Misquilinas

Um bocado de um tudo só

Arquivo para dezembro 2009

Coluna B – Os melhores discos do ano

com um comentário

Nas duas últimas semanas, publiquei na Coluna B, em duas partes, minha lista dos 50 melhores discos do ano. Ao invés de colocar aqui as duas colunas como saíram no jornal, vou juntar todos os álbuns com os comentários originais, sem cortes. Bom proveito.

Top 50 discos de 2009

1 – The Phantom Band – Checkmate Savage
Há muito tempo um disco de rock – no melhor sentido da palavra – não me tirava o fôlego desta forma. É de se aplaudir de pé uma banda que soe genial sendo tão simples.
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2 – The Xx – The Xx
Só mesmo o bombardeio de referências que os jovens de hoje em dia sofrem seria capaz de criar um som tão original, bonito e criativo. Um disco que certamente ajudará a definir o som da segunda década deste século.
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3 – Dirty Projectors – Bitte Orca
David Longstreht queria ter uma banda pop. David Longstreht queria ter uma banda indie. David Longstreht queria ter uma banda experimental. O sexto álbum do Dirty Projectors, “Bitte Orca”, realizou os três desejos de seu fundador de uma vez só.
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4 – Animal Collective – Merriweather Post Pavilion
Conhecido pela sua veia experimental, o Animal Collective resolveu pingar uma gota de pop no seu esquema de fortes cores psicodélicas. Resultado: um disco fenomenal, acessível e incansável.
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5 – Dead Man’s Bones – Dead Man’s Bones
Um astro de Hollywood se une a um coral de crianças em um disco sombrio, que fala de zumbis, fantasmas e afins. Tinha tudo pra dar errado, mas deu certo até demais. Um salve para o talento de Ryan Goslin.
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6 – Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix
A música pop produz centenas de discos, EPs e singles todos os anos, mas pouquíssimos acertam tão na mosca como esses franceses acertaram. Canções deliciosas, grudentas e impossíveis de se ignorar.
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7 – St. Vincent – Actor
Quem escuta a voz de Annie Clark se encanta de cara. Quem investe seu tempo para ouvir cada nuance de suas canções presentes em “Actor”, se apaixona perdidamente. Uma artista completa.
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8 – Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz!
O terceiro disco do trio conseguiu unir os predicados dos álbuns anteriores. Há aqui algumas das músicas mais sensacionais deste ano, com melodias marcantes e a voz incrível de Karen O.
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9 – CALLmeKAT – Fall Down
Uma das grandes descobertas do ano. De voz e estampa incrivelmente sexys, a dinamarquesa Katrine Ottosen abusa dos barulhinhos viajantes para costurar um som moderno, lo-fi e altamente sedutor.
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10 – Grizzly Bear – Veckatimest
Os queridinhos do indie americano acertaram a mão novamente. Um disco abarrotado de canções lindas de morrer, sensível e poético como poucos conseguiram ser em 2009.
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11 – Alice In Chains – Black Gives Way To Blue
Após muitos anos sem gravar material inédito, desde a morte do vocalista Layne Staley, o grupo retorna ao cenário (capitaneados ainda por Jerry Cantrell) surpreendendo pelo material de altíssima qualidade.
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12 – Kasabian – West Ryder Pauper Lunatic Asylum
O terceiro disco da carreira dos ingleses é, na minha opinião, o único disco realmente memorável que a banda lançou até hoje. Demorou, mas quando acertaram, o fizeram em cheio. Um discaço.
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13 – Arctic Monkeys – Humbug
Produzidos por Josh Homme (em 8 das 10 faixas), a banda de Alex Turner deu mais uma vez a prova de que são um nível acima das trocentas bandas de sua geração. Destaque para a perturbadora “Cornerstone”.
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14 – John Frusciante – The Empyrean
O (ex?) guitarrista do Red Hot Chili Peppers segue impávido com sua excepcional carreira solo. “The Empyrean” é um álbum temático que traz Frusciante e sua guitarra jorrando qualidade pelo ladrão.
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15 – Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures
Quando escrevi sobre este disco, afirmei que não tinha como dar errado uma banda com essa formação. Mais do que isso, a estreia dos Vultures é fascinante, pesada e melódica como poucos foram em 2009.
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16 – Gossip – Music For Men
Beth Ditto é uma deusa do indie rock. Uma deusa moderna, com voz de trovão, letras nervosas e um pique inacreditável em cima do palco, que é traduzido com exatidão para este grande e frenético trabalho.
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17 – Banda Gentileza – Banda Gentileza
A melhor banda a surgir no país no ano de 2009. Os curitibanos lançaram um disco de estreia que atira para o samba, o rock, o pop e até para a música latina e do leste euroupeu – e acerta em todas.
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18 – Fever Ray – Fever Ray
A metade feminina do sensacional The Knife dá início a uma esperadíssima carreira solo com um álbum seguro, ousado nas melodias enegrecidas e acachapante na forma. Imperdível.
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19 – Norah Jones – The Fall
Minha musa inspiradora da vida toda lançou mais um disco sensacional. A beleza de “The Fall” está em cada detalhe, nas quase inéditas guitarras, na voz sussurrada e nos inclassificáveis arranjos de piano. Linda.
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20 – Danger Mouse & Sparklehorse – Dark Night of the Soul
Uma experiência sonora inesquecível que conta com convidados como Iggy Pop, Black Francis, Julian Casablancas, Wayne Coyne, Nina Persson, Gruff Rhys e muitos outrros.
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21 – Ohbijou – Beacons
Canadense, o grupo fez jus a sua origem e lançou esse álbum delicioso, tão suave e sensível que merece o posto de disco para chorar do ano. Destaque pra voz “fofa toda vida” de Casey Mecija.
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22 – Bat For Lashes – Two Suns
Depois de uma estreia arrasadora, Natasha Khan se encheu de novidades para esse lindo álbum. E ouçam muito, porque ela vem ao Brasil ano que vem acompanhando o Coldplay.
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23 – Pájaro Sunrise – Done/Undone
A banda folk espanhola tem uma carreira curta, mas já neste segundo disco mandou logo um álbum duplo. Ousadia? Sim, e cada música valeu a pena ter saído.
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24 – Franz Ferdinand – Tonight
O grupo escocês, um dos donos do rock nos anos 2000, continua a sua saga de lançar grandes discos. E, especialmente neste, se permite ir um pouquinho além do indie rock.
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25 – Omar Rodriguez-Lopez – Solar Gambling
O pró-ativo guitarrista do Mars Volta, acompanhado de sua namorada, a cantora e compositora mexicana Ximena Sarinana, põe na rua mais um trabalho visceral e inovador.
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26 – Regina Spektor – Far
Após o maravilhoso “Begin To Hope”, Spektor levou um bom tempo para gravar um novo álbum. “Far” mostra que, na vida e na música, vale a pena esperar.
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27 – Lulina – Cristalina
A cantora e compositora pernambucana vive em um mundo próprio e manda as notícias de lá através de sua música, sempre divertida e sensível.
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28 – Inara George – Accidental Experimental
A vocalista do Bird and the Bee estreia carreira solo com um disco delicado, onde o personagem principal é sua voz de veludo azul.
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29 – Leaves – We Are Shadows
Os islandeses do Leaves surgem do nada, somem, reaparecem, viram fumaça de novo, mas sempre que dão as caras, têm um belo disco em mãos.
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30 – Ben Kweller – Changing Horses
O menino prodígio do folk e do country alternativo americano já não é mais criança. “Changing Horses” traz algumas preciosidades que comprovam isso.
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31 – Julian Casablancas – Phrazes For The Young
O stroke que mais tempo demorou para lançar um trabalho solo finalmente saiu de suas longas férias com um disco esquisitão e delicioso.
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32 – Noah and The Whale – First Days of Spring
