Coluna B, dia 19/09

Música para a manhã seguinte
Se você está abrindo o jornal agora, fresquinho, em pleno sábado, adianto logo: esta é uma coluna para se ler amanhã de manhã. Talvez, se você tiver saído ontem e tomado todas, até valha a pena, porque hoje vamos falar sobre bandas para se ouvir no dia seguinte àquela festa que parece nunca ter acabado: boas para curtir uma ressaca. E o domingo, todo mundo sabe, é o dia internacional da ressaca. Dor de cabeça, mal-estar, boca seca e aquele gostinho de cabo de guarda-chuva. Quais os discos lançados ultimamente que melhor combinam com esse sentimento cachorro, mas tão presente na vida das pessoas? A Coluna B tem a resposta na ponta da língua.
De preferência, comece com a voz sedutora de Sarah Blasko. Essa cantora e compositora australiana, que completa 33 anos na semana que vem, é capaz de fazer você deixar pra trás aquela pontada contínua no crânio para curtir “As Day Follows Night”, terceiro álbum de sua carreira. E eu não ficaria apenas com a voz: as harmonias criadas por Blasko são deliciosas. A moça faz um indie pop muito delicado, com toques de jazz permeando as faixas, seja na bateria, seja no uso do piano. A balada matadora “Sleeper Awake”, sétima faixa do disco, é capaz de mostrar com bastante apuro o toque refinado da australiana. O vocal derrama-se pela faixa enquanto cordas e teclados fazem a ponte entre a melodia e o ritmo arrastado da bateria. Mesmo com a cabeça latejando e os olhos tentando a todo custo pular para fora das órbitas, escutar Sarah Blasko é como se nada disso estivesse acontecendo. Um remédio natural com faixas tão gostosas de se ouvir quanto “Night and Day”, as climáticas “All I Want” e “Is My Baby Yours” ou a beleza poética de “Bird On A Wire”. Mas não se esqueça de tomar bastante água para hidratar o organismo.
Dá pra escutar na música da banda Noah and the Whale os ecos de tudo o que esses ingleses escutaram durante anos. O vocal de Charlie Fink é grave, como se trouxesse de volta ao mundo um Ian Curtis de ressaca, cantando com a voz bem postada, mas sem se elevá-la demais para não doer a cabeça. O fato é que as referências, entre elas o pós-punk dos anos 80, o folk dos anos 70 e bandas mais recentes, como Neutral Milk Hotel e Belle & Sebastian, fazem o NATW soar como uma banda sem pressa, sem nervosismos, preocupada com o lirismo de suas canções. E nada melhor que isso quando temos um liquidificador no estômago pedindo para o dia acabar rápido. “The First Days of Spring”, segundo disco dos londrinos, traz algumas faixas que combinam muito bem com a melancolia da ressaca, aquela sensação de mal ter dormido e ainda ter acordado em um mundo que não é o seu. Enquanto “My Door Is Always Open” derrete a sua resistência com um violão, um vocal e uma guitarra de mesa, “Blue Skies” coloca a sua vida nos trilhos novamente com uma letra de chorar e melodias tão bem amarradas que a sensação é a de que ela foi feita especialmente pra você – principalmente se o motivo da sua bebedeira do dia anterior foi um fenomenal pé na bunda. Acredite, funciona.
Folk, aliás, é um estilo musical que combina muito bem com ressaca. É como tomar Coca-Cola ou Gatorade quando acorda, parece perfeito para a tristeza do momento. E o grupo espanhol Pájaro Sunrise é, possivelmente, o que lançou o melhor disco de folk este ano. E isso não é pouca coisa. Aliás, nada no Pájaro Sunrise é pouca coisa: a banda lançou este ano “Done/Undone”, o segundo da carreira, e já foi logo metendo um álbum duplo. De um lado, “Done”, doce, criado em cima de melodias finas e dedilhados de violão acompanhados de uma ou outra percussão, um sopro aqui, uma corda ali. Lúdico. Do outro lado, “Undone”, que segue a mesmíssima linha, mas traz letras um pouco diferentes. Além do folk, o pop está sempre presente nas músicas da banda, como o indelével clima hip hop da suingada “Something Else” ou na belíssima “Young and Free”, que tem uma veia country e um teclado sessentista de tirar o fôlego. Mas é mesmo o folk, tão amigo da maldita e indisfarçável ressaca, quem toma conta das ações em “Done/Undone”.
