Coluna B – Os melhores discos do ano

Nas duas últimas semanas, publiquei na Coluna B, em duas partes, minha lista dos 50 melhores discos do ano. Ao invés de colocar aqui as duas colunas como saíram no jornal, vou juntar todos os álbuns com os comentários originais, sem cortes. Bom proveito.

Top 50 discos de 2009

1 – The Phantom Band – Checkmate Savage
Há muito tempo um disco de rock – no melhor sentido da palavra – não me tirava o fôlego desta forma. É de se aplaudir de pé uma banda que soe genial sendo tão simples.
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2 – The Xx – The Xx
Só mesmo o bombardeio de referências que os jovens de hoje em dia sofrem seria capaz de criar um som tão original, bonito e criativo. Um disco que certamente ajudará a definir o som da segunda década deste século.
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3 – Dirty Projectors – Bitte Orca
David Longstreht queria ter uma banda pop. David Longstreht queria ter uma banda indie. David Longstreht queria ter uma banda experimental. O sexto álbum do Dirty Projectors, “Bitte Orca”, realizou os três desejos de seu fundador de uma vez só.
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4 – Animal Collective – Merriweather Post Pavilion
Conhecido pela sua veia experimental, o Animal Collective resolveu pingar uma gota de pop no seu esquema de fortes cores psicodélicas. Resultado: um disco fenomenal, acessível e incansável.
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5 – Dead Man’s Bones – Dead Man’s Bones
Um astro de Hollywood se une a um coral de crianças em um disco sombrio, que fala de zumbis, fantasmas e afins. Tinha tudo pra dar errado, mas deu certo até demais. Um salve para o talento de Ryan Goslin.
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6 – Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix
A música pop produz centenas de discos, EPs e singles todos os anos, mas pouquíssimos acertam tão na mosca como esses franceses acertaram. Canções deliciosas, grudentas e impossíveis de se ignorar.
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7 – St. Vincent – Actor
Quem escuta a voz de Annie Clark se encanta de cara. Quem investe seu tempo para ouvir cada nuance de suas canções presentes em “Actor”, se apaixona perdidamente. Uma artista completa.
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8 – Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz!
O terceiro disco do trio conseguiu unir os predicados dos álbuns anteriores. Há aqui algumas das músicas mais sensacionais deste ano, com melodias marcantes e a voz incrível de Karen O.
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9 – CALLmeKAT – Fall Down
Uma das grandes descobertas do ano. De voz e estampa incrivelmente sexys, a dinamarquesa Katrine Ottosen abusa dos barulhinhos viajantes para costurar um som moderno, lo-fi e altamente sedutor.
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10 – Grizzly Bear – Veckatimest
Os queridinhos do indie americano acertaram a mão novamente. Um disco abarrotado de canções lindas de morrer, sensível e poético como poucos conseguiram ser em 2009.
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11 – Alice In Chains – Black Gives Way To Blue
Após muitos anos sem gravar material inédito, desde a morte do vocalista Layne Staley, o grupo retorna ao cenário (capitaneados ainda por Jerry Cantrell) surpreendendo pelo material de altíssima qualidade.
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12 – Kasabian – West Ryder Pauper Lunatic Asylum
O terceiro disco da carreira dos ingleses é, na minha opinião, o único disco realmente memorável que a banda lançou até hoje. Demorou, mas quando acertaram, o fizeram em cheio. Um discaço.
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13 – Arctic Monkeys – Humbug
Produzidos por Josh Homme (em 8 das 10 faixas), a banda de Alex Turner deu mais uma vez a prova de que são um nível acima das trocentas bandas de sua geração. Destaque para a perturbadora “Cornerstone”.
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14 – John Frusciante – The Empyrean
O (ex?) guitarrista do Red Hot Chili Peppers segue impávido com sua excepcional carreira solo. “The Empyrean” é um álbum temático que traz Frusciante e sua guitarra jorrando qualidade pelo ladrão.
