Coluna B, dia 7/11

A coluna da semana passada ficou bastante picotada devido ao espaço reduzido no jornal. Mas aqui coloco o texto completo.
.
Discografia: Leaves
.
Hoje a Coluna B vai começar uma nova série aleatória. Mais uma para figurar ao lado de outras que de vez em quando aparecem por aqui, como a “Classiquinhos”, a “Se eu fosse um indie em…” e as eventuais listas de alguma coisa legal que anda rolando no mundo. Desta vez, o nome já entrega: em “Discografia”, vou escolher uma banda para falar aqui de cada um de seus discos. Não há regras mais importantes do que essa, a banda pode ser nova, velha, já ter acabado, enfim, o que importa é que tenha trabalhos que possam ser analisados pela coluna.
.
Para nos dar a honra de ser a primeira banda desta nova série escolhi os islandeses do Leaves. Não conhece? Relaxa, não é só você. Nem mesmo no Google é fácil encontrar informações sobre eles. Mas é bom deixar claro que o Leaves, já com três álbuns na carreira, é uma das bandas que mais admiro, e que considero incrivelmente injustiçada pela falta de atenção. Não foi à toa que resolvi começar o “Discografia” com eles. Se você não conhece a beleza das canções deste quinteto de Reykjavik, esta é uma hora fantástica pra começar a corrigir esse erro.
.
Breathe – 2002
Simplesmente um dos discos mais sensacionais que já escutei em toda a minha vida. Não estou exagerando. Quando o conheci, fiquei tão embasbacado que passei um ano agradecendo ao meu amigo que me apresentou à banda. “Breathe” consegue a proeza de ser lindo, profundo, criativo, pop e imprevisível, mostrando que música pode ser muito mais que entretenimento, pode ser arte verdadeira, pronta pra despertar sensações em sequência, surpreender. O grande trunfo de “Breathe” são as melodias estonteantes. Seja qual for a levada – mais leve como em “I Go Down” ou na faixa-título, acelerada como em “Catch” e “Race” ou explosiva como em “Alone in the Sun” – a melodia sempre comanda a festa. A voz de Anar Godjónsson é forte o bastante para também se fazer inesquecível. Mas o “algo mais” de “Breathe”, que faz com que ele seja um disco diferente, são os rumos que os arranjos tomam vez ou outra. A fabulosa “Epitaph”, por exemplo, adornada com guitarra slide, jogo de cordas e piano, toma caminhos tortuosos e tem um dos finais mais inspiradores que já ouvi. Já “Suppose” vence a mediocridade com as vozes que se encontram e o ritmo sempre intenso do violão e do violino. Um disco indispensável para qualquer discoteca.
.
The Angela Test – 2005
E aí, depois de “Breathe”, o Leaves, que já não era tão popular, desapareceu de vez. Não se ouvia mais falar de nada da banda. O site estava desatualizado. O MySpace não trazia novidades. Eis que, literalmente do nada, um novo disco da banda pipoca em um blog desconhecido. “The Angela Test” trazia uma versão ainda mais pop do grupo, com canções de preocupações radiofônicas e tentativas autênticas de entrar no circuito das bandas do britpop. Está longe de ser um disco ruim, muito longe, mas enveredou por um caminho que não me agradava tanto. A própria banda parecia ligeiramente em dúvida de qual caminho seguir – a faixa de abertura do álbum, “Good Enough”, exemplifica bem este lado pop, enquanto o primeiro single ficou a cargo da bela “The Spell”, que, apesar de ter velocidade, é feita de momentos de pura beleza. Já a grande faixa de “The Angela Test” acaba sendo uma que segue o caminho que o grupo usou e abusou em “Breathe”: a linda e poética “Shakmar (Drunken Starlit Sky)”, que recebe o tratamento de uma pequena orquestra e emociona forte no refrão, mantendo o estilo denso de composição do Leaves. Aqui, as comparações com Doves e Coldplay, já presentes desde o começo da carreira, se solidificaram. Seria esse o intuito do Leaves?
