Misquilinas

Um bocado de um tudo só

Coluna B, dia 06/02

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Electro rock: ontem e hoje
Olhe para o palco. A formação da banda traz um sujeito na bateria, outro no baixo, outro na guitarra. Ah, claro, esqueci da menina do teclado, do sintetizador que o guitarrista também toca, das programações eletrônicas que surgem de vez em quando e do casal da percussão que também toca harpa e xilofone. Como é? Que banda é essa? Quem são esses seres? Ora, são uma banda normal dos dias de hoje: de electro rock. É claro que toda essa gente pode ser substituída num piscar de olhos por um só computador a acompanhar um par de malucos. Regra não há, o importante é como soa esse indie rock que se misturou com o eletrônico e que nunca mais voltará ao normal.

Para os ingleses do Hot Chip, por exemplo, a hora é de olhar para trás. A banda que mudou o cenário do electro indie com dois discos indispensáveis na discoteca deste novo século, “The Warning” (2006) e “Made in the Dark” (2008), resolveu ela mesma cambiar tudo o que já havia feito. O mais novo lançamento da banda, “One Life Stand”, pega carona no Delorean de Marty McFly e vai direto para 1992. De lá, o vocalista, guitarrista-que-toca-sintetizador e principal compositor da banda, Alexis Taylor, trouxe as linhas melódicas que enchem o álbum de canções com cara de velhas, mas cheias de charme. Pode-se dizer que o Hot Chip resolveu tirar um bocado do peso do som, trocando as densas linhas de baixo por batidinhas inofensivas, desligando o botão do “dance sem parar” e dando partida no estilo “música para relaxar”.

É tudo uma questão de ponto de vista. Os críticos que não curtiram “One Life Stand” reclamam justamente do sossego que o novo trabalho dos ingleses traz. Já este colunista gosta justamente desta parte. Não tenho como reclamar do estilão lo-fi de faixas como a bela “Alley Cats”, com seus beats discretos e harmonia relaxante, ou a sensacional “Take It In”, com suas melodias vocais enchendo um caminhão de sons. O álbum também traz algumas viagens sonoras, como os seis minutos de “Slush”, a repetitiva (mas agradável) “Hand Me Down Your Love” e os quase sussurros de “Keep Quiet”, e não foge das pistas com a psicodélica “We Have Love”, ou com a ótima faixa-título, primeiro single do quarto disco do grupo. Mas tudo isso traz uma ambientação anos 90 irresistível, que não deixa de ser mais uma prova de que a tal década está preparando seu revival com todo poder.

Com o Delphic, a história é diferente. Ano passado, eles eram o futuro. Hoje, são um presente muito mais real do que você pode imaginar. Assim como a velocidade dos beats de suas canções dançantes, a banda decolou com a velocidade de um raio do anonimato para o pré-estrelato. Tido como uma das apostas da poderosa rádio BBC para 2010, os novatos de Manchester deram seus primeiros passos com um single sensacional, lançado em abril de 2009. “Counterpoint” já trazia uma sensação refrescante, como se todos que a ouvissem dançassem imediatamente, sem chance de controlar o próprio corpo. Era apenas um ótimo petisco para “Acolyte”, álbum de estreia da banda, produzido pelo prolífico DJ e produtor inglês Ewan Pearson.

O rock eletrônico frenético do Delphic é abarrotado de nuances, com camadas e mais camadas de batidas, sintetizadores e distorções de guitarra se entrelaçando ao redor de melodias plenamente assoviáveis. Algumas faixas são preciosidades que há muito não apareciam pelo indie eletrônico, como a poderosa “This Momentary”, de refrão inesquecível, a contagiante “Doubt” ou a bela faixa-título, uma patada no pé do ouvido. Ainda que seja de Manchester e traga um pouco do clima das bandas de lá por baixo da colcha eletrônica, o trio algumas vezes lembra o som do Klaxons, como na ótima “Halcyon”. Para o Delphic, o futuro não mais existe – apenas o hoje. E é ali que eles vão ficar, por um bom tempo.