Tal qual um bom antiácido, à melhor maneira de uma ótima noite de sono, assim como uma garrafa de água de coco geladinha, os novos discos de Pájaro Sunrise, Sarah Blasko e Noah and the Whale são ótimos antídotos para a ressaca. Se não curá-la, pelo menos suas canções vão fazer com que essas horas terríveis tenham alguns momentos de prazer. Mas, veja bem, se você não bebe, nunca teve ressaca na vida e não está entendendo bem do que estou falando, não tem problema. Esses belos discos servem direitinho para você também.
Notinhas
Franz Ferdinand
Tá uma loucura só essa vinda do Franz Ferdinand ao Brasil. Os caras, convidados pela MTV para tocar no VMB 2009, vão fazer também uma apresentação na boate The Week, em São Paulo, para cerca de 1000 pessoas – dessas, apenas 500 ingressos foram colocados à venda na última quinta (e esgotaram em questão de minutos, diga-se de passagem), o resto saiu em sorteio e promoção. O preço dos que foram à venda: 260 contos. Mas, assumo, eu acho que vale. Diz se você não queria ser um desses sortudos?
Lançamentos que não dá pra perder
Tem coisa boa chegando na praça. O Cribs lançou “Ignore the Ignorant”, disco que vai bem nas vendas na Europa e, digo logo, vale conferir. O Vampíre Weekend, por sua vez, já avisou que “Contra”, seu segundo disco, chega às lojas só em janeiro, mas não dou dois meses pra cair na nossa mão. Sobre o “Declaration of Dependence”, do Kings of Convenience, eu já falei aqui, né? Sai em outubro. E o “Backspacer”, do Pearl Jam, e o “The Resistance”, do Muse, que já foram baixados por este colunista, devem ser assunto em breve. Mas o lançamento imperdível da semana fica por conta de Laura Jansen. A holandesa que mora na Califórnia lança “Bells”, seu primeiro disco depois dos ótimos EPs “Single Girls” e “Trauma”.
De graça
Se é música de graça que você quer, é isso que você vai ter. Pelo menos é o que pensam Billy Corgan, aquele que é o único remanescente original do Smashing Pumpkins, e o Monsters of Folk, bacanudo projeto que junta Mike Mogis, Conor Oberst, Jim James e M. Ward. Corgan anunciou que vai liberar pra download, de pouquinho em pouquinho e a partir de outubro, nada menos que 44 novas faixas de sua banda. Já o disco homônimo do MOF está lá no MySpace deles, bonitinho e todo liberado pra quem quiser. Corre lá.
Todo mundo tem que ouvir
O Pearl Jam voltou. A banda que fez parte do movimento grunge (mas hoje está mais para o rock n’ roll à lá Springsteen) lança semana que vem “Backspacer”, mas o álbum já repousa nos HDs do mundo faz alguns dias.
Um disco da banda de Eddie Vedder sempre vale a audição – mesmo que seja ligeiramente inconstante, como este novo. Mas só a lindíssima “Just Breathe”, que entra fácil entre as mais belas baladas da banda, já vale o download.
Playlist
Dan Mangan – Set the Sails
Mika – Touches You
Pearl Jam – Just Breathe
Joan as Police Woman – Whatever You Like
Massive Attack – Pray For Rain
The Twilight Sad – That Birthday Present
Florence and the Machine – Girl With One Eye
The Clean – Simple Fix
Natalie Prass – A Good Man
The Postmarks – The Girl From Algenib

