Misquilinas

Um bocado de um tudo só

Archive for Setembro 2009

Os 10 discos da sua vida

com 3 comentários

Pra quem adora listas, essa é capaz de ser chamada “a lista definitiva”, de certa maneira. Vi no bacana blog Pop Candy essa chamada para que todos façam uma lista dos 10 discos que você mais gosta na sua vida. Cara, né fácil não. Comecei a pensar aqui e cheguei a uns 3 com certeza, mas parei por impossibilidade real e natural de fazer isso em pouco tempo.

Mas pergunto a quem quiser: se você tivesse que escolher apenas 10 discos pra ouvir pelo resto da vida, quais seriam eles? Eu continuarei pensando e em breve trago aqui a minha lista.

Escrito por Bruno Reis

Setembro 29, 2009 em 7:36 pm

Coluna B, dia 19/09

sem comentários

Música para a manhã seguinte
Se você está abrindo o jornal agora, fresquinho, em pleno sábado, adianto logo: esta é uma coluna para se ler amanhã de manhã. Talvez, se você tiver saído ontem e tomado todas, até valha a pena, porque hoje vamos falar sobre bandas para se ouvir no dia seguinte àquela festa que parece nunca ter acabado: boas para curtir uma ressaca. E o domingo, todo mundo sabe, é o dia internacional da ressaca. Dor de cabeça, mal-estar, boca seca e aquele gostinho de cabo de guarda-chuva. Quais os discos lançados ultimamente que melhor combinam com esse sentimento cachorro, mas tão presente na vida das pessoas? A Coluna B tem a resposta na ponta da língua.
De preferência, comece com a voz sedutora de Sarah Blasko. Essa cantora e compositora australiana, que completa 33 anos na semana que vem, é capaz de fazer você deixar pra trás aquela pontada contínua no crânio para curtir “As Day Follows Night”, terceiro álbum de sua carreira. E eu não ficaria apenas com a voz: as harmonias criadas por Blasko são deliciosas. A moça faz um indie pop muito delicado, com toques de jazz permeando as faixas, seja na bateria, seja no uso do piano. A balada matadora “Sleeper Awake”, sétima faixa do disco, é capaz de mostrar com bastante apuro o toque refinado da australiana. O vocal derrama-se pela faixa enquanto cordas e teclados fazem a ponte entre a melodia e o ritmo arrastado da bateria. Mesmo com a cabeça latejando e os olhos tentando a todo custo pular para fora das órbitas, escutar Sarah Blasko é como se nada disso estivesse acontecendo. Um remédio natural com faixas tão gostosas de se ouvir quanto “Night and Day”, as climáticas “All I Want” e “Is My Baby Yours” ou a beleza poética de “Bird On A Wire”. Mas não se esqueça de tomar bastante água para hidratar o organismo.
Dá pra escutar na música da banda Noah and the Whale os ecos de tudo o que esses ingleses escutaram durante anos. O vocal de Charlie Fink é grave, como se trouxesse de volta ao mundo um Ian Curtis de ressaca, cantando com a voz bem postada, mas sem se elevá-la demais para não doer a cabeça. O fato é que as referências, entre elas o pós-punk dos anos 80, o folk dos anos 70 e bandas mais recentes, como Neutral Milk Hotel e Belle & Sebastian, fazem o NATW soar como uma banda sem pressa, sem nervosismos, preocupada com o lirismo de suas canções. E nada melhor que isso quando temos um liquidificador no estômago pedindo para o dia acabar rápido. “The First Days of Spring”, segundo disco dos londrinos, traz algumas faixas que combinam muito bem com a melancolia da ressaca, aquela sensação de mal ter dormido e ainda ter acordado em um mundo que não é o seu. Enquanto “My Door Is Always Open” derrete a sua resistência com um violão, um vocal e uma guitarra de mesa, “Blue Skies” coloca a sua vida nos trilhos novamente com uma letra de chorar e melodias tão bem amarradas que a sensação é a de que ela foi feita especialmente pra você – principalmente se o motivo da sua bebedeira do dia anterior foi um fenomenal pé na bunda. Acredite, funciona.
Folk, aliás, é um estilo musical que combina muito bem com ressaca. É como tomar Coca-Cola ou Gatorade quando acorda, parece perfeito para a tristeza do momento. E o grupo espanhol Pájaro Sunrise é, possivelmente, o que lançou o melhor disco de folk este ano. E isso não é pouca coisa. Aliás, nada no Pájaro Sunrise é pouca coisa: a banda lançou este ano “Done/Undone”, o segundo da carreira, e já foi logo metendo um álbum duplo. De um lado, “Done”, doce, criado em cima de melodias finas e dedilhados de violão acompanhados de uma ou outra percussão, um sopro aqui, uma corda ali. Lúdico. Do outro lado, “Undone”, que segue a mesmíssima linha, mas traz letras um pouco diferentes. Além do folk, o pop está sempre presente nas músicas da banda, como o indelével clima hip hop da suingada “Something Else” ou na belíssima “Young and Free”, que tem uma veia country e um teclado sessentista de tirar o fôlego. Mas é mesmo o folk, tão amigo da maldita e indisfarçável ressaca, quem toma conta das ações em “Done/Undone”.
Tal qual um bom antiácido, à melhor maneira de uma ótima noite de sono, assim como uma garrafa de água de coco geladinha, os novos discos de Pájaro Sunrise, Sarah Blasko e Noah and the Whale são ótimos antídotos para a ressaca. Se não curá-la, pelo menos suas canções vão fazer com que essas horas terríveis tenham alguns momentos de prazer. Mas, veja bem, se você não bebe, nunca teve ressaca na vida e não está entendendo bem do que estou falando, não tem problema. Esses belos discos servem direitinho para você também.
Notinhas
Franz Ferdinand
Tá uma loucura só essa vinda do Franz Ferdinand ao Brasil. Os caras, convidados pela MTV para tocar no VMB 2009, vão fazer também uma apresentação na boate The Week, em São Paulo, para cerca de 1000 pessoas – dessas, apenas 500 ingressos foram colocados à venda na última quinta (e esgotaram em questão de minutos, diga-se de passagem), o resto saiu em sorteio e promoção. O preço dos que foram à venda: 260 contos. Mas, assumo, eu acho que vale. Diz se você não queria ser um desses sortudos?
Lançamentos que não dá pra perder
Tem coisa boa chegando na praça. O Cribs lançou “Ignore the Ignorant”, disco que vai bem nas vendas na Europa e, digo logo, vale conferir. O Vampíre Weekend, por sua vez, já avisou que “Contra”, seu segundo disco, chega às lojas só em janeiro, mas não dou dois meses pra cair na nossa mão. Sobre o “Declaration of Dependence”, do Kings of Convenience, eu já falei aqui, né? Sai em outubro. E o “Backspacer”, do Pearl Jam, e o “The Resistance”, do Muse, que já foram baixados por este colunista, devem ser assunto em breve. Mas o lançamento imperdível da semana fica por conta de Laura Jansen. A holandesa que mora na Califórnia lança “Bells”, seu primeiro disco depois dos ótimos EPs “Single Girls” e “Trauma”.
De graça
Se é música de graça que você quer, é isso que você vai ter. Pelo menos é o que pensam Billy Corgan, aquele que é o único remanescente original do Smashing Pumpkins, e o Monsters of Folk, bacanudo projeto que junta Mike Mogis, Conor Oberst, Jim James e M. Ward. Corgan anunciou que vai liberar pra download, de pouquinho em pouquinho e a partir de outubro, nada menos que 44 novas faixas de sua banda. Já o disco homônimo do MOF está lá no MySpace deles, bonitinho e todo liberado pra quem quiser. Corre lá.
Todo mundo tem que ouvir
O Pearl Jam voltou. A banda que fez parte do movimento grunge (mas hoje está mais para o rock n’ roll à lá Springsteen) lança semana que vem “Backspacer”, mas o álbum já repousa nos HDs do mundo faz alguns dias.
Um disco da banda de Eddie Vedder sempre vale a audição – mesmo que seja ligeiramente inconstante, como este novo. Mas só a lindíssima “Just Breathe”, que entra fácil entre as mais belas baladas da banda, já vale o download.
Playlist
Dan Mangan – Set the Sails
Mika – Touches You
Pearl Jam – Just Breathe
Joan as Police Woman – Whatever You Like
Massive Attack – Pray For Rain
The Twilight Sad – That Birthday Present
Florence and the Machine – Girl With One Eye
The Clean – Simple Fix
Natalie Prass – A Good Man
The Postmarks – The Girl From Algenib

Música para a manhã seguinte

Se você está abrindo o jornal agora, fresquinho, em pleno sábado, adianto logo: esta é uma coluna para se ler amanhã de manhã. Talvez, se você tiver saído ontem e tomado todas, até valha a pena, porque hoje vamos falar sobre bandas para se ouvir no dia seguinte àquela festa que parece nunca ter acabado: boas para curtir uma ressaca. E o domingo, todo mundo sabe, é o dia internacional da ressaca. Dor de cabeça, mal-estar, boca seca e aquele gostinho de cabo de guarda-chuva. Quais os discos lançados ultimamente que melhor combinam com esse sentimento cachorro, mas tão presente na vida das pessoas? A Coluna B tem a resposta na ponta da língua.