Notinhas

Novos discos
Estão a caminho algumas novidades de bandas que não dá pra deixar pra lá. Bate uma empolgação só de imaginar que Them Crooked Vultures, Strokes e The Dead Weather já estão programando o lançamento de seus próximos discos? Então saca só: o Strokes avisou via site oficial que seu novo disco sai esse ano com produção de Joe Chicarelli; Jack White comentou sobre o novo do Dead Weather citando um som mais blues e pesado que nunca, e dando o mês de abril para a chegada do rebento; já os integrantes do Vultures, em diferentes entrevistas, garantiram que sai disco novo em 2010, porque eles estão se sentindo como iniciantes em sua primeira banda. Maravilha? Então aí vem mais: em entrevista à Pitchfork, Kevin Drew falou sobre o novo do Broken Social Scene, que sai ainda esse ano, lotado de participações especialíssimas, como de praxe. Que venham!

Várias
“Volume Two”, novo disco do She & Him, ganhou uma capa fofíssima desenhada pela própria Zooey Deschanel, e vai sair aqui no Brasil pelo selo LAB 344, dia 23 de março. /// O Placebo é mais uma banda a tocar no Brasil neste primeiro semestre. O grupo vem pra cá em abril. /// Essa foi a semana dos boatos esquisitos. O primeiro eu li por aí: um grande festival brasileiro, recém-extinto, estaria se arrumando para voltar com força total. Eu ouvi Tim Festival? O segundo eu ouvi por aí: o Guns n’ Roses, que faz turnê no país em março, teria chance de tocar aqui em Vitória. Será? Eu duvido. /// E Lost voltou com força total. Está assistindo? Se não, lamento muito. Os dois primeiros episódios, para variar, mudou tudo na série. Sensacional é apelido. Corre pra ver.

Todo mundo tem que ouvir
A dupla australiana Agnes Kain surgiu em 2006 com o belíssimo disco “Keep Walking Or I’ll Kill You” e, do mesmo jeito que surgiu, do nada, desapareceu sem dar mais notícias.
De repente, aparece a notícia de que “Across the Ocean Grey”, o segundo álbum deles, já saiu. Em outubro! Um indie folk bonito que só, mais contemplativo que o anterior, e também indispensável.

Playlist
Surfer Blood – Swin
Lindstrom & Christabelle – Baby Can’t Stop
Seabear – Cold Summer
Spoon – Written in Reverse
Retribution Gospel Choir – ‘68 Comeback
Charlotte Gainsbourg – VanitiesComaneci – On My PathFour Tet – Love CryEverybody Was in the French Resistance… Now! – Coal DiggerLe Sang Song – The One

Escrito por Bruno Reis

fevereiro 10, 2010 em 10:06 am

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Ópio no Café

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Texto novo, agora, cola lá: Ópio no Café.

Escrito por Bruno Reis

fevereiro 10, 2010 em 9:56 am

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Ópio para agora

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“Instinto”, texto inédito na Revista Paradoxo.

(…) Quando te vi naquela boate esfumaçada, atrás de uma pilha de copos e garrafas vazias, alguma coisa pareceu apitar dentro de mim. Era muito mais do que uma simples atração. Você era linda, claro, e aquele vestido de listras vermelhas e brancas só fazia com que isso parecesse mais evidente. Mas o que eu senti quando te vi ia muito além dessa simples constatação. Era uma certeza daquelas que a gente só sabe porque sabe, e nem explicar consegue. Era uma certeza absoluta. (…)

Quer ler a Ópio no Café completa? Clicaqui.

Escrito por Bruno Reis

fevereiro 3, 2010 em 5:51 pm

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Coluna B, 30/01

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Beach House, a banda do verão capixaba
Já estamos no final de janeiro e só agora vou falar um pouco do verão. Essa estação tão adorada por tantos (me inclua fora dessa), que tanto calor traz ao já extremamente quente estado do Espírito Santo, costuma tirar as pessoas do sério. A quantidade de eventos nas cidades praianas aumenta de forma considerável, as pessoas passam a tratar uma manhã na praia como programa obrigatório e uma série de shows de qualidade duvidosa pipoca por tudo quanto é lado da Grande Vitória. E nem de férias eu estou. Quer dizer, dá pra amar o verão?

É por isso que, todo ano, a coluna ganha uma edição sobre o verão. E, não raro, já que estamos chegando ao quarto ano de Coluna B, ela é irônica, com alguma banda ou disco que tem, mas não tem, a ver com essa estação fervilhante (isso não é um elogio). Por exemplo, este ano escolhi uma banda que tem em seu nome algo que é a cara do verão: Beach House. Mais do que isso, o nome do novo disco também remete àqueles tempos áureos, quando viver o verão até a última gota de suor ainda valia a pena: “Teen Dream”. Então, dá pra não amar o verão?

