Archive for Novembro 2009
Coluna B, dia 14/11
Atrasada, mas honesta. =)
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Doçura. Torpor. Olhos fechados. Sobrancelhas enrugadas. Sorrisos. Gritos. É com muita malícia que melodias assoviáveis e guitarras barulhentas se unem em torno de um só objetivo: cativar o ouvinte e trazê-lo para um universo onde todas essas coisas citadas anteriormente fazem um enorme sentido juntas.
Existem bandas que são especialistas em unir o rasgado de um riff cheio de fuzz com o fraseado temperado de um teclado. Tome, por obséquio, o exemplo dos dinamarqueses Sharin Foo e Sune Rose Wagner, que formam com muita desenvoltura o duo The Raveonettes. Seu mais novo disco, “In and Out of Control”, é uma viagem cosmopolita em torno de ausência e presença – no caso, de barulho. O casal mistura de maneira sensacional toques de pop, daqueles de dar inveja aos mais radiofônicos grupos do mainstream, a rajadas de barulho que fazem o Jesus and Mary Chain agradecer aos céus. E olha que isso não é pouco.
Em “In and Out of Control”, quinto disco do Raveonettes, tudo começa com a inacreditável “Bang!”, tão grudenta que é capaz de corromper para sempre a sua noção de música pop. “Suicide”, uma maravilha de fazer balançar a cabeça de um lado pro outro, e “Last Dance”, de irresistíveis teclados e refrão para se colocar em uma moldura, fazem com que essa vertente se escancare a ponto de engolir o incauto ouvinte. A barulheira fica por conta de “Heart of Stone” e “Boys Who Hape (Should All Be Destroyed)”, com ruídos permanentes cobrindo a fofura de suas melodias, e principalmente “Break Up Girls!”, que já se inicia com a faca na garganta, disparando uma metralhadora sonora de distorções para derrubar qualquer barreira – e o faz de forma quase poética. Há também a climática “D.R.U.G.S.”, com o potente jeitão anos 80 que faz do Raveonettes, e desse excelente “In and Out of Control”, algo para ser seriamente respeitado.
Por falar em doçura casada com barulheira, quem chega no mercado com disco novo é o esquisito e delicioso Friska Viljor. Esses dois suecos com cara de malucos, e músicas idem, já estão em seu terceiro álbum e trazem com este “For New Beginnings”, desculpe se estou sendo repetitivo, um verdadeiro recomeço. Após o não muito bem sucedido “Tour de Hearts” (2008), que não esteve à altura da ótima estreia, “Bravo” (2006), Daniel Johansson e Joakim Sveningsson retomaram o caminho tortuoso das belas composições e deram um tom mais folk ao som do Friska Viljor – sem perder o tino barulhento que lhes é peculiar desde sempre. Ah, claro, é preciso mencionar também que o disco foi gravado após ambos terem tomado fora de suas namoradas. Quem curte recomeços?
Fofices como “Die Die Die” (sim, apesar da letra algo raivosa, é uma música fofa), “Sunny Day” e “If I Die Now” ganham contornos quase surreais com as vozes inconfundíveis dos suecos e o violão que parece sempre tomar o tom certo para si sem dificuldade alguma. Enquanto “Hey You” busca inspiração nos barulhos clássicos do leste europeu para construir uma das mais divertidas faixas do disco (muito sopro, metais e cordas para quem quer ficar feliz num sábado à tarde), “I Want You” prefere pegar a melancolia do acordeon e casá-la aos timbres estranhos e belos tão usuais do Friska Viljor. “Lakes of Steep” passeia pelas guitarras para fugir um pouco da rotina, transformando-se na mais pop das canções de “For New Beginnings”. Para finalizar a análise, “Manwhore” ganha o prêmio de “melhor canção de coração quebrado e arrependido” desta temporada, com sua levada chorosa, ainda que ruidosa, e a letra que quase parte o coração. Aliás, nada mais emblemático para fechar esta coluna que une o doce ao amargo: a verdade agridoce de um arrependimento. Existe algo mais pop e caótico do que isso?
