Coluna B, dia 11/07

Não me perguntem: eu também não sei onde foi parar a Coluna B do último sábado. Mas, enfim, aqui no blog pelo menos ela não falha nunca.

Sorria para o novo rock
Ê, felicidade. É assim, com um sorriso de orelha a orelha, que o rock anda por aí, caminhando com segurança nesta nova etapa de sua conturbada vida. Apesar do caminhão de problemas que jogam pra cima do coitado, ele ainda consegue se sair com um belo conjunto de dentes brancos e brilhantes. Quem ajuda nessa tarefa são as bandas que, cansadas de ouvirem dizer que o rock não é mais aquele, olha a cara dele, resolveram colocar na praça belos espécimes do rock pra cima, aquele em que a gente canta com os braços pra cima, sem medo de ser feliz. Esqueça a pose de tristeza, a lágrima saltitante, e siga as bandas Phoenix e Holger pelo caminho da felicidade.
Comecemos com o Phoenix. Pra começar, os caras deram início à banda quando eram moleques felizes e sorridentes, lá pelos idos de 1999. Aproveitavam a vida enquanto teciam belas composições de rock dançante. O que mais contribuía para isso é que são de Paris, e, convenhamos, ninguém pode ficar triste morando lá. Finalmente, eles iniciaram as atividades como a banda que acompanhava o Air no começo da carreira. Que beleza, né? Os caras lançaram diversos álbuns com o passar dos anos, mas faltava aquele em que todo mundo diria, “que disco!”. Não falta mais.
Esse grande disco, feito para conquistar o mundo, é “Wolfgang Amadeus Phoenix”, quarto trabalho de estúdio dos franceses. Com produção do francês Philippe Zdar, conceituadíssimo no estilo eletrônico, o álbum decolou não apenas na Europa, onde o Phoenix já tinha um nome bem formatado, mas também nos EUA. Resultado: a banda foi alçada a uma das melhores da atualidade, e o disco considerado um dos melhores de 2009 até agora. E é merecido. Apesar de conhecer pouca coisa dos trabalhos anteriores, a mudança suave da banda, colocando um tempero um pouco mais picante em sua música, foi muito bem feita e recebida.
Faixas incríveis como “Big Sun”, “Lasso” e “Fences”, de melodias marcantes e um suingue todo particular, são capazes de sobreviver, lindas e frescas, à inundação de músicas novas que surgem todos os dias no mercado. Mas “Wolfgang Amadeus Phoenix” já te ganha logo de cara, com a dupla dinãmica que abre o disco – “Lizstomania” é imediatista, tem uma bateria frenética, mas também consegue ser fofa e bonita, enquanto “1901” é mais assanhada, com a batida sexy balançando os ouvidos. E o disco ainda tem muito mais. O Phoenix, tenha certeza, vai te fazer sorrir.
Já os caras do Holger, paulistanos da gema, são capazes de fazer você se agitar todo, dos pés à cabeça, e é daí que os lábios se curvam levemente, abrindo espaço para os dentes mostrarem seu amor pela vida. As influências assumidas pela banda já dão uma boa ideia do que vem por aí: Pavement, I’m From Barcelona, o incrível Broken Social Scene e Wilco estão nessa lista. Ninguém vai chegar a gargalhar com as músicas da banda, que tem em sua discografia apenas o EP “The Green Valley” (2009), mas o sorrisinho maroto é inevitável. Além disso, trata-se de um grupo onde todos tocam, todos cantam e todos celebram. A vida, caminho tortuoso e cheio de obstáculos enormes, vale a pena para o Holger.
Esse espírito celebratório, de companheirismo e alegria do Holger fica evidente em faixas deliciosas como “War”, que faz com que o indie rock se aproxime muito da música pop – grande qualidade dos caras – e “The Auction”, com um refrão impossível de não cantar junto. Claro que o Holger tem um pezinho na melancolia, como toda boa banda indie, e nos serve com a balada guitarreira “Happilly Ever After” no final, citando até Shrek e a princesa Fiona, mas nada que apague o brilho intenso da já clássica “Brand New T-Shirt” e sua levadinha deslizante, ou da potente “Nelson”, que quase nos ensurdece com sua sinfonia de distorções. Nada, é claro, que apague esse sorriso largo e enviesado do seu rosto. Sorria, meu bem, sorria.
Notinhas
Nova loja de discos
Enquanto em todo mundo lojas e mais lojas de discos fecham as portas em uma velocidade impressionante, a Third Man Records, gravadora do Jack White, vai fazer o contrário. Segundo a Pitchfork, White vai abrir uma loja da gravadora por dois dias em Nova Iorque, 16 e 17 de julho, e colocará à venda todo o catálogo da gravadora e produtos de merchandising variados. Será uma experiência do dono da gravadora ou apenas uma ação de marketing excelente? Só o tempo dirá.
Várias
Sinal dos tempos (de novo?), o Muse revelou via Twitter alguns detalhes de seu novo disco, “The Resistance”. A banda colocou, post por post, o tracklist do disco, com faixas de nome esquisito como “Unnatural Selection” ou “Exogenesis: Symphony Part II (Cross Pollination)”. Ah, tá. /// Hope Sandoval, moça que capitaneava o Mazzy Star, está de volta à carreira de cantora, quase 10 anos depois, e lança “Throught the Devil Softly” no dia 15 de setembro /// O Dead Man’s Bones, banda do ótimo ator Ryan Gosling, vai lançar seu primeiro disco, homônimo, no dia 6 de outubro. E eu que nem sabia que o Gosling tinha banda? /// E o dinamarquês Mew, que andava sumido, lançou pela internet o EP No More Stories, a volta da banda após seu último disco. Vale a pena procurar. /// O Little Joy vai voltar ao Brasil. A banda passa, completinha, por Rio de Janeiro (14) e São Paulo (15) neste mês de agosto. Oba!
Todo mundo tem que ouvir
A Indonésia é mesmo um país de incrível tradição musical – NOT. Mas é uma grande satisfação ter encontrado na internet a dupla folk pop Endah N Rhesa e o disco “Nowhere To Go”.
O álbum foi gravado em 2005, mas só agora ganhou distribuição mais ampla. Com uma bela voz e melodias simples e bem trabalhadas, o Endah N Rhesa vai ao blues, ao country e ao folk neste belo trabalho, todo cantado em inglês. Viva a Indonésia.
Playlist
Wilco – You Never Know
Jenny Owen Youngs – First Person
Naive New Beaters – The Last Badaboum
Dirty Projectors – Useful Chamber
Lestics – Leve
Marcelo Camelo e Ivete Sangalo – Teus Olhos
Florence and the Machine – Kiss With A Fist
John Frusciante – Today
La Roux – Fascination
The Rumble Strips – Not the Only Person

