Coluna B, dia 3/04

Bad Religion, 30 anos
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Bandas são como chuva. Vêm e vão a todo momento. Umas duram mais, outras menos. Há as que passam sem que a gente nem perceba, enquanto outras deixam sua marca indelével por onde vão. Quando paramos para pensar, conseguimos nos recordar de algumas que realmente nunca serão esquecidas, seja porque a força dos ventos derrubou uma árvore do seu quintal (no caso da chuva) ou porque ela fez algumas das canções que mais dizem algo sobre você (é claro que estou falando de bandas).

No ano de 1980, em Los Angeles – EUA, alguns amigos resolveram começar uma banda de punk rock. Cinco anos, um EP e dois álbuns depois, ela anunciava o seu fim. O motivo não era novo: integrantes tendo problemas com drogas e brigas internas minaram um grupo que prometia. Naquele momento, era improvável que eles conseguissem fugir do rótulo de mais uma banda que começa e termina em muito pouco tempo. Mais uma chuva passageira? Nem eles, muito menos seus fãs, poderiam imaginar que o grupo logo se reuniria e que, em 2010, essa banda estaria completando 30 anos de estrada, levando nas costas toda a bagagem de quem mudou a história do punk rock e se tornou o maior nome do estilo em todo o mundo. E que nome: Bad Religion.

A minha história com eles começou há aproximadamente quinze anos. Lá pelos idos de 1994/95, quando fui apresentado à banda, alguns de seus grandes discos já tinham sido lançados. Eram tempos de “Stranger Than Fiction”, mas eu ainda engatinhava pela discografia da banda com ouvidos colados em “Generator” (1992) e “Against The Grain” (1990), até hoje meus álbuns prediletos, através de algumas fitas K7 gravadas pelo meu amigo Helder Mansur, o cara que me apresentou à banda. A despeito da onipresente axé music, estilo que reinava naquela época nas praias e nas paradas de sucesso do Brasil, Bad Religion era a trilha sonora dos meus verões em Marataízes. Nada mais perfeito para se ouvir no carro, à noite indo para a balada, ou à tarde rumando para alguma praia, do que petardos que às vezes nem passavam de dois minutos de duração.

Além da velocidade e melodias das músicas, há de se levar em conta  todo o caráter político das letras, além do nome e logotipo extremamente transgressores, detalhes que eram capazes de seduzir qualquer adolescente com uma propensão ao questionamento de tudo no mundo. Mas foi só com o passar do tempo que descobri os outros discos da banda. Primeiro vieram “Recipe For Hate” (1993) e suas pérolas sensacionais: “Man With A Mission”, “Skyscraper”, “Struck A Nerve” e, claro, “American Jesus”. Logo depois o já citado “Stranger Than Ficition” (1994) chegou para mim junto de “No Control” (1989) e “Suffer” (1988). Entrei de cabeça no trabalho da banda, ainda que tenha recebido as informações atrasadas no meio de toda essa embolação de álbuns e datas. Por um bom tempo, me infiltrei nesse universo enlouquecidamente, decorando todas as letras das canções e sabendo de cor e salteado a hora em que o vocalista Greg Graffin entrava com um de seus “ya hey!” ou “let’s go!”.

“The Gray Race”, de 1996, foi o primeiro disco que vi sendo lançado, acompanhando tudo de perto. Nessa época eu já era fã a ponto de ter algumas camisas da banda no armário. Para mim, Graffin, Brett Gurewitz, Greg Hetson, Jay Bentley e Brian Baker faziam a música mais pujante da época, disputando espaço com as bandas grunge que já faziam parte da minha vida. Em março de 1999, realizei o sonho de ver o Bad Religion ao vivo pela primeira vez – um show inesquecível no antigo Olympia, em São Paulo. Mais do que isso, realizei duas vezes: a banda voltou ao Brasil em novembro, e novamente eu estava em São Paulo para vê-los. A partir daí, por mais que o punk rock já estivesse um pouco distante de mim, sempre acompanhei a banda com um carinho desmedido. Ainda que Greg Graffin tenha dito em “No Direction” que “nenhuma música do Bad Religion pode tornar a sua vida completa”, tenho certeza que um grande pedaço de mim estaria vazio hoje sem essa banda. Aos 29 anos, um a menos do que o Bad Religion, me sinto na obrigação de agradecer por essa chuva permanecer molhando muita gente até hoje.

Notinhas

Várias
Por incrível que pareça, é verdade: o Libertines, uma das piores bandas da história do indie moderno, está voltando à ativa. Pelo que se diz, o insosso Carl Barat e o lamentável Pete Doherty vão ganhar uma bolada para serem atrações principais do Reading Festival. Tem gosto pra tudo. /// O sumido Magic Numbers está pronto para voltar à boa forma com seu terceiro disco, “The Runaway”. A bolachinha chega ao mercado no dia 7 de julho, mas a gente espera que surja antes disso nos downloads da vida. /// Os escoceses vão invadir o Brasil. É o que promete a Rebola Produções, que vai trazer o Camera Obscura e o Trembling Bells para cá esse ano. O primeiro já tem datas: 27/05 em São Paulo e 28/05 em Recife. O segundo ainda não term datas confirmadas.

Zemaria pro Brasil ver
Essa semana foi bastante agitada para a mais importante banda capixaba. O Zemaria foi selecionado para dois importantíssimos projetos de música nacionais: O Levi’s Music e o Conexão Vivo. No primeiro, o grupo de Marcel Dadalto e cia se junta a mais quatro bandas para uma disputa que resulta na realização de shows e promoções pelo Brasil todo e a produção de um videoclipe. Já o segundo se trata de um festival itinerante, que passa por diversas capitais do país com mais de cinquenta bandas participantes, e o Zemaria é a única capixaba a constar no line-up. Os caras (e a moça) estão com tudo.

Todo mundo tem que ouvir
O duo electropop The Golden Filter surgiu para o mundo em 2008, mas só agora chega ao seu primeiro álbum.
Talvez a banda estivesse esperando a poeira do hype baixar. Fizeram bem: “Voluspa” é um disco delicioso, dançante e bonito. Vale a pena ouvir.

Playlist
Bad Religion – Sowing The Seeds Of Utopia
Bad Religion – Atomic Garden
Bad Religion – God Song
Bad Religion – 1000 More Fools
Bad Religion – 10 in 2010
Bad Religion – Kerosene
Bad Religion – The Hopeless Housewife
Bad Religion – Lost Pilgrim
Bad Religion – Automatic Man
Bad Religion – Leave Mine To Me

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