De preferência, comece com a voz sedutora de Sarah Blasko. Essa cantora e compositora australiana, que completa 33 anos na semana que vem, é capaz de fazer você deixar pra trás aquela pontada contínua no crânio para curtir “As Day Follows Night”, terceiro álbum de sua carreira. E eu não ficaria apenas com a voz: as harmonias criadas por Blasko são deliciosas. A moça faz um indie pop muito delicado, com toques de jazz permeando as faixas, seja na bateria, seja no uso do piano. A balada matadora “Sleeper Awake”, sétima faixa do disco, é capaz de mostrar com bastante apuro o toque refinado da australiana. O vocal derrama-se pela faixa enquanto cordas e teclados fazem a ponte entre a melodia e o ritmo arrastado da bateria. Mesmo com a cabeça latejando e os olhos tentando a todo custo pular para fora das órbitas, escutar Sarah Blasko é como se nada disso estivesse acontecendo. Um remédio natural com faixas tão gostosas de se ouvir quanto “Night and Day”, as climáticas “All I Want” e “Is My Baby Yours” ou a beleza poética de “Bird On A Wire”. Mas não se esqueça de tomar bastante água para hidratar o organismo.

Dá pra escutar na música da banda Noah and the Whale os ecos de tudo o que esses ingleses escutaram durante anos. O vocal de Charlie Fink é grave, como se trouxesse de volta ao mundo um Ian Curtis de ressaca, cantando com a voz bem postada, mas sem se elevá-la demais para não doer a cabeça. O fato é que as referências, entre elas o pós-punk dos anos 80, o folk dos anos 70 e bandas mais recentes, como Neutral Milk Hotel e Belle & Sebastian, fazem o NATW soar como uma banda sem pressa, sem nervosismos, preocupada com o lirismo de suas canções. E nada melhor que isso quando temos um liquidificador no estômago pedindo para o dia acabar rápido. “The First Days of Spring”, segundo disco dos londrinos, traz algumas faixas que combinam muito bem com a melancolia da ressaca, aquela sensação de mal ter dormido e ainda ter acordado em um mundo que não é o seu. Enquanto “My Door Is Always Open” derrete a sua resistência com um violão, um vocal e uma guitarra de mesa, “Blue Skies” coloca a sua vida nos trilhos novamente com uma letra de chorar e melodias tão bem amarradas que a sensação é a de que ela foi feita especialmente pra você – principalmente se o motivo da sua bebedeira do dia anterior foi um fenomenal pé na bunda. Acredite, funciona.

Folk, aliás, é um estilo musical que combina muito bem com ressaca. É como tomar Coca-Cola ou Gatorade quando acorda, parece perfeito para a tristeza do momento. E o grupo espanhol Pájaro Sunrise é, possivelmente, o que lançou o melhor disco de folk este ano. E isso não é pouca coisa. Aliás, nada no Pájaro Sunrise é pouca coisa: a banda lançou este ano “Done/Undone”, o segundo da carreira, e já foi logo metendo um álbum duplo. De um lado, “Done”, doce, criado em cima de melodias finas e dedilhados de violão acompanhados de uma ou outra percussão, um sopro aqui, uma corda ali. Lúdico. Do outro lado, “Undone”, que segue a mesmíssima linha, mas traz letras um pouco diferentes. Além do folk, o pop está sempre presente nas músicas da banda, como o indelével clima hip hop da suingada “Something Else” ou na belíssima “Young and Free”, que tem uma veia country e um teclado sessentista de tirar o fôlego. Mas é mesmo o folk, tão amigo da maldita e indisfarçável ressaca, quem toma conta das ações em “Done/Undone”.

Tal qual um bom antiácido, à melhor maneira de uma ótima noite de sono, assim como uma garrafa de água de coco geladinha, os novos discos de Pájaro Sunrise, Sarah Blasko e Noah and the Whale são ótimos antídotos para a ressaca. Se não curá-la, pelo menos suas canções vão fazer com que essas horas terríveis tenham alguns momentos de prazer. Mas, veja bem, se você não bebe, nunca teve ressaca na vida e não está entendendo bem do que estou falando, não tem problema. Esses belos discos servem direitinho para você também.

Notinhas

Franz Ferdinand

Tá uma loucura só essa vinda do Franz Ferdinand ao Brasil. Os caras, convidados pela MTV para tocar no VMB 2009, vão fazer também uma apresentação na boate The Week, em São Paulo, para cerca de 1000 pessoas – dessas, apenas 500 ingressos foram colocados à venda na última quinta (e esgotaram em questão de minutos, diga-se de passagem), o resto saiu em sorteio e promoção. O preço dos que foram à venda: 260 contos. Mas, assumo, eu acho que vale. Diz se você não queria ser um desses sortudos?

Lançamentos que não dá pra perder

Tem coisa boa chegando na praça. O Cribs lançou “Ignore the Ignorant”, disco que vai bem nas vendas na Europa e, digo logo, vale conferir. O Vampíre Weekend, por sua vez, já avisou que “Contra”, seu segundo disco, chega às lojas só em janeiro, mas não dou dois meses pra cair na nossa mão. Sobre o “Declaration of Dependence”, do Kings of Convenience, eu já falei aqui, né? Sai em outubro. E o “Backspacer”, do Pearl Jam, e o “The Resistance”, do Muse, que já foram baixados por este colunista, devem ser assunto em breve. Mas o lançamento imperdível da semana fica por conta de Laura Jansen. A holandesa que mora na Califórnia lança “Bells”, seu primeiro disco depois dos ótimos EPs “Single Girls” e “Trauma”.

De graça

Se é música de graça que você quer, é isso que você vai ter. Pelo menos é o que pensam Billy Corgan, aquele que é o único remanescente original do Smashing Pumpkins, e o Monsters of Folk, bacanudo projeto que junta Mike Mogis, Conor Oberst, Jim James e M. Ward. Corgan anunciou que vai liberar pra download, de pouquinho em pouquinho e a partir de outubro, nada menos que 44 novas faixas de sua banda. Já o disco homônimo do MOF está lá no MySpace deles, bonitinho e todo liberado pra quem quiser. Corre lá.

Todo mundo tem que ouvir

O Pearl Jam voltou. A banda que fez parte do movimento grunge (mas hoje está mais para o rock n’ roll à lá Springsteen) lança semana que vem “Backspacer”, mas o álbum já repousa nos HDs do mundo faz alguns dias.

Um disco da banda de Eddie Vedder sempre vale a audição – mesmo que seja ligeiramente inconstante, como este novo. Mas só a lindíssima “Just Breathe”, que entra fácil entre as mais belas baladas da banda, já vale o download.