O que não dá pra não amar é essa delícia de disco. “Teen Dream” é a estreia do Beach House em uma gravadora consideravelmente famosa, a espertíssima Sub Pop (a mesma que deu voz ao Nirvana, entre outros), e a diferença de um disco gravado com um orçamento um tantinho mais avantajado se faz presente de cara. O terceiro disco da dupla americana Victoria Legrand e Alex Scally vem em versão gigante, com uma qualidade e uma grandeza que os álbuns anteriores, os também ótimos “Beach House” (2006) e “Devotion” (2008), não conseguiram alcançar. Quem enfiou fermento no som do Beach House foi o produtor Chris Coady, que colocou a banda para gravar em uma igreja.

Enquanto os álbuns anteriores traziam um som de alcance limitado, e muitos dizem que essa era o principal charme do Beach House, “Teen Dream” vai sempre além. Muitos instrumentos substituem o solitário teclado de outrora, as canções ganham mais corpo, os arranjos recebem potência sonora, algo que a banda nunca havia feito. Mas não pense que a dupla sofre de mania de grandeza. As melodias cuidadosas continuam seduzindo o ouvinte, fazendo um belo par com as letras românticas, ora tristes, ora esperançosas. E a voz de Legrand, um sonho que consegue ser portentosa sem perder a doçura jamais, parece ficar ainda mais confortável com o som cheio, em canções como a belíssima “Norway”, de clima irresistível e um refrão que cola na cabeça, ou a melodiosa “Lover Of Mine”.

Quem sempre curtiu o Beach House não precisa temer as mudanças. A dinâmica entre o vocal e os teclados de Legrand e a guitarra de Scally ainda é o que faz a cabeça da banda. É claro que eles ganham aditivos indispensáveis em faixas como “Better Love”, “Walk in the Park”, “10 Miles Stereo” e “Silver Soul”, que, em outros tempos, talvez saíssem ligeiramente mais esquálidas do que agora. Se é isso que faz de “Teen Dream” o melhor disco do Beach House, é também o mesmo motivo que torna este disco uma das melhores opções para curtir o delicioso verão capixaba. Já que a meteorologia não dá um descanso pra gente, pelo menos a música deles, que se encaixaria mais com uma praia em julho do que em janeiro, pode refrescar um pouco os seus dias.

Notinhas

LOST
É, a hora está chegando. Na terça-feira, dia 2 de fevereiro, o seriado mais sensacional da história da TV está de volta para a sua última temporada. Como diz o próprio vídeo promocional, é “o começo do fim”. Ninguém sabe como Lost vai recomeçar, afinal, no fim da temporada passada, uma bomba explodiu e pronto, tela branca, fim. Uns dizem que personagens como Boone e Charlie, já mortos em temporadas passadas, estarão de volta. Será? A única coisa certa é que esta sexta temporada de Lost será mesmo a última, e eu não vejo a hora de começar a vê-la. Ah, e tem um detalhe: este ano, o canal AXN vai passar a série no Brasil com apenas uma semana de diferença dos EUA. Maravilha.

Várias
A máquina de shows internacionais no Brasil simplesmente não para. O primeiro semestre já ganhou mais dois nomes importantes para os palcos locais: o bacana Moby e o clássico Leonard Cohen tocam no Brasil em abril. Preparem suas carteiras. /// O National prepara um novo disco para maio. Fiquem felizes. Enquanto isso, o Sigur Rós avisa que entra em hiato sem previsão de volta. Fiquem tristes. /// A revista inglesa NME divulgou os indicados para o seu tradicional prêmio anual. Com seis indicações cada, Arctic Monkeys e Kasabian lideram a disputa. Curioso é ver Noel Gallagher, que acabou com o Oasis, concorrendo nas categorias “Herói do Ano” e “Vilão do Ano” (nesta última, lado a lado com o irmão, Liam), assim como o “Humbug” dos Monkeys disputando “Melhor Álbum” e “Pior Álbum” e Lady GaGa nas categorias “Mais Bem Vestida” e “Mais Mal Vestida”. Povo indeciso, esses ingleses.

Todo mundo tem que ouvir
O Spoon é uma banda que sempre lança bons discos. Não tem jeito. A sobriedade dos caras é capaz de criar grandes canções, ainda que nunca surjam hits grudentos.
O álbum “Transference” acabou de sair e já está causando por aí. O disco é uma delícia, tão bom quanto os dois últimos belos trabalhos da banda. Cace e ouça.

