Misquilinas

Um bocado de um tudo só

Archive for Agosto 2009

O fim do Oasis?

com um comentário

Enquanto os brasileiros se preocupavam com a origem do nome da banda Móveis Coloniais de Acaju (que diferença faz se inventaram uma historinha pro nome? que saco!), o Noel Gallagher dava a seguinte notícia pelo site do Oasis:

“It’s with some sadness and great relief to tell you that I quit Oasis tonight. People will write and say what they like, but I simply could not go on working with Liam a day longer.
“Apologies to all the people who bought tickets for the shows in Paris, Konstanz and Milan.”

Noel Gallagher

Será mesmo o fim do Oasis? É, porque Oasis sem Noel não existe. Ele é o grande compositor da banda, além de ter a voz melhor que a do Liam – pra mim, um grande frontman de banda de rock, mas ao mesmo tempo um presepeiro de marca maior.

Pelo jeito, os dois irmãos donos da banda se desentenderam minutos antes de subir no palco do Rock in Seine, festival francês bacanudo. Alguns minutos depois, foi anunciado que eles não subiriam mais no palco e que o show estava definitivamente cancelado. Mais alguns poucos minutos e chega via site do Oasis essa declaração do Noel. Que triste.

Agora, esperemos os próximos capítulos dessa novela, transmitida ao vivo via Twitter.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 28, 2009 em 8:02 pm

Publicado em Coluna B, música

À Deriva

com um comentário

Normalmente, escrever sobre filmes, pra mim, não é uma obrigação. É quase um passatempo, não ganho nada colocando no papel meus pensamentos em relação a nenhuma obra cinematográfica. Aliás, ganho apenas a sensação de poder expressar o que aquele filme me trouxe – e isso já é o bastante.

Nesses tempos em que o Outernative está desativado não tenho feito nenhum review dos filmes que vejo, e olha que ando tendo o cinema como uma segunda casa, por este ou aquele motivo – cinema pra mim sempre foi mais do que duas horas de diversão, é alívio do dia-a-dia, claro, mas é também arte, sentimento, beleza, ideias e ideais. E tem sido um grande companheiro de uma solidão totalmente necessária e bem-vinda nos tempos atuais.

Mas, voltando ao assunto inicial, escrever sobre filmes nunca foi uma obrigação, mas há filmes em que o nó na garganta é tão bem construído que apenas se dissolve quando as palavras começam a se empilhar em um espaço em branco. São nesses filmes que sinto a obrigação de escrever alguma coisa, qualquer coisa que coloque pra fora o oceano de sensações que enfrentei e degluti há pouco mais de uma hora.

“À Deriva” é desses filmes. E é daqueles em que a beleza é tão grande, tão presente em praticamente todas as tomadas, que fica difícil analisá-lo como um filme – vem a mim muito mais como uma obra de arte, um quadro que te faz paralisar os movimentos instantaneamente. O cenário deslumbrante de Búzios ajuda muito. A fotografia amarelada de Ricardo Della Rosa, com aquela cor esvoaçante de pôr-do-sol tomando o filme de assalto, é de perder o fôlego. A câmera de Heitor Dhalia, sempre mostrando muito mais do que a gente poderia supor, entrega de bandeja uma história linda, um roteiro tão bem amarrado quanto cuidadoso com detalhes mínimos. Há que se reverenciar também a trilha sonora original de Antonio Pinto, com peças que nos afogam em um caudaloso mar de melancolia e beleza, e um universo amplamente escorado no impressionante figurino de Alexandre Herchcovitch.

É um retrato em sépia colorido dos anos 80 das descobertas, das incertezas, das possibilidades que não se realizam, das novas medidas tomadas, da preocupação, das vontades inalcançáveis, dos tapas na cara, do começo do fim. E o mar de Búzios se esparramando pela tela, quase como um personagem à parte, enchendo de maresia vidas que pareciam perfeitas, intocáveis. O brilho do sol nunca foi tão quente como em “À Deriva”. Em cada quadro quente, a cada mergulho no mar azul, em cada fio de barba mal feita, em cada gota de suor, em cada cubo de gelo no copo de uísque, em cada fio de cabelo que repousa nas costas da amante, a cada cheiro de novidade nos beijos e abraços adolescentes, em cada grão de areia e gota de água salgada, um agradecimento pela sensibilidade tocante do diretor e roteirista Heitor Dhalia.

Obrigado por nos mostrar tanta beleza em um mundo tão tomado de feiúras.
Obrigado por me dar de presente um dos filmes mais bonitos que já vi.
Obrigado por “À Deriva”.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 28, 2009 em 12:08 am

Publicado em cinema, crônica

Them Crooked Vultures

sem comentários

Os caras que estão fazendo o rock pesado respirar novamente.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 27, 2009 em 11:37 pm

Publicado em música

Ópio

sem comentários

Algumas mulheres na coluna de hoje: clicou?

Escrito por Bruno Reis

Agosto 26, 2009 em 3:04 pm

Publicado em conto, crônica

Coluna B, dia 22/08

sem comentários

Encurtando barreiras
A internet e seu poder de fazer as pessoas se sentirem mais perto uma da outra – apesar de, na verdade, manter a distância cada vez maior entre elas – faz com que Alemanha, Indonésia e Noruega pareçam tão próximas daqui quanto Cachoeiro é de Vitória. Em poucos cliques, bandas de lugares com pouca tradição musical estão tocando no seu fone de ouvido, em alguns casos utilizando idiomas que não conhecemos. Nada que a linguagem universal da música, dos tons, das melodias e das batidas, não consiga suplantar com tranquilidade.
Para a nossa sorte, muitas dessas bandas escolhem o inglês, um idioma universal, para expressar seus sentimentos. A gente agradece, mas tem um charme com qualquer coisa de especial escutar as músicas do Mikroboy, grupo alemão de indie rock, que usa detalhes eletrônicos e melodias pop para conquistar os ouvintes. É um pouco complicado achar grandes informações em inglês sobre a banda, que parece não querer se desfazer do alemão de jeito nenhum, mas dá para sacar fácil que “Nennt es, wie Ihr Wollt” é o disco de estreia deste talentoso quarteto de Berlim liderado por Michi Ludes e Anneli Bentler.
Já no MySpace dos caras, antes de qualquer coisa, dá pra ver de onde tiram as boas influências de sua música: The Notwist para as pitadas de eletrônico no rock, Cardigans para as melodias de fácil assimilação, Oasis para a pegada marcante e Broken Social Scene para o lado indie da banda. Dá até vontade de aprender alemão ouvindo o Mikroboy. Enquanto isso não acontece, passo para uma dupla que poderia ser a versão de Sandy e Júnior para a Indonésia – claro, se eles fossem extremamente chatos, algo que certamente não são. Endah N Rhesa cantam em inglês, usam o blues, o folk e o pop acústico como plataformas principais e dão inveja a qualquer outra dupla musical.
Além de tudo, ainda há que se perguntar: quantos artistas da Indonésia você conhece? A nacionalidade pouco usual não deixa de ser um charme para a dupla, que usa apenas violões e baixo em suas músicas, além de uma sensível voz feminina. Nem precisava de mais do que isso. Ouvindo as faixas tão bem acabadas e bonitas de “Nowhere To Go”, primeiro disco do casal de Jacarta que foi gravado em 2005 mas só saiu mesmo para o resto do mundo no ano passado, nota-se que as influências de John Frusciante, Norah Jones e John Mayer, acusadas pelo MySpace deles, é palpável. A balada “Blue Day”, a blueseira feliz “Baby It’s You” ou a pop rasgada “I Don’t Remember”, uma das poucas que se deixa encaixar em uma batida eletrônica suave, são marcantes. Das onze faixas do disco, não há uma em que não se note a qualidade musical da dupla da Indonésia. Repito: da Indonésia.
Já em Oslo, na Noruega, nasceu uma outra dupla, capaz de fazer frente ao Endah N Rhesa. A vocalista também tem a voz de derreter corações, além de ser linda. Mas os arranjos são muito mais cheios, com o clássico guitarra-baixo-bateria-teclado fazendo um som tão pop e tão bem armado que chega a ser difícil imaginar que o casal Eva e Thomas demoraram tanto tempo para surgirem à tona. Provavelmente ainda não foram descobertos porque seu disco de estreia, o ótimo “Let’s Keep This Up Forever”, só vai ser lançado oficialmente no final de setembro – apesar de já ter vazado há meses.
Não me admira que as influências principais do Eva & the Heartmaker envolvam Cardigans (de novo, eles), Beatles, Raconteurs e Radiohead, bandas especialistas toda a vida em melodias inacreditavelmente pegajosas e bonitas – cada um a seu modo, claro. Mas Eva e Thomas também não se fecham em apenas um estilo. Há o rock de guitarras cheias de efeitos em “Possible Escape Possible Mistake”, há baladas fofas como “Mississipi” e “Life Still Goes On” e pop dançante em “Charming Sexy”, “Superhero” e “Please!”. Com o lançamento de “Let’s Keep This Up Forever”, Eva & the Heartmaker estão preparados para dominar o mundo. Seja lá o que isso significa neste mundo encurtado pela internet e seus poderes intermináveis.
Notinhas
Aniversário da Coluna B
Não esqueçam: hoje, a partir das 22h, no Teacher’s Pub (Praia do Canto), vai rolar a festa de aniversário da coluna. Nas carrapetas, Rodo Rock abre a festa. Logo depois, à 0h, eu entro para tocar um bocado do que eu falo por aqui. Depois, DJake Harper, meu companheiro de Lebowskis, ferve a pista para a entrada de André Paste, o prodígio dos mashups. Pra fechar a noite, Rike, aquele que tudo toca. E espero encontrar todos os sorteados com o ingresso VIP – eles já receberam a resposta em seus e-mails.
Shows no Brasil
Vê se pode: os maiores dois festivais do segundo semestre brasileiro, pelo menos até agora, vão acontecer no mesmo dia! É isso mesmo. O Maquinária, que vai trazer o reunido Faith No More, vai acontecer no dia 7 de novembro, mesmo dia em que ocorrerá o Planeta Terra Festival (que não deve mais ter o Yeah Yeah Yeahs, infelizmente). E agora, em qual você vai?
Músicas novas
Além do Radiohead, que lançou oficialmente a faixa “These Are My Twisted Words” essa semana, apesar dela ter vazado há dias, o Bad Lieutenant, dos ex-New Order, e o Weezer colocaram na rede suas novas faixas. Todas elas merecem ser ouvidas com atenção.
Todo mundo tem que ouvir
Já que falamos de bandas fora do eixo Inglaterra-EUA, a espanhola Pájaro Sunrise merece destaque. Afinal, não é toda banda que, em seu segundo lançamento da carreira, já manda um disco duplo fantástico.
“Done/Undone” é embebido em uma beleza campestre, com fraseados folk espalhados por um clima pop de beira de rio, fogueira e amigos reunidos. Aquela leve melancolia que a gente tanto ama. Ouça agora.
Playlist
New Look – Future Times
Ramona Falls – Clover
Nevershoutnever! – Simple Enough
Hope Sandoval & The Warm Inventions – Sets The Blaze
The Cave Singers – VV
XX – Basic Space
Naive New Beaters – Live Good
Wild Beasts – All The King’s Men
Arctic Monkeys – Dangerous Animals
Black Drawing Chalks – Rising Sun In Purple Sky Morning

