Coluna B, 15/08

Cumprindo o que prometeu
Coisa mais do que normal hoje em dia, bandas lançam pequenas amostras do que podem oferecer em disco. São os bons e velhos EPs, já tão falados por aqui. Para dar início a uma carreira concreta, os artistas lançam um pequeno conjunto de músicas, geralmente por volta de três a seis composições, e se jogam. Tempos depois, com as músicas já na boca do povo e as apresentações em festivais mais do que bombadas, eles se enfurnam em um estúdio para sair de lá com uma bolachinha à moda antiga, algo entre dez ou doze faixas com produção de primeira e distribuição profissional.
As opções para esse segundo ato são: confirmar o que deles se esperava a partir de um EP de qualidade, ou afundar a atenção conseguida com aquele primeiro e curto trabalho. A pressão é grande, chega a níveis inimagináveis, e alguns realmente sucumbem na hora de mostrar realmente a que vieram. Mas é bom ver uma banda que apareceu tão bem com algumas poucas músicas confirmar sua capacidade de criar grandes canções, que se destacam, que fogem do comum. Hoje, a Coluna B vai mostrar os dois casos, com alguns exemplos claros e objetivos.
Passio Pit – Manners
Tudo começou quando Michael Angelakos, líder do grupo de Cambridge, nos EUA, fez um punhado de músicas para presentear sua amada no Dia dos Namorados de 2007. As músicas ficaram famosas na cidade e o rapaz adicionou mais duas para lançá-las como o EP “Chunk of Change” no ano seguinte. Do primeiro lançamento para o segundo, só “Sleepyhead” se viu repetida, e merecidamente: trata-se de uma das mais bacanas faixas do pop atual, divertida até os ossos. Mas “Manners” tem muito mais do que isso. O vocal estridente de Angelakos e os arranjos criativos e dançantes do Passion Pit conquistaram muita gente. O álbum é aberto com duas faixas que pegam grandes ideias do pop que tem Michael Jackson como rei, mistura com doses modernosas de Kanye West e reverbera tudo com uma fina camada de indie pop, algumas guitarras aqui e ali e muito, muito teclado ressoando pelo ambiente. “The Reeling” virou hit instantâneo, e aparece nas pistas tanto em sua versão original quanto nos vários remixes que ganhou. “Folds In Your Hands” promete ir pelo mesmo caminho em breve. Como li em algum lugar da internet, quem gosta de uma música do Passion Pit vai gostar de todas as faixas de “Manners”. Não só porque elas são um pouco parecidas entre si, e realmente são, mas porque todas elas são muito boas.
Florence & The Machine – Lungs
Quando surgiu com o sensacional EP “A Lot Of Love and A Lot Of Blood”, em abril deste ano, a bela ruiva Florence Welch me deixou boquiaberto. Canções como as maravilhosas “Dog Days Are Over” e “Kiss With A Fist”, com imenso apelo pop combinado àquela voz de tirar o sono, se tornaram figurinha fácil na minha lista de melhores faixas de 2009. Mas, quando o disco “Lungs” chegou, parecia que, apesar de boas canções, as melhores estavam mesmo na primeira aparição da moça, naquele EP de estreia. A cantora britânica comanda um grupo que tem os básicos guitarra, baixo, bateria e teclado, acompanhados de uma harpista que faz a diferença no pop invocado a rock da banda. Ainda que tenha boas faixas inéditas, como “Howl”, de sotaque oitentista na batida e nos backing vocals do refrão, “Cosmic Love”, cheia de climas etéreos, ou as belas “My Boy Builds Coffins”, “Girl With One Eye” e “Hurricane Drunk”, adivinha quais são as melhores faixas do disco? “Dog Days Are Over”, “Kiss With A Fist” e a excelente “You’ve Got The Love”, cover do The Source, que voltam a aparacer em “Lungs” após fazerem sucesso no EP. O que nos leva, inevitavelmente, a pensar que talvez fosse melhor ter ficado apenas no disquinho curto.
Telekinesis – Telekinesis!
Em maio de 2008, o guitarrista Chris Walla, nome forte do Death Cab For Cutie e na cena alternativa dos EUA como produtor, comentou (como convidado do site Stereogum) sobre este projeto de Michael Lerner, começou seu texto com a seguinte frase: “Não há muito o que se dizer quando se é levado a nocaute”. E olha que o Telekinesis tinha lançado apenas algumas músicas em seu EP de estreia, “Toulouse-Lautrec”. Em 2009, Lerner também mandou pra praça o EP “Coast of California”, mas este era apenas uma entrada para o excelente disco de estreia, “Telekinesis!”. Não me admira que Walla tenha se encantado com esse músico alucinado de Seattle. Lerner segue o caminho pop do DCFC, usando melodias encantadoras entre guitarras rasgadas, vocais doces e, em alguns casos, letras chorosas. “Foreign Room” começa suave, mas logo descanba para um pop rock barulhentinho, enquanto “All of a Sudden” é tão bonitinha e ingênua que se torna deliciosa. Outras faixas bacanas, como “Coast of California” (que já tinha saído no EP homônimo) e a alegre “Look to the East” completam a total necessidade de se ter esse disco por perto. Bravo, Michael Lerner.
Notinhas
Promoção – Aniversário da Coluna B
Dia 22 de agosto, próximo sábado, a Coluna B vai comemorar seu aniversário de 3 anos com mais uma festa imperdível no Teacher’s Pub, na Praia do Canto. Animando a noite, os DJs Bruno Reis (sou eu), DJake Harper (The Lebowskis), o espertíssimo André Paste (o prodígio dos mashups) e outros convidados bacanas. E é claro que vai rolar uma promoçãozinha básica por aqui. Mande seu nome, telefone e RG para o email colunab@gmail.com e concorra a ingressos VIP.
Novidades
O Faith No More oficializou via Twitter sua vinda ao Brasil no dia 7 de novembro. /// Segundo o blog Popload, Jane’s Addiction e Deftones tocam no mesmo festival que o FNM. /// Também via Popload, surge a possibilidade do incrível Yeah Yeah Yeahs estar no Planeta Terra deste ano /// E, quem sabe, uma turnê do Franz Ferdinand no país, depois da MTV anunciar a presença dos caras no VMB? Boto fé.
Vitória bombando
A capixabada anda fervendo: o ótimo Joe.Zee esteve em Sampa e arrebentou por lá, fiquei sabendo; os moleques do Mickey Gang vão de novo pra Inglaterra, onde são assunto de blogs descolados; tenho ouvido o disco solo do Gustavo Macaco, e é bem bom; o T.R.E.P.A.X. e o F.U.E.L. estão reanimando a cena eletrônica local. Brinca com o ES.
Todo mundo tem que ouvir
O Sian Alice Group passou meio batido quando lançaram o primeiro disco da carreira, “59.59”, no ano passado. Mas, por favor, não cometa o mesmo erro duas vezes.
A banda londrina faz um post-rock mais doce que o normal no brilhante “Troubled, Shaken, etc”. A bela voz de Sian Ahern é par perfeito dos arranjos sombrios da banda. Ouça agora.
Playlist
The Rosewood Thieves – When My Plane Lands
The Phantom Band – Burial Sounds
Radiohead – These Are My Twisted Words
Iron & Wine – Sodom, South Georgia
Lucas Santtana – Cira Regina e Nana
The Gossip – Love and Let Love
The Anomalies – Bamboo Beats
Arctic Monkeys – The Fire and the Thud
The Language of Termites – Sleeping Tree
The Yolks – Rambling

