50 melhores discos de 2008

Agora que 2009 começou no blog, vamos dar um pulinho no ano passado. Dê uma olhada na lista dos 50 melhores discos lançados em 2008 que fiz para a Coluna B, com os comentários originais, sem cortes – só pra ficar registrado, alguns textos ficaram bem diferentes na edição do jornal, devido ao espaço que a coluna ocupa. Mas tá valendo. 

 

50 melhores álbuns – 2008:
 

1 – TV on the Radio, “Dear Science”

Todos os dias ouço que tudo feito na música atual é mera cópia do que já foi produzido em décadas passadas. Vivo a escutar reclamações daqueles que não conseguem se desapegar do passado, que acham que hoje tudo é porcaria, é menor ou menos importante. É para essas pessoas, que não têm capacidade de olhar para frente, para esses retrógrados musicais, que ofereço o primeiro lugar desta lista. Ouçam e calem-se, não necessariamente nesta ordem. 

 

2 – Portishead, “Third”

O Portishead demorou mais de dez anos para lançar um novo disco. Nesse tempo todo, muita coisa foi feita ao redor do mundo, mas poucas soaram realmente inovadoras, modernas e, ainda assim, com a personalidade intacta quando este “Third”. A banda que praticamente inventou o trip hop fez agora o favor de atualizar o gênero para os tempos modernos. Um disco obrigatório. 

 

3 – She & Him, “Volume 1”

Zooey Deschanel me conquistou sem dó em 2008. Amparada pelo talentoso músico M. Ward, a moça deu voz ao She & Him – e que voz. Os belos olhos azuis pouco importam quando se ouve faixas como “Take it Back”, “Got Me”, “Change Is Hard”, “This Is Not A Test”, “I Was Made For You”, entre todas as outras de “Volume 1”. Um disco para se ter na cabeceira da cama, pra qualquer momento.

 

4 – Sigur Rós, “Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust”

Concordo com quem diz que é complicado pronunciar ou até mesmo soletrar o nome deste disco. Mas é a coisa mais fácil do mundo se apaixonar por ele. Desafio qualquer um a achar outro disco em 2008 que seja tão bonito, tão fora do comum, tão pronto para embalar qualquer fechar de olhos, vôo de pensamento e dormência do corpo. Mesmo indo ao pop, o Sigur Rós é inigualável. 

 

5 – Kings of Leon, “Only by the Night”

Ok, podemos dizer que este é o melhor disco da carreira do KoL. Não seria difícil, já que, na verdade, apenas o primeiro álbum dos quatro já lançados é capaz de disputar essa posição com “Only by the Night”. Mas isso pouco importa. O bacana aqui é ver uma banda solta, no auge da forma, com um álbum consistente e faixas excelentes como “Sex on Fire”, “Use Somebody” e “Notion”.
 

6 – Emiliana Torrini, “Me and Armini”

A incrível capacidade que essa cantora islandesa tem de se reinventar a cada álbum ficou ainda mais clara neste disco, lotado de canções lindíssimas caminhando entre reggae, folk, rock, trip hop e ensaiando até uma espécie de valsa indie. A voz iluminada da moça desliza suave pelos nossos ouvidos a cada verso, dando uma breve idéia de como a vida pode valer a pena. 

 

7 – Little Joy, “Little Joy”

A melhor coisa da união entre o stroke Fab Moretti, o hermano Rodrigo Amarante e a cantora Binki Shapiro é o clima amistoso que as músicas trazem, passando para os ouvintes o que elas realmente são: resultado da parceria despretensiosa entre alguns amigos. A qualidade indiscutível dos músicos envolvidos no projeto cuidou para que tudo em “Little Joy” saísse beirando a perfeição. 

 

8 – Russian Red, “I Love Your Glasses”

Quando achei essa cantora espanhola na internet, o autor do blog, diretamente de Madri, dizia ser “o melhor disco espanhol dos últimos trinta anos”. Achei um certo exagero, mas bastou ouvir uma vez e minha descrença caiu por terra. “I Love Your Glasses” é fantástico, intimista como poucos, suave na medida certa, doce, melódico, esperto, e trouxe ao mundo a incrível “Cigarretes”. 