Encurtando barreiras

A internet e seu poder de fazer as pessoas se sentirem mais perto uma da outra – apesar de, na verdade, manter a distância cada vez maior entre elas – faz com que Alemanha, Indonésia e Noruega pareçam tão próximas daqui quanto Cachoeiro é de Vitória. Em poucos cliques, bandas de lugares com pouca tradição musical estão tocando no seu fone de ouvido, em alguns casos utilizando idiomas que não conhecemos. Nada que a linguagem universal da música, dos tons, das melodias e das batidas, não consiga suplantar com tranquilidade.

Para a nossa sorte, muitas dessas bandas escolhem o inglês, um idioma universal, para expressar seus sentimentos. A gente agradece, mas tem um charme com qualquer coisa de especial escutar as músicas do Mikroboy, grupo alemão de indie rock, que usa detalhes eletrônicos e melodias pop para conquistar os ouvintes. É um pouco complicado achar grandes informações em inglês sobre a banda, que parece não querer se desfazer do alemão de jeito nenhum, mas dá para sacar fácil que “Nennt es, wie Ihr Wollt” é o disco de estreia deste talentoso quarteto de Berlim liderado por Michi Ludes e Anneli Bentler.

Já no MySpace dos caras, antes de qualquer coisa, dá pra ver de onde tiram as boas influências de sua música: The Notwist para as pitadas de eletrônico no rock, Cardigans para as melodias de fácil assimilação, Oasis para a pegada marcante e Broken Social Scene para o lado indie da banda. Dá até vontade de aprender alemão ouvindo o Mikroboy. Enquanto isso não acontece, passo para uma dupla que poderia ser a versão de Sandy e Júnior para a Indonésia – claro, se eles fossem extremamente chatos, algo que certamente não são. Endah N Rhesa cantam em inglês, usam o blues, o folk e o pop acústico como plataformas principais e dão inveja a qualquer outra dupla musical.

Além de tudo, ainda há que se perguntar: quantos artistas da Indonésia você conhece? A nacionalidade pouco usual não deixa de ser um charme para a dupla, que usa apenas violões e baixo em suas músicas, além de uma sensível voz feminina. Nem precisava de mais do que isso. Ouvindo as faixas tão bem acabadas e bonitas de “Nowhere To Go”, primeiro disco do casal de Jacarta que foi gravado em 2005 mas só saiu mesmo para o resto do mundo no ano passado, nota-se que as influências de John Frusciante, Norah Jones e John Mayer, acusadas pelo MySpace deles, é palpável. A balada “Blue Day”, a blueseira feliz “Baby It’s You” ou a pop rasgada “I Don’t Remember”, uma das poucas que se deixa encaixar em uma batida eletrônica suave, são marcantes. Das onze faixas do disco, não há uma em que não se note a qualidade musical da dupla da Indonésia. Repito: da Indonésia.

Já em Oslo, na Noruega, nasceu uma outra dupla, capaz de fazer frente ao Endah N Rhesa. A vocalista também tem a voz de derreter corações, além de ser linda. Mas os arranjos são muito mais cheios, com o clássico guitarra-baixo-bateria-teclado fazendo um som tão pop e tão bem armado que chega a ser difícil imaginar que o casal Eva e Thomas demoraram tanto tempo para surgirem à tona. Provavelmente ainda não foram descobertos porque seu disco de estreia, o ótimo “Let’s Keep This Up Forever”, só vai ser lançado oficialmente no final de setembro – apesar de já ter vazado há meses.

Não me admira que as influências principais do Eva & the Heartmaker envolvam Cardigans (de novo, eles), Beatles, Raconteurs e Radiohead, bandas especialistas toda a vida em melodias inacreditavelmente pegajosas e bonitas – cada um a seu modo, claro. Mas Eva e Thomas também não se fecham em apenas um estilo. Há o rock de guitarras cheias de efeitos em “Possible Escape Possible Mistake”, há baladas fofas como “Mississipi” e “Life Still Goes On” e pop dançante em “Charming Sexy”, “Superhero” e “Please!”. Com o lançamento de “Let’s Keep This Up Forever”, Eva & the Heartmaker estão preparados para dominar o mundo. Seja lá o que isso significa neste mundo encurtado pela internet e seus poderes intermináveis.

Notinhas

Aniversário da Coluna B

Não esqueçam: hoje, a partir das 22h, no Teacher’s Pub (Praia do Canto), vai rolar a festa de aniversário da coluna. Nas carrapetas, Rodo Rock abre a festa. Logo depois, à 0h, eu entro para tocar um bocado do que eu falo por aqui. Depois, DJake Harper, meu companheiro de Lebowskis, ferve a pista para a entrada de André Paste, o prodígio dos mashups. Pra fechar a noite, Rike, aquele que tudo toca. E espero encontrar todos os sorteados com o ingresso VIP – eles já receberam a resposta em seus e-mails.

Shows no Brasil

Vê se pode: os maiores dois festivais do segundo semestre brasileiro, pelo menos até agora, vão acontecer no mesmo dia! É isso mesmo. O Maquinária, que vai trazer o reunido Faith No More, vai acontecer no dia 7 de novembro, mesmo dia em que ocorrerá o Planeta Terra Festival (que não deve mais ter o Yeah Yeah Yeahs, infelizmente). E agora, em qual você vai?

Músicas novas

Além do Radiohead, que lançou oficialmente a faixa “These Are My Twisted Words” essa semana, apesar dela ter vazado há dias, o Bad Lieutenant, dos ex-New Order, e o Weezer colocaram na rede suas novas faixas. Todas elas merecem ser ouvidas com atenção.