Playlist

Dan Mangan – Set the Sails

Mika – Touches You

Pearl Jam – Just Breathe

Joan as Police Woman – Whatever You Like

Massive Attack – Pray For Rain

The Twilight Sad – That Birthday Present

Florence and the Machine – Girl With One Eye

The Clean – Simple Fix

Natalie Prass – A Good Man

The Postmarks – The Girl From Algenib

Escrito por Bruno Reis

Setembro 23, 2009 em 11:24 pm

Publicado em Coluna B

Ópio no Café da semana

sem comentários

A crônica desta semana é sobre o antirromantismo das comédias românticas. Veja um trecho:

“Estou sentado na confortável cadeira de um grande cinema da cidade. Aquela tela enorme brilha no meu rosto como uma nave interestelar que chega ao nosso planeta propondo a presença de uma nova realidade. Uma realidade alternativa, para ser franco. Mas o filme que estou assistindo não é de ficção científica – pelo contrário. Neste novo mundo proposto pela nave-mãe das fantasias, as pessoas se amam e se odeiam com muita facilidade, mudam de opinião e de vida num piscar de olhos e são capazes das maiores idiotices por causa de um sentimento (ok, deste mal digamos que o nosso mundo também sofra vez ou outra). A cada três cenas, ouço um suspiro em coro por causa deste filme. A cada cinco sequências, alguém ao meu lado diz, “ta vendo, ele nunca fez isso por mim”. A cada piscar de olhos, uma nova viagem é realizada e deixa sequelas nas pessoas que estão vidradas na telona. Eu estou assistindo a uma comédia romântica.”

Quer ler o texto completo? Vá até a coluna Ópio no Café, da Revista Paradoxo.

Escrito por Bruno Reis

Setembro 23, 2009 em 3:25 pm

Publicado em conto, cotidiano, crônica

Coluna B, dia 12/09

com um comentário

Quase esqueço de postar a coluna por aqui essa semana. Aí vai.

Sondre Lerche, o impressionante
Um artista impressionante é aquele de quem você espera tudo, e mesmo assim ele consegue te surpreender. Por mais que você o conheça, saiba bastante de sua carreira, o admire por tudo que fez, ainda assim ele dá um novo passo e te deixa ali, procurando pelas pistas que deixou passar. Apenas impressionado. Em sua não tão longa carreira, mas deveras proveitosa e cheia de grandes feitos, Sondre Lerche conseguiu surpreender seus mais fieis seguidores com discos que sempre fugiam do comum. Em “Heartbeat Radio”, o quinto álbum de sua carreira, é claro que isso acontece de novo.
Sorte a nossa. Para variar, a surpresa é boa. Lerche começou sua carreira aos 14 anos, tocando no clube em que sua irmã trabalhava, e por volta dessa mesma idade começou a compor. Considerado um prodígio, o menino norueguês logo foi alçado à condição de grande músico com o disco de estreia, o fantástico “Faces Down”, de 2001. Aos 19 anos, tornou-se uma estrela em seu país e ganhou manchetes pelo mundo com um som de lamber os beiços, misturando influências do pop sessentista com tons oitentistas, o tropicalismo brasileiro, arranjos acústicos e um senso de melodia perceptivelmente especial. As faixas “Modern Nature” e “No One’s Gonna Come”, sensacionais, são provas cabais da capacidade do artista de ir além.
O que se segue é história, e das boas. Lerche lançou no começo de 2004 o incrível “Two Way Monologue”, ousando mais nos arranjos e mandando algumas faixas diretamente para os anais da música pop dos anos 2000 – tais como “It’s Over”, “Track You Down”, “Stupid Memory” e “It’s Our Job”. No trabalho seguinte, ele formou uma banda (The Faces Down Quartet) e se saiu com um disco de jazz à lá Sinatra. Não há quem não tenha se impressionado com a capacidade do cantor de se reinventar, ainda que este álbum não esteja entre os grandes de sua carreira. E, para quem achava que a partir de 2006 o negócio era ser mais suave, no ano seguinte o agressivo – e adorável – “Phantom Punch” (que traz as maravilhosas “Tragic Mirror” e “The Tape”) fez o cantor, radicado atualmente em Nova Iorque, enfiar mais uma reviravolta no movimentado roteiro de sua carreira.
Ninguém sabia o que esperar de “Heartbeat Radio”, só se tinha em mente que estaria ali mais um disco de Sondre Lerche – alguma surpresa. Após passar pelo folk pop, pelo acid jazz e pelo proto-punk com desenvoltura ímpar, o cantor e compositor colocou no bolso tudo que já tinha visto, ouvido e feito, balançou, jogou pra cima, matou no peito e tirou da cartola mais um trabalho marcante. Agora, pode-se dizer que o pop sinfônico adentra a já extensa gama de estilos que Lerche domina com precisão, mas o disco traz muito mais do que isso. Trata-se de uma seleção bastante abrangente de sons, utilizando todos os tipos de música que ele produziu nesses quase 10 anos de carreira, com baladas certeiras, refrões mágicos e passagens sublimes.
“Heartbeat Radio”, ainda que seja lotado de grandes canções, não consegue superar os dois primeiros disco do artista. Mas chega bem perto quando mostra o quanto pode ser eclético com faixas como a animada “If Only”, ornamentada com percussão e batidas de hip hop entre as entradas de melodias pop perfeitas; a balada minimalista “Pioneer”, um presente construído no violão que a influência dos Beatles deixou para Lerche; “Don’t Look Now”, com um gingado sensacional e a presença de violinos ensandecidos; “Goodnight”, outra balada bem bonita, desta vez mais clássica e arranjadas com cordas de todos os tipos. Cada faixa traz uma particularidade que deixa óbvio o cuidado do compositor com sua obra, desde a introdução, passando por versos, pontes, refrão e encerramento: “Good Luck”, que abre o disco, é um exemplo bastante fiel desse cuidado.
Também fica fácil descobrir em “Heartbeat Radio” um certo desejo de Sondre Lerche: homenagear seus mestres. “Easy To Persuade” tem um pezinho nos anos 80, com aquela pegada que o A-HA tornou clássica. “I Cannot Let You Go” e “Words & Music” tem o cheiro do indefectível charuto de Elvis Costello espalhado por elas. “I Guess It’s Gonna Rain Today” tem o DNA do Beach Boys impresso nas notas, na levada e nas cordas muito bem colocadas desse lindo pop sinfônico. Sabendo quem são os mestres do cara fica até difícil dizer que a gente ainda consegue se impressionar com a qualidade inquestionável de Sondre Lerche. É certo que, com uma formação dessas, ele vai sempre se sair com algo mais bonito e mais bem feito do que a maioria. E olha que, como eu mesmo disse, “Heartbeat Radio” nem é o melhor disco do norueguês. Mas é uma bela peça para quem quer escutar música de qualidade e exercitar a capacidade de se surpreender sempre.
Notinhas
Planeta Terra: finalmente, algo de bom?
Quem lê essa coluna com alguma regularidade sabe que eu não tava nem um pouco animado com o Planeta Terra Festival desse ano. O desânimo de não ter grandes atrações tomava conta de mim. Mas, essa semana, um luz surgiu no fim do túnel. Há fortíssimas especulações de que Kings of Leon e Yeah Yeah Yeahs estejam acertados para o festival. Até o fechamento dessa coluna nada tinha sido divulgado oficialmente, mas o blog Popload, que costuma ter fontes seguras, bancava os dois ao lado das novas últimas confirmações, Sonic Youth e Patrick Wolf. Aí, sim, o Planeta Terra começa a valer a pena. E lembre-se: os ingressos já estão sendo vendidos.
Várias
O incrível projeto Rain Down (radioheadraindown.blogspot.com), onde um rapaz de 22 anos recriou todo o show paulista do Radiohead utilizando vídeos do YouTube, já está disponível pra download. /// O resultado do Mercury Prize desse ano foi surpreendente: a nem um pouco badalada Speech Debelle, rapper britânica, ficou com o trofeuzinho despachando os comentadíssimos Florence + The Machine, Horrors, Kasabian, La Roux, Bat For Lashes, entre outros. /// “IRM” é o nome do disco que une Charlotte Gainsbourg e Beck. Diferente do que se pensa, não é um disco da filha de Serge produzido pelo rapaz: é um álbum em dupla. /// No começo de outubro, disco novo do Editors já vai estar triscando as prateleiras. Fique ligado. /// Você viu os novos iPods? Fiquei feliz com o nano com câmera de vídeo, mas ainda mais feliz com a volta do iPod Classic 160Gb. Vou querer um! /// Quem pinta no Brasil em outubro é o Prodigy. Olá, anos 90. Quanto tempo!
Todo mundo tem que ouvir
O Leaves, desconhecida banda da Islândia de quem não me canso de falar, é possivelmente o grupo mais injustiçado do mundo. Mas há uma nova chance: “We Are Shadows”, o novo disco.
É verdade que a banda não repete a qualidade extra-terrena de “Breathe”, seu indescritível primeiro disco, mas consegue belos resultados com faixas em que elevam o rock a novas plataformas. Ouça agora.
Playlist
Ramona Falls – Melectric
The Fiery Furnaces – Cut the Cake
The XX – VCR
Simian Mobile Disco – Synthesise
The Hoosiers – Killer
Bibio – Fire Ant
Blue Roses – Doubtful Comforts
Hope Sandoval & The Warm Inventions – Satellite
Epic45 – We Were Never Here
The Big Pink – She’s No Sense

