Coluna B, 30/01

Beach House, a banda do verão capixaba
Já estamos no final de janeiro e só agora vou falar um pouco do verão. Essa estação tão adorada por tantos (me inclua fora dessa), que tanto calor traz ao já extremamente quente estado do Espírito Santo, costuma tirar as pessoas do sério. A quantidade de eventos nas cidades praianas aumenta de forma considerável, as pessoas passam a tratar uma manhã na praia como programa obrigatório e uma série de shows de qualidade duvidosa pipoca por tudo quanto é lado da Grande Vitória. E nem de férias eu estou. Quer dizer, dá pra amar o verão?

É por isso que, todo ano, a coluna ganha uma edição sobre o verão. E, não raro, já que estamos chegando ao quarto ano de Coluna B, ela é irônica, com alguma banda ou disco que tem, mas não tem, a ver com essa estação fervilhante (isso não é um elogio). Por exemplo, este ano escolhi uma banda que tem em seu nome algo que é a cara do verão: Beach House. Mais do que isso, o nome do novo disco também remete àqueles tempos áureos, quando viver o verão até a última gota de suor ainda valia a pena: “Teen Dream”. Então, dá pra não amar o verão?

O que não dá pra não amar é essa delícia de disco. “Teen Dream” é a estreia do Beach House em uma gravadora consideravelmente famosa, a espertíssima Sub Pop (a mesma que deu voz ao Nirvana, entre outros), e a diferença de um disco gravado com um orçamento um tantinho mais avantajado se faz presente de cara. O terceiro disco da dupla americana Victoria Legrand e Alex Scally vem em versão gigante, com uma qualidade e uma grandeza que os álbuns anteriores, os também ótimos “Beach House” (2006) e “Devotion” (2008), não conseguiram alcançar. Quem enfiou fermento no som do Beach House foi o produtor Chris Coady, que colocou a banda para gravar em uma igreja.

Enquanto os álbuns anteriores traziam um som de alcance limitado, e muitos dizem que essa era o principal charme do Beach House, “Teen Dream” vai sempre além. Muitos instrumentos substituem o solitário teclado de outrora, as canções ganham mais corpo, os arranjos recebem potência sonora, algo que a banda nunca havia feito. Mas não pense que a dupla sofre de mania de grandeza. As melodias cuidadosas continuam seduzindo o ouvinte, fazendo um belo par com as letras românticas, ora tristes, ora esperançosas. E a voz de Legrand, um sonho que consegue ser portentosa sem perder a doçura jamais, parece ficar ainda mais confortável com o som cheio, em canções como a belíssima “Norway”, de clima irresistível e um refrão que cola na cabeça, ou a melodiosa “Lover Of Mine”.

Quem sempre curtiu o Beach House não precisa temer as mudanças. A dinâmica entre o vocal e os teclados de Legrand e a guitarra de Scally ainda é o que faz a cabeça da banda. É claro que eles ganham aditivos indispensáveis em faixas como “Better Love”, “Walk in the Park”, “10 Miles Stereo” e “Silver Soul”, que, em outros tempos, talvez saíssem ligeiramente mais esquálidas do que agora. Se é isso que faz de “Teen Dream” o melhor disco do Beach House, é também o mesmo motivo que torna este disco uma das melhores opções para curtir o delicioso verão capixaba. Já que a meteorologia não dá um descanso pra gente, pelo menos a música deles, que se encaixaria mais com uma praia em julho do que em janeiro, pode refrescar um pouco os seus dias.

Notinhas

LOST
É, a hora está chegando. Na terça-feira, dia 2 de fevereiro, o seriado mais sensacional da história da TV está de volta para a sua última temporada. Como diz o próprio vídeo promocional, é “o começo do fim”. Ninguém sabe como Lost vai recomeçar, afinal, no fim da temporada passada, uma bomba explodiu e pronto, tela branca, fim. Uns dizem que personagens como Boone e Charlie, já mortos em temporadas passadas, estarão de volta. Será? A única coisa certa é que esta sexta temporada de Lost será mesmo a última, e eu não vejo a hora de começar a vê-la. Ah, e tem um detalhe: este ano, o canal AXN vai passar a série no Brasil com apenas uma semana de diferença dos EUA. Maravilha.

Várias
A máquina de shows internacionais no Brasil simplesmente não para. O primeiro semestre já ganhou mais dois nomes importantes para os palcos locais: o bacana Moby e o clássico Leonard Cohen tocam no Brasil em abril. Preparem suas carteiras. /// O National prepara um novo disco para maio. Fiquem felizes. Enquanto isso, o Sigur Rós avisa que entra em hiato sem previsão de volta. Fiquem tristes. /// A revista inglesa NME divulgou os indicados para o seu tradicional prêmio anual. Com seis indicações cada, Arctic Monkeys e Kasabian lideram a disputa. Curioso é ver Noel Gallagher, que acabou com o Oasis, concorrendo nas categorias “Herói do Ano” e “Vilão do Ano” (nesta última, lado a lado com o irmão, Liam), assim como o “Humbug” dos Monkeys disputando “Melhor Álbum” e “Pior Álbum” e Lady GaGa nas categorias “Mais Bem Vestida” e “Mais Mal Vestida”. Povo indeciso, esses ingleses.

Todo mundo tem que ouvir
O Spoon é uma banda que sempre lança bons discos. Não tem jeito. A sobriedade dos caras é capaz de criar grandes canções, ainda que nunca surjam hits grudentos.
O álbum “Transference” acabou de sair e já está causando por aí. O disco é uma delícia, tão bom quanto os dois últimos belos trabalhos da banda. Cace e ouça.

Playlist
Liars – No Barrier Fun
Spoon – Who Makes Your Money
Agnes Kain – Missing
Lindstrom & Christabelle – Looking For What
Delphic – This Momentary
Efterklang – Natural Tune
Charlotte Gainsbourg – Heaven Can Wait
Hot Chip – Alley Cats
Adam Green – Lockout
Bruno Morais – Boa Nova

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