Todo mundo tem que ouvir

Já que falamos de bandas fora do eixo Inglaterra-EUA, a espanhola Pájaro Sunrise merece destaque. Afinal, não é toda banda que, em seu segundo lançamento da carreira, já manda um disco duplo fantástico.

“Done/Undone” é embebido em uma beleza campestre, com fraseados folk espalhados por um clima pop de beira de rio, fogueira e amigos reunidos. Aquela leve melancolia que a gente tanto ama. Ouça agora.

Playlist

New Look – Future Times

Ramona Falls – Clover

Nevershoutnever! – Simple Enough

Hope Sandoval & The Warm Inventions – Sets The Blaze

The Cave Singers – VV

XX – Basic Space

Naive New Beaters – Live Good

Wild Beasts – All The King’s Men

Arctic Monkeys – Dangerous Animals

Black Drawing Chalks – Rising Sun In Purple Sky Morning

Escrito por Bruno Reis

Agosto 26, 2009 em 3:02 pm

Publicado em Coluna B

“Sutilmente”, o clipe

com um comentário

Ainda não tinha visto esse clipe novo do Skank. Dica do Léo, aqui da Aquatro. Achei muito bacana. Embaixo, vai também o making of do trabalho. O clipe foi dirigido pelo Conrado Almada, da Academia de Filmes.

“Sutilmente”, Skank.

Making of

Escrito por Bruno Reis

Agosto 24, 2009 em 3:42 pm

Publicado em música

Festa da Coluna B – 3 anos

sem comentários

Neste sábado, 22, no Teacher’s Pub. Espero todos lá.

Basic RGB

Escrito por Bruno Reis

Agosto 20, 2009 em 2:50 pm

Conto

sem comentários

Nova coluna Ópio no Café: leiaqui.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 19, 2009 em 1:52 pm

Publicado em conto

Coluna B, 15/08

sem comentários

Cumprindo o que prometeu
Coisa mais do que normal hoje em dia, bandas lançam pequenas amostras do que podem oferecer em disco. São os bons e velhos EPs, já tão falados por aqui. Para dar início a uma carreira concreta, os artistas lançam um pequeno conjunto de músicas, geralmente por volta de três a seis composições, e se jogam. Tempos depois, com as músicas já na boca do povo e as apresentações em festivais mais do que bombadas, eles se enfurnam em um estúdio para sair de lá com uma bolachinha à moda antiga, algo entre dez ou doze faixas com produção de primeira e distribuição profissional.
As opções para esse segundo ato são: confirmar o que deles se esperava a partir de um EP de qualidade, ou afundar a atenção conseguida com aquele primeiro e curto trabalho. A pressão é grande, chega a níveis inimagináveis, e alguns realmente sucumbem na hora de mostrar realmente a que vieram. Mas é bom ver uma banda que apareceu tão bem com algumas poucas músicas confirmar sua capacidade de criar grandes canções, que se destacam, que fogem do comum. Hoje, a Coluna B vai mostrar os dois casos, com alguns exemplos claros e objetivos.
Passio Pit – Manners
Tudo começou quando Michael Angelakos, líder do grupo de Cambridge, nos EUA, fez um punhado de músicas para presentear sua amada no Dia dos Namorados de 2007. As músicas ficaram famosas na cidade e o rapaz adicionou mais duas para lançá-las como o EP “Chunk of Change” no ano seguinte. Do primeiro lançamento para o segundo, só “Sleepyhead” se viu repetida, e merecidamente: trata-se de uma das mais bacanas faixas do pop atual, divertida até os ossos. Mas “Manners” tem muito mais do que isso. O vocal estridente de Angelakos e os arranjos criativos e dançantes do Passion Pit conquistaram muita gente. O álbum é aberto com duas faixas que pegam grandes ideias do pop que tem Michael Jackson como rei, mistura com doses modernosas de Kanye West e reverbera tudo com uma fina camada de indie pop, algumas guitarras aqui e ali e muito, muito teclado ressoando pelo ambiente. “The Reeling” virou hit instantâneo, e aparece nas pistas tanto em sua versão original quanto nos vários remixes que ganhou. “Folds In Your Hands” promete ir pelo mesmo caminho em breve. Como li em algum lugar da internet, quem gosta de uma música do Passion Pit vai gostar de todas as faixas de “Manners”. Não só porque elas são um pouco parecidas entre si, e realmente são, mas porque todas elas são muito boas.
Florence & The Machine – Lungs
Quando surgiu com o sensacional EP “A Lot Of Love and A Lot Of Blood”, em abril deste ano, a bela ruiva Florence Welch me deixou boquiaberto. Canções como as maravilhosas “Dog Days Are Over” e “Kiss With A Fist”, com imenso apelo pop combinado àquela voz de tirar o sono, se tornaram figurinha fácil na minha lista de melhores faixas de 2009. Mas, quando o disco “Lungs” chegou, parecia que, apesar de boas canções, as melhores estavam mesmo na primeira aparição da moça, naquele EP de estreia. A cantora britânica comanda um grupo que tem os básicos guitarra, baixo, bateria e teclado, acompanhados de uma harpista que faz a diferença no pop invocado a rock da banda. Ainda que tenha boas faixas inéditas, como “Howl”, de sotaque oitentista na batida e nos backing vocals do refrão, “Cosmic Love”, cheia de climas etéreos, ou as belas “My Boy Builds Coffins”, “Girl With One Eye” e “Hurricane Drunk”, adivinha quais são as melhores faixas do disco? “Dog Days Are Over”, “Kiss With A Fist” e a excelente “You’ve Got The Love”, cover do The Source, que voltam a aparacer em “Lungs” após fazerem sucesso no EP. O que nos leva, inevitavelmente, a pensar que talvez fosse melhor ter ficado apenas no disquinho curto.
Telekinesis – Telekinesis!
Em maio de 2008, o guitarrista Chris Walla, nome forte do Death Cab For Cutie e na cena alternativa dos EUA como produtor, comentou (como convidado do site Stereogum) sobre este projeto de Michael Lerner, começou seu texto com a seguinte frase: “Não há muito o que se dizer quando se é levado a nocaute”. E olha que o Telekinesis tinha lançado apenas algumas músicas em seu EP de estreia, “Toulouse-Lautrec”. Em 2009, Lerner também mandou pra praça o EP “Coast of California”, mas este era apenas uma entrada para o excelente disco de estreia, “Telekinesis!”. Não me admira que Walla tenha se encantado com esse músico alucinado de Seattle. Lerner segue o caminho pop do DCFC, usando melodias encantadoras entre guitarras rasgadas, vocais doces e, em alguns casos, letras chorosas. “Foreign Room” começa suave, mas logo descanba para um pop rock barulhentinho, enquanto “All of a Sudden” é tão bonitinha e ingênua que se torna deliciosa. Outras faixas bacanas, como “Coast of California” (que já tinha saído no EP homônimo) e a alegre “Look to the East” completam a total necessidade de se ter esse disco por perto. Bravo, Michael Lerner.
Notinhas
Promoção – Aniversário da Coluna B
Dia 22 de agosto, próximo sábado, a Coluna B vai comemorar seu aniversário de 3 anos com mais uma festa imperdível no Teacher’s Pub, na Praia do Canto. Animando a noite, os DJs Bruno Reis (sou eu), DJake Harper (The Lebowskis), o espertíssimo André Paste (o prodígio dos mashups) e outros convidados bacanas. E é claro que vai rolar uma promoçãozinha básica por aqui. Mande seu nome, telefone e RG para o email colunab@gmail.com e concorra a ingressos VIP.
Novidades
O Faith No More oficializou via Twitter sua vinda ao Brasil no dia 7 de novembro. /// Segundo o blog Popload, Jane’s Addiction e Deftones tocam no mesmo festival que o FNM. /// Também via Popload, surge a possibilidade do incrível Yeah Yeah Yeahs estar no Planeta Terra deste ano /// E, quem sabe, uma turnê do Franz Ferdinand no país, depois da MTV anunciar a presença dos caras no VMB? Boto fé.
Vitória bombando
A capixabada anda fervendo: o ótimo Joe.Zee esteve em Sampa e arrebentou por lá, fiquei sabendo; os moleques do Mickey Gang vão de novo pra Inglaterra, onde são assunto de blogs descolados; tenho ouvido o disco solo do Gustavo Macaco, e é bem bom; o T.R.E.P.A.X. e o F.U.E.L. estão reanimando a cena eletrônica local. Brinca com o ES.
Todo mundo tem que ouvir
O Sian Alice Group passou meio batido quando lançaram o primeiro disco da carreira, “59.59″, no ano passado. Mas, por favor, não cometa o mesmo erro duas vezes.
A banda londrina faz um post-rock mais doce que o normal no brilhante “Troubled, Shaken, etc”. A bela voz de Sian Ahern é par perfeito dos arranjos sombrios da banda. Ouça agora.
Playlist
The Rosewood Thieves – When My Plane Lands
The Phantom Band – Burial Sounds
Radiohead – These Are My Twisted Words
Iron & Wine – Sodom, South Georgia
Lucas Santtana – Cira Regina e Nana
The Gossip – Love and Let Love
The Anomalies – Bamboo Beats
Arctic Monkeys – The Fire and the Thud
The Language of Termites – Sleeping Tree
The Yolks – Rambling

