremos no último suspiro do LCD Soundsystem. “This Is Happening” vazou na internet por completo há poucos dias, mas já havia deixado um rastro online de quatro das nove músicas que o compõem. “Drunk Girls”, o primeiro single, já era sucesso na net, em pistas e em comparações com faixas de outros artistas – a mais notável, alarmada pelo camarada Erly Vieira Jr. via Twitter, a colocava ao lado de “White Light/White Heat”, do Velvet Underground. Nasceu pra virar hit, apesar de não ser a melhor música que Murphy já fez, e tem uma levada urgente que é um convite a danças desconexas. O clipe da faixa, com um ataque de pandas alucinados, é impagável.

A irônica “You Wanted a Hit” tem tudo para ser um hit, desde o começo com um teclado oitentista hipnotizante, passando pelo vocal seco de Murphy até o refrão singelo, mas insiste em dizer que o LCD Soundsystem não sabe fazer hits. Cinismo deliciosamente puro. Um dos maiores destaques do álbum é a linda “I Can Change”: com jeitão de baladinha, a faixa recheada de sintetizadores é uma viagem romântica, daquelas que fazemos questão de acompanhar do início ao fim. No refrão, o personagem promete uma mudança, caso isso ajude a ela a se apaixonar por ele. Bonito demais. Enquanto isso, “Pow Pow”, que quebra o que vier pela frente com suas pancadas ocas e energia empolgante, as batidas vintage de “One Touch” e seu gritinho de guerra feminino, a relaxante “All I Want” e a charmosa-preguiçosa “Somebody’s Calling Me” também entram na lista de faixas de “This Is Happening” que pulam sobre nossos colos logo de cara.

A longa e viciante “Dance Yrself Clean” abre o disco com uma psicodelia que escorre pelas caixas de som, levando quase nove minutos para abrir os trabalhos da melhor forma possível.  Lá do outro lado, no final do disco, “Home” parece rolar suavemente sobre belos beats e melodias, fechando com classe o que pode ser o último disco do LCD Soundsystem. Será que, colocando esta como a última faixa do álbum, James Murphy dá a dica de que está voltando para casa? Nesse caso, com um trabalho desta magnitude, existe a certeza de que essa despedida vai gerar algumas lágrimas.

Notinhas

Discos que vazam
Essa foi uma semana de bons discos vazando internet afora. No mesmo dia caíram na rede os empolgantes “Total Life Forever”, do Foals; “Infinite Arms”, do Band of Horses; e “High Violet”, belo e esperadíssimo novo trabalho do The National. Dias depois, chegaram “Together”, do New Pornographers, e “Brothers”, do Black Keys. Eles se juntam aos novos discos de Kate Nash, Jamie Lidell, Hole, Fuck Buttons, Medications, The Album Leaf, Gogol Bordello, Crystal Castles, Lux e The Hold Steady, que chegaram há pouco, junto com o já amplamente citado terceiro disco do LCD Soundsystem. Somem a esses os nacionais imperdíveis “Las Vênus Resort Palace Hotel”, da Cibelle, “Na Cidade”, do Pata de Elefante, e o ótimo “Apanhador Só”, do Apanhador Só. Agora diz que não tem música nova para ouvir, diz.

E o Coachella foi…
O Coachella Festival, um dos maiores festivais de música e artes que acontece em Indio, na Califórnia (EUA), rolou no último fim de semana e deu o que falar em sites, blogs e, claro, no onipresente Twitter. Pelo que deu pra sacar pelos comentários da galera que foi, o Atoms For Peace, nova banda que une Thom Yorke (Radiohead) e Flea (Red Hot Chili Peppers) para tocar as canções do projeto solo de Yorke, foi uma das mais festejadas. Também fizeram barulho Jay-Z (com participação de sua senhora Beyoncé), The xx, Julian Casablancas, Yeasayer, Phoenix, Them Crooked Vultures, The Specials, Major Laser, LCD Soundsystem, Calle 13, Ra Ra Riot e sua violoncelista-modelo, Aeroplane, She & Him e o Faith No More. É muita gente boa junta, não?

Todo mundo tem que ouvir
O Foals voltou renovado. Para desespero de uns, adoração de outros, os cinco rapazes ingleses retornam com “Total Life Forever”, segundo trabalho do grupo.
Esqueça um pouco os arranjos frenéticos do primeiro disco, concentre-se mais nas letras e melodias. Este é o novo Foals, e eu gostei.

Playlist
Medications – Home Is Where We Are
Lonely Drifter Karen – Ready To Fall
The xx – Islands
Apanhador Só – Maria Augusta
Jamie Lidell – Compass
Band of Horses – Factory
The National – Runaway
Kate Nash – You Were So Far Away
The Entrance Band – You’re So Fine
Young Heretics – Risk/Loss

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