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Notinhas
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Metallica e quem?
Os shows do Metallica no país ficam cada dia mais claros. A última notícia, via blog Popload, é que a velha grande banda de metal toca em Janeiro, e a possibilidade de uma abertura da imensa Alice in Chains está de pé. Eu iria pelo Alice In Chains, mal aê.
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Novidades musicais
Duas bandas dessas de se ouvir sempre estão anunciando novidades. Primeiro foi o Yeasayer, que colocou na web algumas faixas (muito boas, aliás) de “Odd Blood”, segundo disco da carreira dos novaiorquinos. O álbum tem lançamento marcado para janeiro. O outro é o sempre interessante Hot Chip, que anunciou “One Night Stand”, disco novo, para fevereiro. E liberou na net a ótima faixa “Take It In”, que vale a pena ser procurada e escutada. Ah, e não esqueçam o disco novo da Norah Jones, “The Fall”, uma belezinha que em breve será assunto aqui na coluna e que já está nos melhores blogs de mp3 do mercado.
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O fim de semana passado
E sobre o fim de semana de festivais, em São Paulo, parece que a coisa foi mais ou menos assim: no Planeta Terra, gatinhas e gatões passeavam nos brinquedos do Playcenter ao som de trilha sonora feita ao vivo, enquanto no Maquinaria a diversão estava mesmo em cima do palco, com som alto e gritaria estourada. Foi isso mesmo?
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Todo mundo tem que ouvir
Juntar John Paul Jones (Led Zeppelin), Josh Homme (Queens of the Stone Age) e Dave Grohl (Foo Fighters e Nirvana) parece sacanagem. E é: Them Croocked Vultures é bom demais pra ser verdade.
Se você gosta de rock muito bem tocado, veloz, barulhento e com uma pegada setentista remodelada pelos dias atuais, “Them Croocked Vultures”, o disco, é o que você precisa ouvir agora.
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Playlist
Espers – The Pearl
Yeasayer – Ambling Alp
Norah Jones – You’ve Ruined Me
Inara George – Surprise
Atlas Sound – Washington School
Sondre Lerche – I Cannot Let You Go
Julian Casablancas – Glass
Pearl Jam – Just Breathe
Laura Jansen – Single Girls
Port O’Brien – Alive For Nothing
Ópio no Café
Texto novo (velho) na coluna da Revista Paradoxo. Aqui vai um trechinho:
(…) Abria e fechava os olhos observando bem à minha frente aqueles lindos cabelos loiros, que se derretiam pela testa fazendo uma leve volta ao se aproximarem das orelhas. Imaginava que tipo de olhos combinariam com aquele rosto angelical. Verdes? Azuis? Castanhos? Acreditava mais em um azul acinzentado, de pouco brilho, que talvez combinasse mais com as olheiras suaves que ela guardava em bolsas fofas embaixo das pálpebras encerradas. Arredondados, acinzentados, tristes, desesperançosos. Lindos. (…)
Quer ler tudo? Clica aqui que vai pra lá.
Lucky! dia 19/11

A LUCKY é alternativa. Nada contra o pop radiofônico que bomba na MTV todos os dias, mas tem hora que cansa. E é para esses momentos que a nova festa chegou. Música alternativa, novo rock, novo pop, novo e velho indie, o que importa aqui é que não há regras para seguir. Sim, a pista vai derreter, as pessoas vão dançar, mas não necessariamente com as faixas que estamos acostumados sempre. A ideia é não ter medo de mudar – e, se der SORTE, aquela música que você adora, mas que nunca toca nas festas, vai tocar aqui.
LUCKY!
Dia 19/11 (quinta-feira)
21h
Pin Up – Praia do Canto (na saída da ponte Ayrton Senna)
Entrada FREE – couvert $5 opcional
DJ residente: The Lebowskis
DJs convidados: Dani C., Rodorock