Sondre Lerche, o impressionante

Um artista impressionante é aquele de quem você espera tudo, e mesmo assim ele consegue te surpreender. Por mais que você o conheça, saiba bastante de sua carreira, o admire por tudo que fez, ainda assim ele dá um novo passo e te deixa ali, procurando pelas pistas que deixou passar. Apenas impressionado. Em sua não tão longa carreira, mas deveras proveitosa e cheia de grandes feitos, Sondre Lerche conseguiu surpreender seus mais fieis seguidores com discos que sempre fugiam do comum. Em “Heartbeat Radio”, o quinto álbum de sua carreira, é claro que isso acontece de novo.

Sorte a nossa. Para variar, a surpresa é boa. Lerche começou sua carreira aos 14 anos, tocando no clube em que sua irmã trabalhava, e por volta dessa mesma idade começou a compor. Considerado um prodígio, o menino norueguês logo foi alçado à condição de grande músico com o disco de estreia, o fantástico “Faces Down”, de 2001. Aos 19 anos, tornou-se uma estrela em seu país e ganhou manchetes pelo mundo com um som de lamber os beiços, misturando influências do pop sessentista com tons oitentistas, o tropicalismo brasileiro, arranjos acústicos e um senso de melodia perceptivelmente especial. As faixas “Modern Nature” e “No One’s Gonna Come”, sensacionais, são provas cabais da capacidade do artista de ir além.

O que se segue é história, e das boas. Lerche lançou no começo de 2004 o incrível “Two Way Monologue”, ousando mais nos arranjos e mandando algumas faixas diretamente para os anais da música pop dos anos 2000 – tais como “It’s Over”, “Track You Down”, “Stupid Memory” e “It’s Our Job”. No trabalho seguinte, ele formou uma banda (The Faces Down Quartet) e se saiu com um disco de jazz à lá Sinatra. Não há quem não tenha se impressionado com a capacidade do cantor de se reinventar, ainda que este álbum não esteja entre os grandes de sua carreira. E, para quem achava que a partir de 2006 o negócio era ser mais suave, no ano seguinte o agressivo – e adorável – “Phantom Punch” (que traz as maravilhosas “Tragic Mirror” e “The Tape”) fez o cantor, radicado atualmente em Nova Iorque, enfiar mais uma reviravolta no movimentado roteiro de sua carreira.

Ninguém sabia o que esperar de “Heartbeat Radio”, só se tinha em mente que estaria ali mais um disco de Sondre Lerche – alguma surpresa. Após passar pelo folk pop, pelo acid jazz e pelo proto-punk com desenvoltura ímpar, o cantor e compositor colocou no bolso tudo que já tinha visto, ouvido e feito, balançou, jogou pra cima, matou no peito e tirou da cartola mais um trabalho marcante. Agora, pode-se dizer que o pop sinfônico adentra a já extensa gama de estilos que Lerche domina com precisão, mas o disco traz muito mais do que isso. Trata-se de uma seleção bastante abrangente de sons, utilizando todos os tipos de música que ele produziu nesses quase 10 anos de carreira, com baladas certeiras, refrões mágicos e passagens sublimes.

“Heartbeat Radio”, ainda que seja lotado de grandes canções, não consegue superar os dois primeiros disco do artista. Mas chega bem perto quando mostra o quanto pode ser eclético com faixas como a animada “If Only”, ornamentada com percussão e batidas de hip hop entre as entradas de melodias pop perfeitas; a balada minimalista “Pioneer”, um presente construído no violão que a influência dos Beatles deixou para Lerche; “Don’t Look Now”, com um gingado sensacional e a presença de violinos ensandecidos; “Goodnight”, outra balada bem bonita, desta vez mais clássica e arranjadas com cordas de todos os tipos. Cada faixa traz uma particularidade que deixa óbvio o cuidado do compositor com sua obra, desde a introdução, passando por versos, pontes, refrão e encerramento: “Good Luck”, que abre o disco, é um exemplo bastante fiel desse cuidado.

Também fica fácil descobrir em “Heartbeat Radio” um certo desejo de Sondre Lerche: homenagear seus mestres. “Easy To Persuade” tem um pezinho nos anos 80, com aquela pegada que o A-HA tornou clássica. “I Cannot Let You Go” e “Words & Music” tem o cheiro do indefectível charuto de Elvis Costello espalhado por elas. “I Guess It’s Gonna Rain Today” tem o DNA do Beach Boys impresso nas notas, na levada e nas cordas muito bem colocadas desse lindo pop sinfônico. Sabendo quem são os mestres do cara fica até difícil dizer que a gente ainda consegue se impressionar com a qualidade inquestionável de Sondre Lerche. É certo que, com uma formação dessas, ele vai sempre se sair com algo mais bonito e mais bem feito do que a maioria. E olha que, como eu mesmo disse, “Heartbeat Radio” nem é o melhor disco do norueguês. Mas é uma bela peça para quem quer escutar música de qualidade e exercitar a capacidade de se surpreender sempre.
Notinhas

Planeta Terra: finalmente, algo de bom?

Quem lê essa coluna com alguma regularidade sabe que eu não tava nem um pouco animado com o Planeta Terra Festival desse ano. O desânimo de não ter grandes atrações tomava conta de mim. Mas, essa semana, um luz surgiu no fim do túnel. Há fortíssimas especulações de que Kings of Leon e Yeah Yeah Yeahs estejam acertados para o festival. Até o fechamento dessa coluna nada tinha sido divulgado oficialmente, mas o blog Popload, que costuma ter fontes seguras, bancava os dois ao lado das novas últimas confirmações, Sonic Youth e Patrick Wolf. Aí, sim, o Planeta Terra começa a valer a pena. E lembre-se: os ingressos já estão sendo vendidos.

Várias

O incrível projeto Rain Down (radioheadraindown.blogspot.com), onde um rapaz de 22 anos recriou todo o show paulista do Radiohead utilizando vídeos do YouTube, já está disponível pra download. /// O resultado do Mercury Prize desse ano foi surpreendente: a nem um pouco badalada Speech Debelle, rapper britânica, ficou com o trofeuzinho despachando os comentadíssimos Florence + The Machine, Horrors, Kasabian, La Roux, Bat For Lashes, entre outros. /// “IRM” é o nome do disco que une Charlotte Gainsbourg e Beck. Diferente do que se pensa, não é um disco da filha de Serge produzido pelo rapaz: é um álbum em dupla. /// No começo de outubro, disco novo do Editors já vai estar triscando as prateleiras. Fique ligado. /// Você viu os novos iPods? Fiquei feliz com o nano com câmera de vídeo, mas ainda mais feliz com a volta do iPod Classic 160Gb. Vou querer um! /// Quem pinta no Brasil em outubro é o Prodigy. Olá, anos 90. Quanto tempo!

Todo mundo tem que ouvir

O Leaves, desconhecida banda da Islândia de quem não me canso de falar, é possivelmente o grupo mais injustiçado do mundo. Mas há uma nova chance: “We Are Shadows”, o novo disco.