.
We Are Shadows – 2009
Mais quatro anos sem ouvir falar do Leaves. Esses sumiços já não eram novidade para mim. Vez ou outra passava pelos canais de comunicação da banda para me inteirar das novidades, mas elas simplesmente não existiam. Até que o Diego Moretto, um leitor camarada da coluna, veio dizer que tinha disco novo na área. Uma das melhores notícias do ano, preciso confessar. “We Are Shadows” coloca o Leaves mais uma vez na rota principal das belezas musicais. A banda parece ter retomado o fôlego, esquecido um pouco o desejo forte de ser uma banda de música pop e pensado mais no que estavam deixando para o seu público fiel – ainda pequeno, tudo bem, mas sempre fiel. Para começar este grande novo disco, colocaram uma balada como faixa-título, a voz de Godjónsson acompanhada apenas de um piano repetitivo até fazer brotar uma lágrima. O que segue é beleza em seu estado mais puro. Tendo em mãos instrumentos de orquestra a seguir o combo clássico de baixo, guitarra, teclado e bateria, o Leaves tem capacidade para construir algumas pérolas: a atemporal “Planets”, a grandiosa “All the Streets Are Gold”, a sublime “Kingdom Come” e a incrível “With Drums We March The Streets”uma peça única de quase oito minutos capaz de tirar o fôlego de qualquer um e que fecha um dos discos mais bonitos deste ano. E fecha também, por ora, uma discografia imprescindível de uma banda que nunca teve o reconhecimento que merece.
.
Notinhas
.
O fim de semana mais agitado do ano
.
É, chegou. Este sábado vai entrar na história como o mais bombado dos últimos tempos no Brasil, pelo menos para o rock. É hoje, em São Paulo, o aguardado Planeta Terra Festival, que vai trazer Sonic Youth, Maximo Park, Iggy Pop, The Ting Tings, Metronomy e outros mais ou menos importantes. E é hoje também que começa o Maquinaria Festival, que colocará em cima do palco o aguardadíssimo Faith No More, além de Jane’s Adicction, Deftones e mais uma pancada de bandas que vão do emo ao hardcore. Este colunista, na dúvida entre os dois (e, a bem da verdade, pouco atraído a não ser pelo Faith No More), resolveu guardar dinheiro para o começo do ano que vem, quando Franz Ferdinand, Coldplay e Bat For Lashes (por enquanto, só eles) pintam por aqui. E você?
.
Beatles em foco
.
As coisas andam quentes para a presença do eterno beatle Paul McCartney no Brasil no começo de 2010. Março, que já vai ter Coldplay e Franz Ferdinand, deve receber Macca no Rio, possivelmente no Estádio do Engenhão, em São Paulo e talvez em Brasília, onde os produtores querem trocá-lo por Madonna e/ou Beyoncé, acredite se quiser. /// Falando em Beatles, vai ser lançado um gadget irresistível como produto oficial da banda: um pendrive em formato de maçã, aquela verdinha da Apple (a gravadora, neste caso), com toda a discografia do grupo, mais treze mini-documentários sobre a história da banda.
.
Todo mundo tem que ouvir
O nome quilométrico do disco, “No More Stories Are Told Today. I’m Sorry. They Washed Away. No More Stories, the World Is Grey. I’m Tired, Let’s Wash Today”, não combina com o curto nome da banda: Mew.
.
Mas o som do grupo dinamarquês está mais para a grandiosidade do nome do disco (o quinto da carreira deles) do que para o tamanho do nome da banda. Faça o favor de escutá-lo já.
.
Playlist
The xx – Intro
The Fiery Furnaces – Keep Me In The Dark
Faith No More – Midlife Crisis
Lake – Winking Sign
Inara George – Right As Wrong
Memory Tapes – Green Knight
Julian Casablancas – Glass
St. Vincent – Marrow
Red Hot Chilli Peppers – Can’t Stop
The Swell Seaspn – Love That Conquers
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s