Coluna B, dia 05/09

Reinventando-se… aos 20
Para falar sobre a novíssima banda The XX é preciso que se diga como é incrível a capacidade dessa molecada britânica de se reinventar assim, de uma hora pra outra, usando as referências mais improváveis e chegando a um som que não se ouve todos os dias. À primeira vista pode parecer algo normal, talvez você já tenha escutado isso antes, qualquer coisa parecida com uma batida suave, linhas de baixo simples, mas indefectíveis, melodias dissonantes se encontrando e algumas vozes sobrevoando a equação. Ok, eles são tudo isso, mas são muito mais. São dois meninos e duas meninas que vão além. Estão todos naquela idade em que faz parte da diversão ser esquisito e fazer barulho, mas que preferem mesmo escrever letras sobre sexo, amor e perdas, e fazer canções lindas de morrer.
E é justamente a tal velocidade devagar, quase parando, que dá ao XX uma qualidade incrível em suas canções. Não é nada fácil fazer música minimalista, mas que soa completa, lotada de sons, significados e momentos grandiosos. Jamie Smith, Romy Madley Croft, Baria Qureshi e Oliver Sim dão em seu MySpace uma lista curiosa e variada de influências para a música que fazem. A simples leitura de nomes como Aaliyah, Rihanna, Justin Timberlake e Mariah Carey certamente não dão uma dimensão exata de como o R&B está inserido no que fazem – é fácil percebê-lo lá, mas apenas quando lemos os outros nomes que os influenciam, como Pixies, CocoRosie, The Cure e The Kills, é que notamos o quanto essa salada dá certo.
O primeiro álbum do XX acabou de ser lançado pelo selo Young Turks, agora em agosto, e também recebeu essas duas letras como nome: “XX”. Trata-se de um disco com a sensualidade da noite encravada no seu âmago, com batidas preguiçosas esparramadas pelas músicas como lençóis de seda que se deixam envolver pela cama que cobriram na noite anterior. Pode-se dizer que o som possui algo de pretensioso, e é exatamente isso que ele deve ser: a trilha sonora de quem pretende alguma coisa. Não há bateria analógica, apenas programações rodadas em cima de camadas deliciosas de baixo, teclados e guitarras, completadas com as vozes suaves e nem um pouco apressadas de Oliver e Romy. Os quatro, aliás, estudaram na Elliot School, um colégio de artes que fica no sul de Londres e onde integrantes do Burial, Hot Chip e outros grupos proeminentes da Inglaterra também frequentavam aulas.
Da curtinha e quase toda instrumental “Intro”, faixa que dá início à viagem do XX, até “Stars”, canção que a fecha lindamente, tudo é um deleite para os ouvidos. Não estranhe se, ao final deste ano, “XX” aparecer encabeçando listas de melhores do ano. A briga está boa, e os moleques de Londres têm grandes chances de se dar bem. Não é lá tão difícil quando se tem pelo menos seis hits irresistíveis dentro de um disco de 12 canções de tirar o fôlego. O ritmo hipnótico de “Basic Space” parece parte da desconstrução de uma faixa de R&B. Ela começa com batida que lembram até o Miami Bass ou o funk carioca, mas tão reduzidas, tão subliminares ao lado das vozes masculinas e femininas, que quando o lindo refrão entra a gente já está completamente dentro da música.
Outra faixa campeã desde a primeira audição é “Crystalised”. Aqui, é a simplicidade constante dos arranjos e a viagem de dois vocais cantando letras diferentes que fazem com que ela se destaque desse mar de grandes canções que é “XX”. Já na maravilhosa “Islands”, o charme da levada pop a torna possivelmente a faixa mais acessível de um disco que nunca se deixa levar pela sedutora ideia de fazer músicas difíceis, quase intocáveis. A voz de Romy, tão lânguida em “infinity”, soa incrivelmente perfeita sobre a batida arrastada e minimalista da faixa. Quando a voz de Oliver entra na música, forma-se um diálogo apimentado entre a estrutura toda quebrada da faixa e os vocais sóbrios, uma mistura que se sai simplesmente fantástica quando a faixa entra em um crescendo no final.