Cumprindo o que prometeu

Coisa mais do que normal hoje em dia, bandas lançam pequenas amostras do que podem oferecer em disco. São os bons e velhos EPs, já tão falados por aqui. Para dar início a uma carreira concreta, os artistas lançam um pequeno conjunto de músicas, geralmente por volta de três a seis composições, e se jogam. Tempos depois, com as músicas já na boca do povo e as apresentações em festivais mais do que bombadas, eles se enfurnam em um estúdio para sair de lá com uma bolachinha à moda antiga, algo entre dez ou doze faixas com produção de primeira e distribuição profissional.

As opções para esse segundo ato são: confirmar o que deles se esperava a partir de um EP de qualidade, ou afundar a atenção conseguida com aquele primeiro e curto trabalho. A pressão é grande, chega a níveis inimagináveis, e alguns realmente sucumbem na hora de mostrar realmente a que vieram. Mas é bom ver uma banda que apareceu tão bem com algumas poucas músicas confirmar sua capacidade de criar grandes canções, que se destacam, que fogem do comum. Hoje, a Coluna B vai mostrar os dois casos, com alguns exemplos claros e objetivos.

Passion Pit – Manners

Tudo começou quando Michael Angelakos, líder do grupo de Cambridge, nos EUA, fez um punhado de músicas para presentear sua amada no Dia dos Namorados de 2007. As músicas ficaram famosas na cidade e o rapaz adicionou mais duas para lançá-las como o EP “Chunk of Change” no ano seguinte. Do primeiro lançamento para o segundo, só “Sleepyhead” se viu repetida, e merecidamente: trata-se de uma das mais bacanas faixas do pop atual, divertida até os ossos. Mas “Manners” tem muito mais do que isso. O vocal estridente de Angelakos e os arranjos criativos e dançantes do Passion Pit conquistaram muita gente. O álbum é aberto com duas faixas que pegam grandes ideias do pop que tem Michael Jackson como rei, mistura com doses modernosas de Kanye West e reverbera tudo com uma fina camada de indie pop, algumas guitarras aqui e ali e muito, muito teclado ressoando pelo ambiente. “The Reeling” virou hit instantâneo, e aparece nas pistas tanto em sua versão original quanto nos vários remixes que ganhou. “Folds In Your Hands” promete ir pelo mesmo caminho em breve. Como li em algum lugar da internet, quem gosta de uma música do Passion Pit vai gostar de todas as faixas de “Manners”. Não só porque elas são um pouco parecidas entre si, e realmente são, mas porque todas elas são muito boas.

Florence & The Machine – Lungs

Quando surgiu com o sensacional EP “A Lot Of Love and A Lot Of Blood”, em abril deste ano, a bela ruiva Florence Welch me deixou boquiaberto. Canções como as maravilhosas “Dog Days Are Over” e “Kiss With A Fist”, com imenso apelo pop combinado àquela voz de tirar o sono, se tornaram figurinha fácil na minha lista de melhores faixas de 2009. Mas, quando o disco “Lungs” chegou, parecia que, apesar de boas canções, as melhores estavam mesmo na primeira aparição da moça, naquele EP de estreia. A cantora britânica comanda um grupo que tem os básicos guitarra, baixo, bateria e teclado, acompanhados de uma harpista que faz a diferença no pop invocado a rock da banda. Ainda que tenha boas faixas inéditas, como “Howl”, de sotaque oitentista na batida e nos backing vocals do refrão, “Cosmic Love”, cheia de climas etéreos, ou as belas “My Boy Builds Coffins”, “Girl With One Eye” e “Hurricane Drunk”, adivinha quais são as melhores faixas do disco? “Dog Days Are Over”, “Kiss With A Fist” e a excelente “You’ve Got The Love”, cover do The Source, que voltam a aparacer em “Lungs” após fazerem sucesso no EP. O que nos leva, inevitavelmente, a pensar que talvez fosse melhor ter ficado apenas no disquinho curto.

Telekinesis – Telekinesis!

Em maio de 2008, o guitarrista Chris Walla, nome forte do Death Cab For Cutie e na cena alternativa dos EUA como produtor, comentou (como convidado do site Stereogum) sobre este projeto de Michael Lerner, começou seu texto com a seguinte frase: “Não há muito o que se dizer quando se é levado a nocaute”. E olha que o Telekinesis tinha lançado apenas algumas músicas em seu EP de estreia, “Toulouse-Lautrec”. Em 2009, Lerner também mandou pra praça o EP “Coast of California”, mas este era apenas uma entrada para o excelente disco de estreia, “Telekinesis!”. Não me admira que Walla tenha se encantado com esse músico alucinado de Seattle. Lerner segue o caminho pop do DCFC, usando melodias encantadoras entre guitarras rasgadas, vocais doces e, em alguns casos, letras chorosas. “Foreign Room” começa suave, mas logo descanba para um pop rock barulhentinho, enquanto “All of a Sudden” é tão bonitinha e ingênua que se torna deliciosa. Outras faixas bacanas, como “Coast of California” (que já tinha saído no EP homônimo) e a alegre “Look to the East” completam a total necessidade de se ter esse disco por perto. Bravo, Michael Lerner.

Notinhas

Promoção – Aniversário da Coluna B

Dia 22 de agosto, próximo sábado, a Coluna B vai comemorar seu aniversário de 3 anos com mais uma festa imperdível no Teacher’s Pub, na Praia do Canto. Animando a noite, os DJs Bruno Reis (sou eu), DJake Harper (The Lebowskis), o espertíssimo André Paste (o prodígio dos mashups) e outros convidados bacanas. E é claro que vai rolar uma promoçãozinha básica por aqui. Mande seu nome, telefone e RG para o email colunab@gmail.com e concorra a ingressos VIP.

Novidades

O Faith No More oficializou via Twitter sua vinda ao Brasil no dia 7 de novembro. /// Segundo o blog Popload, Jane’s Addiction e Deftones tocam no mesmo festival que o FNM. /// Também via Popload, surge a possibilidade do incrível Yeah Yeah Yeahs estar no Planeta Terra deste ano /// E, quem sabe, uma turnê do Franz Ferdinand no país, depois da MTV anunciar a presença dos caras no VMB? Boto fé.

Vitória bombando

A capixabada anda fervendo: o ótimo Joe.Zee esteve em Sampa e arrebentou por lá, fiquei sabendo; os moleques do Mickey Gang vão de novo pra Inglaterra, onde são assunto de blogs descolados; tenho ouvido o disco solo do Gustavo Macaco, e é bem bom; o T.R.E.P.A.X. e o F.U.E.L. estão reanimando a cena eletrônica local. Brinca com o ES.

Todo mundo tem que ouvir

O Sian Alice Group passou meio batido quando lançaram o primeiro disco da carreira, “59.59″, no ano passado. Mas, por favor, não cometa o mesmo erro duas vezes.

A banda londrina faz um post-rock mais doce que o normal no brilhante “Troubled, Shaken, etc”. A bela voz de Sian Ahern é par perfeito dos arranjos sombrios da banda. Ouça agora.

