Arquivo para dezembro 2009
Coluna B – Os melhores discos do ano
Nas duas últimas semanas, publiquei na Coluna B, em duas partes, minha lista dos 50 melhores discos do ano. Ao invés de colocar aqui as duas colunas como saíram no jornal, vou juntar todos os álbuns com os comentários originais, sem cortes. Bom proveito.
Top 50 discos de 2009
O último café
Pessoal, esta é a última coluna Ópio no Café de 2009.
“O que é pior, o amor que acaba ou o o amor que nem começa?”
Clica aqui e lê lá. Até ano que vem.
Coluna B, dia 12/12
Ganham destaque imediato os arranjos criativos que a banda imprime em todas as músicas, das mais simples às mais rebuscadas. Do baixo saem linhas pulsantes, as guitarras e os violões estão sempre se encontrando, os instrumentos “convidados” vez ou outra roubam a cena, como o ukelele e a viola na ótima “Teu Capricho, Meu Despacho”. As muitas e variadas referências que os componentes trazem dão um tempero irresistível ao disco. A melódica e afiada música do leste europeu está presente com força em “Afinal de Contas” com sua troça de violinos, e em “O Indecrifrável Mistério de Jorge Tadeu”, faixa sensacional que recebe metais e pegada que lembram o Los Hermanos, recebendo ainda uma pitada de breguice com a intrigante citação a Reginaldo Rossi. O samba é artigo principal na deliciosa “Preguiça”, um hino maravilhoso à boa vida, e na animada “Maior Com Sétima”, que esmiuça o processo de composição da banda com bom humor invejável.
Se você quer algo com os dois pés no rock, preste atenção na dançante “Pseudo Eu”, com suas guitarras abusadas, acompanhamento no trompete e bateria salpicada, em “Sintonia”, de riffs poderosos e levada reggaeira, e na bonitinha “Pia do Prédio”, toda suingada. Se prefere a calmaria da música caipira, a curiosa “Sempre Quase” (que lembra o sumido Supercordas), de letra engraçadinha, é a melhor pedida. Outras que lembram a banda de Amarante e Camelo são a potente “33B”, com um belo jogo entre vocal e backing vocal, e a bela “O Estopim”, cheia de grandes momentos espalhados pela canção.
Com um disco de estreia tão bom, a Banda Gentileza me dá esperança de um futuro extremamente promissor para abanda – e, naturalmente, para a música pop nacional. A música nacional está em um ótimo momento, só não vê (ou ouve) quem não quer.
Notinhas
Portishead pela anistia
Portishead lançou uma nova faixa na última quinta em parceria com a Anistia Internacional. A data não foi ocasional: 10 de dezembro foi o dia internacional dos direitos humanos. A música “Chase The Tear”, de uma batida urgente e abafada, em contraste com a voz deliciosamente lamuriosa de Beth Gibbons, está disponível para download no site http://www.7digital.com/portisheadamnesty .
Novidades
O Massive Attack parece ser mais um nome para o mês de março de 2010 no Brasil. Pelo menos no Chile eles já estão confirmados. /// Aliás, março também marca a volta do She & Him, mas apenas em disco. A dupla da musa Zooey Deschanel anunciou seu “Volume 2″, com participação de Tilly and the Wall e inclusão duas covers, para o dia 23/03. Aguardemos. /// Já o Arcade Fire jogou um baldinho de água fria na turma ao avisar que seu disco deve sair apenas no fim do ano que vem. Oh, Deus. /// “Primary Colours”, do Horrors, foi escolhido o melhor disco de 2009 pela revista inglesa NME. E, segundo lugar ficou a estreia do XX, e em terceiro “It’s Blitz!”, do Yeah Yeah Yeahs. Uma lista honesta, até. /// Aproveito para dizer que, a partir da semana que vem, a Coluna B começa a divulgar suas listas de melhores do ano. Não perca.
Todo mundo tem que ouvir
O Animal Collective lançou em janeiro um dos discos do ano: “Merriweather Post Pavilion”. Não satisfeitos, fizeram agora o favor de lançar um dos EPs do ano.
O disquinho “Fall Be Kind” vem com apenas cinco faixas, mas parecem ter sido selecionadas com cuidado irreal. Mais um lançamento sensacional do Animal Collective.
Playlist
Death Cab For Cutie – Meet Me On The Equinox
Biffy Clyro – That Golden Rule
La Roux – Bulletproof
Wild Beasts – Hooting and Howling
Holger – WarHealth – Die Slow
Lulina – Subtexto
Otto – Lágrimas Negras
Lily Allen – The Fear
Memory Tapes – Bicycle
Ópio, sim
Coluna B, dia 5/12
Um tempo atrás, em uma discussão pacífica com um tio querido que, na época, estava produzindo um evento no interior do Estado, escutei que o grupo Roupa Nova era um dos poucos que realmente prestavam no Brasil. Discordei com veemência, mas ainda ouvi que hoje em dia nenhuma banda pop tem boas músicas como eles. Imediatamente listei uma meia dúzia de grupos novos que possuem um trabalho de destaque e que poderiam, em um futuro próximo e com o apoio que um grupo veterano como Roupa Nova recebe, estourar em qualquer canto do país. Resultado: meu interlocutor não conhecia nenhuma delas e manteve sua opinião intacta.