 

9 – Marcelo Camelo, “Sou”

Com a pausa nas atividades do Los Hermanos, cada integrande pôde fazer o que mais lhe apetecia. Ao lado do Hurtmold, Marcelo Camelo arrumou suas músicas da maneira que quis, enfrentou novos modelos rítmicos, deu a cara para bater e acabou por realizar um lindo disco onde cabe tudo: de MPB a indie rock, de marchinha a música latina, de balada voz e violão a canções instrumentais. P.S.: e o melhor, Camelo deve mostrar “Sou” em Vitória logo no começo de 2009. 

 

10 – The Chapin Sisters, “The Lake Bottom LP”

As três irmãs da família Chapin (apesar de uma ser “emprestada”) estrearam com um álbum que ultrapassa qualquer expectativa em torno de uma banda de meninas. Investindo pesado nas melodias vocais, na sobreposição de vozes e em um folk mais alternativo, derramaram uma doçura inconfundível em faixas como “Shady River”, “Let Me Go”, “Girlfriend” e “Kill Me Now”. 

 

11 – Solana, “Feliz, Feliz”

A combinação certeira de letras espertas, arranjos bem feitos e a produção esmerada que o Solana trouxe em seu segundo disco o colocou ao lado das grandes novidades nacionais de 2008. “Feliz, Feliz” ultrapassa seus próprios limites em faixas viciantes como “O Interior de um Edifício Debaixo do Mar”, “Deruchett”, “A Melodia Bonny Dundee” e “As Perfeições do Desastre”. 

 

12 – Elbow, “The Seldom Seen Kid”

Um disco que bate “In Rainbows” do Radiohead e “Untrue” do Burial para ficar com o Mercury Prize, conceituada premiação inglesa, merece todo o respeito. Troféus à parte, o que realmente conquista em “The Seldom Seen Kid” é o conjunto de belas melodias em arranjos impecáveis que a banda produz, e faixas como as fantástica “Grounds For Divorce” e “Mirrorball”.

 

13 – MGMT, “Oracular Spetacular”

Em cima do palco, bem aqui pertinho da gente, no Teatro da Ufes, deu para perceber que o negócio desses americanos é mesmo em disco. Porque em “Oracular Spetacular” estão algumas das músicas que dominaram o ano, como as já clássicas “Kids”, “Time to Pretend” e “Electric Feel”. A mistura pouco provável de psicodelia rocker e exagero glam rendeu um ótimo resultado.

 

14 – Death Cab For Cutie, “Narrow Stairs”

Com a banda liderada por Ben Gibbard é assim: sempre que lança disco, lá está o DCFC listado entre os melhores do ano. Difícil sair coisa ruim. Em “Narrow Stairs”, segundo disco por uma grande gravadora e sexto da carreira, a banda ousou, variou formatos, abusou das belas melodias e compôs uma das músicas mais bacanas de 2008, a progressiva  e linda “I Will Possess Your Heart”.

 

15 – Sons and Daughters, “This Gift”

Dê o play e a festa começa. Impossível ficar estático em qualquer das doze faixas de “This Gift”. O fantástico segundo disco dos escoceses é para acabar com a monotonia de qualquer lugar. A banda não tira o pé um segundo – nem mesmo nas faixas mais suaves temos a sensação de desaceleração. E por acaso tem coisa melhor do que isso para um álbum de rock?

 

16 – Keane, “Perfect Symetry”

Antes de escutar esse disco, ouvi dizer que o Keane tinha se reinventado. Não é bem assim. As meladas (e deliciosas) baladinhas ao piano ainda estão lá. Mas a banda acrescentou de vez as guitarras ao repertório, deu uma repaginada nos arranjos, acelerou em algumas faixas e realizou um ótimo disco. Enquanto “Spiralling” e “Lovers Are Losing” representam o novo Keane, o antigo continua lá com “You Don’t See Me” e “Love is the End”.