O lado mais poético do indie está aqui. Belas melodias, música sem pressa, sem medo de ser leve. E esse disco traz a belíssima “Blue Skies”.
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33 – Passion Pit – Manners
Música para dançar, acima de tudo, mesmo que juntinho. As melodias simples se envolvem com os arranjos detalhistas e formam uma das grandes surpresas de 2009.
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34 – Sophie Madeleine – Love. Life. Ukelele.
A moça empunha um ukelele, dá um trato na voz, pega uma dezena de refrões grudentos e grava um disco pra ficar no pódio daqueles que chamamos de “fofos”.
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35 – Laura Jansen – Bells
As influências pop desta holandesa fazem com que ela se saia bem demais em seu disco de estreia. Algo entre Feist e Lavender Diamond, se é que vocês me entendem.
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36 – The Raveonettes – In and Out Of Control
Grande álbum da dupla dinamarquesa. Um misto de potência roqueira com guitarras estridentes e melodias fofas com a voz da bela Sharin Foo se destacando.
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37 – The Boy Least Likely To – The Law of the Playground
Música indie infantil: talvez seja esta a mais perfeita descrição deste disco. Os arranjos cuidadosos e o clima inocente das canções ajudam a dar essa cara para a banda.
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38 – Lestics – Hoje
Uma das melhores bandas nacionais da atualidade, o Lestics ainda busca seu espaço entre os neo-grandes da música pop brasileira. Mas, com mais um grande disco, aqui o lugarzinho deles estará sempre reservado.
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39 – Taken By Trees – East Of Eden
A sueca Victoria Bergsman, vocalista da The Concretes, envereda por uma carreira solo quase inevitável e traz ainda a pérola “My Boys”, versão de “My Girls”, do Animal Collective.
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40 – Lacrosse – Bandages For the Heart
Mais um discaço vindo da querida Suécia. O sexteto consegue manter a alegria das músicas mesmo nas partes mais melancólicas do disco. Um belo álbum de estreia.
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41 – The Wooden Birds – Magnolia
Folk vai ao pop, toma duas colheradas e volta. É mais ou menos assim que o Wooden Birds fez para giravar seu disco. O trabalho, todo acústico, rendeu belíssimas canções.
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42 – Ramona Falls – Intuit
O vocalista do Menomena armou um belo disco solo – folk e rock, cheio de arranjos sensacionais e com canções que conquistam fácil.
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43 – Pearl Jam – Backspacer
O novo disco do Pearl Jam não chega aos pés do que a banda fez na década de 90, mas é um dos grandes lançamentos do grupo nos anos 2000 – e isso não é pouco.
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44 – Atlas Sound – Logos
Outro “dissidente”: desta vez é Bradford Cox, do Deerhunter, que grava com seu projeto solo. Uma maravilha de disco, cheio de momentos inspiradores.
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45 – HEALTH – Get Color
Os caras levam muito a sério aquele grito de guerra dos shows, “vamo fazer barulho!”. Mas o noise atacado do grupo é de uma beleza ímpar.
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46 – Megafaun – Gather, Form and Fly
Sossego total, com lindos arranjos de violão e passagens de percussão. Sentimentalismo em forma de música, com momentos divertidos no meio.
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47 – Marissa Nadler – Little Hells
Nadler tem uma delícia de voz e consegue passear pelo suave e pelo tenso com uma sensacional cara de século passado. Lindo disco.
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48 – Art Brut – Vs Satan
Depois de um segundo disco fraco, o Art Brut resolveu dar mais moral pras guitarras e deixar o Argos falando besteira em segundo plano. Deu certo.
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49 – Lucas Santtana – Sem Nostalgia
O cara praticamente reinventou a forma de se tocar violão. Além das viagens potentes com um instrumento tão tradicional, ainda criou grandes canções.
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50 – Sondre Lerche – Heartbeat Radio
Ele é o cara. Outro belo disco para sua carreira, mais uma vez sem uma direção definida, se deixando levar aos sabores das estações.

