Misquilinas

Um bocado de um tudo só

Archive for the ‘crônica’ Category

Ópio inédito

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Coluna da Revista Paradoxo, aqui, agora: clica e vai.

Escrito por Bruno Reis

Novembro 26, 2009 em 8:08 pm

Publicado em conto, crônica

Ópio novo

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“(…) Durante todo o dia eu tinha uma sensação de que o mundo era construído apenas para mim, eu queria sair correndo com vento na cara, pisando nas poças, como nos filmes felizes, sem me importar com quem vai lavar as roupas mais tarde (…)”

 

Quer ler toda a nova coluna Ópio no Café? Clica aqui.

Escrito por Bruno Reis

Outubro 28, 2009 em 2:13 pm

Publicado em crônica

Ópio de volta

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Após uma semana em branco, postei agora o texto “Primeira de muitas”, um relato quase que completamente real sobre a minha primeira desilusão amorosa. Aos 6 anos. Um trechinho:

“(…) A molecada que ocupava as casas de veraneio naquele janeiro de poucos ventos passava as manhãs na praia e as tardes na rua São Paulo, indo do pique-esconde às peladas no chão de pedras pontudas, do pique-pega aos jogos de vôlei com rede pendurada entre os postes, do elástico ao “frênis” – um jogo criado por nós que misturava algumas regras do tênis e do frescobol. Suar era uma constante para aqueles garotos. Mas derreter-se por uma garota ainda era de certa forma novidade (…)”

Para ler o texto todo, já sabe: clica aqui.

Escrito por Bruno Reis

Outubro 14, 2009 em 2:54 am

Publicado em conto, crônica

Coluna da semana

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Um beijo. É tudo que eu peço. É tudo que eu quero. Um simples beijo e eu tenho certeza de que tudo vai voltar ao normal. Todas as coisas ruins do passado vão ficar no passado, e as coisas boas vão ressurgir, límpidas na memória como se tivessem acabado de acontecer (…)

Quer continua lendo “Um beijo”, a Ópio no Café desta semana? Chega mais aqui.

Escrito por Bruno Reis

Outubro 1, 2009 em 2:45 pm

Publicado em conto, crônica

Ópio no Café da semana

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A crônica desta semana é sobre o antirromantismo das comédias românticas. Veja um trecho:

“Estou sentado na confortável cadeira de um grande cinema da cidade. Aquela tela enorme brilha no meu rosto como uma nave interestelar que chega ao nosso planeta propondo a presença de uma nova realidade. Uma realidade alternativa, para ser franco. Mas o filme que estou assistindo não é de ficção científica – pelo contrário. Neste novo mundo proposto pela nave-mãe das fantasias, as pessoas se amam e se odeiam com muita facilidade, mudam de opinião e de vida num piscar de olhos e são capazes das maiores idiotices por causa de um sentimento (ok, deste mal digamos que o nosso mundo também sofra vez ou outra). A cada três cenas, ouço um suspiro em coro por causa deste filme. A cada cinco sequências, alguém ao meu lado diz, “ta vendo, ele nunca fez isso por mim”. A cada piscar de olhos, uma nova viagem é realizada e deixa sequelas nas pessoas que estão vidradas na telona. Eu estou assistindo a uma comédia romântica.”

Quer ler o texto completo? Vá até a coluna Ópio no Café, da Revista Paradoxo.

Escrito por Bruno Reis

Setembro 23, 2009 em 3:25 pm

Publicado em conto, cotidiano, crônica

Ópio inédito

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Mais uma coluna inédita na Revista Paradoxo. Dá uma olhada nessa aqui.

Escrito por Bruno Reis

Setembro 9, 2009 em 11:47 am

Publicado em conto, crônica

Ópio no Café

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Novo post, coluna nova, velhas mulheres: clica lá.