Tanto a indispensável “VCR” quanto a empolgante “Nigh Time” e a fatal “Shelter” possuem características que mostram uma personalidade indecifrável, mas extremamente marcante. A delicadeza das canções é tanta que mesmo as batidas mais pesadas parecem apenas cuidadosos petelecos, com o detalhe de serem lindas e tão bem postadas que você se pergunta se The XX é mesmo uma banda iniciante, lançando seu primeiro álbum enquanto seus integrantes acabam de completar 20 aninhos de idade. O que acontece com esses jovens britânicos? De onde eles tiram a inspiração para, mesmo tão cedo, terem a capacidade de lançar um álbum tão maduro e acachapante quanto este? Se você souber a resposta, por favor, guarde com você. É melhor que essas perguntas continuem apenas retóricas. Sabe como é, em time que está ganhando não se mexe. E bandas como o XX, atualmente, estão dando de goleada.
Notinhas
Várias variadas
Uma semana de muitas notícias ruins, outras confusas e algumas boas no mundo da cultura pop e da música alternativa. Pra começar, o Noel briga com o Liam mais uma vez e os irmãos Gallagher destroçam o Oasis, uma das bandas mais importantes do século passado. Ainda não se sabe se o grupo acabou de vez, mas está separado. Eu já estou animado pro disco solo do Noel, que pra mim é dois terços da banda. Enquanto isso, a revista Época causava discórdia ao receber com um exagero de mau humor a notícia de que a banda Móveis Coloniais de Acaju inventou uma falsa revolta na história do Brasil pra justificar o nome da banda. Ora… calma lá, pessoal. Se fosse assim, mentirinhas clássicas, como a morte de Paul McCartney ou o que o Ozzy comia nos palcos todos os shows, nunca poderiam ter existido.
Aí vem o Planeta Terra Festival e anuncia mais algumas atrações pra edição deste ano: Metronomy, Maximo Park, o produtor francês Ettiene de Crecy e EX!. Metronomy é legal, mas não empolga. O Maximo Park tem um primeiro disco sensacional, e dois outros meia-bocas. O produtor francês eu não conheço e essa EX!, que é nacional, não se encontra nem no MySpace. Gente, aonde esse Planeta Terra 2009 vai parar? Mas, de última hora, eis que, via blog Popload, surge a possibilidade de dois grandes grupos darem um charme mais irresistível ao festival: Snow Patrol e Sonic Youth. Veremos. Ao final, pelo menos o Thom Yorke, sempre ele, salva um pouco a semana ao anunciar lançamento de single com duas faixas inéditas, “The Hollow Earth” e “FeelingPulledApartbyHorses”. O lançamento acontece no dia 21 deste mês.
Todo mundo tem que ouvir
Sondre Lerche, um dos meus artistas preferidos de todos os tempos, é um norueguês que mora no Brooklyn e completa hoje, 5 de setembro, 27 anos. Como se isso não bastasse, seu quinto disco, “Heartbeat Radio”, já caiu na rede.
Mais uma vez, Lerche ousou fugir de rótulos e pré-concepções  para criar um disco de pop sinfônico, criativo e de belas passagens. Certamente não é o melhor álbum do artista, mas vale, e muito, a audição cuidadosa.
Playlist
Simian Mobile Disco – Bad Blood
Venus Volt – In Gold We Trust
Tiny Vipers – Eyes Like Ours
Girls – Big Bad Mean Mother Fucker
The Cave Singers – I Don’t Mind
Jennie Sadler – It’s Gone
Borrowed Beams of Light – You Have a Sun
Julian Plenti – Madrid Song
Leaves – The Painting
The Clean – The Factory Man