Música para a manhã seguinte

Se você está abrindo o jornal agora, fresquinho, em pleno sábado, adianto logo: esta é uma coluna para se ler amanhã de manhã. Talvez, se você tiver saído ontem e tomado todas, até valha a pena, porque hoje vamos falar sobre bandas para se ouvir no dia seguinte àquela festa que parece nunca ter acabado: boas para curtir uma ressaca. E o domingo, todo mundo sabe, é o dia internacional da ressaca. Dor de cabeça, mal-estar, boca seca e aquele gostinho de cabo de guarda-chuva. Quais os discos lançados ultimamente que melhor combinam com esse sentimento cachorro, mas tão presente na vida das pessoas? A Coluna B tem a resposta na ponta da língua.

De preferência, comece com a voz sedutora de Sarah Blasko. Essa cantora e compositora australiana, que completa 33 anos na semana que vem, é capaz de fazer você deixar pra trás aquela pontada contínua no crânio para curtir “As Day Follows Night”, terceiro álbum de sua carreira. E eu não ficaria apenas com a voz: as harmonias criadas por Blasko são deliciosas. A moça faz um indie pop muito delicado, com toques de jazz permeando as faixas, seja na bateria, seja no uso do piano. A balada matadora “Sleeper Awake”, sétima faixa do disco, é capaz de mostrar com bastante apuro o toque refinado da australiana. O vocal derrama-se pela faixa enquanto cordas e teclados fazem a ponte entre a melodia e o ritmo arrastado da bateria. Mesmo com a cabeça latejando e os olhos tentando a todo custo pular para fora das órbitas, escutar Sarah Blasko é como se nada disso estivesse acontecendo. Um remédio natural com faixas tão gostosas de se ouvir quanto “Night and Day”, as climáticas “All I Want” e “Is My Baby Yours” ou a beleza poética de “Bird On A Wire”. Mas não se esqueça de tomar bastante água para hidratar o organismo.

Dá pra escutar na música da banda Noah and the Whale os ecos de tudo o que esses ingleses escutaram durante anos. O vocal de Charlie Fink é grave, como se trouxesse de volta ao mundo um Ian Curtis de ressaca, cantando com a voz bem postada, mas sem se elevá-la demais para não doer a cabeça. O fato é que as referências, entre elas o pós-punk dos anos 80, o folk dos anos 70 e bandas mais recentes, como Neutral Milk Hotel e Belle & Sebastian, fazem o NATW soar como uma banda sem pressa, sem nervosismos, preocupada com o lirismo de suas canções. E nada melhor que isso quando temos um liquidificador no estômago pedindo para o dia acabar rápido. “The First Days of Spring”, segundo disco dos londrinos, traz algumas faixas que combinam muito bem com a melancolia da ressaca, aquela sensação de mal ter dormido e ainda ter acordado em um mundo que não é o seu. Enquanto “My Door Is Always Open” derrete a sua resistência com um violão, um vocal e uma guitarra de mesa, “Blue Skies” coloca a sua vida nos trilhos novamente com uma letra de chorar e melodias tão bem amarradas que a sensação é a de que ela foi feita especialmente pra você – principalmente se o motivo da sua bebedeira do dia anterior foi um fenomenal pé na bunda. Acredite, funciona.

Folk, aliás, é um estilo musical que combina muito bem com ressaca. É como tomar Coca-Cola ou Gatorade quando acorda, parece perfeito para a tristeza do momento. E o grupo espanhol Pájaro Sunrise é, possivelmente, o que lançou o melhor disco de folk este ano. E isso não é pouca coisa. Aliás, nada no Pájaro Sunrise é pouca coisa: a banda lançou este ano “Done/Undone”, o segundo da carreira, e já foi logo metendo um álbum duplo. De um lado, “Done”, doce, criado em cima de melodias finas e dedilhados de violão acompanhados de uma ou outra percussão, um sopro aqui, uma corda ali. Lúdico. Do outro lado, “Undone”, que segue a mesmíssima linha, mas traz letras um pouco diferentes. Além do folk, o pop está sempre presente nas músicas da banda, como o indelével clima hip hop da suingada “Something Else” ou na belíssima “Young and Free”, que tem uma veia country e um teclado sessentista de tirar o fôlego. Mas é mesmo o folk, tão amigo da maldita e indisfarçável ressaca, quem toma conta das ações em “Done/Undone”.