Playlist

The Rosewood Thieves – When My Plane Lands

The Phantom Band – Burial Sounds

Radiohead – These Are My Twisted Words

Iron & Wine – Sodom, South Georgia

Lucas Santtana – Cira Regina e Nana

The Gossip – Love and Let Love

The Anomalies – Bamboo Beats

Arctic Monkeys – The Fire and the Thud

The Language of Termites – Sleeping Tree

The Yolks – Rambling

Escrito por Bruno Reis

Agosto 18, 2009 em 4:13 pm

Publicado em Coluna B

2 anos e fã de MJ

sem comentários

Molequinho fã do Jacko. Ri.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 18, 2009 em 1:15 am

Publicado em coisas da internet, música

Ópio no Café, 3 anos

com um comentário

Acabei de me lembrar que a coluna Ópio no Café, da Revista Paradoxo, fez três anos domingo, dia 9 de agosto. Eeee!
Aproveito e agradeço aos amigos que visitam sempre, aos leitores que aparecem perdidos, de vez em quando e aos que nunca mais voltaram – esses, pelo menos, foram alguma vez, hehe.
E, claro, ao Mark, pelo convite e pelo apoio de sempre.
Só posso pedir que continuem lendo. Hehehe.

Acabei de me lembrar que a coluna Ópio no Café, da querida e antenada Revista Paradoxo, fez três anos domingo, dia 9 de agosto. Eeee!

Aproveito e agradeço aos amigos que visitam sempre, aos leitores que aparecem perdidos, de vez em quando e aos que nunca mais voltaram – esses, pelo menos, foram alguma vez, hehe.

E, claro, ao Mark, pelo convite e pelo apoio de sempre.

Só posso pedir que continuem lendo. Hehehe.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 12, 2009 em 7:46 pm

Nova coluna

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Tá lá, nova Ópio no Café sobre a praia… quer ler? Clica aqui.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 12, 2009 em 2:10 pm

Publicado em conto, crônica

Coluna B, dia 8/08

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O freio dos Monkeys
Vindos de Sheffield, na Inglaterra, os caras do Arctic Monkeys sempre tiveram uma fama de aceleradinhos. Há mais ou menos três anos, Alex Turner e sua turma tomaram conta do indie rock mundial com um disco que se destacava por aspectos como a qualidade das letras e, principalmente, a velocidade das músicas. Era quase como a invenção de um novo estilo. Turner cantava em ritmo aceleradíssimo canções com letras quilométricas que falavam da realidade dos jovens ingleses. O baterista impressionava pela mobilidade, como se tivesse doze braços de cada lado, e os riffs de guitarra pareciam cada vez mais difíceis de se acompanhar no assovio. “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” chegou rápido à internet, e em pouco tempo se tornou um dos discos mais marcantes da música atual.
Depois de um ano, o segundo álbum, “Favorite Worst Nightmare”, serviu para mostrar que o Arctic Monkeys era mais do que um cara correndo desesperadamente contra o tempo, com medo do que ia acontecer agora que sua adolescência estava indo embora. Eles também sabiam dosar os temperos, e músicas como “505″ ou “If You Were There, Beware” eram as mais perfeitas provas desta nova faceta da banda. Mas não se engane: a velocidade estonteante ainda estava lá, e a forma como aquele disco começa, com as pancadas e bumbo de pedal duplo de “Brianstorm”, não me deixa mentir. As letras, ainda que um pouco menos juvenis, continuavam ditando o ritmo das coisas. A macacada seguia nervosa, sangue nos olhos e mãos, pés e bocas enviesadas pela rapidez da música.
Agora não. Com “Humbug”, terceiro disco da carreira, o Arctic Monkeys deu uma pisada violenta no freio, daquelas de afundar o pé no piso do carro. Pegaram o botãozinho da velocidade do grupo e giraram todo para trás, sem dó nem piedade. Aquele moleque com cara de maluco correndo a 100 km/h se transformou em um rapaz bem apessoado, cara de poucos amigos, cabelos desgrenhados e tocando os ombros forrados por um surrado paletó de linho, caminhando com certa desenvoltura pela principal avenida da música alternativa. Agora o Arctic Monkeys resolveu inovar seus arranjos, desenvolver suas composições para que fujam dos padrões e não sejam engolidos pelos seus próprios méritos.
Para conseguir esse resultado, a banda não mediu esforços na produção do disco. A maior parte das faixas que entraram no corte final – sete das dez, pra ser mais exato – foram produzidas por ninguém menos que Josh Homme, o mago do rock do século 21, dono do Queens of the Stone Age e presente com firmeza em projetos bacanudos como o Desert Sessions e o Eagles of Death Metal. As outras três também são de pedigree: James Ford, o homem por trás do Simian Mobile Disco e responsável pela produção do primeiro disco da banda, além do álbum realizado por Alex Turner em seu projeto paralelo e de “Myths Of Near Future”, do Klaxons, entre diversos outros álbuns que foram sucesso de crítica e público. Essa divisão de trabalhos gerou, curiosamente, um disco homogêneo, pesado, cinzento, que caminha pelas dez faixas como em busca de calor. E o encontra, afinal.
Em “My Propeller”, que abre o disco, uma sequência de bateria se faz acompanhada de dedilhados em uma guitarra cheia de efeitos. A voz de Turner soa moderna, derramada pela música com parcimônia, sem pressa, e só nesse primeiro contato já temos certeza absoluta de que o som do Arctic Monkeys não é o mesmo. E é esse mesmo sentimento que nos acompanha por todo o disco. É como um passeio por um lugar completamente desconhecido, onde você encontra pistas aqui e ali de que já estivera ali, mas nunca tem certeza disso. Parece algo que você já viu, mas não, não é, e “Crying Lightning”, que vem a seguir, corrobora esse pensamento. A pegada parece que vai decolar, mas se mantém lúgrube, com um pé no psicodélico, tornando o som dos Monkeys de agora uma versão com mais peso e menos velocidade do que era antes. “Dangerous Animals” quase retoma o ritmo dos discos anteriores, mas acaba se rendendo ao novo estilo dos macacos.
Algumas músicas são de rotação tão lentas que, apenas pelo comecinho, não dá nem pra saber que são da banda. “Secret Door” e “Cornerstone” são baladas suaves, com pitadas de psicodelia à lá Beatles aqui e ali, disfarçadas, mas marcantes – principalmente a segunda faixa citada. O velho Arctic Monkeys até coloca a cara à tapa com “Potion Approaching” e “Pretty Visitors”, as duas músicas mais rápidas do disco. Mas, talvez não por acaso, essas acelerações soem quase deslocadas no meio da freadas espalhadas pelas outras canções. São boas, mas acabam perdendo espaço para este novo Arctic Monkeys que é capaz de conduzir uma faixa como “The Jeweller’s Hands”, com quase seis minutos de duração, uma música anamórfica por natureza, entortada pelos novos conceitos que regem o grupo de Sheffield, empolgado com a maturidade e empolgante na sua densidade. Com a velocidade diminuída ao extremo, o Arctic Monkeys se transforma em uma nova banda. E resta a você decidir se gosta deste novo grupo ou se prefere o antigo.
Notinhas
O grande encontro
E eis que, finalmente, a mundialmente celebrada banda Them Crooked Vultures vai fazer sua estreia nos palcos. Não sabe quem é? Então imagine John Paul Jones, do Led Zeppelin, Josh Homme, do Queens of the Stone Age, e Dave Grohl, do Foo Fighters (e do Nirvana, claro) tocando juntos. É isso. A nova superbanda vai fazer seu primeiro show em uma afterparty do Festival Lolapalloozza, que rola este fim de semana em Chicago. Eles insistem que isso não significa que o grupo vá partir para uma turnê, nem mesmo que um disco deva ser gerado no encontro. Mas os caras já têm site, twitter, MySpace e Facebook com o nome da banda. À toa não deve ser.
Várias novidades
Os suecos do Kings of Convenience anunciaram o lançamento de seu novo disco. Segundo o Muzplay, “Declaration of Dependence”, o terceiro álbum da dupla, vai ser lançado no dia 20 de outubro, mas o MySpace dos caras já traz música nova. /// Jack White vai dar um tempo em suas duzentas e trinta e oito bandas e lançar um single solo. A faixa “Fly Farm Blues” faz parte da trilha do documentário “It Might Get Loud”, de David Guggenheim, do qual White participa. /// O KIllers, que confirmou seu shows em novembro no Brasil, é bem apressadinho: já começa a vender ingressos na semana que vem. /// Os ingressos pros shows da Lily Allen também já podem ser comprados. Se está a fim de ir, corra! /// Devendra Banhart está a ponto de lançar seu novo disco. Segundo o Stereogum, o álbum se chamará “What Will We Be” e sai em outubro. /// O Radiohead lançou, “Harry Patch (In Memory Of)”, faixa feita em homenagem a um combatente inglês da primeira grande guerra. Toda orquestrada, bem boa. A faixa está à venda no site da banda por um euro, mas dá pra achar de graça na net. /// Eu gostei dessa ideia de fazer o Planeta Terra Festival no Playcenter. Tomara que role, mesmo.
Todo mundo tem que ouvir
Outro dia tomei um susto: começou uma propaganda de celular na TV e de quem era a música: da Lenka. E eu que imaginei que ninguém mais conhecia essa australiana! Fiquei feliz por ela estar se expandindo.
Ela merece. Bonita e talentosa, com uma bela voz e um fenomenal sexto sentido pra música pop. Uma Lily Allen menos politicamente incorreta, e mais musical. Ouça o disco “Lenka”, de 2008, e sorria sem parar.
Playlist
Mikroboy – Neue Zeiten
Blue Roses – Coast
Delorean – Moonsoon
Bowerbirds – House of Diamonds
The Antlers – Wake
Pajaro Sunrise – Something Else
Céu – Espaçonave
the Clean – Factory Man
The Big Pink – She’s No Sense
The Animal Beat – Ordinary