Escrito por Bruno Reis

Setembro 2, 2009 em 2:02 pm

Publicado em conto, crônica

À Deriva

com um comentário

Normalmente, escrever sobre filmes, pra mim, não é uma obrigação. É quase um passatempo, não ganho nada colocando no papel meus pensamentos em relação a nenhuma obra cinematográfica. Aliás, ganho apenas a sensação de poder expressar o que aquele filme me trouxe – e isso já é o bastante.

Nesses tempos em que o Outernative está desativado não tenho feito nenhum review dos filmes que vejo, e olha que ando tendo o cinema como uma segunda casa, por este ou aquele motivo – cinema pra mim sempre foi mais do que duas horas de diversão, é alívio do dia-a-dia, claro, mas é também arte, sentimento, beleza, ideias e ideais. E tem sido um grande companheiro de uma solidão totalmente necessária e bem-vinda nos tempos atuais.

Mas, voltando ao assunto inicial, escrever sobre filmes nunca foi uma obrigação, mas há filmes em que o nó na garganta é tão bem construído que apenas se dissolve quando as palavras começam a se empilhar em um espaço em branco. São nesses filmes que sinto a obrigação de escrever alguma coisa, qualquer coisa que coloque pra fora o oceano de sensações que enfrentei e degluti há pouco mais de uma hora.

“À Deriva” é desses filmes. E é daqueles em que a beleza é tão grande, tão presente em praticamente todas as tomadas, que fica difícil analisá-lo como um filme – vem a mim muito mais como uma obra de arte, um quadro que te faz paralisar os movimentos instantaneamente. O cenário deslumbrante de Búzios ajuda muito. A fotografia amarelada de Ricardo Della Rosa, com aquela cor esvoaçante de pôr-do-sol tomando o filme de assalto, é de perder o fôlego. A câmera de Heitor Dhalia, sempre mostrando muito mais do que a gente poderia supor, entrega de bandeja uma história linda, um roteiro tão bem amarrado quanto cuidadoso com detalhes mínimos. Há que se reverenciar também a trilha sonora original de Antonio Pinto, com peças que nos afogam em um caudaloso mar de melancolia e beleza, e um universo amplamente escorado no impressionante figurino de Alexandre Herchcovitch.

É um retrato em sépia colorido dos anos 80 das descobertas, das incertezas, das possibilidades que não se realizam, das novas medidas tomadas, da preocupação, das vontades inalcançáveis, dos tapas na cara, do começo do fim. E o mar de Búzios se esparramando pela tela, quase como um personagem à parte, enchendo de maresia vidas que pareciam perfeitas, intocáveis. O brilho do sol nunca foi tão quente como em “À Deriva”. Em cada quadro quente, a cada mergulho no mar azul, em cada fio de barba mal feita, em cada gota de suor, em cada cubo de gelo no copo de uísque, em cada fio de cabelo que repousa nas costas da amante, a cada cheiro de novidade nos beijos e abraços adolescentes, em cada grão de areia e gota de água salgada, um agradecimento pela sensibilidade tocante do diretor e roteirista Heitor Dhalia.

Obrigado por nos mostrar tanta beleza em um mundo tão tomado de feiúras.
Obrigado por me dar de presente um dos filmes mais bonitos que já vi.
Obrigado por “À Deriva”.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 28, 2009 em 12:08 am

Publicado em cinema, crônica

Ópio

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Algumas mulheres na coluna de hoje: clicou?

Escrito por Bruno Reis

Agosto 26, 2009 em 3:04 pm

Publicado em conto, crônica

Ópio no Café, 3 anos

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Acabei de me lembrar que a coluna Ópio no Café, da Revista Paradoxo, fez três anos domingo, dia 9 de agosto. Eeee!
Aproveito e agradeço aos amigos que visitam sempre, aos leitores que aparecem perdidos, de vez em quando e aos que nunca mais voltaram – esses, pelo menos, foram alguma vez, hehe.
E, claro, ao Mark, pelo convite e pelo apoio de sempre.
Só posso pedir que continuem lendo. Hehehe.