Cumprindo o que prometeu

Coisa mais do que normal hoje em dia, bandas lançam pequenas amostras do que podem oferecer em disco. São os bons e velhos EPs, já tão falados por aqui. Para dar início a uma carreira concreta, os artistas lançam um pequeno conjunto de músicas, geralmente por volta de três a seis composições, e se jogam. Tempos depois, com as músicas já na boca do povo e as apresentações em festivais mais do que bombadas, eles se enfurnam em um estúdio para sair de lá com uma bolachinha à moda antiga, algo entre dez ou doze faixas com produção de primeira e distribuição profissional.

As opções para esse segundo ato são: confirmar o que deles se esperava a partir de um EP de qualidade, ou afundar a atenção conseguida com aquele primeiro e curto trabalho. A pressão é grande, chega a níveis inimagináveis, e alguns realmente sucumbem na hora de mostrar realmente a que vieram. Mas é bom ver uma banda que apareceu tão bem com algumas poucas músicas confirmar sua capacidade de criar grandes canções, que se destacam, que fogem do comum. Hoje, a Coluna B vai mostrar os dois casos, com alguns exemplos claros e objetivos.

Passion Pit – Manners

Tudo começou quando Michael Angelakos, líder do grupo de Cambridge, nos EUA, fez um punhado de músicas para presentear sua amada no Dia dos Namorados de 2007. As músicas ficaram famosas na cidade e o rapaz adicionou mais duas para lançá-las como o EP “Chunk of Change” no ano seguinte. Do primeiro lançamento para o segundo, só “Sleepyhead” se viu repetida, e merecidamente: trata-se de uma das mais bacanas faixas do pop atual, divertida até os ossos. Mas “Manners” tem muito mais do que isso. O vocal estridente de Angelakos e os arranjos criativos e dançantes do Passion Pit conquistaram muita gente. O álbum é aberto com duas faixas que pegam grandes ideias do pop que tem Michael Jackson como rei, mistura com doses modernosas de Kanye West e reverbera tudo com uma fina camada de indie pop, algumas guitarras aqui e ali e muito, muito teclado ressoando pelo ambiente. “The Reeling” virou hit instantâneo, e aparece nas pistas tanto em sua versão original quanto nos vários remixes que ganhou. “Folds In Your Hands” promete ir pelo mesmo caminho em breve. Como li em algum lugar da internet, quem gosta de uma música do Passion Pit vai gostar de todas as faixas de “Manners”. Não só porque elas são um pouco parecidas entre si, e realmente são, mas porque todas elas são muito boas.