O freio dos Monkeys

Vindos de Sheffield, na Inglaterra, os caras do Arctic Monkeys sempre tiveram uma fama de aceleradinhos. Há mais ou menos três anos, Alex Turner e sua turma tomaram conta do indie rock mundial com um disco que se destacava por aspectos como a qualidade das letras e, principalmente, a velocidade das músicas. Era quase como a invenção de um novo estilo. Turner cantava em ritmo aceleradíssimo canções com letras quilométricas que falavam da realidade dos jovens ingleses. O baterista impressionava pela mobilidade, como se tivesse doze braços de cada lado, e os riffs de guitarra pareciam cada vez mais difíceis de se acompanhar no assovio. “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” chegou rápido à internet, e em pouco tempo se tornou um dos discos mais marcantes da música atual.

Depois de um ano, o segundo álbum, “Favorite Worst Nightmare”, serviu para mostrar que o Arctic Monkeys era mais do que um cara correndo desesperadamente contra o tempo, com medo do que ia acontecer agora que sua adolescência estava indo embora. Eles também sabiam dosar os temperos, e músicas como “505″ ou “If You Were There, Beware” eram as mais perfeitas provas desta nova faceta da banda. Mas não se engane: a velocidade estonteante ainda estava lá, e a forma como aquele disco começa, com as pancadas e bumbo de pedal duplo de “Brianstorm”, não me deixa mentir. As letras, ainda que um pouco menos juvenis, continuavam ditando o ritmo das coisas. A macacada seguia nervosa, sangue nos olhos e mãos, pés e bocas enviesadas pela rapidez da música.

Agora não. Com “Humbug”, terceiro disco da carreira, o Arctic Monkeys deu uma pisada violenta no freio, daquelas de afundar o pé no piso do carro. Pegaram o botãozinho da velocidade do grupo e giraram todo para trás, sem dó nem piedade. Aquele moleque com cara de maluco correndo a 100 km/h se transformou em um rapaz bem apessoado, cara de poucos amigos, cabelos desgrenhados e tocando os ombros forrados por um surrado paletó de linho, caminhando com certa desenvoltura pela principal avenida da música alternativa. Agora o Arctic Monkeys resolveu inovar seus arranjos, desenvolver suas composições para que fujam dos padrões e não sejam engolidos pelos seus próprios méritos.

Para conseguir esse resultado, a banda não mediu esforços na produção do disco. A maior parte das faixas que entraram no corte final – sete das dez, pra ser mais exato – foram produzidas por ninguém menos que Josh Homme, o mago do rock do século 21, dono do Queens of the Stone Age e presente com firmeza em projetos bacanudos como o Desert Sessions e o Eagles of Death Metal. As outras três também são de pedigree: James Ford, o homem por trás do Simian Mobile Disco e responsável pela produção do primeiro disco da banda, além do álbum realizado por Alex Turner em seu projeto paralelo e de “Myths Of Near Future”, do Klaxons, entre diversos outros álbuns que foram sucesso de crítica e público. Essa divisão de trabalhos gerou, curiosamente, um disco homogêneo, pesado, cinzento, que caminha pelas dez faixas como em busca de calor. E o encontra, afinal.

Em “My Propeller”, que abre o disco, uma sequência de bateria se faz acompanhada de dedilhados em uma guitarra cheia de efeitos. A voz de Turner soa moderna, derramada pela música com parcimônia, sem pressa, e só nesse primeiro contato já temos certeza absoluta de que o som do Arctic Monkeys não é o mesmo. E é esse mesmo sentimento que nos acompanha por todo o disco. É como um passeio por um lugar completamente desconhecido, onde você encontra pistas aqui e ali de que já estivera ali, mas nunca tem certeza disso. Parece algo que você já viu, mas não, não é, e “Crying Lightning”, que vem a seguir, corrobora esse pensamento. A pegada parece que vai decolar, mas se mantém lúgrube, com um pé no psicodélico, tornando o som dos Monkeys de agora uma versão com mais peso e menos velocidade do que era antes. “Dangerous Animals” quase retoma o ritmo dos discos anteriores, mas acaba se rendendo ao novo estilo dos macacos.

Algumas músicas são de rotação tão lentas que, apenas pelo comecinho, não dá nem pra saber que são da banda. “Secret Door” e “Cornerstone” são baladas suaves, com pitadas de psicodelia à lá Beatles aqui e ali, disfarçadas, mas marcantes – principalmente a segunda faixa citada. O velho Arctic Monkeys até coloca a cara à tapa com “Potion Approaching” e “Pretty Visitors”, as duas músicas mais rápidas do disco. Mas, talvez não por acaso, essas acelerações soem quase deslocadas no meio da freadas espalhadas pelas outras canções. São boas, mas acabam perdendo espaço para este novo Arctic Monkeys que é capaz de conduzir uma faixa como “The Jeweller’s Hands”, com quase seis minutos de duração, uma música anamórfica por natureza, entortada pelos novos conceitos que regem o grupo de Sheffield, empolgado com a maturidade e empolgante na sua densidade. Com a velocidade diminuída ao extremo, o Arctic Monkeys se transforma em uma nova banda. E resta a você decidir se gosta deste novo grupo ou se prefere o antigo.

Notinhas

O grande encontro

E eis que, finalmente, a mundialmente celebrada banda Them Crooked Vultures vai fazer sua estreia nos palcos. Não sabe quem é? Então imagine John Paul Jones, do Led Zeppelin, Josh Homme, do Queens of the Stone Age, e Dave Grohl, do Foo Fighters (e do Nirvana, claro) tocando juntos. É isso. A nova superbanda vai fazer seu primeiro show em uma afterparty do Festival Lolapalloozza, que rola este fim de semana em Chicago. Eles insistem que isso não significa que o grupo vá partir para uma turnê, nem mesmo que um disco deva ser gerado no encontro. Mas os caras já têm site, twitter, MySpace e Facebook com o nome da banda. À toa não deve ser.

Várias novidades

Os suecos do Kings of Convenience anunciaram o lançamento de seu novo disco. Segundo o Muzplay, “Declaration of Dependence”, o terceiro álbum da dupla, vai ser lançado no dia 20 de outubro, mas o MySpace dos caras já traz música nova. /// Jack White vai dar um tempo em suas duzentas e trinta e oito bandas e lançar um single solo. A faixa “Fly Farm Blues” faz parte da trilha do documentário “It Might Get Loud”, de David Guggenheim, do qual White participa. /// O KIllers, que confirmou seu shows em novembro no Brasil, é bem apressadinho: já começa a vender ingressos na semana que vem. /// Os ingressos pros shows da Lily Allen também já podem ser comprados. Se está a fim de ir, corra! /// Devendra Banhart está a ponto de lançar seu novo disco. Segundo o Stereogum, o álbum se chamará “What Will We Be” e sai em outubro. /// O Radiohead lançou, “Harry Patch (In Memory Of)”, faixa feita em homenagem a um combatente inglês da primeira grande guerra. Toda orquestrada, bem boa. A faixa está à venda no site da banda por um euro, mas dá pra achar de graça na net. /// Eu gostei dessa ideia de fazer o Planeta Terra Festival no Playcenter. Tomara que role, mesmo.

Todo mundo tem que ouvir

Outro dia tomei um susto: começou uma propaganda de celular na TV e de quem era a música: da Lenka. E eu que imaginei que ninguém mais conhecia essa australiana! Fiquei feliz por ela estar se expandindo.