Acabei de me lembrar que a coluna Ópio no Café, da querida e antenada Revista Paradoxo, fez três anos domingo, dia 9 de agosto. Eeee!

Aproveito e agradeço aos amigos que visitam sempre, aos leitores que aparecem perdidos, de vez em quando e aos que nunca mais voltaram – esses, pelo menos, foram alguma vez, hehe.

E, claro, ao Mark, pelo convite e pelo apoio de sempre.

Só posso pedir que continuem lendo. Hehehe.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 12, 2009 em 7:46 pm

Nova coluna

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Tá lá, nova Ópio no Café sobre a praia… quer ler? Clica aqui.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 12, 2009 em 2:10 pm

Publicado em conto, crônica

Mais um texto no BiS

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Desta vez, o pessoal do BiS publicou o que escrevi sobre a morte do Jacko, alguns posts atrás. Se quiser dar uma olhadinha, é só clicar aqui.

Escrito por Bruno Reis

Julho 3, 2009 em 7:48 pm

O Show de Michael

com um comentário

Era de se esperar que, um dia, esse personagem incrível, de talento reverenciado em cada canto do planeta, de um carisma inabalável, ia simplesmente subir as escadinhas coladas ao fundo de nuvens, virar as costas e sair pela portinha aberta, para nunca mais voltar. Ele já havia percebido que era nada mais do que um personagem de um mundo criado para ele, construído com tijolos frágeis, ainda que parecessem fortes, desde que ele ainda era uma pequena criança apaixonada pela música negra. Ele conhecia seu destino, sabia-se refém, jogava o jogo. Assim como Truman, Michael Jackson participava de um reality show muito mais real do que qualquer similar opaco das TVs de hoje em dia.
Claro que nem sempre foi assim. Imagine como seria ter sua vida controlada nos mínimos detalhes desde a infância? Não me parece nada agradável. Você se lembra daquele crioulinho, cabelo de capacete, perninhas velozes e voz que encantava um mundo inteiro sem fazer a menor força para isso. À frente de toda uma família, carregando praticamente sozinho nas costas a sobrevivência e, logo depois, a riqueza de um bando de marmanjos que careciam do que o pequeno mais tinha: talento. É injusto dizer que ele não gostava ou que estava sendo explorado. Mas é acertado afirmar que o crescimento desse garoto, acompanhado por milhões e milhões de espectadores ao redor do mundo, não foi nem um milímetro próximo do normal.
A inevitável pergunta, “Quem matou Michael Jackson?”, não vai ser feita aqui. Muito fácil agora lançar qualquer tipo de holofote, seja positivo ou negativo, em cima de um sistema que, queira ou não, tira muita coisa das pessoas, mas também oferece seus encantos quase irrecusáveis. Faço aqui apenas uma reflexão, talvez uma constatação ligeiramente óbvia, mas não impertinente. Assim como o protagonista de “O Show de Truman”, filme de 1998 dirigido por Peter Weir e estrelado por Jim Carrey, esse cantor, compositor, dançarino, ator, produtor, pai bizarro e único ser conhecido no mundo do entretenimento que conseguiu mudar de cor, teve toda sua vida acompanhada de perto pela mídia. Cada passo de Michael era reproduzido com estardalhaço por jornais, revistas e canais de TV, cada detalhe de sua vida era esmiuçado – mesmo aqueles a que ninguém nunca teve acesso, devassados cuidadosamente pela indústria da fofoca.
Após vários anos de incrível sucesso na carreira solo, quando ainda jovem se tornou o rei de um mundo onde as coisas são sempre voláteis e cruéis, o homem por trás da maquilagem alva simplesmente não conseguiu montar uma vida comum. Mudança da cor negra para a branca, dezenas e mais dezenas de cirurgias plásticas, acusações de pedofilia, a compra de um rancho transformado em parque de diversões e moradia, dúvidas a respeito de sua sexualidade, discos de pouco sucesso, filhos mascarados que ninguém nunca via o rosto, um bebê que quase cai da sacada, a falência que se aproximava – tudo aconteceu na vida deste Truman da vida real. E todos nós acompanhamos cada detalhe, dando nossas opiniões sem sequer saber do que realmente se tratava.
Esse filme a gente já viu. A pressão em cima de quem cresce sem ter tempo para brincar, precisando cumprir seus compromissos comerciais no momento em que deveria estar correndo pela casa com um carrinho de brinquedo nas mãos. A juventude de uma pessoa rodeada pela necessidade de provar a todos que o talento não foi embora com a ingenuidade da infância. A incompatibilidade com a vida adulta que chegou de repente, cheia de novas responsabilidades somadas às velhas e ainda presentes. E eu, você e o resto do mundo com sorrisos de incredulidade no rosto, observando a tudo isso, tentando entender o que se passava na cabeça daquele ser humano que parecia tão perdido, tão alheio ao mundo em que vivia. Esse filme também poderia se chamar “O Circo de Michael”.
Mas talvez não se passasse nada. Talvez ele estivesse sendo apenas ele, e nós, espectadores assíduos, não entendíamos nada porque não estamos acostumados a ver as pessoas tão de perto. Aquela famosa frase que diz, “de perto, ninguém é normal”, nunca esteve tão certa. Ninguém faz as mesmas coisas, todo mundo tem manias secretas – mas elas costumam permanecer secretas. Já O Show de Michael era transmitido para o mundo todo, via satélite, 24 horas por dia, de uns tempos pra cá em High Definition, com direito a intervalo comercial onde o próprio cantor era o personagem principal – e não foram poucas as campanhas onde ele dava as caras. E o seu protagonista era real, simplesmente existia, e só por isso era julgado dia-a-dia, por todo mundo, inclusive eu e você, e sem culpas. Mas agora o show acabou. Michael Jackson saiu pela sua portinha, não mais que de repente, subindo rapidinho as escadas coladas no fundo de nuvens. E agora, por onde ele anda? Vai saber. Deve estar, sei lá, caminhando de costas pela lua.