Playlist
Liars – No Barrier Fun
Spoon – Who Makes Your Money
Agnes Kain – Missing
Lindstrom & Christabelle – Looking For What
Delphic – This Momentary
Efterklang – Natural Tune
Charlotte Gainsbourg – Heaven Can Wait
Hot Chip – Alley Cats
Adam Green – Lockout
Bruno Morais – Boa Nova

Escrito por Bruno Reis

fevereiro 3, 2010 em 4:59 pm

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Ópio revisitado

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Resolvi postar novamente um texto de 2007 (acho) lá na Ópio no Café da Paradoxo.
(…) Pegue a cena: um casal de namorados termina repentinamente o namoro. Ninguém entende muito bem, os dois explicam aos tropeções que o relacionamento estava estranho, que estavam cansados, precisavam de um tempo, e aquela balela toda. De olho na garota já há um bom tempo, um segundo rapaz vê a sua chance chegar. Aproxima-se da menina, fragilizada pelo fim do relacionamento, tenta seduzi-la e, bingo!, conquista a moça. Tudo o que ele sonhou em boa parte da vida estava acontecendo: ela era dele, e com certeza o rapaz vai dedicar todas as suas forças e horas para manter vivo esse sonho colorido.
Aí, num belo e ensolarado dia, a menina dá, sem cerimônia, a notícia mais temida pelo rapaz: está voltando com o ex-namorado. Incrédulo, traído, solitário, abandonado, deixado de lado, renegado… adjetivos não faltam para o rapaz, completamente desolado com o ocorrido. Ela, que no fundo ainda era apaixonada pelo namorado, simplesmente viu de quem realmente gostava, e entregou-se novamente ao seu amado. Claro, em momento algum ela se preocupou com o que o segundo rapaz pensava, o que ele sentia ou quais eram seus interesses em relação a ela. Até pediu desculpas pela mudança repentina, mas o que ela queria mesmo era fugir correndo para os braços do seu grande amor.

Pronto. Assim, de um minuto para o outro, está criada uma pessoa de intervalo. (…)

Quer ler tudo? Cola lá.

Escrito por Bruno Reis

janeiro 27, 2010 em 6:27 pm

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Coluna B, dia 23/01

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500 dias de música

“Essa é uma história de garoto-conhece-garota. O garoto, Tom, cresceu acreditando que ele nunca seria realmente feliz enquanto não encontrasse ‘a’ mulher. Essas crenças vieram da sua prematura exposição a músicas pop britânicas tristonhas e uma interpretação totalmente equivocada do filme ‘A Primeira Noite de Um Homem’. A garota, Summer, não compartilhava destas crenças. Desde a desintegração do casamento de seus pais, ela amava apenas duas coisas. A primeira era seu longo cabelo negro. A segunda, como ela podia facilmente matar um início de relacionamento e não sentir nada. Tom conhece Summer e percebe, quase imediatamente, que ela é quem ele procurava. Esta é, sim, uma história de garoto-conhece-garota. Mas você deve saber antes de tudo: esta não é uma história de amor.”

Com esse discurso, uma espécie de prólogo, os personagens de “500 Dias Com Ela” são apresentados ao público em pouquíssimos minutos – uma forma dinâmica e divertida de mostrar quem está no jogo e quais são as armas que cada um utilizará nesta guerra de sentimentos implacáveis. É também com esse mesmo discurso, traduzido acima de forma livre e descompromissada por este colunista, que a bela trilha sonora do filme é aberta. A primeira faixa traz exatamente o áudio do trecho inicial da história, com o narrador do longa lendo seu texto sobre arranjos compostos por Mychael Danna, responsável pela trilha do filme, e Rob Simonsen.

Lançado no ano passado, “500 Dias Com Ela” – originalmente “(500) Days Of Summer” – foi dirigido pelo estreante Marc Webb (que se deu bem e já ganhou um belo novo objetivo: recomeçar a franquia de “Homem-Aranha” nos cinemas) e é o trabalho que colocou a atriz e cantora Zooey Deschanel definitivamente no altar dos sonhos molhados dos indies. Apesar do sucesso nos EUA e na Europa, dos prêmios e das críticas positivas, o filme ficou pouco tempo em cartaz no Estado, perdendo espaço para outros longas muito menos interessantes. Não faz mal, dá pra achar fácil para baixar nos sites de torrent – aliás, quem quiser pode mandar um e-mail pra colunab@gmail.com que eu passo o link no ato.