Ela merece. Bonita e talentosa, com uma bela voz e um fenomenal sexto sentido pra música pop. Uma Lily Allen menos politicamente incorreta, e mais musical. Ouça o disco “Lenka”, de 2008, e sorria sem parar.

Playlist

Mikroboy – Neue Zeiten

Blue Roses – Coast

Delorean – Moonsoon

Bowerbirds – House of Diamonds

The Antlers – Wake

Pajaro Sunrise – Something Else

Céu – Espaçonave

the Clean – Factory Man

The Big Pink – She’s No Sense

The Animal Beat – Ordinary

Escrito por Bruno Reis

Agosto 11, 2009 em 11:57 pm

Publicado em Coluna B

Novo Ópio

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Mais uma coluna inédita – Ópio no Café, da Revista Paradoxo: http://revistaparadoxo.com/materia.php?editid=53

Escrito por Bruno Reis

Agosto 5, 2009 em 4:09 pm

Publicado em conto

Coluna B, 1 de agosto

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Mais uma vez, uma coluna que se perde pela internet. Uma pena, mas, fazer o quê? Aí vai, pra quem não viu.

Desistir nunca, render-se jamais
É curioso, mas não é nada raro. De vez em quando, descobrimos algum disco que deixamos passar batido nas primeiras audições. Lá pelas tantas, percebemos que uma pérola estava jogada em um canto qualquer do HD do nosso computador, carcomido pela ignorância e pela pressa do dia-a-dia. Comigo geralmente acontece assim: ouço algumas vezes um disco que acabei de pegar; se gosto, se o som bate de primeira, continuo ouvindo regularmente – se não, coloco a bolachinha em compasso de espera e depois retorno a ela, quando (e se) tiver tempo. É de se compreender que, nessa rotina de baixar diversos discos por semana, alguma coisa boa pode acabar escorrendo disfarçadamente entre os dedos, certo?
Esse “fenômeno” acontece até mesmo com aqueles discos que viraram hype, comentados e resenhados por sites, blogs e revistas especializadas. É o caso de dois álbuns sobre os quais já teci algum comentário rápido aqui na coluna, mas que recentemente roubaram completamente minha atenção: “Two Suns”, do Bat For Lashes, e “Veckatimest”, do Grizzly Bear. Como há de perceber algum leitor mais atento, ambos já se encontram entre as minhas playlists há tempos – e já demonstravam potencial para se tornarem preferidos da casa, é verdade – mas apenas nas últimas semanas, ao me aprofundar um pouco mais neles, notei suas incríveis qualidades com mais cuidado. Sorte a minha.
A moça que responde pelo nome de Bat For Lashes junto com seus músicos, Natasha Khan, já tinha embasbacado o mundo em 2007 com seu disco de estreia, o lindíssimo “Fur and Gold”. Na época, a voz afinada e emblemática da moça fez com que muita gente procurasse saber mais sobre quem fazia um som tão diferente, tão bonito e, ao mesmo tempo, esquisito. A origem da artista é interessante: nascida no Paquistão, moradora de Londres, Khan saiu direto da escola de artes para o palco. Ela não esconde de ninguém sua preferência pelo lado artístico das canções, muito menos a influência que artistas como Radiohead, Björk e PJ Harvey têm em suas composições. O Bat For Lashes só tem uma preocupação: emocionar.
Ainda assim, a diferença entre o primeiro disco da artista e este segundo, “Two Suns”, lançado em abril, foi o que me fez tirar o álbum de seu obscuro canto do meu HD para repetir as audições e constatar, abismado, que estava ali um trabalho primoroso de Khan. Se antes ela primava pela suavidade dos timbres, na leveza e economia da melodia, agora o Bat For Lashes se solta um pouco mais. Faixas como “Daniel”, “Two Planets” e principalmente “Pearl’s Dream” se destacam pelas batidas exóticas e que beiram o dançante, abrindo espaço para um clima dark de melancolia em canções como a belíssima “Glass” e a emocionante “Travelling Woman”, que se desenvolvem em cima de percussão e piano, emoldurando a voz perfeita de Natasha. A cantora brinca de alter ego ao longo do disco (Pearl, sua outra face, é loira), faz dueto com Scott Walker na teatral “The Big Sleep” e ainda coloca o Yeasayer na roda como banda convidada. Mesmo que eu quisesse muito, seria impossível um disco com esses predicados escapar entre a enxurrada de lançamentos semanais. “Two Suns” sobreviveu por seus próprios méritos.
Já meu caso com o novo disco do Grizzly Bear foi bem diferente. Eu demorei para baixar o disco por querer. Lia as resenhas, todas extremamente elogiosas, e pensava, “vou ter que baixar esse disco”, mas não o fazia por saber que seria mais um vício. Amigos perguntavam se eu já tinha ouvido “Veckatimest”, por todo lado algum comentário me deixava ainda mais curioso. Quando finalmente baixei e escutei, me surpreendi: não era bem o que eu esperava. Acabei deixando o álbum meio de lado por umas semanas, mas quando voltei a escutá-lo, agora com mais calma e menos expectativa, fiquei fissurado pela pluralidade do terceiro trabalho dos americanos do Grizzly Bear, um dos mais fantásticos discos do ano.
Imagine um álbum que você escuta uma, duas, três, dez, vinte vezes, e a cada nova audição é pego por detalhes que ainda não havia sacado antes. “Veckatimest” está inserido no panteão dos discos mágicos, que vão muito além de estilos musicais pré-concebidos, formatos fechados ou melodias simplórias. Suas faixas cheias de personalidade conseguem ser melódicas e experimentais sem perder o tato com a música pop. As estruturas inventivas do Grizzly Bear guardam obras dedicadas a surpreender o ouvinte com as aparições surpresa de timbres, instrumentos ou arranjos que fogem completamente do comum. Os refrões ganham coros, as baladas são injetadas com velocidade e barulho, as faixas mais animadas levam quebras acústicas e a eletrônica vez ou outra varre a faixa de fora a fora. “Veckatimest” é conquistador com a emocionante “Foreground”, é apaziguador com “Cheerleader”, é surpreendente com “While You Wait For The Others”, é suingado com “Two Weeks” e vai fazer você pensar duas vezes quando um disco não desce de primeira. Vale a pena dar uma segunda chance.
Notinhas
Shows no Brasil
Uns cancelam, outros confirmam. A parte triste desta notinha vai para os fãs do Depeche Mode, que cancelou suas apresentações no Brasil devido a problemas de agenda. Curioso que, dos shows sulamericanos, só os nossos rodaram. Uma pena. Mas, em compensação, Killers e Lilly Allen confirmaram presença no Brasil. O Killers, antes apenas um boato, já confirmou a vinda em novembro (segundo o site da Rolling Stone, as datas são: São Paulo, dia 21; Rio, dia 24), enquanto a mocinha londrina desbocada pinta por aqui em setembro, no Rio (dia 17) e em São Paulo (dia 16). E, ainda no campo das possibilidades, Green Day, Empire of the Sun e Ting Tings devem aparecer no país para o Planeta Terra Festival, segundo o blog Popload. É esperar pra ver.
França e Suécia no Brasil
Olha que beleza a formação do festival No Ar Coquetel Molotov, segundo o site Rraul: Sebastien Tellier, Zombie Zombie, François Virot, Those Dancing Days, Britta Persson e Loney, Dear. Só gente boa, né?
Humbug no ar
Depois de muita expectativa, o novo disco do Arctic Monkeys, “Humbug”, finalmente vazou na internet essa semana. Com lançamento marcado apenas para o dia 24 de agosto, o terceiro álbum da molecada de Sheffield mostra um som bastante diferente: mais cadenciado, utilizando as guitarras de maneira mais melódica e os vocais de forma mais contida. E, para mostrar esse som para todo mundo, a banda fez uma apresentação gratuita, via web, na quinta-feira. Foi curta, mas deu pra ter uma noção de como as músicas novas ficam ao vivo. “Humbug” ainda vai dar o que falar.
Todo mundo tem que ouvir
O Canadá, esse celeiro fantástico de atrações indie, nos deu há cinco anos mais um motivo para querer morar no alto das Américas. Esse motivo se chama Ohbijou, grupo de dream pop que lança seu segundo disco, “Beacons”.
A doçura das canções do Ohbijou é quase palpável. As vozes femininas dominam o cenário, mas são as orquestrações nos arranjos, misturadas com violões folk e percussões econômicas, que fazem a banda se tornar inesquecível. Ouça agora.
Playlist
Arctic Monkeys – Pretty Visitors
New Look – Future Times
Thom Yorke – The Erasure
Yoñlu – Estrela, Estrela
Pearl Jam – The Fixer
The Dead Weather – Rocking Horse
The Invisible – Tally Of Souls
Regina Spektor – The Calculation
Solana – A Casa dos Ramalhetes
Mayer Hawthorne – Just Ain’t Gonna Work Out

Desistir nunca, render-se jamais

É curioso, mas não é nada raro. De vez em quando, descobrimos algum disco que deixamos passar batido nas primeiras audições. Lá pelas tantas, percebemos que uma pérola estava jogada em um canto qualquer do HD do nosso computador, carcomido pela ignorância e pela pressa do dia-a-dia. Comigo geralmente acontece assim: ouço algumas vezes um disco que acabei de pegar; se gosto, se o som bate de primeira, continuo ouvindo regularmente – se não, coloco a bolachinha em compasso de espera e depois retorno a ela, quando (e se) tiver tempo. É de se compreender que, nessa rotina de baixar diversos discos por semana, alguma coisa boa pode acabar escorrendo disfarçadamente entre os dedos, certo?