Sorria para o novo rock

Ê, felicidade. É assim, com um sorriso de orelha a orelha, que o rock anda por aí, caminhando com segurança nesta nova etapa de sua conturbada vida. Apesar do caminhão de problemas que jogam pra cima do coitado, ele ainda consegue se sair com um belo conjunto de dentes brancos e brilhantes. Quem ajuda nessa tarefa são as bandas que, cansadas de ouvirem dizer que o rock não é mais aquele, olha a cara dele, resolveram colocar na praça belos espécimes do rock pra cima, aquele em que a gente canta com os braços pra cima, sem medo de ser feliz. Esqueça a pose de tristeza, a lágrima saltitante, e siga as bandas Phoenix e Holger pelo caminho da felicidade.

Comecemos com o Phoenix. Pra começar, os caras deram início à banda quando eram moleques felizes e sorridentes, lá pelos idos de 1999. Aproveitavam a vida enquanto teciam belas composições de rock dançante. O que mais contribuía para isso é que são de Paris, e, convenhamos, ninguém pode ficar triste morando lá. Finalmente, eles iniciaram as atividades como a banda que acompanhava o Air no começo da carreira. Que beleza, né? Os caras lançaram diversos álbuns com o passar dos anos, mas faltava aquele em que todo mundo diria, “que disco!”. Não falta mais.

Esse grande disco, feito para conquistar o mundo, é “Wolfgang Amadeus Phoenix”, quarto trabalho de estúdio dos franceses. Com produção do francês Philippe Zdar, conceituadíssimo no estilo eletrônico, o álbum decolou não apenas na Europa, onde o Phoenix já tinha um nome bem formatado, mas também nos EUA. Resultado: a banda foi alçada a uma das melhores da atualidade, e o disco considerado um dos melhores de 2009 até agora. E é merecido. Apesar de conhecer pouca coisa dos trabalhos anteriores, a mudança suave da banda, colocando um tempero um pouco mais picante em sua música, foi muito bem feita e recebida.

Faixas incríveis como “Big Sun”, “Lasso” e “Fences”, de melodias marcantes e um suingue todo particular, são capazes de sobreviver, lindas e frescas, à inundação de músicas novas que surgem todos os dias no mercado. Mas “Wolfgang Amadeus Phoenix” já te ganha logo de cara, com a dupla dinãmica que abre o disco – “Lizstomania” é imediatista, tem uma bateria frenética, mas também consegue ser fofa e bonita, enquanto “1901” é mais assanhada, com a batida sexy balançando os ouvidos. E o disco ainda tem muito mais. O Phoenix, tenha certeza, vai te fazer sorrir.