Mas o grande destaque do filme, que também traz o ótimo Joseph Gordon-Levitt como o apaixonado sofredor Tom, é mesmo sua trilha sonora e a forma como ela está ligada aos acontecimentos do roteiro. Por exemplo, para Tom, o momento em que tem certeza de seu amor por Summer é quando, no elevador, ela cantarola pra ele “To die by your side is such a heavenly way to die”, verso histórico da também marcante “There’s a light that never goes out”, do Smiths. E tem como não ficar louco com uma mulher dessas? Mas a antiga banda de Morrissey não aparece só aí. A trilha traz ainda “Please, Please, Please, Let Me Get What I Want” em dois momentos: cantanda pelos próprios autores e em uma cover do She & Him, grupo que tem Deschanel no vocal.

Outra que é usada e abusada nas músicas de “500 Dias Com Ela” é Regina Spektor. A moça entra com “Us” e “Hero”, duas canções lindas de morrer e que aparecem de forma marcante no filme. O disco todo, assim como o filme, é uma mistura de momentos clássicos com bons toques de modernidade. Vai de Simon & Garfunkel (“Bookends”) à recém-acabada Mumm-Ra (“She’s Got You High”), de Hall & Oates (“You Make My Dreams”) a Black Lips (“Bad Kids”), de Meaghan Smith fazendo uma cover de “Here Comes Your Man”, dos Pixies, à pouco conhecida australiana The Temper Trap. E ainda tem baladinha do Wolfmother, um pequeno clássico da Feist, uma das músicas mais bonitas do Doves e Carla Bruni cantando em francês. Com um time tão bem escolhido como esse, não é de se estranhar que a trilha do realista e quase depressivo (no bom sentido, se é que há um) conto de Tom e Summer, uma história de garoto-conhece-garota mas que não é uma história de amor, ficou quase mais famosa que o filme.

Notinhas

Thom Yorke????
Quando o festival americano Coachella anunciou sua escalação, todo mundo se perguntou o que seriam as quatro interrogações (“????”) ao lado do nome de Thom Yorke no poster principal. A resposta não tardou: é que o vocalista do Radiohead vai tocar com a banda que usa quando sai em turnê solo, que tem Flea, do Red Hot, no baixo, o produtor Nigel Godrich, Joey Waronker e o brasileiro Mauro Refosco. Segundo o blog Move That Jukebox e a revista Entertainment Weekly, o grupo não conseguiu se decidir por um nome e grafou as tais interrogações ao lado do nome do líder da banda. E fica por isso mesmo. Aliás, o Coachella traz uma das mais fantásticas escalações de festivais nos últimos anos, com direito a Pavement, Gorillaz, Them Crooked Vultures, LCD Soundsystem, The xx, Yeasayer, MGMT, The Specials, Vampire Weekend, Phoenix, Julian Casablanas, entre outras tantas dezenas de bandas e artistas.

Diversos
O Gossip finalmente confirmou suas datas na mini turnê brasileira. A banda de Beth Ditto passa por São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente nos dias 19 e 20 de março. O que significa que um só fim de semana carioca vai trazer Franz Ferdinand (dia 19) e Gossip (dia 20). É sonho, não me acorda não que eu vou. /// O Killers tirou férias. Pelo jeito, voltam a tocar juntos só em 2011. /// O MGMT avisou que vai lançar ainda neste primeiro semestre o disco “Congratulations”, terceiro da banda. E mais: os caras disseram que não vão lançar singles. O disco é uma peça única. Lá vem… /// E essa história de que o Paul McCartney poderia ter sido o baixista do Them Crooked Vultures? Será que é sério? Bem, pelo menos foi o que ele disse ao Dave Grohl quando ficou sabendo que o John Paul Jones já estava na banda.

Todo mundo tem que ouvir
Mallu Magalhães lançou seu segundo disco (denominado apenas “Mallu Magalhães”) ano passado, em novembro, com menos da metade do alarde que foi feito quando seu primeiro álbum saiu. O que isso significa?
Nada, apenas que o hype em cima da cantora passou, mas o talento em pleno desenvolvimento continua lá e é perceptível – assim como a boa influência do namoradão, Marcelo Camelo, no som da garota. Vale escutar.