Escrito por Bruno Reis

dezembro 28, 2009 em 4:40 pm

Publicado em Coluna B

O último café

com um comentário

Pessoal, esta é a última coluna Ópio no Café de 2009.

“O que é pior, o amor que acaba ou o o amor que nem começa?”

Clica aqui e lê lá. Até ano que vem.

Escrito por Bruno Reis

dezembro 23, 2009 em 11:20 am

Publicado em conto, crônica

Coluna B, dia 12/12

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O Brasil sabe ser pop – parte 2
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Peço licença para continuar o assunto de semana passada. Para quem não leu, explico em linhas gerais: no último sábado comentei aqui sobre a falta de renovação da música brasileira no mainstream – para o grande público, a excelente nova safra de bandas e artistas nacionais simplesmente não existe. Roupa Nova, O Rappa, Jota Quest e afins continuam carregando uma bandeira escorraçada do pop rock nacional como se fossem mártires de um mercado falido, e isso não é culpa deles. Aproveitei o espaço para apresentar os pernambucanos Lulina, Otto (esse já velho conhecido) e Cidadão Instigado. Hoje a gente desce até Curitiba.

É de lá, do sul do país, que saiu a grande revelação nacional de 2009. Quando falei deles aqui algumas colunas atrás, citei que era uma banda ideal para os órfãos do Los Hermanos. Eu não menti. Assim como a sensacional banda carioca, que marcou época como o último grande grupo a surgir no país com autoridade bastante para ser indie e pop na mesma canção, a Banda Gentileza também consegue se sobressair por colocar em suas músicas uma mistura excelente de música regional, como o samba e a viola caipira, com ritmos universais, como o indie rock. Para completar, há nas faixas de “Banda Gentileza”, disco de estreia dos curitibanos produzido pelo músico e DJ Plinio Profeta, uma alegria incontida que os aproxima muito dos dois primeiros álbuns do Los Hermanos.

Honesta e extremamente coerente com sua filosofia liberal, a Banda Gentileza distribuiu seu primeiro disco na raça. Através de um perfil no Twitter, Heitor Humberto, Diego Perin, Artur Lipori, Tetê Fontoura, Emílio Mercuri e Diogo Fernandes (que se dividem entre os instrumentos básicos de uma banda de rock e outros como concertina, saxofone, viola caipira, cavaquinho, trompete, violino e ukelele) divulgaram um link para que seus seguidores baixassem o álbum de graça. No primeiro mês, 1.300 downloads foram feitos. Os elogios choviam de todos s lados, e não era à toa. Há também no som do grupo um incrível senso de gentileza para com os artefatos que são usados para compor sua personalidade musical. Aqui, pandeiro e guitarra têm a mesma importância. O “lalalá” que move refrões possui a mesma cadência de frases de efeito como “o que você faz não me diz respeito mais, mas desrespeitou”, presente na lindíssima “Coracion”, que abre o disco.

Ganham destaque imediato os arranjos criativos que a banda imprime em todas as músicas, das mais simples às mais rebuscadas. Do baixo saem linhas pulsantes, as guitarras e os violões estão sempre se encontrando, os instrumentos “convidados” vez ou outra roubam a cena, como o ukelele e a viola na ótima “Teu Capricho, Meu Despacho”. As muitas e variadas referências que os componentes trazem dão um tempero irresistível ao disco. A melódica e afiada música do leste europeu está presente com força em “Afinal de Contas” com sua troça de violinos, e em “O Indecrifrável Mistério de Jorge Tadeu”, faixa sensacional que recebe metais e pegada que lembram o Los Hermanos, recebendo ainda uma pitada de breguice com a intrigante citação a Reginaldo Rossi. O samba é artigo principal na deliciosa “Preguiça”, um hino maravilhoso à boa vida, e na animada “Maior Com Sétima”, que esmiuça o processo de composição da banda com bom humor invejável.

Se você quer algo com os dois pés no rock, preste atenção na dançante “Pseudo Eu”, com suas guitarras abusadas, acompanhamento no trompete e bateria salpicada, em “Sintonia”, de riffs poderosos e levada reggaeira, e na bonitinha “Pia do Prédio”, toda suingada. Se prefere a calmaria da música caipira, a curiosa “Sempre Quase” (que lembra o sumido Supercordas), de letra engraçadinha, é a melhor pedida. Outras que lembram a banda de Amarante e Camelo são a potente “33B”, com um belo jogo entre vocal e backing vocal, e a bela “O Estopim”, cheia de grandes momentos espalhados pela canção.

Com um disco de estreia tão bom, a Banda Gentileza me dá esperança de um futuro extremamente promissor para abanda – e, naturalmente, para a música pop nacional. A música nacional está em um ótimo momento, só não vê (ou ouve) quem não quer.

Notinhas

Portishead pela anistia
Portishead lançou uma nova faixa na última quinta em parceria com a Anistia Internacional. A data não foi ocasional: 10 de dezembro foi o dia internacional dos direitos humanos. A música “Chase The Tear”, de uma batida urgente e abafada, em contraste com a voz deliciosamente lamuriosa de Beth Gibbons, está disponível para download no site http://www.7digital.com/portisheadamnesty .