É verdade que a banda não repete a qualidade extra-terrena de “Breathe”, seu indescritível primeiro disco, mas consegue belos resultados com faixas em que elevam o rock a novas plataformas. Ouça agora.

Playlist

Ramona Falls – Melectric

The Fiery Furnaces – Cut the Cake

The XX – VCR

Simian Mobile Disco – Synthesise

The Hoosiers – Killer

Bibio – Fire Ant

Blue Roses – Doubtful Comforts

Hope Sandoval & The Warm Inventions – Satellite

Epic45 – We Were Never Here

The Big Pink – She’s No Sense

Escrito por Bruno Reis

Setembro 17, 2009 em 2:42 pm

Publicado em Coluna B

Ópio

sem comentários

Mais uma coluna Ópio no Café. Desta vez, sobre a infância. Leia aqui.

Escrito por Bruno Reis

Setembro 16, 2009 em 12:45 pm

Publicado em Coluna B

Coluna B, dia 05/09

sem comentários

Reinventando-se… aos 20
Para falar sobre a novíssima banda The XX é preciso que se diga como é incrível a capacidade dessa molecada britânica de se reinventar assim, de uma hora pra outra, usando as referências mais improváveis e chegando a um som que não se ouve todos os dias. À primeira vista pode parecer algo normal, talvez você já tenha escutado isso antes, qualquer coisa parecida com uma batida suave, linhas de baixo simples, mas indefectíveis, melodias dissonantes se encontrando e algumas vozes sobrevoando a equação. Ok, eles são tudo isso, mas são muito mais. São dois meninos e duas meninas que vão além. Estão todos naquela idade em que faz parte da diversão ser esquisito e fazer barulho, mas que preferem mesmo escrever letras sobre sexo, amor e perdas, e fazer canções lindas de morrer.
E é justamente a tal velocidade devagar, quase parando, que dá ao XX uma qualidade incrível em suas canções. Não é nada fácil fazer música minimalista, mas que soa completa, lotada de sons, significados e momentos grandiosos. Jamie Smith, Romy Madley Croft, Baria Qureshi e Oliver Sim dão em seu MySpace uma lista curiosa e variada de influências para a música que fazem. A simples leitura de nomes como Aaliyah, Rihanna, Justin Timberlake e Mariah Carey certamente não dão uma dimensão exata de como o R&B está inserido no que fazem – é fácil percebê-lo lá, mas apenas quando lemos os outros nomes que os influenciam, como Pixies, CocoRosie, The Cure e The Kills, é que notamos o quanto essa salada dá certo.
O primeiro álbum do XX acabou de ser lançado pelo selo Young Turks, agora em agosto, e também recebeu essas duas letras como nome: “XX”. Trata-se de um disco com a sensualidade da noite encravada no seu âmago, com batidas preguiçosas esparramadas pelas músicas como lençóis de seda que se deixam envolver pela cama que cobriram na noite anterior. Pode-se dizer que o som possui algo de pretensioso, e é exatamente isso que ele deve ser: a trilha sonora de quem pretende alguma coisa. Não há bateria analógica, apenas programações rodadas em cima de camadas deliciosas de baixo, teclados e guitarras, completadas com as vozes suaves e nem um pouco apressadas de Oliver e Romy. Os quatro, aliás, estudaram na Elliot School, um colégio de artes que fica no sul de Londres e onde integrantes do Burial, Hot Chip e outros grupos proeminentes da Inglaterra também frequentavam aulas.
Da curtinha e quase toda instrumental “Intro”, faixa que dá início à viagem do XX, até “Stars”, canção que a fecha lindamente, tudo é um deleite para os ouvidos. Não estranhe se, ao final deste ano, “XX” aparecer encabeçando listas de melhores do ano. A briga está boa, e os moleques de Londres têm grandes chances de se dar bem. Não é lá tão difícil quando se tem pelo menos seis hits irresistíveis dentro de um disco de 12 canções de tirar o fôlego. O ritmo hipnótico de “Basic Space” parece parte da desconstrução de uma faixa de R&B. Ela começa com batida que lembram até o Miami Bass ou o funk carioca, mas tão reduzidas, tão subliminares ao lado das vozes masculinas e femininas, que quando o lindo refrão entra a gente já está completamente dentro da música.
Outra faixa campeã desde a primeira audição é “Crystalised”. Aqui, é a simplicidade constante dos arranjos e a viagem de dois vocais cantando letras diferentes que fazem com que ela se destaque desse mar de grandes canções que é “XX”. Já na maravilhosa “Islands”, o charme da levada pop a torna possivelmente a faixa mais acessível de um disco que nunca se deixa levar pela sedutora ideia de fazer músicas difíceis, quase intocáveis. A voz de Romy, tão lânguida em “infinity”, soa incrivelmente perfeita sobre a batida arrastada e minimalista da faixa. Quando a voz de Oliver entra na música, forma-se um diálogo apimentado entre a estrutura toda quebrada da faixa e os vocais sóbrios, uma mistura que se sai simplesmente fantástica quando a faixa entra em um crescendo no final.
Tanto a indispensável “VCR” quanto a empolgante “Nigh Time” e a fatal “Shelter” possuem características que mostram uma personalidade indecifrável, mas extremamente marcante. A delicadeza das canções é tanta que mesmo as batidas mais pesadas parecem apenas cuidadosos petelecos, com o detalhe de serem lindas e tão bem postadas que você se pergunta se The XX é mesmo uma banda iniciante, lançando seu primeiro álbum enquanto seus integrantes acabam de completar 20 aninhos de idade. O que acontece com esses jovens britânicos? De onde eles tiram a inspiração para, mesmo tão cedo, terem a capacidade de lançar um álbum tão maduro e acachapante quanto este? Se você souber a resposta, por favor, guarde com você. É melhor que essas perguntas continuem apenas retóricas. Sabe como é, em time que está ganhando não se mexe. E bandas como o XX, atualmente, estão dando de goleada.
Notinhas
Várias variadas
Uma semana de muitas notícias ruins, outras confusas e algumas boas no mundo da cultura pop e da música alternativa. Pra começar, o Noel briga com o Liam mais uma vez e os irmãos Gallagher destroçam o Oasis, uma das bandas mais importantes do século passado. Ainda não se sabe se o grupo acabou de vez, mas está separado. Eu já estou animado pro disco solo do Noel, que pra mim é dois terços da banda. Enquanto isso, a revista Época causava discórdia ao receber com um exagero de mau humor a notícia de que a banda Móveis Coloniais de Acaju inventou uma falsa revolta na história do Brasil pra justificar o nome da banda. Ora… calma lá, pessoal. Se fosse assim, mentirinhas clássicas, como a morte de Paul McCartney ou o que o Ozzy comia nos palcos todos os shows, nunca poderiam ter existido.
Aí vem o Planeta Terra Festival e anuncia mais algumas atrações pra edição deste ano: Metronomy, Maximo Park, o produtor francês Ettiene de Crecy e EX!. Metronomy é legal, mas não empolga. O Maximo Park tem um primeiro disco sensacional, e dois outros meia-bocas. O produtor francês eu não conheço e essa EX!, que é nacional, não se encontra nem no MySpace. Gente, aonde esse Planeta Terra 2009 vai parar? Mas, de última hora, eis que, via blog Popload, surge a possibilidade de dois grandes grupos darem um charme mais irresistível ao festival: Snow Patrol e Sonic Youth. Veremos. Ao final, pelo menos o Thom Yorke, sempre ele, salva um pouco a semana ao anunciar lançamento de single com duas faixas inéditas, “The Hollow Earth” e “FeelingPulledApartbyHorses”. O lançamento acontece no dia 21 deste mês.
Todo mundo tem que ouvir
Sondre Lerche, um dos meus artistas preferidos de todos os tempos, é um norueguês que mora no Brooklyn e completa hoje, 5 de setembro, 27 anos. Como se isso não bastasse, seu quinto disco, “Heartbeat Radio”, já caiu na rede.
Mais uma vez, Lerche ousou fugir de rótulos e pré-concepções  para criar um disco de pop sinfônico, criativo e de belas passagens. Certamente não é o melhor álbum do artista, mas vale, e muito, a audição cuidadosa.
Playlist
Simian Mobile Disco – Bad Blood
Venus Volt – In Gold We Trust
Tiny Vipers – Eyes Like Ours
Girls – Big Bad Mean Mother Fucker
The Cave Singers – I Don’t Mind
Jennie Sadler – It’s Gone
Borrowed Beams of Light – You Have a Sun
Julian Plenti – Madrid Song
Leaves – The Painting
The Clean – The Factory Man