Já os caras do Holger, paulistanos da gema, são capazes de fazer você se agitar todo, dos pés à cabeça, e é daí que os lábios se curvam levemente, abrindo espaço para os dentes mostrarem seu amor pela vida. As influências assumidas pela banda já dão uma boa ideia do que vem por aí: Pavement, I’m From Barcelona, o incrível Broken Social Scene e Wilco estão nessa lista. Ninguém vai chegar a gargalhar com as músicas da banda, que tem em sua discografia apenas o EP “The Green Valley” (2009), mas o sorrisinho maroto é inevitável. Além disso, trata-se de um grupo onde todos tocam, todos cantam e todos celebram. A vida, caminho tortuoso e cheio de obstáculos enormes, vale a pena para o Holger.

Esse espírito celebratório, de companheirismo e alegria do Holger fica evidente em faixas deliciosas como “War”, que faz com que o indie rock se aproxime muito da música pop – grande qualidade dos caras – e “The Auction”, com um refrão impossível de não cantar junto. Claro que o Holger tem um pezinho na melancolia, como toda boa banda indie, e nos serve com a balada guitarreira “Happilly Ever After” no final, citando até Shrek e a princesa Fiona, mas nada que apague o brilho intenso da já clássica “Brand New T-Shirt” e sua levadinha deslizante, ou da potente “Nelson”, que quase nos ensurdece com sua sinfonia de distorções. Nada, é claro, que apague esse sorriso largo e enviesado do seu rosto. Sorria, meu bem, sorria.

Notinhas

Nova loja de discos

Enquanto em todo mundo lojas e mais lojas de discos fecham as portas em uma velocidade impressionante, a Third Man Records, gravadora do Jack White, vai fazer o contrário. Segundo a Pitchfork, White vai abrir uma loja da gravadora por dois dias em Nova Iorque, 16 e 17 de julho, e colocará à venda todo o catálogo da gravadora e produtos de merchandising variados. Será uma experiência do dono da gravadora ou apenas uma ação de marketing excelente? Só o tempo dirá.

Várias

Sinal dos tempos (de novo?), o Muse revelou via Twitter alguns detalhes de seu novo disco, “The Resistance”. A banda colocou, post por post, o tracklist do disco, com faixas de nome esquisito como “Unnatural Selection” ou “Exogenesis: Symphony Part II (Cross Pollination)”. Ah, tá. /// Hope Sandoval, moça que capitaneava o Mazzy Star, está de volta à carreira de cantora, quase 10 anos depois, e lança “Throught the Devil Softly” no dia 15 de setembro /// O Dead Man’s Bones, banda do ótimo ator Ryan Gosling, vai lançar seu primeiro disco, homônimo, no dia 6 de outubro. E eu que nem sabia que o Gosling tinha banda? /// E o dinamarquês Mew, que andava sumido, lançou pela internet o EP No More Stories, a volta da banda após seu último disco. Vale a pena procurar. /// O Little Joy vai voltar ao Brasil. A banda passa, completinha, por Rio de Janeiro (14) e São Paulo (15) neste mês de agosto. Oba!

Todo mundo tem que ouvir

A Indonésia é mesmo um país de incrível tradição musical – NOT. Mas é uma grande satisfação ter encontrado na internet a dupla folk pop Endah N Rhesa e o disco “Nowhere To Go”.

O álbum foi gravado em 2005, mas só agora ganhou distribuição mais ampla. Com uma bela voz e melodias simples e bem trabalhadas, o Endah N Rhesa vai ao blues, ao country e ao folk neste belo trabalho, todo cantado em inglês. Viva a Indonésia.

Playlist

Wilco – You Never Know

Jenny Owen Youngs – First Person

Naive New Beaters – The Last Badaboum

Dirty Projectors – Useful Chamber

Lestics – Leve

Marcelo Camelo e Ivete Sangalo – Teus Olhos

Florence and the Machine – Kiss With A Fist

John Frusciante – Today

La Roux – Fascination

The Rumble Strips – Not the Only Person

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Um comentário sobre “Coluna B, dia 11/07

  1. ótimas dicas! recomendo o Iggy Pop versão Cool em Préliminaires, inspirado na literatura de Michael Houllebeq, tem até cover de Insensatez.
    Recomendo também Rasputina, violinos suave vocal feminino, bom demais!

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