Reinventando-se… aos 20

Para falar sobre a novíssima banda The XX é preciso que se diga como é incrível a capacidade dessa molecada britânica de se reinventar assim, de uma hora pra outra, usando as referências mais improváveis e chegando a um som que não se ouve todos os dias. À primeira vista pode parecer algo normal, talvez você já tenha escutado isso antes, qualquer coisa parecida com uma batida suave, linhas de baixo simples, mas indefectíveis, melodias dissonantes se encontrando e algumas vozes sobrevoando a equação. Ok, eles são tudo isso, mas são muito mais. São dois meninos e duas meninas que vão além. Estão todos naquela idade em que faz parte da diversão ser esquisito e fazer barulho, mas que preferem mesmo escrever letras sobre sexo, amor e perdas, e fazer canções lindas de morrer.

E é justamente a tal velocidade devagar, quase parando, que dá ao XX uma qualidade incrível em suas canções. Não é nada fácil fazer música minimalista, mas que soa completa, lotada de sons, significados e momentos grandiosos. Jamie Smith, Romy Madley Croft, Baria Qureshi e Oliver Sim dão em seu MySpace uma lista curiosa e variada de influências para a música que fazem. A simples leitura de nomes como Aaliyah, Rihanna, Justin Timberlake e Mariah Carey certamente não dão uma dimensão exata de como o R&B está inserido no que fazem – é fácil percebê-lo lá, mas apenas quando lemos os outros nomes que os influenciam, como Pixies, CocoRosie, The Cure e The Kills, é que notamos o quanto essa salada dá certo.

O primeiro álbum do XX acabou de ser lançado pelo selo Young Turks, agora em agosto, e também recebeu essas duas letras como nome: “XX”. Trata-se de um disco com a sensualidade da noite encravada no seu âmago, com batidas preguiçosas esparramadas pelas músicas como lençóis de seda que se deixam envolver pela cama que cobriram na noite anterior. Pode-se dizer que o som possui algo de pretensioso, e é exatamente isso que ele deve ser: a trilha sonora de quem pretende alguma coisa. Não há bateria analógica, apenas programações rodadas em cima de camadas deliciosas de baixo, teclados e guitarras, completadas com as vozes suaves e nem um pouco apressadas de Oliver e Romy. Os quatro, aliás, estudaram na Elliot School, um colégio de artes que fica no sul de Londres e onde integrantes do Burial, Hot Chip e outros grupos proeminentes da Inglaterra também frequentavam aulas.

Da curtinha e quase toda instrumental “Intro”, faixa que dá início à viagem do XX, até “Stars”, canção que a fecha lindamente, tudo é um deleite para os ouvidos. Não estranhe se, ao final deste ano, “XX” aparecer encabeçando listas de melhores do ano. A briga está boa, e os moleques de Londres têm grandes chances de se dar bem. Não é lá tão difícil quando se tem pelo menos seis hits irresistíveis dentro de um disco de 12 canções de tirar o fôlego. O ritmo hipnótico de “Basic Space” parece parte da desconstrução de uma faixa de R&B. Ela começa com batida que lembram até o Miami Bass ou o funk carioca, mas tão reduzidas, tão subliminares ao lado das vozes masculinas e femininas, que quando o lindo refrão entra a gente já está completamente dentro da música.

Outra faixa campeã desde a primeira audição é “Crystalised”. Aqui, é a simplicidade constante dos arranjos e a viagem de dois vocais cantando letras diferentes que fazem com que ela se destaque desse mar de grandes canções que é “XX”. Já na maravilhosa “Islands”, o charme da levada pop a torna possivelmente a faixa mais acessível de um disco que nunca se deixa levar pela sedutora ideia de fazer músicas difíceis, quase intocáveis. A voz de Romy, tão lânguida em “infinity”, soa incrivelmente perfeita sobre a batida arrastada e minimalista da faixa. Quando a voz de Oliver entra na música, forma-se um diálogo apimentado entre a estrutura toda quebrada da faixa e os vocais sóbrios, uma mistura que se sai simplesmente fantástica quando a faixa entra em um crescendo no final.