Reinventando-se… aos 20

Para falar sobre a novíssima banda The XX é preciso que se diga como é incrível a capacidade dessa molecada britânica de se reinventar assim, de uma hora pra outra, usando as referências mais improváveis e chegando a um som que não se ouve todos os dias. À primeira vista pode parecer algo normal, talvez você já tenha escutado isso antes, qualquer coisa parecida com uma batida suave, linhas de baixo simples, mas indefectíveis, melodias dissonantes se encontrando e algumas vozes sobrevoando a equação. Ok, eles são tudo isso, mas são muito mais. São dois meninos e duas meninas que vão além. Estão todos naquela idade em que faz parte da diversão ser esquisito e fazer barulho, mas que preferem mesmo escrever letras sobre sexo, amor e perdas, e fazer canções lindas de morrer.

E é justamente a tal velocidade devagar, quase parando, que dá ao XX uma qualidade incrível em suas canções. Não é nada fácil fazer música minimalista, mas que soa completa, lotada de sons, significados e momentos grandiosos. Jamie Smith, Romy Madley Croft, Baria Qureshi e Oliver Sim dão em seu MySpace uma lista curiosa e variada de influências para a música que fazem. A simples leitura de nomes como Aaliyah, Rihanna, Justin Timberlake e Mariah Carey certamente não dão uma dimensão exata de como o R&B está inserido no que fazem – é fácil percebê-lo lá, mas apenas quando lemos os outros nomes que os influenciam, como Pixies, CocoRosie, The Cure e The Kills, é que notamos o quanto essa salada dá certo.

O primeiro álbum do XX acabou de ser lançado pelo selo Young Turks, agora em agosto, e também recebeu essas duas letras como nome: “XX”. Trata-se de um disco com a sensualidade da noite encravada no seu âmago, com batidas preguiçosas esparramadas pelas músicas como lençóis de seda que se deixam envolver pela cama que cobriram na noite anterior. Pode-se dizer que o som possui algo de pretensioso, e é exatamente isso que ele deve ser: a trilha sonora de quem pretende alguma coisa. Não há bateria analógica, apenas programações rodadas em cima de camadas deliciosas de baixo, teclados e guitarras, completadas com as vozes suaves e nem um pouco apressadas de Oliver e Romy. Os quatro, aliás, estudaram na Elliot School, um colégio de artes que fica no sul de Londres e onde integrantes do Burial, Hot Chip e outros grupos proeminentes da Inglaterra também frequentavam aulas.

Da curtinha e quase toda instrumental “Intro”, faixa que dá início à viagem do XX, até “Stars”, canção que a fecha lindamente, tudo é um deleite para os ouvidos. Não estranhe se, ao final deste ano, “XX” aparecer encabeçando listas de melhores do ano. A briga está boa, e os moleques de Londres têm grandes chances de se dar bem. Não é lá tão difícil quando se tem pelo menos seis hits irresistíveis dentro de um disco de 12 canções de tirar o fôlego. O ritmo hipnótico de “Basic Space” parece parte da desconstrução de uma faixa de R&B. Ela começa com batida que lembram até o Miami Bass ou o funk carioca, mas tão reduzidas, tão subliminares ao lado das vozes masculinas e femininas, que quando o lindo refrão entra a gente já está completamente dentro da música.

Outra faixa campeã desde a primeira audição é “Crystalised”. Aqui, é a simplicidade constante dos arranjos e a viagem de dois vocais cantando letras diferentes que fazem com que ela se destaque desse mar de grandes canções que é “XX”. Já na maravilhosa “Islands”, o charme da levada pop a torna possivelmente a faixa mais acessível de um disco que nunca se deixa levar pela sedutora ideia de fazer músicas difíceis, quase intocáveis. A voz de Romy, tão lânguida em “infinity”, soa incrivelmente perfeita sobre a batida arrastada e minimalista da faixa. Quando a voz de Oliver entra na música, forma-se um diálogo apimentado entre a estrutura toda quebrada da faixa e os vocais sóbrios, uma mistura que se sai simplesmente fantástica quando a faixa entra em um crescendo no final.

Tanto a indispensável “VCR” quanto a empolgante “Nigh Time” e a fatal “Shelter” possuem características que mostram uma personalidade indecifrável, mas extremamente marcante. A delicadeza das canções é tanta que mesmo as batidas mais pesadas parecem apenas cuidadosos petelecos, com o detalhe de serem lindas e tão bem postadas que você se pergunta se The XX é mesmo uma banda iniciante, lançando seu primeiro álbum enquanto seus integrantes acabam de completar 20 aninhos de idade. O que acontece com esses jovens britânicos? De onde eles tiram a inspiração para, mesmo tão cedo, terem a capacidade de lançar um álbum tão maduro e acachapante quanto este? Se você souber a resposta, por favor, guarde com você. É melhor que essas perguntas continuem apenas retóricas. Sabe como é, em time que está ganhando não se mexe. E bandas como o XX, atualmente, estão dando de goleada.

Notinhas

Várias variadas

Uma semana de muitas notícias ruins, outras confusas e algumas boas no mundo da cultura pop e da música alternativa. Pra começar, o Noel briga com o Liam mais uma vez e os irmãos Gallagher destroçam o Oasis, uma das bandas mais importantes do século passado. Ainda não se sabe se o grupo acabou de vez, mas está separado. Eu já estou animado pro disco solo do Noel, que pra mim é dois terços da banda. Enquanto isso, a revista Época causava discórdia ao receber com um exagero de mau humor a notícia de que a banda Móveis Coloniais de Acaju inventou uma falsa revolta na história do Brasil pra justificar o nome da banda. Ora… calma lá, pessoal. Se fosse assim, mentirinhas clássicas, como a morte de Paul McCartney ou o que o Ozzy comia nos palcos todos os shows, nunca poderiam ter existido.

Aí vem o Planeta Terra Festival e anuncia mais algumas atrações pra edição deste ano: Metronomy, Maximo Park, o produtor francês Ettiene de Crecy e EX!. Metronomy é legal, mas não empolga. O Maximo Park tem um primeiro disco sensacional, e dois outros meia-bocas. O produtor francês eu não conheço e essa EX!, que é nacional, não se encontra nem no MySpace. Gente, aonde esse Planeta Terra 2009 vai parar? Mas, de última hora, eis que, via blog Popload, surge a possibilidade de dois grandes grupos darem um charme mais irresistível ao festival: Snow Patrol e Sonic Youth. Veremos. Ao final, pelo menos o Thom Yorke, sempre ele, salva um pouco a semana ao anunciar lançamento de single com duas faixas inéditas, “The Hollow Earth” e “FeelingPulledApartbyHorses”. O lançamento acontece no dia 21 deste mês.

Todo mundo tem que ouvir

Sondre Lerche, um dos meus artistas preferidos de todos os tempos, é um norueguês que mora no Brooklyn e completa hoje, 5 de setembro, 27 anos. Como se isso não bastasse, seu quinto disco, “Heartbeat Radio”, já caiu na rede.

Mais uma vez, Lerche ousou fugir de rótulos e pré-concepções  para criar um disco de pop sinfônico, criativo e de belas passagens. Certamente não é o melhor álbum do artista, mas vale, e muito, a audição cuidadosa.

Playlist

Simian Mobile Disco – Bad Blood

Venus Volt – In Gold We Trust

Tiny Vipers – Eyes Like Ours

Girls – Big Bad Mean Mother Fucker

The Cave Singers – I Don’t Mind

Jennie Sadler – It’s Gone

Borrowed Beams of Light – You Have a Sun

Julian Plenti – Madrid Song

Leaves – The Painting

The Clean – The Factory Man

Escrito por Bruno Reis

Setembro 10, 2009 em 11:37 am

Publicado em Coluna B

Ópio inédito

sem comentários

Mais uma coluna inédita na Revista Paradoxo. Dá uma olhada nessa aqui.