 

17 – Raconteurs, “Consolers of the Lonely”

O Raconteurs deu um susto no mundo musical ao anunciar, de surpresa, que lançaria um novo disco na semana seguinte. A estratégia deu resultado, mas graças à qualidade do material. Nesta segunda fornada, os artistas Jack White e Brendan Benson experimentam abusar de metais, piano e guitarras distorcidas, entregando um disco no mesmo nível ou até superior ao primeiro. 

 

18 – Bloc Party, “Intimacy”

Se juntarmos os dois primeiros discos do Bloc Party e fizermos um suco, o resultado seria justamente “Intimacy”. Ao mesmo tempo em que traz as urgentes canções que forjaram a fama desta que é uma das melhores bandas deste século, o álbum também tem seus momentos contemplativos, que são mais a cara do segundo disco. Basta comparar o petardo “Mercury” com a contida “Signs”. 

 

19 – Fleet Foxes, “Fleet Foxes”

Ouvir “Fleet Foxes” é adentrar um mundo cheio de climas etéreos e imagens imediatas: céu ensolarado com ventinho frio, vales enormes, árvores amareladas, você deitado numa grama, olhando o dia passar devagar. A banda encontrou a química perfeita, com vozes suaves, em coro ou solitárias, adornadas com belos dedilhados de violão em arranjos intimistas. É o neo folk, com uma cara danada dos sonhadores anos 60. 

 

20 – Black Keys, “Attack and Release”

Mais uma união entre banda e produtor que rende frutos fantásticos. Quando o Black Keys anunciou seu novo disco com produção de Danger Mouse (metade do Gnarls Barkley), nem todo mundo esperava uma pancada desta magnitude. O berro setentista e blueseiro das guitarras, as batidas amplas e a voz perfeitamente empostada fazem de “Attack and Release” um sinônimo de disco de rock bem concebido e produzido. 

 

21 – Jakob Dylan, “Seeing Things”

Filho de Bob Dylan, Jakob passou anos com o Wallflowers sem ter feito algo que realmente se destacasse (tirando a linda música “Used To Be Lucky”). Quando entrou no negócio do pai, o folk, mostrou que pode dar sua contribuição à música. Dylan solta o vozeirão acompanhado por violões inspirados e alguma percussão discreta. Não era preciso mais do que isso para dar à luz esse belo disco solo.

 

22 – Jenny Lewis, “Acid Tongue”

Neste segundo disco solo, Lewis se despe das Watson Twins, companheiras do álbum anterior, e veste a fantasia de estrela solitária, apesar das excelentes participações de She & Him, Elvis Costello e Chris Robinson (Black Crowes). A forma como ela une faixas mais lentas (“Pretty Bird”, “Trying My Best To Love You”, “Bad Man’s World”, “Acid Tongue”) às mais rápidas (“Next Messiah”, “Jack Killed Mom”, “Carpetbaggers”) é incrível.  

 

23 – Cut Copy, “In Ghost Colours”

O Cut Copy faz música para empolgar. A mistura de eletrônico e rock, com pegada dançante e qualidade incontestável nas melodias, faz qualquer um se render às pistas. “In Ghost Colours” é uma coleção de hits, começando com “Feel the Love”, passando por “Lights and Music” e chegando à contagiante “Hearts On Fire”. 

 

24 – R.E.M., “Accelerate”

Com esse disco, a banda de Michael Stipe retomou o fôlego, olhou para trás com a cabeça no futuro e voltou aos seus melhores dias. Músicas como “Supernatural Superserious”, “Living Well is the Best Revenge” e “Until the Day is Done” nasceram para entrar diretamente no rol de melhores de todos os tempos do R.E.M. 

 

25 – Kaiser Chiefs, “Off With Their Heads”

Taí uma união que deu muito certo: Kaiser Chiefs + Mark Ronson. O produtor inglês, um dos queridinhos da música atual, deu mais frescor às composições da banda. Faixas como “Tomato in the Rain”, “Never Miss A Beat”, “Good Days Bad Days” e “Remember You’re A Girl” dão o tom do disco: músicas que vão além do que os Chiefs estão acostumados.
 