Tanto a indispensável “VCR” quanto a empolgante “Nigh Time” e a fatal “Shelter” possuem características que mostram uma personalidade indecifrável, mas extremamente marcante. A delicadeza das canções é tanta que mesmo as batidas mais pesadas parecem apenas cuidadosos petelecos, com o detalhe de serem lindas e tão bem postadas que você se pergunta se The XX é mesmo uma banda iniciante, lançando seu primeiro álbum enquanto seus integrantes acabam de completar 20 aninhos de idade. O que acontece com esses jovens britânicos? De onde eles tiram a inspiração para, mesmo tão cedo, terem a capacidade de lançar um álbum tão maduro e acachapante quanto este? Se você souber a resposta, por favor, guarde com você. É melhor que essas perguntas continuem apenas retóricas. Sabe como é, em time que está ganhando não se mexe. E bandas como o XX, atualmente, estão dando de goleada.

Notinhas

Várias variadas

Uma semana de muitas notícias ruins, outras confusas e algumas boas no mundo da cultura pop e da música alternativa. Pra começar, o Noel briga com o Liam mais uma vez e os irmãos Gallagher destroçam o Oasis, uma das bandas mais importantes do século passado. Ainda não se sabe se o grupo acabou de vez, mas está separado. Eu já estou animado pro disco solo do Noel, que pra mim é dois terços da banda. Enquanto isso, a revista Época causava discórdia ao receber com um exagero de mau humor a notícia de que a banda Móveis Coloniais de Acaju inventou uma falsa revolta na história do Brasil pra justificar o nome da banda. Ora… calma lá, pessoal. Se fosse assim, mentirinhas clássicas, como a morte de Paul McCartney ou o que o Ozzy comia nos palcos todos os shows, nunca poderiam ter existido.

Aí vem o Planeta Terra Festival e anuncia mais algumas atrações pra edição deste ano: Metronomy, Maximo Park, o produtor francês Ettiene de Crecy e EX!. Metronomy é legal, mas não empolga. O Maximo Park tem um primeiro disco sensacional, e dois outros meia-bocas. O produtor francês eu não conheço e essa EX!, que é nacional, não se encontra nem no MySpace. Gente, aonde esse Planeta Terra 2009 vai parar? Mas, de última hora, eis que, via blog Popload, surge a possibilidade de dois grandes grupos darem um charme mais irresistível ao festival: Snow Patrol e Sonic Youth. Veremos. Ao final, pelo menos o Thom Yorke, sempre ele, salva um pouco a semana ao anunciar lançamento de single com duas faixas inéditas, “The Hollow Earth” e “FeelingPulledApartbyHorses”. O lançamento acontece no dia 21 deste mês.

Todo mundo tem que ouvir

Sondre Lerche, um dos meus artistas preferidos de todos os tempos, é um norueguês que mora no Brooklyn e completa hoje, 5 de setembro, 27 anos. Como se isso não bastasse, seu quinto disco, “Heartbeat Radio”, já caiu na rede.

Mais uma vez, Lerche ousou fugir de rótulos e pré-concepções  para criar um disco de pop sinfônico, criativo e de belas passagens. Certamente não é o melhor álbum do artista, mas vale, e muito, a audição cuidadosa.

Playlist

Simian Mobile Disco – Bad Blood

Venus Volt – In Gold We Trust

Tiny Vipers – Eyes Like Ours

Girls – Big Bad Mean Mother Fucker

The Cave Singers – I Don’t Mind

Jennie Sadler – It’s Gone

Borrowed Beams of Light – You Have a Sun

Julian Plenti – Madrid Song

Leaves – The Painting

The Clean – The Factory Man

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