Esse “fenômeno” acontece até mesmo com aqueles discos que viraram hype, comentados e resenhados por sites, blogs e revistas especializadas. É o caso de dois álbuns sobre os quais já teci algum comentário rápido aqui na coluna, mas que recentemente roubaram completamente minha atenção: “Two Suns”, do Bat For Lashes, e “Veckatimest”, do Grizzly Bear. Como há de perceber algum leitor mais atento, ambos já se encontram entre as minhas playlists há tempos – e já demonstravam potencial para se tornarem preferidos da casa, é verdade – mas apenas nas últimas semanas, ao me aprofundar um pouco mais neles, notei suas incríveis qualidades com mais cuidado. Sorte a minha.

A moça que responde pelo nome de Bat For Lashes junto com seus músicos, Natasha Khan, já tinha embasbacado o mundo em 2007 com seu disco de estreia, o lindíssimo “Fur and Gold”. Na época, a voz afinada e emblemática da moça fez com que muita gente procurasse saber mais sobre quem fazia um som tão diferente, tão bonito e, ao mesmo tempo, esquisito. A origem da artista é interessante: nascida no Paquistão, moradora de Londres, Khan saiu direto da escola de artes para o palco. Ela não esconde de ninguém sua preferência pelo lado artístico das canções, muito menos a influência que artistas como Radiohead, Björk e PJ Harvey têm em suas composições. O Bat For Lashes só tem uma preocupação: emocionar.

Ainda assim, a diferença entre o primeiro disco da artista e este segundo, “Two Suns”, lançado em abril, foi o que me fez tirar o álbum de seu obscuro canto do meu HD para repetir as audições e constatar, abismado, que estava ali um trabalho primoroso de Khan. Se antes ela primava pela suavidade dos timbres, na leveza e economia da melodia, agora o Bat For Lashes se solta um pouco mais. Faixas como “Daniel”, “Two Planets” e principalmente “Pearl’s Dream” se destacam pelas batidas exóticas e que beiram o dançante, abrindo espaço para um clima dark de melancolia em canções como a belíssima “Glass” e a emocionante “Travelling Woman”, que se desenvolvem em cima de percussão e piano, emoldurando a voz perfeita de Natasha. A cantora brinca de alter ego ao longo do disco (Pearl, sua outra face, é loira), faz dueto com Scott Walker na teatral “The Big Sleep” e ainda coloca o Yeasayer na roda como banda convidada. Mesmo que eu quisesse muito, seria impossível um disco com esses predicados escapar entre a enxurrada de lançamentos semanais. “Two Suns” sobreviveu por seus próprios méritos.

Já meu caso com o novo disco do Grizzly Bear foi bem diferente. Eu demorei para baixar o disco por querer. Lia as resenhas, todas extremamente elogiosas, e pensava, “vou ter que baixar esse disco”, mas não o fazia por saber que seria mais um vício. Amigos perguntavam se eu já tinha ouvido “Veckatimest”, por todo lado algum comentário me deixava ainda mais curioso. Quando finalmente baixei e escutei, me surpreendi: não era bem o que eu esperava. Acabei deixando o álbum meio de lado por umas semanas, mas quando voltei a escutá-lo, agora com mais calma e menos expectativa, fiquei fissurado pela pluralidade do terceiro trabalho dos americanos do Grizzly Bear, um dos mais fantásticos discos do ano.

Imagine um álbum que você escuta uma, duas, três, dez, vinte vezes, e a cada nova audição é pego por detalhes que ainda não havia sacado antes. “Veckatimest” está inserido no panteão dos discos mágicos, que vão muito além de estilos musicais pré-concebidos, formatos fechados ou melodias simplórias. Suas faixas cheias de personalidade conseguem ser melódicas e experimentais sem perder o tato com a música pop. As estruturas inventivas do Grizzly Bear guardam obras dedicadas a surpreender o ouvinte com as aparições surpresa de timbres, instrumentos ou arranjos que fogem completamente do comum. Os refrões ganham coros, as baladas são injetadas com velocidade e barulho, as faixas mais animadas levam quebras acústicas e a eletrônica vez ou outra varre a faixa de fora a fora. “Veckatimest” é conquistador com a emocionante “Foreground”, é apaziguador com “Cheerleader”, é surpreendente com “While You Wait For The Others”, é suingado com “Two Weeks” e vai fazer você pensar duas vezes quando um disco não desce de primeira. Vale a pena dar uma segunda chance.

Notinhas

Shows no Brasil

Uns cancelam, outros confirmam. A parte triste desta notinha vai para os fãs do Depeche Mode, que cancelou suas apresentações no Brasil devido a problemas de agenda. Curioso que, dos shows sulamericanos, só os nossos rodaram. Uma pena. Mas, em compensação, Killers e Lilly Allen confirmaram presença no Brasil. O Killers, antes apenas um boato, já confirmou a vinda em novembro (segundo o site da Rolling Stone, as datas são: São Paulo, dia 21; Rio, dia 24), enquanto a mocinha londrina desbocada pinta por aqui em setembro, no Rio (dia 17) e em São Paulo (dia 16). E, ainda no campo das possibilidades, Green Day, Empire of the Sun e Ting Tings devem aparecer no país para o Planeta Terra Festival, segundo o blog Popload. É esperar pra ver.

França e Suécia no Brasil

Olha que beleza a formação do festival No Ar Coquetel Molotov, segundo o site Rraul: Sebastien Tellier, Zombie Zombie, François Virot, Those Dancing Days, Britta Persson e Loney, Dear. Só gente boa, né?

Humbug no ar

Depois de muita expectativa, o novo disco do Arctic Monkeys, “Humbug”, finalmente vazou na internet essa semana. Com lançamento marcado apenas para o dia 24 de agosto, o terceiro álbum da molecada de Sheffield mostra um som bastante diferente: mais cadenciado, utilizando as guitarras de maneira mais melódica e os vocais de forma mais contida. E, para mostrar esse som para todo mundo, a banda fez uma apresentação gratuita, via web, na quinta-feira. Foi curta, mas deu pra ter uma noção de como as músicas novas ficam ao vivo. “Humbug” ainda vai dar o que falar.

Todo mundo tem que ouvir

O Canadá, esse celeiro fantástico de atrações indie, nos deu há cinco anos mais um motivo para querer morar no alto das Américas. Esse motivo se chama Ohbijou, grupo de dream pop que lança seu segundo disco, “Beacons”.

A doçura das canções do Ohbijou é quase palpável. As vozes femininas dominam o cenário, mas são as orquestrações nos arranjos, misturadas com violões folk e percussões econômicas, que fazem a banda se tornar inesquecível. Ouça agora.

Playlist

Arctic Monkeys – Pretty Visitors

New Look – Future Times

Thom Yorke – The Erasure

Yoñlu – Estrela, Estrela

Pearl Jam – The Fixer

The Dead Weather – Rocking Horse

The Invisible – Tally Of Souls

Regina Spektor – The Calculation

Solana – A Casa dos Ramalhetes

Mayer Hawthorne – Just Ain’t Gonna Work Out

Escrito por Bruno Reis

Agosto 5, 2009 em 3:55 pm

Publicado em Coluna B

Love Long Distance

sem comentários

Muito legal o clipe novo do Gossip! Esse disco tá demais.

Escrito por Bruno Reis

Agosto 3, 2009 em 6:13 pm

Publicado em música