Coluna B, dia 13/06

Mais uma coluna que, infelizmente, não chega até as páginas impressas do jornal A Gazeta. Mas rolou na internet, pelo menos. Para quem não viu, aí vai.

Indie Made in Brasil (com s)
A universalidade da internet, com o tempo e com as ferramentas e facilidades que são disponibilizadas, fez gerar no Brasil uma nova camada musical. A despeito do que pensam os atrasados, que não consideram o MySpace e o YouTube uma plataforma de divulgação válida, ou para os que acham que banda de verdade são as que tocam no Faustão ou nas grandes rádios, uma geração excelente está construindo no país. As bandas brasileiras estão cada vez mais inseridas em um contexto em que a música em si, aquele conjunto de notinhas e timbres que faz a felicidade de tanta gente, é o mais importante, independendo de localidades, pressões nacionalistas e afins. Quando os artistas deixam suas influências falarem mais alto, o público que o consome só tem a ganhar. E no atual cenário da música independente brasileira, algumas bandas e artistas estão lançando novos trabalhos que seguem esse mandamento à risca. O indie made in Brasil está cada vez mais forte.
Os exemplos do Pato Fu, do CSS e, mais recentemente, do Vanguart estão perto de se estender para outros grupos. Os cuiabanos estão cada vez mais presentes no mainstream nacional. Já gravaram disco por uma grande gravadora e lançaram DVD com o canal Multishow e tendo o folk como base do seu som, um estilo que era praticamente ignorado no Brasil. Há diversos outros se destacando na cena independente e arrebentando esse limite entre o alternativo e o popular, que fica cada dia mais fino. Entre eles é fácil citar Mombojó, Orquestra Imperial, Moptop, Holger, Supercordas, Macaco Bong, Ludov, Solana, Copacabana Club, Garotas Suecas, Siba e a Fuloresta, Mallu Magalhães, The Twelves, Mickey Gang, Cachorro Grande e até mesmo Marcelo Camelo, que, apesar de já ter se estabelecido com o Los Hermanos, inicia sua caminhada do zero na carreira solo. Uma prova de que o indie nacional chegou a um estágio avançado é que até artistas consagrados como Caetano Veloso vão buscar nessa turma inspiração e o sabor da novidade para seus novos discos.
É por isso tudo que lançamentos como “C_mpl_te”, do Móveis Coloniais de Acaju, “Chora, Matisse”, do Nancy, e “Hoje” do Lestics, são capazes de trazer um verdadeiro furacão na música nacional.
O Lestics lança “Hoje”, seu terceiro disco, da mesma forma como lançou os outros dois, há dois anos: sem muito alarde, disponibilizando uma versão em MP3 gratuitamente no site http://www.lestics.com.br e com a certeza de ter entregue aos fãs um disco de qualidade inegável. Agora como um quinteto, Olavo Rocha e Umberto Serpieri recebem Marcelo Patu, Felipe Duarte e Lirinha para darem mais corpo ao folk rock da banda, mas matendo a leveza dos arranjos e o ímpeto realista das letras. Em “Hoje”, o som do Lestics continua sendo comandado por um violão de melodias mágicas, entre riffs iluminados e belíssimas bases. Faixas como a densa “Velho”, “Plano de Fuga” ou a deliciosa “Ideias Originais” mantém o espírito dos primeiros discos, tendo na simplicidade seu apoio mais poderoso. Já a esperta “Mania de Organização” e “À Espera de um Fantasma” encampam bem esse novo Lestics, mais abrangente, com instrumentação mais complexa e cheia. Mas vá sem medo: ambos os estilos fazem do som do grupo paulistano uma das coisas mais bacanas deste ano.
A música pop brasileira pode estar ganhando um representante de peso. E de tamanho: o Móveis Coloniais de Acaju, banda de Brasília que roubou a cena com seu novo disco, tem nada menos que nove integrantes. Em “C_mpl_te”, segundo álbum do grupo, a veia pop que já despontava frente ao rock com muito sopro e metais está ainda mais exaltada. Produzido por Carlos Eduardo Miranda, esse novo trabalho reúne mais uma vez as inúmeras referências que um grupo de nove pessoas inevitavelmente tem – há espaço para polca, o ska, o punk, o rock, o soul e até mesmo um pouquinho de folk, se você quiser. Há canções incríveis como as animadas “Café Com Leite” e “Indiferença”, a bela quase-balada “Adeus” e seu dedilhado de guitarra conquistador, a empolgante “Descomplica” e veloz “Sem Palavras”. O Móveis está seguindo com naturalidade uma trilha deixada pelo Los Hermanos, deixando vagarosamente seu som de alguns exageros presente em “Idem”, o primeiro álbum, e equilibrando as doses para formar uma unidade mais interessante. “C_mpl_te” consegue ser tudo o que o Móveis pode ser, e joga uma luz para um futuro ainda mais promissor.