Playlist
Good Shoes – Times Change
Sondre Lerche – If Only
These New Puritans – Attack Music
Bruno Morais – Há de Ventar
Dan Deacon – Woof Woof
THSurf – Going To The Beach
Gorillaz – Stylo
Yeasayer – I Remember
Pavement – Gold Soundz
Cold War Kids – Audience of One

Escrito por Bruno Reis

janeiro 26, 2010 em 7:06 pm

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Coluna B, dia 16/01

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Música de cinema

Música não é apenas onda sonora. Uma simples canção é capaz de suscitar as mais diversas imagens, sensações, sentimentos. Por trás de uma composição há sempre alguém, uma vontade, um desejo, uma motivação. Música também é cena, é acontecimento, é trilha sonora pra uma vida que a gente vive todos os dias, do jeito que vem, do jeito que dá. E esta talvez seja a grande curtição de escutar música: senti-la toda, do início ao fim, deixar que ela te contamine, te envolva, que crie na sua mente histórias, passagens, cenários, imagens – tenha a ver ou não com o que a letra fala, o importante é o que ela desperta em cada um.

Música é cinema, principalmente quando feita com qualidade e carinho. Daqueles filmes que a gente vê e revê, com nossos atores prediletos, dirigido pelas nossas mentes inebriadas, alimentado por notas, batidas e ritmos que saem das caixinhas de som e tomam o mundo, no melhor estilo Flautista de Hamelin. A cada vez que damos play na mesma canção, o mesmo filme, ou até outros diversos, é projetado na nossa imaginação com direito a tecnologia 3D, lembrança de cheiros, sabores e outras brincadeiras sensoriais. Música é muito mais do que música.

O filme que se passa na minha cabeça quando escuto “The Courage of Others”, do Midlake, é sempre grandioso. Vem à mente tomadas aéreas gigantescas em locais lindos de morrer, descampados enormes que ganham vida própria quando vistos lá de cima. Vez ou outra, as paisagens se tornam algo escurecidas quando são enclausuradas por um vertiginoso conjunto de nuvens pesadas, prontas para inserir neste cenário a beleza das chuvas torrenciais. Lá embaixo, pessoas correm de um lado para o outro buscando abrigo, fugindo dos grossos pingos d’água que lembram mísseis teleguiados em busca de seu paradeiro.

Este filme esquisito e espacial é despertado pelo terceiro álbum de estúdio da banda do Texas, Estados Unidos. O Midlake foi responsável por um dos discos mais bonitos dos últimos anos, “The Trials of Van Occupanther”, lançado em 2006, e que trazia as lindíssimas “Roscoe” e “Head Home” embaladas para presente. Quatro anos depois, o grupo volta a colocar à prova o seu trabalho. O som do Midlake é cheio, completo, robusto, com melodias absolutamente lindas, a voz portentosa de Tim Smith sempre elegante e apaziguada, e aqui em “The Courage Of Others” as onze faixas são exatamente assim: belas, levemente psicodélicas, com arranjos tão bem equilibrados e produzidos que fica simplesmente impossível não criar imagens com o que se ouve.

E essas imagens, variadas, mudam sempre. “Winter Dies”, por exemplo, me traz uma luta de espadas em câmera lenta. Vê-se sangue, poeira e capim seco voando como pequenas fadas do mal entre os encontros das lâminas. A linda “Fortune”, com seu dedilhado delicado, me leva diretamente a uma praia deserta e congelante. Vista do alto, uma mulher caminha enrolada em camadas e mais camadas de mantas e edredons, protegendo-se do frio e da humilhação de ter sido traída pelo seu grande amor. A dolorida “Bring Down” é lágrima pura, mas de alegria: sentado em um cume, observando a grandeza do mundo que o cerca, o velho chora a sorte de ter uma família que nunca se esquece dele. E assim se segue o filme que eu criei ao ouvir “The Courage Of Others”, usando como matéria-prima os sentimentos que esse belo disco do Midlake, que sairá oficialmente em fevereiro, me transmite. Ouça-o e faça você o seu próprio filme.

Notinhas

Udora em Vitória + Rocket Festival
Na semana passada, disse aqui que o show do Udora seria dia 15. E seria, mesmo, mas mudou, e vai ser amanhã, domingão, dentro do Rocket Festival, organizado pela Antimofo. O evento acontece em dois dias e vai contar também com Viva Las Vesgas, Valvulla (ambos hoje, a partir das 21h), Supercombo, a estreia da Blue Dogs e diversos DJs de rock, entre eles eu e meu companheiro Merçon com o The Lebowskis (no domingo, a partir das 16h). A balada rola no Teacher’s Pub. Chega lá.