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15 – Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures
Quando escrevi sobre este disco, afirmei que não tinha como dar errado uma banda com essa formação. Mais do que isso, a estreia dos Vultures é fascinante, pesada e melódica como poucos foram em 2009.
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16 – Gossip – Music For Men
Beth Ditto é uma deusa do indie rock. Uma deusa moderna, com voz de trovão, letras nervosas e um pique inacreditável em cima do palco, que é traduzido com exatidão para este grande e frenético trabalho.
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17 – Banda Gentileza – Banda Gentileza
A melhor banda a surgir no país no ano de 2009. Os curitibanos lançaram um disco de estreia que atira para o samba, o rock, o pop e até para a música latina e do leste euroupeu – e acerta em todas.
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18 – Fever Ray – Fever Ray
A metade feminina do sensacional The Knife dá início a uma esperadíssima carreira solo com um álbum seguro, ousado nas melodias enegrecidas e acachapante na forma. Imperdível.
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19 – Norah Jones – The Fall
Minha musa inspiradora da vida toda lançou mais um disco sensacional. A beleza de “The Fall” está em cada detalhe, nas quase inéditas guitarras, na voz sussurrada e nos inclassificáveis arranjos de piano. Linda.
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20 – Danger Mouse & Sparklehorse – Dark Night of the Soul
Uma experiência sonora inesquecível que conta com convidados como Iggy Pop, Black Francis, Julian Casablancas, Wayne Coyne, Nina Persson, Gruff Rhys e muitos outrros.
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21 – Ohbijou – Beacons
Canadense, o grupo fez jus a sua origem e lançou esse álbum delicioso, tão suave e sensível que merece o posto de disco para chorar do ano. Destaque pra voz “fofa toda vida” de Casey Mecija.
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22 – Bat For Lashes – Two Suns
Depois de uma estreia arrasadora, Natasha Khan se encheu de novidades para esse lindo álbum. E ouçam muito, porque ela vem ao Brasil ano que vem acompanhando o Coldplay.
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23 – Pájaro Sunrise – Done/Undone
A banda folk espanhola tem uma carreira curta, mas já neste segundo disco mandou logo um álbum duplo. Ousadia? Sim, e cada música valeu a pena ter saído.
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24 – Franz Ferdinand – Tonight
O grupo escocês, um dos donos do rock nos anos 2000, continua a sua saga de lançar grandes discos. E, especialmente neste, se permite ir um pouquinho além do indie rock.
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25 – Omar Rodriguez-Lopez – Solar Gambling
O pró-ativo guitarrista do Mars Volta, acompanhado de sua namorada, a cantora e compositora mexicana Ximena Sarinana, põe na rua mais um trabalho visceral e inovador.
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26 – Regina Spektor – Far
Após o maravilhoso “Begin To Hope”, Spektor levou um bom tempo para gravar um novo álbum. “Far” mostra que, na vida e na música, vale a pena esperar.
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27 – Lulina – Cristalina
A cantora e compositora pernambucana vive em um mundo próprio e manda as notícias de lá através de sua música, sempre divertida e sensível.
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28 – Inara George – Accidental Experimental
A vocalista do Bird and the Bee estreia carreira solo com um disco delicado, onde o personagem principal é sua voz de veludo azul.
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29 – Leaves – We Are Shadows
Os islandeses do Leaves surgem do nada, somem, reaparecem, viram fumaça de novo, mas sempre que dão as caras, têm um belo disco em mãos.
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30 – Ben Kweller – Changing Horses
O menino prodígio do folk e do country alternativo americano já não é mais criança. “Changing Horses” traz algumas preciosidades que comprovam isso.
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31 – Julian Casablancas – Phrazes For The Young
O stroke que mais tempo demorou para lançar um trabalho solo finalmente saiu de suas longas férias com um disco esquisitão e delicioso.
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32 – Noah and The Whale – First Days of Spring
O lado mais poético do indie está aqui. Belas melodias, música sem pressa, sem medo de ser leve. E esse disco traz a belíssima “Blue Skies”.