Era de se esperar que, um dia, esse personagem incrível, de talento reverenciado em cada canto do planeta, de um carisma inabalável, ia simplesmente subir as escadinhas coladas ao fundo de nuvens, virar as costas e sair pela portinha aberta, para nunca mais voltar. Ele já havia percebido que era nada mais do que um personagem de um mundo criado para ele, construído com tijolos frágeis, ainda que parecessem fortes, desde que ele ainda era uma pequena criança apaixonada pela música negra. Ele conhecia seu destino, sabia-se refém, jogava o jogo. Assim como Truman, Michael Jackson participava de um reality show muito mais real do que qualquer similar opaco das TVs de hoje em dia.

Claro que nem sempre foi assim. Imagine como seria ter sua vida controlada nos mínimos detalhes desde a infância? Não me parece nada agradável. Você se lembra daquele crioulinho, cabelo de capacete, perninhas velozes e voz que encantava um mundo inteiro sem fazer a menor força para isso. À frente de toda uma família, carregando praticamente sozinho nas costas a sobrevivência e, logo depois, a riqueza de um bando de marmanjos que careciam do que o pequeno mais tinha: talento. É injusto dizer que ele não gostava ou que estava sendo explorado. Mas é acertado afirmar que o crescimento desse garoto, acompanhado por milhões e milhões de espectadores ao redor do mundo, não foi nem um milímetro próximo do normal.

A inevitável pergunta, “Quem matou Michael Jackson?”, não vai ser feita aqui. Muito fácil agora lançar qualquer tipo de holofote, seja positivo ou negativo, em cima de um sistema que, queira ou não, tira muita coisa das pessoas, mas também oferece seus encantos quase irrecusáveis. Faço aqui apenas uma reflexão, talvez uma constatação ligeiramente óbvia, mas não impertinente. Assim como o protagonista de “O Show de Truman”, filme de 1998 dirigido por Peter Weir e estrelado por Jim Carrey, esse cantor, compositor, dançarino, ator, produtor, pai bizarro e único ser conhecido no mundo do entretenimento que conseguiu mudar de cor, teve toda sua vida acompanhada de perto pela mídia. Cada passo de Michael era reproduzido com estardalhaço por jornais, revistas e canais de TV, cada detalhe de sua vida era esmiuçado – mesmo aqueles a que ninguém nunca teve acesso, devassados cuidadosamente pela indústria da fofoca.