Novidades
O Massive Attack parece ser mais um nome para o mês de março de 2010 no Brasil. Pelo menos no Chile eles já estão confirmados. /// Aliás, março também marca a volta do She & Him, mas apenas em disco. A dupla da musa Zooey Deschanel anunciou seu “Volume 2″, com participação de Tilly and the Wall e inclusão duas covers, para o dia 23/03. Aguardemos. /// Já o Arcade Fire jogou um baldinho de água fria na turma ao avisar que seu disco deve sair apenas no fim do ano que vem. Oh, Deus. /// “Primary Colours”, do Horrors, foi escolhido o melhor disco de 2009 pela revista inglesa NME. E, segundo lugar ficou a estreia do XX, e em terceiro “It’s Blitz!”, do Yeah Yeah Yeahs. Uma lista honesta, até. /// Aproveito para dizer que, a partir da semana que vem, a Coluna B começa a divulgar suas listas de melhores do ano. Não perca.

Todo mundo tem que ouvir
O Animal Collective lançou em janeiro um dos discos do ano: “Merriweather Post Pavilion”. Não satisfeitos, fizeram agora o favor de lançar um dos EPs do ano.
O disquinho “Fall Be Kind” vem com apenas cinco faixas, mas parecem ter sido selecionadas com cuidado irreal. Mais um lançamento sensacional do Animal Collective.

Playlist
Death Cab For Cutie – Meet Me On The Equinox
Biffy Clyro – That Golden Rule
La Roux – Bulletproof
Wild Beasts – Hooting and Howling
Holger – WarHealth – Die Slow
Lulina – Subtexto
Otto – Lágrimas Negras
Lily Allen – The Fear
Memory Tapes – Bicycle

Escrito por Bruno Reis

dezembro 16, 2009 em 9:08 pm

Publicado em Coluna B

Ópio, sim

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Nova crônica na minha coluna da Revista Paradoxo, a querida Ópio no Café. Saca um trecho aí:
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(…) Quando foi que perdemos o viço, quando exatamente a cola que nos unia perdeu a liga, quando as tábuas que formavam nossa ponte se tornaram frágeis demais para suportar o nosso peso? Agora estamos aqui, você do lado de lá, eu do lado de cá, e nada no meio. Não sinto nem o rastro daquela força que nos guiava em direção ao outro. Aonde isso foi parar? (…)
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Tá a fim de ler tudo, tudinho mesmo? clica aqui, ó: Ópio no Café.

Escrito por Bruno Reis

dezembro 16, 2009 em 1:23 am

Publicado em conto, crônica

Coluna B, dia 5/12

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O Brasil sabe ser pop

Um tempo atrás, em uma discussão pacífica com um tio querido que, na época, estava produzindo um evento no interior do Estado, escutei que o grupo Roupa Nova era um dos poucos que realmente prestavam no Brasil. Discordei com veemência, mas ainda ouvi que hoje em dia nenhuma banda pop tem boas músicas como eles. Imediatamente listei uma meia dúzia de grupos novos que possuem um trabalho de destaque e que poderiam, em um futuro próximo e com o apoio que um grupo veterano como Roupa Nova recebe, estourar em qualquer canto do país. Resultado: meu interlocutor não conhecia nenhuma delas e manteve sua opinião intacta.

Com todo o respeito, esta coluna e a da semana que vem, quando falarei de mais novos e excelentes artistas nacionais, são dedicadas ao meu tio. A ele e a tantos outros que ignoram, mesmo sem querer, a nova geração da música brasileira. Nomes que surgem a cada dia, despertando o país de um sono pesado – aditivado por uma ressaca do rock nacional que há tempos não leva para o mainstream a qualidade que tem escondida em seu circuito alternativo. Hoje, os exemplos ficam apenas em um estado: Pernambuco, com Cidadão Instigado, Lulina e Otto. E você, caro produtor de espetáculos, abra os olhos. Em pouco tempo você pode estar correndo atrás de um desses nomes.

Cidadão Instigado
Um grupo como o Cidadão Instigado é capaz de encher qualquer casa de espetáculos do país. Pelo menos, a julgar pela qualidade musical da banda e pelo grande disco “Uhuuu!”, o terceiro da carreira do grupo de Fortaleza. Criado pelo guitarrista Fernando Catatau, o grupo tem um lado brega bem aflorado e faz um som bastante acessível, contando com belos arranjos de guitarra, alguns toques regionalistas e uma influência palpável do rock anos 70, gringo e nacional. As melodias de “Dói” e “Doido”, por exemplo, são acachapantes, cheias de suíngue e com palhetadas firmes. Enquanto isso, “Homem Velho” e “Como As Luzes” se deixam envolver pelo lado brega do grupo, mas mantendo-se divertidas o tempo todo. “O Cabeção” é espacial e criativa, já “Deus É Uma Viagem” é mesmo uma viagem, ligeiramente melancólica, que ganha aparato de metais e corais a certa altura, calibrando-a como uma das mais marcantes de um disco que merece ser ouvido por mais e mais pessoas.