O Nancy também segue a tradição roqueira de bandas formadas em Brasília, mas já virou um grupo de tudo quanto é lugar. Hoje seus integrantes moram em São Paulo, mas pegaram fôlego mesmo em 2005, quando os dois principais compositores, João Paulo Praxes e Camila Zamith, moravam em Sampa e Londres, respectivamente. Foi aí que a liga se formou e o Nancy ganhou seu som característico. E é justamente pelo estilo que se percebe como é uma banda cosmopolita, que não se prende a regionalismos chatos. Camila Zamith passeia pelo inglês e pelo português “Chora, Matisse”, álbum de estreia, com direito a hit certeiro – a maravilhosa “Keep Cooler”, que ganhou um remix classe A do Born Ruffians também presente no disco – e mais sete faixas deliciosas. “Inbox Drama” usa sintetizadores para acompanhar as criativas guitarras de Praxes na primeira metade, depois cai para um folk com direito a coro e palmas cercando o violão. “Mamba Negra Fashion Week” é rock com tempero  americano, “Ceilings and Rooftops” se derrama em uma balada emocionante e com um refrão marcante, onde a voz de Camila é acompanhada por uma batida quebrada. Além dela, “Chaparral”, “Cinema Nacional” e “Malstar” também fazem de “Chora, Matisse” um disco para ser ouvido a todo momento e redescoberto a cada nova audição.
Notinhas
O contra-ataque
Todo mundo já viu aqueles comerciais que passam antes de filmes – alugados na locadora ou exibidos no cinema – em que mostram jovens roubando carros, bolsas e afins, e depois comparam essas atividades às trocas de arquivos pela internet, os populares downloads. E acredito que, assim como eu, muita gente já se revoltou com o tom mentiroso e exagerado utilizado pelo comercial. Pois agora o troco está dado. A coligação partidária The Greens, com representantes no parlamento europeu, resolveu entrar na briga de vez. A campanha “I Wouldn’t Steal”, que já vinha desde o ano passado defendendo que fazer download não é roubo, ganhou um comercial de TV e internet importante e esclarecedor, combatendo prinicpalmente essa injustiça de comparar o download de filmes e músicas a roubo, assalto a mão armada e outros crimes. Entre no site iwouldntsteal.net e assista à peça. Se possível, passe-a à frente. Trocar arquivos pela internet não é crime e o mercado mundial precisa se adaptar a isso.
Várias
Quando Trent Reznor foi perguntado essa semana sobre alguma história curiosa da atual turnê do Nine Inch Nails com o Jane’s Addiction, a resposta não poderia ser mais espirituosa: “Teve um dia em que eu vi Dave Navarro usar uma camiseta”. Há! /// Se você estava achando que o segundo semestre prometia em relação a shows, adicione para sua lista a possibilidade de ter por aqui Coldplay, Killers, Metallica, Simple Minds e Queens of the Stone Age. E aí, promete ou não? /// Aliás, dei muita risada do fantástico nome da coletânea de 28 faixas que o Faith No More (que também vai pintar no Brasil neste segundo semestre) lançou essa semana: “The Very Best Definitive Ultimate Greatest Hits Collection”. Genial. /// O Oasis avisou que vai relançar todos os seus álbuns em vinil a partir do dia 13 de julho – todos os discos vão ganhar novas capas e notas bacanas do editor de críticas da NME. /// E o disco novo do Arctic Monkeys ganhou um nome (bem esquisito): “Humbug”.
Todo mundo tem que ouvir
A voz da vez na música indie é de uma ruivinha britânica que parece hipnotizar com o simples ato de abrir a boca. O vocal impressionante de Florence Welch é o grande trunfo da banda nova da vez, Florence and the Machine.
O grupo capitaneado por Welch é daqueles que nem disco lançado tem (“Lungs” deve sair em julho e, aparentemente, ainda não vazou), mas já se apresentou em festivais graúdos pela Europa. Procure o EP “A Lot of Love A Lot of Blood” e não se arrependerá.
Playlist
Radiohead – Stop Whispering
Sean Bones – Dancehall
Passion Pit – Sleepyhead
Nouvelle Vague – All My Colours
Ohbijou – Thunderlove
Russian Red – Perfect Time
The Rumble Strips – Happy Hell
Wintermute – Spanish Girls
Holger – War
Yeah Yeah Yeahs – Heads Will Roll