Após vários anos de incrível sucesso na carreira solo, quando ainda jovem se tornou o rei de um mundo onde as coisas são sempre voláteis e cruéis, o homem por trás da maquilagem alva simplesmente não conseguiu montar uma vida comum. Mudança da cor negra para a branca, dezenas e mais dezenas de cirurgias plásticas, acusações de pedofilia, a compra de um rancho transformado em parque de diversões e moradia, dúvidas a respeito de sua sexualidade, discos de pouco sucesso, filhos mascarados que ninguém nunca via o rosto, um bebê que quase cai da sacada, a falência que se aproximava – tudo aconteceu na vida deste Truman da vida real. E todos nós acompanhamos cada detalhe, dando nossas opiniões sem sequer saber do que realmente se tratava.

Esse filme a gente já viu. A pressão em cima de quem cresce sem ter tempo para brincar, precisando cumprir seus compromissos comerciais no momento em que deveria estar correndo pela casa com um carrinho de brinquedo nas mãos. A juventude de uma pessoa rodeada pela necessidade de provar a todos que o talento não foi embora com a ingenuidade da infância. A incompatibilidade com a vida adulta que chegou de repente, cheia de novas responsabilidades somadas às velhas e ainda presentes. E eu, você e o resto do mundo com sorrisos de incredulidade no rosto, observando a tudo isso, tentando entender o que se passava na cabeça daquele ser humano que parecia tão perdido, tão alheio ao mundo em que vivia. Esse filme também poderia se chamar “O Circo de Michael”.

Mas talvez não se passasse nada. Talvez ele estivesse sendo apenas ele, e nós, espectadores assíduos, não entendíamos nada porque não estamos acostumados a ver as pessoas tão de perto. Aquela famosa frase que diz, “de perto, ninguém é normal”, nunca esteve tão certa. Ninguém faz as mesmas coisas, todo mundo tem manias secretas – mas elas costumam permanecer secretas. Já O Show de Michael era transmitido para o mundo todo, via satélite, 24 horas por dia, de uns tempos pra cá em High Definition, com direito a intervalo comercial onde o próprio cantor era o personagem principal – e não foram poucas as campanhas onde ele dava as caras. E o seu protagonista era real, simplesmente existia, e só por isso era julgado dia-a-dia, por todo mundo, inclusive eu e você, e sem culpas. Mas agora o show acabou. Michael Jackson saiu pela sua portinha, não mais que de repente, subindo rapidinho as escadas coladas no fundo de nuvens. E agora, por onde ele anda? Vai saber. Deve estar, sei lá, caminhando de costas pela lua.

Escrito por Bruno Reis

Junho 26, 2009 em 8:00 pm

Publicado em cotidiano, crônica, música

Misquilinas no BiS MTV

com 4 comentários

A crônica “Afundando em Wierd Fishes/Arpeggi” foi publicada no blog BiS, da MTV. O texto está na página principal, no box vermelho “Canções”. Mas corram se quiserem ver, ela só deve ficar ali até amanhã.

Escrito por Bruno Reis

Abril 13, 2009 em 11:17 pm

Viva a Paradoxo! (e coluna nova)

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Acabei de saber uma bela novidade: a Revista Paradoxo está entre as quatro finalistas do prêmio Melhores da Websfera 2009, promovido pelo evento de web YouPix. Quem avisou foi o Marcus Cardoso, editor da querida revista onde tenho a coluna Ópio no Café.