26 – Jamie Lidell, “Jim” – soul music moderna e irresistível. Esse cara ainda vai dar muito o que falar.

27 – Azevedo Silva, “Autista” – esses portugueses melancólicos são praticamente um Radiohead luso. 

28 – Aaron Thomas, “Follow the Elephants” – a Austrália continua linda, pop e melódica. 

29 – Our Broken Garden, “Lost Sailor EP” / “When Your Blackening Shows” – doçura em dose dupla, com EP e disco.

30 – Beach House, “Devotion” – casa de praia sim, mas com céu cinza e gotas caindo do céu. Adoro. 

31 – Bon Iver, “For Emma, Forever Ago” – folk puro, sentimental até os ossos.

32 – Mallu Magalhães, “Mallu Magalhães” – a menina que prometia muito, cumpriu. Belo disco.

33 – Foals, “Antidotes” – se a pasmaceira é um veneno, o Foals tem o antídoto perfeito. 

34 – Oasis, “Dig Out Your Soul” – para os que estão ocupados demais aguardando um novo “Definitely Maybe”: estão perdendo um discão.

35 – Cat Power, “Jukebox” – a voz saborosa de Chan Marshall transformando clássicos antigos em clássicos atuais. 

36 – Aimee Mann, “@#%&^! Smilers” – a veterana cantora em mais um disco lindíssimo. 

37 – Adele, “19” – mais uma inglesinha de Mark Ronson, dona do fantástico hit “Chasing Pavements”

38 – The Last Shadow Puppets, “The Age of Understatement” – Alex Turner vai além do que se espera dele – e não decepciona.

39 – CSS, “Donkey” – Para os gringos, eles ficaram mais chatos. Pra mim, estão melhores do que nunca. 

40 – Alphabeat, “This Is Alphabeat” – se um dia você estiver procurando o significado de “música pop”, ouça esse disco.

41 – Land of Talk, “Some Are Lakes” – Os anos 90 não acabaram para a banda canadense. Que bom. 

42 – Isobel Campbell and Mark Lanegan, “Sunday At Devil Dirt” – A bela e a fera lançam mais um disco bonito de doer. 

43 – Sebastien Grainger, “Sebastien Grainger & the Mountains” – Há vida após o DFA 1979. Muita vida. 

44 – The Long Blondes, “Couples” – Um disco que demorei a gostar (até falei mal), mas que depois não consegui parar de ouvir.

45 – Melpo Mene, “Bring the Lions Out” – Bossa nova, indie pop e sentimentos devassados fazem deste um belo disco sueco. 

45 – Vários, “Juno OST” – Quem não se apaixonou por Juno? E pela deliciosa trilha? Eu, sim. 

47 – Of Montreal, “Skeletal Lamping” – Quando o pop fica alucinado, pode ter certeza: é coisa do Of Montreal. 

48 – Coldplay, “Viva la Vida or Death And All His Friends” – A banda finalmente se permitiu mudar, e deu no que deu: ótimo álbum.

49 – The Dodos, “The Visiter” – Que disco bonito! Melódico, ritmado, poético, como deve ser um bom disco de folk. 

50 – Magnetic Morning, “A.M.” – o soturno projeto paralelo de Sam Fogarino do Interpol rendeu um disco imperdível.

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Um comentário sobre “50 melhores discos de 2008

  1. Ei Bruno…. é Maria, amiga de Aninha. Porra IRADO seu blog… amanhã (qdo estiver sóbria) vou adicioná-lo nos meus favoritos… meu blog é novo (criei desde que voltei para vitória. Na época do RJ eu tinha um outro que achei melhor deletar qdo voltei para cá…criei esse, que ainda tem poucas indicações de musica e na correria eu quase não tenho atualizado, mas vou voltar a atualizá-lo com freqüência e aí terão dicas legais…
    adorei cinhecer vc e o leo. Muito foda o dia de hj.
    Grande abraço
    Maricota.

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