Várias
E o Jay Reatard morreu, aos 29 anos. Credo, e eu fiz 29 anos ontem. Vá em paz. /// Quem viu, viu. James Murphy, a mente por trás do sensacional LCD Soundsystem, disse à NME que vai parar de fazer turnês. E mais: o novaiorquino ainda disse que o esperadíssimo próximo álbum deve ser o último sob o nome LCD Soundsystem. Será mesmo? /// Julian Casablancas andou dizendo por aí que o Strokes tem trabalhado em um novo álbum dia e noite. Segundo o vocalista da banda, o disco sai em 2010 nem que a vaca tussa. Oi? /// Quem também prepara disco novo é a sumidinha Joanna Newsom. A cantora lançou a notícia para alguns sites estrangeiros confirmando que “Have One On Me” sai oficialmente no dia 23 de fevereiro.

Todo mundo tem que ouvir
Quem fica sabendo que Romulo Fróes lançou “No Chão Sem O Chão”, um disco duplo em 2009, acha que o cantor de 38 anos vive na contramão do mundo. E não está lá muito errado.
Só vivendo assim para se alcançar um nível artístico tão apurado. Um dos mais ousados e belos discos lançados no Brasil nos últimos tempos. Indispensável.

Playlist
Sondre Lerche – Bluish (Animal Collective cover)
Bad Religion – 10 in 2010
Bruno Morais – Planos
The Knife – Colouring of Pigeons
Golden Filter – The Hardest Button to Button (The White Stripes cover)
The Name – Can You Dance, Boy
Cold War Kids – Audience of One
Yeasayer – I Remember
Karen O and the Kids – Building All the Love
Broken Bells – The Ghost Inside

Escrito por Bruno Reis

janeiro 25, 2010 em 10:55 am

Publicado em Coluna B

Coachella de verdade

com 2 comentários

Na semana passada, um poster do Coachella 2010 (megafestival que rola em Indio, na Califórnia) agitou o mundinho indie – principalmente no Twitter. Bandas como Arcade Fire, Pavement, Daft Punk, Them Crooked Vultures, Thom Yorke, Lady GaGa e White Stripes dividiam a atenção de um lineup inacreditável com grupos menores, representados no poster pelas letras pequenas. Entre eles estavam The xx, Gossip, St. Vincent, Rain Machine, Klaxons, The National, Little Boots, Portugal. The Man, Dirty Projectors e Grizzly Bear. Saca a peça aí:

Mas logo a desconfiança tomou conta do povo. A dúvida era: esse lineup de sonho era fake ou verdadeiro?  Hoje, finalmente, saiu a certeza de que era fake. É que o lineup real foi finalmente divulgado pelo site oficial do Coachella. Olha aí.

Muita coisa mudou de um poster pro outro, claro. Mas as verdadeiras atrações não estão de se jogar fora. É claro que um Daft Punk, um White Stripes  e um Arcade Fire fazem muita falta…  só que eu queria ir assim mesmo.

(via blog do Tas)

Escrito por Bruno Reis

janeiro 19, 2010 em 3:18 pm

CALLmeKAT no Style-A-Holic

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Mais uma contribuição minha para o style-a-holic está no ar. Desta vez, é a belezura dinamarquesa Katrine Ottosen, conhecida pelo nome CALLmeKAT. Olha lá e depois volta aqui pra ver mais esses dois vídeos da moça ao vivo, ano passado, no Start Festival.

CallMeKat @ Start Festival 2009 from M on Vimeo.

CallMeKat @ Start Festival 2009 from M on Vimeo.

Escrito por Bruno Reis

janeiro 19, 2010 em 11:01 am

Publicado em música

Coluna B, dia 09/01

com um comentário

Duas pra dois mil e dez

Enfim, 2010 começou. Na verdade, já faz mais de uma semana que o ano deu a largada, mas a Coluna B estava muito ocupada fazendo dezenas de listas e baixando os discos deste ano que ainda nem tiveram tempo de ser lançados, mas já estão em tudo quanto é canto da internet. Para nossa sorte, tem é disco bom nesta nova safra. Grandes trabalhos de bandas que surgiram há alguns anos e estão retornando com novas canções, outros de artistas experientes que deram uma sumida nos últimos tempos, ou estreias aguardadíssimas que finalmente veem a luz do dia (e da noite).