Indie Made in Brasil (com s)

A universalidade da internet, com o tempo e com as ferramentas e facilidades que são disponibilizadas, fez gerar no Brasil uma nova camada musical. A despeito do que pensam os atrasados, que não consideram o MySpace e o YouTube uma plataforma de divulgação válida, ou para os que acham que banda de verdade são as que tocam no Faustão ou nas grandes rádios, uma geração excelente está construindo no país. As bandas brasileiras estão cada vez mais inseridas em um contexto em que a música em si, aquele conjunto de notinhas e timbres que faz a felicidade de tanta gente, é o mais importante, independendo de localidades, pressões nacionalistas e afins. Quando os artistas deixam suas influências falarem mais alto, o público que o consome só tem a ganhar. E no atual cenário da música independente brasileira, algumas bandas e artistas estão lançando novos trabalhos que seguem esse mandamento à risca. O indie made in Brasil está cada vez mais forte.

Os exemplos do Pato Fu, do CSS e, mais recentemente, do Vanguart estão perto de se estender para outros grupos. Os cuiabanos estão cada vez mais presentes no mainstream nacional. Já gravaram disco por uma grande gravadora e lançaram DVD com o canal Multishow e tendo o folk como base do seu som, um estilo que era praticamente ignorado no Brasil. Há diversos outros se destacando na cena independente e arrebentando esse limite entre o alternativo e o popular, que fica cada dia mais fino. Entre eles é fácil citar Mombojó, Orquestra Imperial, Moptop, Holger, Supercordas, Macaco Bong, Ludov, Solana, Copacabana Club, Garotas Suecas, Siba e a Fuloresta, Mallu Magalhães, The Twelves, Mickey Gang, Cachorro Grande e até mesmo Marcelo Camelo, que, apesar de já ter se estabelecido com o Los Hermanos, inicia sua caminhada do zero na carreira solo. Uma prova de que o indie nacional chegou a um estágio avançado é que até artistas consagrados como Caetano Veloso vão buscar nessa turma inspiração e o sabor da novidade para seus novos discos.

É por isso tudo que lançamentos como “C_mpl_te”, do Móveis Coloniais de Acaju, “Chora, Matisse”, do Nancy, e “Hoje” do Lestics, são capazes de trazer um verdadeiro furacão na música nacional.

O Lestics lança “Hoje”, seu terceiro disco, da mesma forma como lançou os outros dois, há dois anos: sem muito alarde, disponibilizando uma versão em MP3 gratuitamente no site http://www.lestics.com.br e com a certeza de ter entregue aos fãs um disco de qualidade inegável. Agora como um quinteto, Olavo Rocha e Umberto Serpieri recebem Marcelo Patu, Felipe Duarte e Lirinha para darem mais corpo ao folk rock da banda, mas matendo a leveza dos arranjos e o ímpeto realista das letras. Em “Hoje”, o som do Lestics continua sendo comandado por um violão de melodias mágicas, entre riffs iluminados e belíssimas bases. Faixas como a densa “Velho”, “Plano de Fuga” ou a deliciosa “Ideias Originais” mantém o espírito dos primeiros discos, tendo na simplicidade seu apoio mais poderoso. Já a esperta “Mania de Organização” e “À Espera de um Fantasma” encampam bem esse novo Lestics, mais abrangente, com instrumentação mais complexa e cheia. Mas vá sem medo: ambos os estilos fazem do som do grupo paulistano uma das coisas mais bacanas deste ano.

A música pop brasileira pode estar ganhando um representante de peso. E de tamanho: o Móveis Coloniais de Acaju, banda de Brasília que roubou a cena com seu novo disco, tem nada menos que nove integrantes. Em “C_mpl_te”, segundo álbum do grupo, a veia pop que já despontava frente ao rock com muito sopro e metais está ainda mais exaltada. Produzido por Carlos Eduardo Miranda, esse novo trabalho reúne mais uma vez as inúmeras referências que um grupo de nove pessoas inevitavelmente tem – há espaço para polca, o ska, o punk, o rock, o soul e até mesmo um pouquinho de folk, se você quiser. Há canções incríveis como as animadas “Café Com Leite” e “Indiferença”, a bela quase-balada “Adeus” e seu dedilhado de guitarra conquistador, a empolgante “Descomplica” e veloz “Sem Palavras”. O Móveis está seguindo com naturalidade uma trilha deixada pelo Los Hermanos, deixando vagarosamente seu som de alguns exageros presente em “Idem”, o primeiro álbum, e equilibrando as doses para formar uma unidade mais interessante. “C_mpl_te” consegue ser tudo o que o Móveis pode ser, e joga uma luz para um futuro ainda mais promissor.