Mark contou que “o prêmio foi organizado de forma que 150 jurados [pessoas que, de uma forma ou de outra, têm relevância na web nacional] votassem em formato recall [sem lista de indicados, sem lista de opções, lembrando da cabeça mesmo] em diversas categorias”. Concorreremos na final com o ótimo site de música Rraul, o IdeaFixa e o Pix. Torçam pela Paradoxo.

Aproveitando a deixa, é com orgulho renovado que coloco aqui o link para a coluna Ópio no Café da semana. Clica!

Escrito por Bruno Reis

Março 4, 2009 em 1:40 am

Amores estranhos

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Nos últimos dias tive contato com duas histórias de amor que pretendo acreditar serem incomuns, mas que o próprio desenrolar de cada uma delas me impede de aceitar essa minha versão dos fatos com plenitude. A verdade é que amar nunca me pareceu comum – é sempre estranho, complicado, cheio de nuances, e cada amor tem uma maneira de acontecer completamente diferente da outra. De longe todos os amores parecem iguais, mas basta aproximar um pouco mais o olhar e verás a verdade de cada um.

A primeira dessas histórias foi contada pelo jornalista Paulo Terron em seu blog. A esquisitíssima trama de amor entre Burt Pagach e Lida Riss assusta à primeira vista, mas logo depois faz com que a gente perceba que, no fundo, já passou por algo parecido. Claro que a loucura dos envolvidos potencializa todas as ações, mas ninguém está livre de sofrer e enlouquecer por amor. O fato é que os dois se conheceram na décadea de 50. Burt era um advogado muito rico, Linda era uma jovem fácil de se impressionar. Burt era casado, Linda se deixava levar pela paixão. Os dois inciaram um tórrido romance.

O tempo e os problemas pessoais da vida de Burt se encarregaram de afastar o casal de amantes. Em pouco tempo, porém, eles reataram. Mas, após nova separação, Burt pirou completamente. Baixou hospital, perseguiu a moça e, quando soube que ela estava noiva de outro, teve uma atitude de psicopata: contratou três negros para jogarem soda cáustica nos olhos da mulher, cegando-a para sempre. Burt foi condenado a 14 anos de prisão, e passou cada dia destes pensando em Linda e escrevendo cartas de amor na tentativa de reconquistá-la. E conseguiu: quando saiu da prisão, o casal voltou a ficar junto. E juntos estão, até hoje. Dez anos atrás, Linda ainda defendeu o seu doentio amor em um julgamento. A acusação contra Burt: perseguir uma ex-amante.

A segunda história é trágica por si só, mas ganha contornos de discussões ideológicas a cada novo acontecimento. Jason Howe é um jornalista fotográfico que curte se infiltrar em guerras para retratar seus personagens e contar histórias interessantes sobre eles. Mas o rapaz, na época um iniciante na profissão, não sabia que se tornaria protagonista de um dos mais fascinantes acontecimentos em sua estadia em terras assoladas pela guerra. Segredos, todos temos. Talvez funcionemos melhor assim, guardando dentro de nós algumas informações que ninguém mais será capaz de conhecer – quase como uma espécie de vínculo especial com a nossa própria consciência. Jason sabia que ter segredos era normal e importante para nossa sanidade, mas não fazia idéia que a revelação de um deles poderia ser tão traumática.

Colômbia. As Farc, que estão hoje em todos os jornais como cerne de uma crise diplomática recém-suavizada na América Latina, assolam o país e dominamboa parte dos locais pobres do país. Contra eles estão os paramilitares, as milícias que, em excusa parceria com o governo colombiano, lutam pelo controle dos campos de coca e otras cositas más. Jason aporta no povoado de Puerto Asis para iniciar sua caminhada rumo ao entendimento de toda a guerra civil colombiana quando conhece Marylin e sua família. Lá ele é tratado como um membro do clã, e recebe da moça a garantia de que conseguirá conversar e fotografar pessoas de ambos os lados do conflito. Marylin ajuda Jason, e surge daí uma amizade que parecia pura e inevitável.