Lulina
Se o mundo fosse um lugar justo, Lulina seria a cantora mais badalada do Brasil hoje, enfrentando de peito aberto toda essa geração de neo-sambistas de longos vestidos floridos e vozes empostadas. Mas Lulina tem um mundo próprio, o qual habita sozinha e de onde tira toda a matéria-prima necessária para tecer pequenas preciosidades do cancioneiro nacional atual. Em seu primeiro disco, “Cristalina”, a cantora de Recife, atualmente morando em São Paulo, recuperou diversas faixas de seus intermináveis EPs produzidos ao longo do tempo e regravou 17 faixas, deixando apenas uma, a irônica “Meu Príncipe”, para estrear no disco novo. A forma única de compor de Lulina, quando aborda desde assuntos fofinhos, como na suave “A Margarida”, passando por lindas declarações de amor como em “Nós”, até doenças esquisitas, como quando fala sobre bolhas na pleura em “Blebs”, é seu grande trunfo. Ela retrata tão bem esse universo paralelo que fica impossível não se ver lá por alguns momentos, observando minhocas malucas, ETs que sangram, paulistas com sotaques carregados ou o comediante Jerry Lewis, que recebe uma homenagem curiosa. O olhar de Lulina sobre o reveillon em “Bosta Nova” é uma boa forma de exemplificar como essa sensacional artista consegue fazer grandes letras, melodias de chorar e criar climas irresistíveis. Se o nosso mundo fosse o delicioso mundo de Lulina, tudo seria mais estranho e bonito.

Otto
Nunca fui lá muito fã de Otto. Escutava ressabiado suas canções, gostava de alguma coisa ali, outra aqui, mas me acostumei a não ver muita graça no cantor pernambucano. Até o dia em que me disseram que “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” era o disco que todo mundo sempre esperou que Otto gravasse. A prometida criativdade em misturar seu forte lado regional com um pop sem vergonha e um rock elegante, que antes permanecia apenas na promessa, torna-se imediatamente realidade por aqui. As participações de Céu e Julieta Venegas ajudam a colocar Otto nos trilhos, deixando até sua percussão mais pontual – “Filha” é uma emocionante mostra disso, além da ótima “Janaína”, da temperada “Crua” e da tristonha “Lágrimas Negras”. Dizem as más línguas que a potente injeção de melancolia que faz de “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” o melhor dos quatro discos de Otto foi dada pela separação do cantor e da atriz Alessandra Negrini. Se for assim, foi mal, Otto, mas tomara que você tome outros chutes na bunda. Tá fazendo bem.

Notinhas

Novidades pipocam
Ah, 2010. Se tudo se confirmar, o ano que vem vai ser uma profusão inacreditável de bandas gringas por aqui – pequenos festivais, atrações inesperadas, grupos enormes e nomes iniciantes, tudo o que você pensar. A novidade é a presença do Guns n’ Roses na América do Sul entre março e abril. Quem diria, Axl por aqui novamente. A outra história, soprada pelo blog Popload, é que o U2 vem mesmo – só não se sabe ainda quando. As opções são abril e novembro (no Chile, já se sopra a data em abril, mas sem certezas). Eles se juntam a Metallica, Coldplay, Franz Ferdinand, Gossip e Bat For Lashes, atrações já confirmadas. Vai ser fácil não. Todo mundo com a mão no bolso!

Mais discos
Para quem acha que estamos em dezembro de 2009, aviso logo que 2010 começou faz tempo. Pergunte para Spoon, que lança “Transference” em 18 de janeiro? Pergunte também para o Black Rebel Motorcycle Club, que anuncia trabalho novo para março, ou para o Keane, que vai lançar um EP com oito músicas em maio. Já para a Zooey Deschanel, deixa que eu pergunto, porque o She & Him já anunciou seu “Volume Two” para o começo do ano. Há também novidades vindo do Shout Out Louds (fevereiro), Goldfrapp (março) e New Young Pony Club (também em março). Ah, infelizmente o Babyshambles também planeja disco novo, para quem os suporta (não contem comigo). Mas a maior expectativa fica mesmo por conta do aguardadíssimo terceiro álbum do Arcade Fire, ainda sem data, mas já com fila de espera (conte comigo).