Com todo o respeito, esta coluna e a da semana que vem, quando falarei de mais novos e excelentes artistas nacionais, são dedicadas ao meu tio. A ele e a tantos outros que ignoram, mesmo sem querer, a nova geração da música brasileira. Nomes que surgem a cada dia, despertando o país de um sono pesado – aditivado por uma ressaca do rock nacional que há tempos não leva para o mainstream a qualidade que tem escondida em seu circuito alternativo. Hoje, os exemplos ficam apenas em um estado: Pernambuco, com Cidadão Instigado, Lulina e Otto. E você, caro produtor de espetáculos, abra os olhos. Em pouco tempo você pode estar correndo atrás de um desses nomes.
Cidadão Instigado
Um grupo como o Cidadão Instigado é capaz de encher qualquer casa de espetáculos do país. Pelo menos, a julgar pela qualidade musical da banda e pelo grande disco “Uhuuu!”, o terceiro da carreira do grupo de Fortaleza. Criado pelo guitarrista Fernando Catatau, o grupo tem um lado brega bem aflorado e faz um som bastante acessível, contando com belos arranjos de guitarra, alguns toques regionalistas e uma influência palpável do rock anos 70, gringo e nacional. As melodias de “Dói” e “Doido”, por exemplo, são acachapantes, cheias de suíngue e com palhetadas firmes. Enquanto isso, “Homem Velho” e “Como As Luzes” se deixam envolver pelo lado brega do grupo, mas mantendo-se divertidas o tempo todo. “O Cabeção” é espacial e criativa, já “Deus É Uma Viagem” é mesmo uma viagem, ligeiramente melancólica, que ganha aparato de metais e corais a certa altura, calibrando-a como uma das mais marcantes de um disco que merece ser ouvido por mais e mais pessoas.
Lulina
Se o mundo fosse um lugar justo, Lulina seria a cantora mais badalada do Brasil hoje, enfrentando de peito aberto toda essa geração de neo-sambistas de longos vestidos floridos e vozes empostadas. Mas Lulina tem um mundo próprio, o qual habita sozinha e de onde tira toda a matéria-prima necessária para tecer pequenas preciosidades do cancioneiro nacional atual. Em seu primeiro disco, “Cristalina”, a cantora de Recife, atualmente morando em São Paulo, recuperou diversas faixas de seus intermináveis EPs produzidos ao longo do tempo e regravou 17 faixas, deixando apenas uma, a irônica “Meu Príncipe”, para estrear no disco novo. A forma única de compor de Lulina, quando aborda desde assuntos fofinhos, como na suave “A Margarida”, passando por lindas declarações de amor como em “Nós”, até doenças esquisitas, como quando fala sobre bolhas na pleura em “Blebs”, é seu grande trunfo. Ela retrata tão bem esse universo paralelo que fica impossível não se ver lá por alguns momentos, observando minhocas malucas, ETs que sangram, paulistas com sotaques carregados ou o comediante Jerry Lewis, que recebe uma homenagem curiosa. O olhar de Lulina sobre o reveillon em “Bosta Nova” é uma boa forma de exemplificar como essa sensacional artista consegue fazer grandes letras, melodias de chorar e criar climas irresistíveis. Se o nosso mundo fosse o delicioso mundo de Lulina, tudo seria mais estranho e bonito.
Otto
Nunca fui lá muito fã de Otto. Escutava ressabiado suas canções, gostava de alguma coisa ali, outra aqui, mas me acostumei a não ver muita graça no cantor pernambucano. Até o dia em que me disseram que “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” era o disco que todo mundo sempre esperou que Otto gravasse. A prometida criativdade em misturar seu forte lado regional com um pop sem vergonha e um rock elegante, que antes permanecia apenas na promessa, torna-se imediatamente realidade por aqui. As participações de Céu e Julieta Venegas ajudam a colocar Otto nos trilhos, deixando até sua percussão mais pontual – “Filha” é uma emocionante mostra disso, além da ótima “Janaína”, da temperada “Crua” e da tristonha “Lágrimas Negras”. Dizem as más línguas que a potente injeção de melancolia que faz de “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” o melhor dos quatro discos de Otto foi dada pela separação do cantor e da atriz Alessandra Negrini. Se for assim, foi mal, Otto, mas tomara que você tome outros chutes na bunda. Tá fazendo bem.
