Hancock

Durante os últimos meses, o trailer de um filme me chamava atenção nos cinemas. Um homem com super-poderes, ao mesmo tempo alcoólatra e meio revoltado com a vida, cuidava de um ou outro perigo, perseguia e prendia alguns bandidos, mas sempre que o fazia deixava um rastro de destruição e prejuízo pelo caminho. Estrelado por Will Smith, que só tem crescido no meu conceito, e esbanjando um bom humor evidente desde a premissa inciial, “Hancock” parecia mesmo ser um filmaço, divertido, interessante e intrigante. Mas, ao finalmente assistir ao longa de Peter Berg, me dei conta (mais uma vez, eu nunca aprendo) de que um bom trailer não garante a qualidade de um longa.

Pra ser sincero, “Hancock” até consegue ser divertido, interessante e intrigante, principalmente durante metade de sua duração e em alguns momentos isolados. Mas a indefinição do clima do filme, que vai da comédia ao dramalhão, passando pela ação, em questão de minutos, acaba com a nossa capacidade de acompanhar o que está acontecendo. Ficamos tão perdidos quanto o próprio Hancock, que não sabe quem é, de onde veio e nem o próprio nome – só se lembra de um dia ter acordado em um hospital com super-poderes. Nós, espectadores, a certa altura não sabemos mais que filme estamos vendo, se esse que passa agora é o mesmo de quando entramos na sala ou se o cinema é em Jardim da Penha ou na Enseada do Suá.

Berg tenta dar algum direcionamento desde o começo do longa, o que apenas faz dele ainda mais equivocado em sua abordagem. Ainda na fase “comédia”, o diretor já usa recursos de drama, como longos takes fechados, closes, câmeras tremidas, desfoques e etc, que mostram o quão perdido ele estava. Talvez o próprio cineasta estivesse tentando descobrir até onde deveria ir com a comédia e o tanto que poderia chafurdar no drama, mas tenha terminado de rodar e montar o projeto sem saber bem onde começa e onde termina cada um.

Quando Hancock (Will Smith) anda fazendo besteira pela cidade, às vezes na melhor das intenções, o filme alcança seus momentos mais incríveis. É divertido ver na tela a desconstrução de um super-homem que não foi adotado pela família Kent, ou de um X-Men que não foi acolhido pelo Professor Xavier. A mesma sociedade que depende dele para limpar o crime das ruas também o culpa pelas mazelas que comete ao não controlar sua força corretamente – ou, pra ser mais sincero, ao não se importar tanto com os efeitos colaterais que causa. Ao ser convencido pelo algo fracassado relações-públicas Ray Ambrey (Jason Bateman) a se entregar à polícia que o procura pelos estragos que anda fazendo, Hancock ainda consegue manter o filme no alto.

O problema vem quando Mary (a linda Charlize Theron) mete o pé na porta e entra na história com força total. Tudo vira uma zona – desde o roteiro, que fica confuso, até o próprio rumo da narrativa, que embarca em uma montanha-russa de emoções descontrolada. O que antes mais deixava a população fula, as destruições da cidade, agora parecem não fazer nem cócegas em ninguém, já que em momento algum o esquema “a cidade contra Hancock” é mostrado novamente – e olha que a destruição, digamos, dobra de tamanho. Ao tentar explicar demais, o script cai em armadilhas velhas de quem sabe que está perdido.

Uma pena, já que a comédia parecia mesmo o destino mais produtivo para o herói maluco. Uma cena nos créditos ainda tenta retomar de onde o filme deixou de ser bacana, mas aí já era tarde demais. Apesar de ser Hancock o cara a quem chamaríamos de “salvador”, ao final quem precisava ter sido salvo era justamente ele e seu filme meia-bomba.

Cotação: 2,5/5 estrelas

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2 comentários sobre “Hancock

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