Tal qual um bom antiácido, à melhor maneira de uma ótima noite de sono, assim como uma garrafa de água de coco geladinha, os novos discos de Pájaro Sunrise, Sarah Blasko e Noah and the Whale são ótimos antídotos para a ressaca. Se não curá-la, pelo menos suas canções vão fazer com que essas horas terríveis tenham alguns momentos de prazer. Mas, veja bem, se você não bebe, nunca teve ressaca na vida e não está entendendo bem do que estou falando, não tem problema. Esses belos discos servem direitinho para você também.

Notinhas

Franz Ferdinand

Tá uma loucura só essa vinda do Franz Ferdinand ao Brasil. Os caras, convidados pela MTV para tocar no VMB 2009, vão fazer também uma apresentação na boate The Week, em São Paulo, para cerca de 1000 pessoas – dessas, apenas 500 ingressos foram colocados à venda na última quinta (e esgotaram em questão de minutos, diga-se de passagem), o resto saiu em sorteio e promoção. O preço dos que foram à venda: 260 contos. Mas, assumo, eu acho que vale. Diz se você não queria ser um desses sortudos?

Lançamentos que não dá pra perder

Tem coisa boa chegando na praça. O Cribs lançou “Ignore the Ignorant”, disco que vai bem nas vendas na Europa e, digo logo, vale conferir. O Vampíre Weekend, por sua vez, já avisou que “Contra”, seu segundo disco, chega às lojas só em janeiro, mas não dou dois meses pra cair na nossa mão. Sobre o “Declaration of Dependence”, do Kings of Convenience, eu já falei aqui, né? Sai em outubro. E o “Backspacer”, do Pearl Jam, e o “The Resistance”, do Muse, que já foram baixados por este colunista, devem ser assunto em breve. Mas o lançamento imperdível da semana fica por conta de Laura Jansen. A holandesa que mora na Califórnia lança “Bells”, seu primeiro disco depois dos ótimos EPs “Single Girls” e “Trauma”.

De graça

Se é música de graça que você quer, é isso que você vai ter. Pelo menos é o que pensam Billy Corgan, aquele que é o único remanescente original do Smashing Pumpkins, e o Monsters of Folk, bacanudo projeto que junta Mike Mogis, Conor Oberst, Jim James e M. Ward. Corgan anunciou que vai liberar pra download, de pouquinho em pouquinho e a partir de outubro, nada menos que 44 novas faixas de sua banda. Já o disco homônimo do MOF está lá no MySpace deles, bonitinho e todo liberado pra quem quiser. Corre lá.

Todo mundo tem que ouvir

O Pearl Jam voltou. A banda que fez parte do movimento grunge (mas hoje está mais para o rock n’ roll à lá Springsteen) lança semana que vem “Backspacer”, mas o álbum já repousa nos HDs do mundo faz alguns dias.

Um disco da banda de Eddie Vedder sempre vale a audição – mesmo que seja ligeiramente inconstante, como este novo. Mas só a lindíssima “Just Breathe”, que entra fácil entre as mais belas baladas da banda, já vale o download.

Playlist

Dan Mangan – Set the Sails

Mika – Touches You

Pearl Jam – Just Breathe

Joan as Police Woman – Whatever You Like

Massive Attack – Pray For Rain

The Twilight Sad – That Birthday Present

Florence and the Machine – Girl With One Eye

The Clean – Simple Fix

Natalie Prass – A Good Man

The Postmarks – The Girl From Algenib

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