Para começar esse desfile de novas atrações, chamo ao palco dois álbuns que têm lançamento marcado para muito em breve e prometem fazer um bocado de barulho. Não por acaso, são duas bandas do famoso bairro Brooklyn, de Nova Iorque, que se destacaram nos últimos dois anos utilizando a música africana como referência mas escapolem suavemente deste caminho na segunda bolachinha de cada um. São eles “Odd Blood”, do Yeasayer, e “Contra”, do Vampire Weekend. Se você ainda não baixou, vai que dá.
Outra coincidência: ambas lançaram singles em dezembro. “Ambling Alp”, primeira faixa a surgir do Yeasayer, chegou a ser incluída em listas de melhores músicas de 2009 – e com méritos, mas a Coluna B preferiu considerá-la uma faixa de 2010. Já os vampiros de fim de semana nos deram “Horchata”, faixa boa, mas nada demais, e que nem fica entre as melhores do disco novo.

Um grande poço de sons diferentes. Assim é o Yeasayer, acostumado a ser visto como imprevisível. Em “Odd Blood”, essa estampa continua intacta, ou mais que isso: é aprimorada. A banda, que não nega sua paixão pelo eletrônico e pelos truques de produção, deu mais peso ao som psicodélico que pratica. “Mondegreen”, um dos destaques do disco, mostra como se faz uma música de pegada marcante e viagens sonoras mantendo sua veia pop. Após a abertura com a esquisitona “The Children”, onde os efeitos na voz de Keating o fazem parecer a Fever Ray, os versos de “Ambling Alp” e “Madder Red” são de facílima assimilação. “ONE” e “Love Me Girl” são músicas pra arrebentar em uma pista menos ortodoxa, trabalhadas nos detalhes, com o vocal saboroso passeando suavemente por toda a brisa eletrônica que cai por cima dos arranjos. O experimentalismo de “Strange Reunions” se debate ao redor da empolgante “Rome”, que cata um pouquinho da empolgação do rock dos anos 60 para se transformar em algo completamente diferente. Mas talvez a grande canção de “Odd Blood” seja a bela e psicodélica “I Remember”. Ou talvez não haja uma melhor que a outra neste fantástico disco.

Já o Vampire Weekend parece ter limpado um pouco da batucada de seu som em “Contra”. É como se pegassem as músicas e retirassem algumas camadas, principalmente as percussões (elas ainda estão lá, como se pode notar em “California English”, que também traz vocal com auto-tune, mas cada vez mais discretas). O ska misturado com indie rock continua fazendo a cabeça da banda, apesar de tudo. É notável o uso de novas instrumentações, com mais teclados e o uso de cordas, como é fácil perceber em “Taxi Cab”. E a explosão de ritmos também aparece novamente, em especial na deliciosa (e quase axé) “Cousins”, com sua bateria alucinada e arranjos frenéticos de guitarra – parece que o vocalista e compositor Ezra Koenig e seus amigos andaram escutando guitarrada, ou Robertinho do Recife. Os maiores exemplos de que “Contra” é um disco bem diferente do primeiro lançamento da banda são “Giving Up the Gun”, que fica próxima do Death Cab For Cutie, e “I Think Ur A Contra”, apenas cordas e vozes arrastando o disco para um final melancólico.

Notinhas

Várias
No final do ano passado, pra quem não sabe, morreu o músico Vic Chesnutt, aos 45 anos. O último trabalho de destaque do americano foi a dupla participação no álbum “Dark Night of the Soul”, de Danger Mouse e Sparklehorse. /// O Pearl Jam entrou de vez na era do twitter Além de fazer diversas promoções de divulgação do disco “Backspacer” por lá, agora os caras estão dando a faixa “Just Breathe” ao vivo, em troca de um retweet. A banda, que sempre foi ligada à internet, continua inovando (se não mais em seu som, pelo menos nas promoções). /// E o Mickey Gang, acabou mesmo? Uma pena, a molecada tinha futuro. Há muitas versões sobre o fim da banda correndo aqui em Vitória, umas com brigas, outras com muito dinheiro rolando, mas os caras afirmaram pra MTV que querem voltar a estudar. A gente torce para que um dia eles voltem, né?

Shows no Brasil – 1º semestre
Até agora, confirmado, com datas e tudo mais, estão: Guns N’ Roses – Brasília (07/03), BH (10/03), Sampa (13/03), Rio (14/03) e Porto Alegre (16/03); