Coluna B – 12/04/09

Cinco discos para agora

A vida agora é assim: dinâmica. Hoje em dia não tem mais essa de estar por fora do que acontece. E nem é questão de escolha. Somos bombardeados por informação o tempo todo, esmagados frente a uma onda maciça de assuntos de variados tipos. É o novo filme do Wolverine que vazou, o livro póstumo do Michael Chricton que vai sair, a nova banda do Jack White que já tem música nova, o novo penteado da Angelina Jolie que ficou horrível, a nova série da Diablo Cody que está bombando, o novo isso, o novo aquilo. Não há tempo a perder. Por isso, a Coluna B resolveu tirar um pouco o atraso de tantos downloads e vai fazer um guia rápido de coisas boas (e bem novas) que você precisa ouvir. São cinco discos pra agora. Vai!

Harlem Shakes – Technicolor Health

harlem

Músicas a uma só voz. Bateria vibrante. Cordas e sopros bem amarrados. Influências do pop e do alternativo dos anos 90, da música africana ou do indie europeu do começo dos anos 2000. Melodias que grudam na cabeça como unha nasce na carne. Escolha você a melhor forma de definir o Harlem Shakes, mais um daqueles grupos que confirmam a incrível ladeira acima que Nova Iorque vem subindo de uns anos para cá. Nem preciso dizer que é mais uma turma saída do Brooklyn, né? Gostaria de saber o que colocam na água daquele lugar. Talvez assim fosse mais fácil descobrir o que passava na cabeça dos cinco integrantes do Harlem Shakes quando fizeram “Technicolor Health”, ótimo disco de estreia do grupo, lançado no último dia 24. Ter tocado junto com Deerhoof, Clap Your Hands Say Yeah e Vampire Weekend pode dar uma boa ideia do som do grupo, já que ouve-se ecos dessas influências por todos os lados.

El Perro Del Mar – Love Is Not Pop
elperro1
Uma moça sueca apenas é o bastante para ser feito um belíssimo trabalho, lotado de energia pop apesar da suavidade das canções. A moça se chama Sarah Assbring, o projeto se chama El Perro Del Mar. Mas quando essa moça recebe na produção o auxílio de outra fera da música sueca, aí vira brincadeira. Ao lado de Assbring está ninguém menos que Hamus Hägg, da dupla Studio. O resultado é o delicioso EP “Love Is Not Pop”, lançado em primeiro de abril por toda Europa. As sete canções contidas na bolachinha formam um conjunto tão perfeito que fica complicado parar de ouvir. Há ecos de electro, folk e indie rock em cada uma das músicas, combinando a doce voz de Assbring com um conjunto instrumental cuidadoso. A harmoniosa mistura coloca violões e sintetizadores lado a lado, uma bateria econômica, porém indispensável, fazendo a cama com o baixo e teclados e guitarras dando o tom pop da ocasião.
¨
The Everyday Visuals – The Everyday Visuals
artist-6650716-tevspace
Está em um daqueles dias em que nada neste mundão todo é capaz de fazer brotar um sorrisinho nessa bendita boca? Talvez você esteja precisando de um pouco do pop rock clássico que o Everyday Visuals faz com tanta competência. Os caras não são novinhos: o disco “Everyday Visuals”, deste ano, é o quarto trabalho de estúdio da banda desde que se estabeleceu com a formação atual. As músicas do grupo passeiam por um universo pop que engloba o folk e o rock contemporâneo, utilizando invariavelmente instrumentos acústicos e elétricos em comunhão, buscando uma sonoridade comum e de fácil assimilação – ao melhor estilo de bandas como Haven, Paloalto, Travis e até Coldplay. Faixas como “Restless Heart”, “Florence Foster Jenkins”, Boom! Boom! Boom!” e “I’ll Take It All In Stride” podem fazer o seu dia chato e modorrento ficar um pouquinho mais interessante.
¨
The Boy Least Likely To – The Law of the Playground
the_boy
O duo inglês, formado por Pete Hobbs e Jof Owen, está lançando, finalmente, após quatro anos de espera, seu segundo disco. E se você anda deixando aquela criança que existe dentro de você meio de lado, preferindo ver os problemas do dia-a-dia às belezas da vida e as pequenas felicidades, dê um jeito. “The Law of the Playground” sai oficialmente na semana que vem na Europa e é o tipo do disco capaz de trazer de volta quaisquer vestígios infantis que você tenha guardado a sete chaves aí dentro. Melodias fofas, grudentas, adornadas por barulhinhos bonitinhos, palmas animadas e vozes suaves e fresquinhas, como se o mundo precisasse daquilo para manter aquele restinho de inocência, que, dizem, está cada vez mais rara. “Every Goliath Has Its David” é capaz de manter acesa a sua chama de felicidade por um bom tempo, “Saddle Up” pode deixar o seu dia um bocado mais colorido. Neste momento, Belle & Sebastian e Aberfeldy estão em algum lugar do mundo, sorrindo orgulhosos ao som de The Boy Least Likely To.
¨
PJ Harvey & John Parish – A Woman A Man Walked By
a-woman-a-man-walked-by
Há doze anos, PJ Harvey e John Parish resolveram gravar um disco juntos. Harvey já havia conquistado a cena alternativa, Parish já havia produzido bandas de sucesso. A união pareceu tão óbvia e de encaixe tão perfeito que, após todos esses anos, ainda se esperava uma nova colaboração entre os dois músicos. E, quase que de surpresa, com um disco gravado em pequenas cidades do interior da Inglaterra, a dupla aparece com “A Woman A Man Walked By”, lançado em 30 de março em diversas partes do mundo. Neste belíssimo trabalho, os dois seguem a receita que fez sucesso em 96 – Parish se ocupa da parte instrumental, enquanto Harvey destila as famosas letras que tornam sua voz ainda mais imaculada. Todo o caráter experimental do trabalho dos dois se complementam aqui com um conjunto de faixas agridoces, deixando na boca ora um gosto amargo de dor, ora um tom suave de saudade. Em todos eles, nota-se a produção esmerada de John Parish e Flood permeando a genialidade de PJ Harvey. Um disco para se guardar na cabeceira.
¨
Notinhas
¨
Os shows no Brasil
Eu sei, depois do Radiohead nada mais interessa em relação a shows vindouros. Haha, brincadeira (ou quase). Mas vem aí uma boa quantidade de apresentações internacionais – algumas confirmadas, outras bem faladas. O Kooks, por exemplo, já está confirmado para 19 de junho, em São Paulo. Quem também vem em junho é o grupo francês Teenagers, no começo do mês, em São Paulo e Porto Alegre, ao lado dos californianos No Age. Já no campo do “será que vem?”, os espertos galeses do Los Campesinos! estão sendo esperados por aqui – afinal, já confirmaram presença na Argentina, na Colômbia e na Venezuela para o final do mês. E tem mais: Amy Winehouse estaria muito próxima de fechar presença na América do Sul. Estaria, como já esteve várias vezes. E agora, será que vem?
¨
Várias variadas
Você já leu ou pelo menos ouviu falar no livro “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, de Robert Dimery, certo? Pois um maluco resolveu colocar todos os mil e um discos para download. Mas corra, os álbuns não devem ficar lá por muito tempo: http://nobrasil.org/1001-discos-para-ouvir-antes-de-morrer/ /// Quatorze discos dos Beatles vão ser relançados em versões remasterizadas que demoraram mais de quatro anos para serem retrabalhadas. Cada álbum vai trazer um DVD com mini-doc sobre a gravação do disco, e os trabalhos também vão ser vendidos em uma caixa com os 14 álbuns. Tudo isso deve chegar às lojas em 14 de setembro, junto com o lançamento do game “The Beatles: Rock Band”. /// Que beleza, o programa “The Osbournes Reloaded” teve um episódio e, de tão vergonhoso, foi sumariamente cancelado pela Fox. /// Na próxima quarta-feira, dia 15, às 21h15, o canal Multishow vai reprisar o pedaço do show do Radiohead + Kraftwerk e Los Hermanos. Eu não vou perder.
¨
Todo mundo tem que ouvir
Karin Dreijer, metade da cultuada dupla sueca The Knife, andou ciscando em novos terrenos. A moça lançou-se em um novo projeto, chamado Fever Ray, e saiu com um excelente disco de estreia, homônimo, no final de março.
¨
O álbum é cercado de mistério. Faixas sombrias, letras enigmáticas e belas e enegrecidas melodias se entrelaçam a  ruídos eletrônicos e levadas psicodélicas em faixas como “If I Had A Heart”, “When I Grow Up” e “Dry and Dusty”. Não perca por nada.
¨
Playlist
Chris Cornell – Sweet Revenge
Fever Ray – Dry and Dusty
Pearl Jam – Garden (Brendan O’Brien remix)
Sophie Madeleine – One Kiss Too Many
Death Cab For Cutie – My Mirror Speaks
The Decemberists – Annan Water
Manchester Orchestra – Tony the Tiger
Grizzly Bear – Cheerleader
Empire of the Sun – We Are the People
Casiotone for the Painfully Alone – Man O’War
Anúncios

Um comentário sobre “Coluna B – 12/04/09

  1. Será que sou só eu que não morre de amores pela Polly Jean Harvey (PJ Harvey)? Sei lá, de todos os discos dela, eu faço aí uma coletânea para se ouvir num passeio ou numa viagem.

    Os outros 4, eu vi para baixar, acabei não fazendo.
    Dando um tempo nos downloads musicais, indo às forras com a sétima arte e o que eu não assisti ainda.

    Humm, mas tenho lá meus 5 discos bacanas descobertos recentemente e que vão se encaixar lá no TOP, ou pelo menos uma menção honrosa. E pelo q estou vendo, os melhores deste ano tb vão gerar muitas diferenças. Hehe!

    Belo texto e informações precisas.

    Abraços.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s