Florence & The Machine – Lungs

Quando surgiu com o sensacional EP “A Lot Of Love and A Lot Of Blood”, em abril deste ano, a bela ruiva Florence Welch me deixou boquiaberto. Canções como as maravilhosas “Dog Days Are Over” e “Kiss With A Fist”, com imenso apelo pop combinado àquela voz de tirar o sono, se tornaram figurinha fácil na minha lista de melhores faixas de 2009. Mas, quando o disco “Lungs” chegou, parecia que, apesar de boas canções, as melhores estavam mesmo na primeira aparição da moça, naquele EP de estreia. A cantora britânica comanda um grupo que tem os básicos guitarra, baixo, bateria e teclado, acompanhados de uma harpista que faz a diferença no pop invocado a rock da banda. Ainda que tenha boas faixas inéditas, como “Howl”, de sotaque oitentista na batida e nos backing vocals do refrão, “Cosmic Love”, cheia de climas etéreos, ou as belas “My Boy Builds Coffins”, “Girl With One Eye” e “Hurricane Drunk”, adivinha quais são as melhores faixas do disco? “Dog Days Are Over”, “Kiss With A Fist” e a excelente “You’ve Got The Love”, cover do The Source, que voltam a aparacer em “Lungs” após fazerem sucesso no EP. O que nos leva, inevitavelmente, a pensar que talvez fosse melhor ter ficado apenas no disquinho curto.

Telekinesis – Telekinesis!

Em maio de 2008, o guitarrista Chris Walla, nome forte do Death Cab For Cutie e na cena alternativa dos EUA como produtor, comentou (como convidado do site Stereogum) sobre este projeto de Michael Lerner, começou seu texto com a seguinte frase: “Não há muito o que se dizer quando se é levado a nocaute”. E olha que o Telekinesis tinha lançado apenas algumas músicas em seu EP de estreia, “Toulouse-Lautrec”. Em 2009, Lerner também mandou pra praça o EP “Coast of California”, mas este era apenas uma entrada para o excelente disco de estreia, “Telekinesis!”. Não me admira que Walla tenha se encantado com esse músico alucinado de Seattle. Lerner segue o caminho pop do DCFC, usando melodias encantadoras entre guitarras rasgadas, vocais doces e, em alguns casos, letras chorosas. “Foreign Room” começa suave, mas logo descanba para um pop rock barulhentinho, enquanto “All of a Sudden” é tão bonitinha e ingênua que se torna deliciosa. Outras faixas bacanas, como “Coast of California” (que já tinha saído no EP homônimo) e a alegre “Look to the East” completam a total necessidade de se ter esse disco por perto. Bravo, Michael Lerner.

Notinhas

Promoção – Aniversário da Coluna B

Dia 22 de agosto, próximo sábado, a Coluna B vai comemorar seu aniversário de 3 anos com mais uma festa imperdível no Teacher’s Pub, na Praia do Canto. Animando a noite, os DJs Bruno Reis (sou eu), DJake Harper (The Lebowskis), o espertíssimo André Paste (o prodígio dos mashups) e outros convidados bacanas. E é claro que vai rolar uma promoçãozinha básica por aqui. Mande seu nome, telefone e RG para o email colunab@gmail.com e concorra a ingressos VIP.

Novidades

O Faith No More oficializou via Twitter sua vinda ao Brasil no dia 7 de novembro. /// Segundo o blog Popload, Jane’s Addiction e Deftones tocam no mesmo festival que o FNM. /// Também via Popload, surge a possibilidade do incrível Yeah Yeah Yeahs estar no Planeta Terra deste ano /// E, quem sabe, uma turnê do Franz Ferdinand no país, depois da MTV anunciar a presença dos caras no VMB? Boto fé.

Vitória bombando

A capixabada anda fervendo: o ótimo Joe.Zee esteve em Sampa e arrebentou por lá, fiquei sabendo; os moleques do Mickey Gang vão de novo pra Inglaterra, onde são assunto de blogs descolados; tenho ouvido o disco solo do Gustavo Macaco, e é bem bom; o T.R.E.P.A.X. e o F.U.E.L. estão reanimando a cena eletrônica local. Brinca com o ES.

Todo mundo tem que ouvir

O Sian Alice Group passou meio batido quando lançaram o primeiro disco da carreira, “59.59”, no ano passado. Mas, por favor, não cometa o mesmo erro duas vezes.

A banda londrina faz um post-rock mais doce que o normal no brilhante “Troubled, Shaken, etc”. A bela voz de Sian Ahern é par perfeito dos arranjos sombrios da banda. Ouça agora.

Playlist

The Rosewood Thieves – When My Plane Lands

The Phantom Band – Burial Sounds

Radiohead – These Are My Twisted Words

Iron & Wine – Sodom, South Georgia

Lucas Santtana – Cira Regina e Nana

The Gossip – Love and Let Love

The Anomalies – Bamboo Beats

Arctic Monkeys – The Fire and the Thud

The Language of Termites – Sleeping Tree

The Yolks – Rambling

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