Notinhas
Novidades pipocam
Ah, 2010. Se tudo se confirmar, o ano que vem vai ser uma profusão inacreditável de bandas gringas por aqui – pequenos festivais, atrações inesperadas, grupos enormes e nomes iniciantes, tudo o que você pensar. A novidade é a presença do Guns n’ Roses na América do Sul entre março e abril. Quem diria, Axl por aqui novamente. A outra história, soprada pelo blog Popload, é que o U2 vem mesmo – só não se sabe ainda quando. As opções são abril e novembro (no Chile, já se sopra a data em abril, mas sem certezas). Eles se juntam a Metallica, Coldplay, Franz Ferdinand, Gossip e Bat For Lashes, atrações já confirmadas. Vai ser fácil não. Todo mundo com a mão no bolso!
Mais discos
Para quem acha que estamos em dezembro de 2009, aviso logo que 2010 começou faz tempo. Pergunte para Spoon, que lança “Transference” em 18 de janeiro? Pergunte também para o Black Rebel Motorcycle Club, que anuncia trabalho novo para março, ou para o Keane, que vai lançar um EP com oito músicas em maio. Já para a Zooey Deschanel, deixa que eu pergunto, porque o She & Him já anunciou seu “Volume Two” para o começo do ano. Há também novidades vindo do Shout Out Louds (fevereiro), Goldfrapp (março) e New Young Pony Club (também em março). Ah, infelizmente o Babyshambles também planeja disco novo, para quem os suporta (não contem comigo). Mas a maior expectativa fica mesmo por conta do aguardadíssimo terceiro álbum do Arcade Fire, ainda sem data, mas já com fila de espera (conte comigo).
Todo mundo tem que ouvir
Não entendo como demorei tanto para escutar o Dead Man’s Bones. Quanto tempo perdido! O disco de estreia, auto-intitulado, é uma das obras mais sensacionais deste ano.
Para quem não sabe, esta é a banda do ótimo ator Ryan Goslin, com participação de um coral de crianças enfiados em uma atmosfera de filme de terror. Sacou? O Dead Man’s Bones é simplesmente genial. Corre que dá.
Playlist
Animal Collective – Bleeding
Zemaria – Any Distance
Washed Out – Hold Out
A Fine Frenzy – Wish You Well
Toro y Moi – Low Shoulder
The Watson Twins – The Brave Ones
Jacuzzi Boys – Island Avenue
Banda Gentileza – O Estopim
Why? – These Hands
Dirty Projectors – Stillness is the Move
Ópio no Café
Povo do lado de lá da tela, cá está a minha coluna da Paradoxo desta semana: clica aqui que dá lá.
Coluna B, dia 28/11
A coluna da semana passada entra amanhã.
Pegue um músico de criatividade ilimitada que usa a guitarra como se fosse a continuação das suas mãos. Agora, cace por aí um baixista histórico, figurinha carimbada em qualquer lista de melhores de todos os tempos no instrumento. Pra completar, dê um jeito de arrumar um baterista sensacional, também um músico completo em todos os sentidos. Faça-os amigos, com prazer genuíno de tocar um com o outro. Junte todos em um estúdio, tranque-os lá até que saiam com um disco fenomenal em mãos, pesado, diferente, abusado. Um dos melhores do ano, sem dúvida.
É mais ou menos essa a fórmula do quase inacreditável Them Crooked Vultures. Josh Homme é líder, vocalista e guitarrista do Queens of the Stone Age (além do Desert Sessions, do Kyuss, etc), John Paul Jones foi baixista “apenas” do Led Zeppelin, uma das mais reverenciadas bandas do rock, e Dave Grohl foi baterista do Nirvana e é líder, vocalista e guitarrista do Foo Fighters. Sério, não parece uma combinação quase improvável? Mas não é. A união entre Homme e Grohl, na verdade, nem é nova. Os dois são amigos, já gravaram juntos no QOTSA e participaram de inúmeros projetos paralelos. As conexões começaram a se fechar quando Grohl tocou com Jones em alguns shows na Europa, fazendo participações especiais. E é claro que, para os dois mais jovens, tocar com uma lenda do rock é um prazer que não tem preço.
Como um grupo de amigos que resolve tirar um som no fim de semana, o Them Crooked Vultures surgiu e começou a decolar. A química era impecável. Gravar um disco não parecia nos planos dos três quando tudo se iniciou, mas mostrou-se algo absolutamente natural e necessário quando o encaixe do power trio se mostrou matador. Após alguns ensaios, os caras começaram a marcar shows de surpresa em que os ingressos se esgotavam em minutos. Montaram também um site e um perfil no twitter para revelar bem devagar como soariam as faixas de “Them Crooked Vultures”, álbum de treze incendiárias faixas lançado no mês passado. O mistério fez bem à banda. Poucos e mal gravados vídeos surgiam no YouTube, mas eram vistos por tanta gente que viravam hits imediatos.