Todo mundo tem que ouvir
Não entendo como demorei tanto para escutar o Dead Man’s Bones. Quanto tempo perdido! O disco de estreia, auto-intitulado, é uma das obras mais sensacionais deste ano.
Para quem não sabe, esta é a banda do ótimo ator Ryan Goslin, com participação de um coral de crianças enfiados em uma atmosfera de filme de terror. Sacou? O Dead Man’s Bones é simplesmente genial. Corre que dá.

Playlist
Animal Collective – Bleeding
Zemaria – Any Distance
Washed Out – Hold Out
A Fine Frenzy – Wish You Well
Toro y Moi – Low Shoulder
The Watson Twins – The Brave Ones
Jacuzzi Boys – Island Avenue
Banda Gentileza – O Estopim
Why? – These Hands
Dirty Projectors – Stillness is the Move

Escrito por Bruno Reis

dezembro 13, 2009 em 6:57 pm

Publicado em Coluna B

Ópio no Café

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Povo do lado de lá da tela, cá está a minha coluna da Paradoxo desta semana: clica aqui que dá lá.

Escrito por Bruno Reis

dezembro 9, 2009 em 2:58 pm

Publicado em conto, crônica

Coluna B, dia 28/11

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Muito atrasada. #-/
A coluna da semana passada entra amanhã.

Química impecável

Pegue um músico de criatividade ilimitada que usa a guitarra como se fosse a continuação das suas mãos. Agora, cace por aí um baixista histórico, figurinha carimbada em qualquer lista de melhores de todos os tempos no instrumento. Pra completar, dê um jeito de arrumar um baterista sensacional, também um músico completo em todos os sentidos. Faça-os amigos, com prazer genuíno de tocar um com o outro. Junte todos em um estúdio, tranque-os lá até que saiam com um disco fenomenal em mãos, pesado, diferente, abusado. Um dos melhores do ano, sem dúvida.

É mais ou menos essa a fórmula do quase inacreditável Them Crooked Vultures. Josh Homme é líder, vocalista e guitarrista do Queens of the Stone Age (além do Desert Sessions, do Kyuss, etc), John Paul Jones foi baixista “apenas” do Led Zeppelin, uma das mais reverenciadas bandas do rock, e Dave Grohl foi baterista do Nirvana e é líder, vocalista e guitarrista do Foo Fighters. Sério, não parece uma combinação quase improvável? Mas não é. A união entre Homme e Grohl, na verdade, nem é nova. Os dois são amigos, já gravaram juntos no QOTSA e participaram de inúmeros projetos paralelos. As conexões começaram a se fechar quando Grohl tocou com Jones em alguns shows na Europa, fazendo participações especiais. E é claro que, para os dois mais jovens, tocar com uma lenda do rock é um prazer que não tem preço.

Como um grupo de amigos que resolve tirar um som no fim de semana, o Them Crooked Vultures surgiu e começou a decolar. A química era impecável. Gravar um disco não parecia nos planos dos três quando tudo se iniciou, mas mostrou-se algo absolutamente natural e necessário quando o encaixe do power trio se mostrou matador. Após alguns ensaios, os caras começaram a marcar shows de surpresa em que os ingressos se esgotavam em minutos. Montaram também um site e um perfil no twitter para revelar bem devagar como soariam as faixas de “Them Crooked Vultures”, álbum de treze incendiárias faixas lançado no mês passado. O mistério fez bem à banda. Poucos e mal gravados vídeos surgiam no YouTube, mas eram vistos por tanta gente que viravam hits imediatos.

Assim que liberaram em streaming o disco completo, a internet pegou fogo. Todo mundo estava ouvindo as guitarras pesadas de Homme ecoarem pelas faixas. O clima stoner de QOTSA, complementado com uma levada de rock setentista e as pancadas certeiras e desencontradas da bateria surtiam efeito. Hipnotizado, escutei sem parar o disco inteiro por quatro vezes seguidas. Não parei mais. A cada play, uma nova viagem se estabelecia. “Mind Eraser, No Chaser” me tirou do chão sem dificuldade – a levada quebrada se embrenhando em camadas e mais camadas de guitarras, os vocais de Homme e Grohl se encontrando no refrão, tudo fazia muito sentido. Eu flutuava. A sensacional “Scumbag Blues” (Led Zeppelin puro) me colocou em outra dimensão, por onde fiquei a visualizar pratos incandescentes e mulheres de biquini dançando com formigas gigantes. Viagem.