Escrito por Bruno Reis

Setembro 9, 2009 em 11:47 am

Publicado em conto, crônica

Projeto Rain Down

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Para quem não sabe, o resultado final do maravilhoso projeto Rain Down, desenvolvido na cara e na coragem pelo Andrews FG, já está disponível pra download. É coisa finíssima, de emocionar profundamente a quem esteve presente no último 22 de março à Chácara do Jockey, em São Paulo, para o maior show de um artista internacional na História do Brasil. Ver todo o show assim, pelos olhos do público, com as imagens tremidas, as mãos que passam voando pelo seu campo de visão, os gritos de êxtase dos espectadores ao seu lado, é a mais próxima experiência a ir ao show do Radiohead.

Aqui está o trailer.

Sério, alguém tem que canonizar esse Andrews. Talvez, apesar de toda a repercussão que esse trabalho tem gerado desde que começou, ele não tenha a noção de como as pessoas que viram o show se sentem ao assistir novamente tudo aquilo. Só posso agradecer.

Escrito por Bruno Reis

Setembro 8, 2009 em 4:15 pm

Publicado em coisas da internet, música

Ópio no Café

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Novo post, coluna nova, velhas mulheres: clica lá.

Escrito por Bruno Reis

Setembro 2, 2009 em 2:02 pm

Publicado em conto, crônica

Coluna B, 29/08

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Os Esquecidos
Um dia, um lançamento deles foi algo realmente grande, que balançava muita gente. Já lotaram arenas, já foram eleitos a salvação do rock, já foram a última gota de criatividade da música alternativa. Mas alguma coisa mudou. Fala-se tão pouco nos últimos discos de Wilco, The Mars Volta e Nouvelle Vague que a sensação é a de que eles nem colocaram na praça nenhum novo trabalho nos últimos meses. Pior: dá a sensação de que essas bandas perderam boa parte de sua sedenta turba de fãs, outrora tão presentes. Teriam eles sido esquecidos?
A Coluna B pensa que não. E, na verdade, tem até um certo cuidado ao dizer isso, porque a gente sabe que não se brinca com fãs dessas bandas – principalmente os do Wilco, tão ciumentos que são. Os três grupos possuem uma base sólida de seguidores, sempre dispostos a defender seus músicos preferidos. Mas a gente precisa dizer a verdade: o grande problema com essas bandas hoje é que nenhuma delas lançou o seu melhor disco em 2009. Não que sejam discos ruins, e realmente não são, mas estão aquém do que já foi produzido em outras épocas.
O Mars Volta, que surgiu como uma dissidência da incensada At The Drive-in, teve seu grande momento logo na estreia. O discaço de 2003, “De-Loused In The Comatorium”, inesquecível, arrebatou completamente quem curte rock alternativo. Hoje, no álbum “Octahedron”, lançado em junho, as estruturas enlouquecidas ainda estão lá. As letras esquisitas, os recursos de percussão e as guitarras arranhadas também – as últimas, agora convivem com o violão. A repetição eterna de arranjos e as músicas com mais de sete minutos também sobreviveram. O fato é que este álbum, apesar de trazer boas baladas como “Since We’ve Been Wrong” e “With Twilight As My Guide”, além de faixas mais rápidas com arranjos inspirados, como “Desperate Graves”, não consegue ir além do que já fez, e bem, nos dois primeiros discos. A sensação é de que algo faltou, aquele gostinho extra. Ainda assim, é preciso que se diga: “Octahedron” consegue ser melhor que os últimos dois discos, quase impossíveis de se ouvir, dessa dupla de malucos.
Projeto encabeçado pelos franceses Marc Collin e Olivier Libaux, o Nouvelle Vague só faz covers. A brincadeira da turma é pegar uma pá de músicas conhecidas, geralmente destaques das cenas punk, pós-punk e new wave, e transformar em algo próximo a uma bossa nova respirando ares dos anos 2000. O projeto começou em 2004, sempre recebendo grandes convidados e críticas positivas. O primeiro disco estourou com covers em lenta rotação de faixas como “Too Drunk To Fuck” e “Love Will Tear Us Apart”; o segundo trazia versões em bossa nova de “Dancing With Myself” e “Bela Lugosi’s Dead”. Já “3″, o terceiro lançamento do Nouvelle Vague, faz versões gostosas de “God Save The Queen”, “The American” e “Road To Nowhere”, dá uma cara mais suave a “Say Hello, Wave Goodbye” do Soft Cell e uma deliciosa roupagem folk a “Our Lips Are Sealed”, do The Go Go’s. Mas decepciona em outras faixas, manchando as características do Nouvelle Vague e tornando “3″ um disco bom, mas algo irregular.
Para o seu sétimo disco de estúdio, o Wilco deu uma aliviada na barra. A começar por uma brincadeira simpática com a primeira faixa do trabalho: ela se chama “Wilco (The Song)”, não por acaso o mesmo nome do álbum, “Wilco (The Album)”, e, obviamente ainda mais não por acaso, da banda. Esse é apenas um exemplo de como os americanos vieram mais leves para este novo lançamento. Talvez seja por isso que “Wilco”, apesar de ser muito bom e da banda ter fervorosos seguidores, não tenha se tornado um assunto recorrente no mundo musical desde seu lançamento, em junho. Essa leveza pode não ter agradado tanto quanto a faceta mais dark da banda, de letras melancólicas sobre perdas e saudades insuportáveis. Mas há belíssimas composições neste disco novo, e que merecem, sim, serem escutadas e lembradas. A exultante combinação de violão e piano em “You Never Know” conquista de primeira, assim como a deliciosa “I’ll Fight”, que gruda sem dó na cabeça de quem a escuta uma vez só. Mas, ao final, fico me perguntando: se alguém realmente se esqueceu de “Wilco”, o disco do Wilco que começa com aquela música, “Wilco”, tá precisando tomar um remédio para memória.
Notinhas
Surpresinha
Primeiro o Arctic Monkeys anunciou um show surpresa no Brixton Academy, em Londres, e os cinco mil fãs tiveram uns 15 minutos para comprar e esgotar tudo. Depois, um dia antes da apresentação, que rolou na última quarta, disseram quem seria a banda de abertura: ninguém menos que o Them Crooked Vultures. Os caras tocaram nove músicas, e colocaram abaixo o local, antes do Acrtic Monkeys terminar de destruir tudo com seu novo show. Segundo o site da revista Rolling Stone, a noite foi histórica. Nem precisava dizer.
A guerra dos festivais
Tudo está mais claro agora. O Festival Maquinaria rola nos dias 7 e 8 de novembro, com a presença já garantida de Faith No More, Jane’s Addiction e Deftones. O Planeta Terra Festival, também no dia 7, já anunciou oficialmente Primal Scream, The Ting Tings, N.A.S.A., Copacabana Club, Móveis Coloniais de Acaju e Macaco Bong, mas juram que ainda faltam mais quatro atrações. Ambos em São Paulo, claro. E no mesmo dia, como você já percebeu. Mas, quer saber? Pra mim, nenhum dos dois pode receber aquele carimbo de “imperdível”. Faith No More certamente é um showzaço, The Ting Tings pode animar a galera, mas não basta. N.A.S.A. deve ser divertido e Jane’s Addiction e Primal Scream são grandes bandas, mas falta alguma coisa. Já o Deftones, pra mim, já passou. E as bandas nacionais, todas ótimas, podem ser vistas facilmente em outras oportunidades. Das duas, uma: ou trazem um par de bandas imperdíveis de verdade para cada um dos festivais (pelo menos pro Terra), ou vamos dar um jeito de unir esses dois eventos em um só. Aí, sim, pode dar samba.
Todo mundo tem que ouvir
Londrinos, todos com menos de 20 anos. Dois meninos, duas meninas, vocais se revezando em letras que mostram, mais ou menos como o som, a beleza que está inserida diretamente na tristeza.
Falo do Xx, banda que lançou agora em agosto seu disco de estreia, “Xx”. Para não falar demais, apenas digo: você precisa ouvir um dos discos mais bonitos deste ano. Corre.
Playlist
Neil Young – Ohio
Sondre Lerche – Goodnight
Taken By Trees – Anna
Radiohead – There There
Sian Alice Group – Longstrakt
Passion Pit – Sleepyhead
Sally Shapiro – Dying in Africa

The Decemberists – We Both

Go Down Together

The Dodos – Fools
Pearl Jam – Supersonic

Vez ou outra me perguntam porque o texto da coluna que coloco aqui é um pouco diferente da que sai no jornal. A resposta pode ser óbvia pra algumas pessoas, mas pra outras é bom que se explique: este é o texto original, o que sai no jornal recebe os cortes e edições do editor do Caderno 2. Beleza?