Assim que liberaram em streaming o disco completo, a internet pegou fogo. Todo mundo estava ouvindo as guitarras pesadas de Homme ecoarem pelas faixas. O clima stoner de QOTSA, complementado com uma levada de rock setentista e as pancadas certeiras e desencontradas da bateria surtiam efeito. Hipnotizado, escutei sem parar o disco inteiro por quatro vezes seguidas. Não parei mais. A cada play, uma nova viagem se estabelecia. “Mind Eraser, No Chaser” me tirou do chão sem dificuldade – a levada quebrada se embrenhando em camadas e mais camadas de guitarras, os vocais de Homme e Grohl se encontrando no refrão, tudo fazia muito sentido. Eu flutuava. A sensacional “Scumbag Blues” (Led Zeppelin puro) me colocou em outra dimensão, por onde fiquei a visualizar pratos incandescentes e mulheres de biquini dançando com formigas gigantes. Viagem.
Era impossível me libertar. Nem que eu quisesse, conseguiria ignorar os solavancos tridimensionais de “Elephants”, uma das faixas mais impressionantes deste ano. “No One Loves Me & Neither Do I” abre o disco: suingada, bonitona, sensual, luxuosa – coisa de quem sabe fazer música boa. “Reptiles” busca as forças no heavy metal, “Gunman” é quase dançante, não fosse tão dark – e, por isso, diferente de tudo que já rolou. A dobradinha “New Fang” e “Dead End Friends” é metralhadora na cara, sangue voando, a violência musical que a gente precisa para viver, mas trazem melodias muito bem encaixadas para transformar o lobo em cordeiro. Sensacionais. Há ainda “Bandoliers”, em rotação mais lenta, a imensa “Warsaw, Or The First Breath You Take After You Give Up”, um blues de rosto desconfigurado, “Interlude With Ludes”, psicodélica, “Caligulove”, de teclados viajantes e refrão grudento, e muito mais. “Them Crooked Vultures” é uma pequena maravilha para quem gosta de rock pesado e não linear. Um presente para quem é fã de Homme, Grohl e Jones e, provavelmente, um presente deles para eles mesmos. Porque, ao final de tudo, a sensação é que eles se divertiram tanto ao fazer o disco quanto nós ao escutarmos.
Notinhas
Variantes
O Ringo chamou o Paul pra tocar no disco dele. Macca vai cantar e tocar baixo em umas duas faixas de “Y Not”, a ser lançado em janeiro de 2010. É o mais próximo que vamos chegar de uma reunião dos Beatles. /// O Belle & Sebastian deixou no site oficial uma pista de que um disco novo pode estar a caminho. Dedos cruzados. /// Sabe essa banda aí do lado, Them Crooked Vultures, que acabou de lançar o primeiro álbum? Então, eles já estão falando em lançar o segundo. “Agora que começamos, por quê parar?”, disse Homme ao jornal The Sun. Por mim, beleza. /// E lá vem a NME de novo, com outra lista cheia de opções esquisitas. Desta vez, as melhores canções da década. Em primeiro? “Crazy In Love” da Beyoncé. Posso parar ou continuo? Tá, então vai: em segundo, “Time To Pretend” do MGMT. Sério. São músicas boas, claro, mas para melhores da década tá complicado, né? Eu, hein.
Dos shows
Brett Anderson, ex-vocal do Suede, estará no país em janeiro. Em Curitiba e São Paulo, certamente. /// Da Ilustrada no Pop vem a notícia: estão em negociações para vir ao Brasil em 2010: U2, Green Day e Roger Waters. É mole? /// Shows imperdíveis que eu vou perder semana que vem: o sensacional Dirty Projectors, com abertura do Holger, em SP (dia 2), o fenomenal Macaco Bong, no Festival Música Livre, em Vitória (dia 4). Choro ou não choro? Se alguém puder fazer diferente de mim, por favor, não perca.
Todo mundo tem que ouvir
E o Beach House lançou o disco do ano… de 2010. Sim, a dupla americana marcou o lançamento de “Teen Dream” para janeiro próximo, mas o disco vazou faz tempo. Já falei aqui que eu amo a internet?
É claro que estou me adiantando ao dar a ele o título de melhor do ano que vem, mas o que há de músicas bonitas neste terceiro lançamento da banda, sinceramente, não é fácil. Audição obrigatória.
Playlist
Passion Pit – Little Secrets
Holger – War
Arctic Monkeys – Cornerstone
Dirty Projectors – Stillness is the Move
Lulina – 13 de junho
Atlas Sound – Quick Canal
Otto – Crua
Animal Collective – I Think I Can
Banda Gentileza – Afinal de Contas
Norah Jones – Back To Manhattan