Era impossível me libertar. Nem que eu quisesse, conseguiria ignorar os solavancos tridimensionais de “Elephants”, uma das faixas mais impressionantes deste ano. “No One Loves Me & Neither Do I” abre o disco: suingada, bonitona, sensual, luxuosa – coisa de quem sabe fazer música boa. “Reptiles” busca as forças no heavy metal, “Gunman” é quase dançante, não fosse tão dark – e, por isso, diferente de tudo que já rolou. A dobradinha “New Fang” e “Dead End Friends” é metralhadora na cara, sangue voando, a violência musical que a gente precisa para viver, mas trazem melodias muito bem encaixadas para transformar o lobo em cordeiro. Sensacionais. Há ainda “Bandoliers”, em rotação mais lenta, a imensa “Warsaw, Or The First Breath You Take After You Give Up”, um blues de rosto desconfigurado, “Interlude With Ludes”, psicodélica, “Caligulove”, de teclados viajantes e refrão grudento, e muito mais. “Them Crooked Vultures” é uma pequena maravilha para quem gosta de rock pesado e não linear. Um presente para quem é fã de Homme, Grohl e Jones e, provavelmente, um presente deles para eles mesmos. Porque, ao final de tudo, a sensação é que eles se divertiram tanto ao fazer o disco quanto nós ao escutarmos.

Notinhas

Variantes
O Ringo chamou o Paul pra tocar no disco dele. Macca vai cantar e tocar baixo em umas duas faixas de “Y Not”, a ser lançado em janeiro de 2010. É o mais próximo que vamos chegar de uma reunião dos Beatles. /// O Belle & Sebastian deixou no site oficial uma pista de que um disco novo pode estar a caminho. Dedos cruzados. /// Sabe essa banda aí do lado, Them Crooked Vultures, que acabou de lançar o primeiro álbum? Então, eles já estão falando em lançar o segundo. “Agora que começamos, por quê parar?”, disse Homme ao jornal The Sun. Por mim, beleza. /// E lá vem a NME de novo, com outra lista cheia de opções esquisitas. Desta vez, as melhores canções da década. Em primeiro? “Crazy In Love” da Beyoncé. Posso parar ou continuo? Tá, então vai: em segundo, “Time To Pretend” do MGMT. Sério. São músicas boas, claro, mas para melhores da década tá complicado, né? Eu, hein.

Dos shows
Brett Anderson, ex-vocal do Suede, estará no país em janeiro. Em Curitiba e São Paulo, certamente. /// Da Ilustrada no Pop vem a notícia: estão em negociações para vir ao Brasil em 2010: U2, Green Day e Roger Waters. É mole? /// Shows imperdíveis que eu vou perder semana que vem: o sensacional Dirty Projectors, com abertura do Holger, em SP (dia 2), o fenomenal Macaco Bong, no Festival Música Livre, em Vitória (dia 4). Choro ou não choro? Se alguém puder fazer diferente de mim, por favor, não perca.

Todo mundo tem que ouvir
E o Beach House lançou o disco do ano… de 2010. Sim, a dupla americana marcou o lançamento de “Teen Dream” para janeiro próximo, mas o disco vazou faz tempo. Já falei aqui que eu amo a internet?
É claro que estou me adiantando ao dar a ele o título de melhor do ano que vem, mas o que há de músicas bonitas neste terceiro lançamento da banda, sinceramente, não é fácil. Audição obrigatória.

Playlist
Passion Pit – Little Secrets
Holger – War
Arctic Monkeys – Cornerstone
Dirty Projectors – Stillness is the Move
Lulina – 13 de junho
Atlas Sound – Quick Canal
Otto – Crua
Animal Collective – I Think I Can
Banda Gentileza – Afinal de Contas
Norah Jones – Back To Manhattan

Escrito por Bruno Reis

dezembro 8, 2009 em 11:30 am

Publicado em Coluna B

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