O jornalista consegue se infiltrar em campos de concentração, bases militares e povoados para garantir que seu trabalho será bem feito. Mas não tarda e sua hora de partir da Colômbia finalmente chega. Jason vai ao Iraque atrás de uma guerra ainda mais sangrenta, mas não consegue nem por um segundo esquecer o rosto de Marylin. Em seis meses, ele volta a Puerto Asis e, aí sim, começa um romance entre um e outro trabalho. O problema é que agora a moça não é mais alguém tão inocente na história: ela passou a trabalhar para a AUC (Autodefensas Unidas de Colombia). Marylin se tornou uma combatente. Experimentando uma sensação inédita, a de não se ver tão chocado com a revelação, Jason decidiu que isso não seria impecilho para seu amor com a bela colombiana de 22 anos.  A relação ainda estava no início e o contato com a família da moça inibia os dois a dar um passo à frente e mudar a temperatura do, até aqui, inocente romance.

Após mais uma ida ao Iraque, o fotógrafo retornou à América do Sul, alugou um quartinho em uma espelunca qualquer e se jogou de uma vez por todas nos braços de Marylin. Fizeram amor pela primeira vez e perceberam que nada mais seria igual. Jason não sabia exatamente o por quê, apenas sentia que as coisas mudariam a partir dali. Acuada por um sentimento avassalador, Marylin deu a Jason a chance de entender porque suas vidas mudariam a partir de então: resolveu contar ao inglês o seu maior segredo. Um pouco temerária, ela finalmente confessou que tinha se tornado uma assassina profissional. Começara na AUC por pressão dos repressores, e agora tomara gosto pela coisa: estava trabalhando como mercenária. Disse a ele que matar rende um bom dinheiro, e que não era tão difícil assim tirar a vida dde outra pessoa. Apenas no começo.

Jaso, acostumado ao dia-a-dia das guerras, ao sangue derramnado em baldes, à maldade inerente das pessoas, não soube dizer se achava aquilo absurdo ou se era um caminho natural para alguém que entra para o ramo. Levou seu relacionamento com ela normalmente por algum tempo, mas a cada vez que ouvia histórias sobre matanças, um pouco do seu sentimento arrefecia. A cada cabeça decaptada pela mulher, a cada pessoa que caía no chão por suas mãos, seu amor se tornava mais opaco. Jason insistia em ver Marylin como a mesma que conheceu quando chegou à Colômbia pela primeira vez, só que agora obrigada a lidar com uma situação imoral, mas estava sendo vencido pelo poder da realidade. Dormir com uma mulher que deixava a pistola no móvel de cabeceira antes de se deitar podia ter seus estímulos aventurescos, mas era algo demais para ele.

O tempo passou e chegou o dia de Jason ir embora de Puerto Asis. Despedida triste, Iraque é mais uma vez o destino. O casal continua se correspondendo por e-mail, mas a distância não dá trégua. Apesar de Marylin afirmar por escrito querer deixar essa vida, e suplicar para que ele não a esqueça, Jason vê seu desânimo crescer na mesma medida em que diminui o contato entre os dois. Um dia, ele cessa de vez. Preocupado, o jornalista decide procurar saber o paradeiro da mulher. Sem informações, resolve voltar à Colômbia. Ao procurar a família da moça, descobre que o inevitável aconteceu: Marylin foi assassinada a sangue frio – por seu próprio grupo. Entre desconfianças sobre o verdadeiro motivo da morte da mulher e questionamentos internos sobre seus próprios limites, Jason sabe que não pode se enganar a respeito de Marylin: por muito tempo, ele viveu entre a vida e a morte ao amar uma assassina fria e meticulosa.

Escrito por Bruno Reis

Março 11, 2008 em 2:34 pm

Publicado em cotidiano, crônica

Crônica

sem comentários

Ópio no Café de hoje. Aqui.

Escrito por Bruno Reis

Março 5, 2008 em 6:46 pm

Publicado em crônica