Os Esquecidos

Um dia, um lançamento deles foi algo realmente grande, que balançava muita gente. Já lotaram arenas, já foram eleitos a salvação do rock, já foram a última gota de criatividade da música alternativa. Mas alguma coisa mudou. Fala-se tão pouco nos últimos discos de Wilco, The Mars Volta e Nouvelle Vague que a sensação é a de que eles nem colocaram na praça nenhum novo trabalho nos últimos meses. Pior: dá a sensação de que essas bandas perderam boa parte de sua sedenta turba de fãs, outrora tão presentes. Teriam eles sido esquecidos?

A Coluna B pensa que não. E, na verdade, tem até um certo cuidado ao dizer isso, porque a gente sabe que não se brinca com fãs dessas bandas – principalmente os do Wilco, tão ciumentos que são. Os três grupos possuem uma base sólida de seguidores, sempre dispostos a defender seus músicos preferidos. Mas a gente precisa dizer a verdade: o grande problema com essas bandas hoje é que nenhuma delas lançou o seu melhor disco em 2009. Não que sejam discos ruins, e realmente não são, mas estão aquém do que já foi produzido em outras épocas.

O Mars Volta, que surgiu como uma dissidência da incensada At The Drive-in, teve seu grande momento logo na estreia. O discaço de 2003, “De-Loused In The Comatorium”, inesquecível, arrebatou completamente quem curte rock alternativo. Hoje, no álbum “Octahedron”, lançado em junho, as estruturas enlouquecidas ainda estão lá. As letras esquisitas, os recursos de percussão e as guitarras arranhadas também – as últimas, agora convivem com o violão. A repetição eterna de arranjos e as músicas com mais de sete minutos também sobreviveram. O fato é que este álbum, apesar de trazer boas baladas como “Since We’ve Been Wrong” e “With Twilight As My Guide”, além de faixas mais rápidas com arranjos inspirados, como “Desperate Graves”, não consegue ir além do que já fez, e bem, nos dois primeiros discos. A sensação é de que algo faltou, aquele gostinho extra. Ainda assim, é preciso que se diga: “Octahedron” consegue ser melhor que os últimos dois discos, quase impossíveis de se ouvir, dessa dupla de malucos.

Projeto encabeçado pelos franceses Marc Collin e Olivier Libaux, o Nouvelle Vague só faz covers. A brincadeira da turma é pegar uma pá de músicas conhecidas, geralmente destaques das cenas punk, pós-punk e new wave, e transformar em algo próximo a uma bossa nova respirando ares dos anos 2000. O projeto começou em 2004, sempre recebendo grandes convidados e críticas positivas. O primeiro disco estourou com covers em lenta rotação de faixas como “Too Drunk To Fuck” e “Love Will Tear Us Apart”; o segundo trazia versões em bossa nova de “Dancing With Myself” e “Bela Lugosi’s Dead”. Já “3″, o terceiro lançamento do Nouvelle Vague, faz versões gostosas de “God Save The Queen”, “The American” e “Road To Nowhere”, dá uma cara mais suave a “Say Hello, Wave Goodbye” do Soft Cell e uma deliciosa roupagem folk a “Our Lips Are Sealed”, do The Go Go’s. Mas decepciona em outras faixas, manchando as características do Nouvelle Vague e tornando “3″ um disco bom, mas algo irregular.

Para o seu sétimo disco de estúdio, o Wilco deu uma aliviada na barra. A começar por uma brincadeira simpática com a primeira faixa do trabalho: ela se chama “Wilco (The Song)”, não por acaso o mesmo nome do álbum, “Wilco (The Album)”, e, obviamente ainda mais não por acaso, da banda. Esse é apenas um exemplo de como os americanos vieram mais leves para este novo lançamento. Talvez seja por isso que “Wilco”, apesar de ser muito bom e da banda ter fervorosos seguidores, não tenha se tornado um assunto recorrente no mundo musical desde seu lançamento, em junho. Essa leveza pode não ter agradado tanto quanto a faceta mais dark da banda, de letras melancólicas sobre perdas e saudades insuportáveis. Mas há belíssimas composições neste disco novo, e que merecem, sim, serem escutadas e lembradas. A exultante combinação de violão e piano em “You Never Know” conquista de primeira, assim como a deliciosa “I’ll Fight”, que gruda sem dó na cabeça de quem a escuta uma vez só. Mas, ao final, fico me perguntando: se alguém realmente se esqueceu de “Wilco”, o disco do Wilco que começa com aquela música, “Wilco”, tá precisando tomar um remédio para memória.

Notinhas

Surpresinha

Primeiro o Arctic Monkeys anunciou um show surpresa no Brixton Academy, em Londres, e os cinco mil fãs tiveram uns 15 minutos para comprar e esgotar tudo. Depois, um dia antes da apresentação, que rolou na última quarta, disseram quem seria a banda de abertura: ninguém menos que o Them Crooked Vultures. Os caras tocaram nove músicas, e colocaram abaixo o local, antes do Acrtic Monkeys terminar de destruir tudo com seu novo show. Segundo o site da revista Rolling Stone, a noite foi histórica. Nem precisava dizer.

A guerra dos festivais

Tudo está mais claro agora. O Festival Maquinaria rola nos dias 7 e 8 de novembro, com a presença já garantida de Faith No More, Jane’s Addiction e Deftones. O Planeta Terra Festival, também no dia 7, já anunciou oficialmente Primal Scream, The Ting Tings, N.A.S.A., Copacabana Club, Móveis Coloniais de Acaju e Macaco Bong, mas juram que ainda faltam mais quatro atrações. Ambos em São Paulo, claro. E no mesmo dia, como você já percebeu. Mas, quer saber? Pra mim, nenhum dos dois pode receber aquele carimbo de “imperdível”. Faith No More certamente é um showzaço, The Ting Tings pode animar a galera, mas não basta. N.A.S.A. deve ser divertido e Jane’s Addiction e Primal Scream são grandes bandas, mas falta alguma coisa. Já o Deftones, pra mim, já passou. E as bandas nacionais, todas ótimas, podem ser vistas facilmente em outras oportunidades. Das duas, uma: ou trazem um par de bandas imperdíveis de verdade para cada um dos festivais (pelo menos pro Terra), ou vamos dar um jeito de unir esses dois eventos em um só. Aí, sim, pode dar samba.

Todo mundo tem que ouvir

Londrinos, todos com menos de 20 anos. Dois meninos, duas meninas, vocais se revezando em letras que mostram, mais ou menos como o som, a beleza que está inserida diretamente na tristeza.

Falo do Xx, banda que lançou agora em agosto seu disco de estreia, “Xx”. Para não falar demais, apenas digo: você precisa ouvir um dos discos mais bonitos deste ano. Corre.

Playlist

Neil Young – Ohio

Sondre Lerche – Goodnight

Taken By Trees – Anna

Radiohead – There There

Sian Alice Group – Longstrakt

Passion Pit – Sleepyhead

Sally Shapiro – Dying in Africa

The Decemberists – We Both Go Down Together

The Dodos – Fools

Pearl Jam – Supersonic

Escrito por Bruno Reis

Setembro 2, 2009 em 1:59 pm

Publicado em Coluna B