O Nancy também segue a tradição roqueira de bandas formadas em Brasília, mas já virou um grupo de tudo quanto é lugar. Hoje seus integrantes moram em São Paulo, mas pegaram fôlego mesmo em 2005, quando os dois principais compositores, João Paulo Praxes e Camila Zamith, moravam em Sampa e Londres, respectivamente. Foi aí que a liga se formou e o Nancy ganhou seu som característico. E é justamente pelo estilo que se percebe como é uma banda cosmopolita, que não se prende a regionalismos chatos. Camila Zamith passeia pelo inglês e pelo português “Chora, Matisse”, álbum de estreia, com direito a hit certeiro – a maravilhosa “Keep Cooler”, que ganhou um remix classe A do Born Ruffians também presente no disco – e mais sete faixas deliciosas. “Inbox Drama” usa sintetizadores para acompanhar as criativas guitarras de Praxes na primeira metade, depois cai para um folk com direito a coro e palmas cercando o violão. “Mamba Negra Fashion Week” é rock com tempero  americano, “Ceilings and Rooftops” se derrama em uma balada emocionante e com um refrão marcante, onde a voz de Camila é acompanhada por uma batida quebrada. Além dela, “Chaparral”, “Cinema Nacional” e “Malstar” também fazem de “Chora, Matisse” um disco para ser ouvido a todo momento e redescoberto a cada nova audição.

Notinhas

O contra-ataque

Todo mundo já viu aqueles comerciais que passam antes de filmes – alugados na locadora ou exibidos no cinema – em que mostram jovens roubando carros, bolsas e afins, e depois comparam essas atividades às trocas de arquivos pela internet, os populares downloads. E acredito que, assim como eu, muita gente já se revoltou com o tom mentiroso e exagerado utilizado pelo comercial. Pois agora o troco está dado. A coligação partidária The Greens, com representantes no parlamento europeu, resolveu entrar na briga de vez. A campanha “I Wouldn’t Steal”, que já vinha desde o ano passado defendendo que fazer download não é roubo, ganhou um comercial de TV e internet importante e esclarecedor, combatendo prinicpalmente essa injustiça de comparar o download de filmes e músicas a roubo, assalto a mão armada e outros crimes. Entre no site iwouldntsteal.net e assista à peça. Se possível, passe-a à frente. Trocar arquivos pela internet não é crime e o mercado mundial precisa se adaptar a isso.

Várias

Quando Trent Reznor foi perguntado essa semana sobre alguma história curiosa da atual turnê do Nine Inch Nails com o Jane’s Addiction, a resposta não poderia ser mais espirituosa: “Teve um dia em que eu vi Dave Navarro usar uma camiseta”. Há! /// Se você estava achando que o segundo semestre prometia em relação a shows, adicione para sua lista a possibilidade de ter por aqui Coldplay, Killers, Metallica, Simple Minds e Queens of the Stone Age. E aí, promete ou não? /// Aliás, dei muita risada do fantástico nome da coletânea de 28 faixas que o Faith No More (que também vai pintar no Brasil neste segundo semestre) lançou essa semana: “The Very Best Definitive Ultimate Greatest Hits Collection”. Genial. /// O Oasis avisou que vai relançar todos os seus álbuns em vinil a partir do dia 13 de julho – todos os discos vão ganhar novas capas e notas bacanas do editor de críticas da NME. /// E o disco novo do Arctic Monkeys ganhou um nome (bem esquisito): “Humbug”.

Todo mundo tem que ouvir

A voz da vez na música indie é de uma ruivinha britânica que parece hipnotizar com o simples ato de abrir a boca. O vocal impressionante de Florence Welch é o grande trunfo da banda nova da vez, Florence and the Machine.

O grupo capitaneado por Welch é daqueles que nem disco lançado tem (“Lungs” deve sair em julho e, aparentemente, ainda não vazou), mas já se apresentou em festivais graúdos pela Europa. Procure o EP “A Lot of Love A Lot of Blood” e não se arrependerá.

Playlist

Radiohead – Stop Whispering

Sean Bones – Dancehall

Passion Pit – Sleepyhead

Nouvelle Vague – All My Colours

Ohbijou – Thunderlove

Russian Red – Perfect Time

The Rumble Strips – Happy Hell

Wintermute – Spanish Girls

Holger – War

Yeah Yeah Yeahs – Heads Will Roll

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s