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33 – Passion Pit – Manners
Música para dançar, acima de tudo, mesmo que juntinho. As melodias simples se envolvem com os arranjos detalhistas e formam uma das grandes surpresas de 2009.
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34 – Sophie Madeleine – Love. Life. Ukelele.
A moça empunha um ukelele, dá um trato na voz, pega uma dezena de refrões grudentos e grava um disco pra ficar no pódio daqueles que chamamos de “fofos”.
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35 – Laura Jansen – Bells
As influências pop desta holandesa fazem com que ela se saia bem demais em seu disco de estreia. Algo entre Feist e Lavender Diamond, se é que vocês me entendem.
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36 – The Raveonettes – In and Out Of Control
Grande álbum da dupla dinamarquesa. Um misto de potência roqueira com guitarras estridentes e melodias fofas com a voz da bela Sharin Foo se destacando.
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37 – The Boy Least Likely To – The Law of the Playground
Música indie infantil: talvez seja esta a mais perfeita descrição deste disco. Os arranjos cuidadosos e o clima inocente das canções ajudam a dar essa cara para a banda.
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38 – Lestics – Hoje
Uma das melhores bandas nacionais da atualidade, o Lestics ainda busca seu espaço entre os neo-grandes da música pop brasileira. Mas, com mais um grande disco, aqui o lugarzinho deles estará sempre reservado.
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39 – Taken By Trees – East Of Eden
A sueca Victoria Bergsman, vocalista da The Concretes, envereda por uma carreira solo quase inevitável e traz ainda a pérola “My Boys”, versão de “My Girls”, do Animal Collective.
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40 – Lacrosse – Bandages For the Heart
Mais um discaço vindo da querida Suécia. O sexteto consegue manter a alegria das músicas mesmo nas partes mais melancólicas do disco. Um belo álbum de estreia.
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41 – The Wooden Birds – Magnolia
Folk vai ao pop, toma duas colheradas e volta. É mais ou menos assim que o Wooden Birds fez para giravar seu disco. O trabalho, todo acústico, rendeu belíssimas canções.
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42 – Ramona Falls – Intuit
O vocalista do Menomena armou um belo disco solo – folk e rock, cheio de arranjos sensacionais e com canções que conquistam fácil.
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43 – Pearl Jam – Backspacer
O novo disco do Pearl Jam não chega aos pés do que a banda fez na década de 90, mas é um dos grandes lançamentos do grupo nos anos 2000 – e isso não é pouco.
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44 – Atlas Sound – Logos
Outro “dissidente”: desta vez é Bradford Cox, do Deerhunter, que grava com seu projeto solo. Uma maravilha de disco, cheio de momentos inspiradores.
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45 – HEALTH – Get Color
Os caras levam muito a sério aquele grito de guerra dos shows, “vamo fazer barulho!”. Mas o noise atacado do grupo é de uma beleza ímpar.
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46 – Megafaun – Gather, Form and Fly
Sossego total, com lindos arranjos de violão e passagens de percussão. Sentimentalismo em forma de música, com momentos divertidos no meio.
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47 – Marissa Nadler – Little Hells
Nadler tem uma delícia de voz e consegue passear pelo suave e pelo tenso com uma sensacional cara de século passado. Lindo disco.
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48 – Art Brut – Vs Satan
Depois de um segundo disco fraco, o Art Brut resolveu dar mais moral pras guitarras e deixar o Argos falando besteira em segundo plano. Deu certo.
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49 – Lucas Santtana – Sem Nostalgia
O cara praticamente reinventou a forma de se tocar violão. Além das viagens potentes com um instrumento tão tradicional, ainda criou grandes canções.
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50 – Sondre Lerche – Heartbeat Radio
Ele é o cara. Outro belo disco para sua carreira, mais uma vez sem uma direção definida, se deixando levar aos sabores das estações.
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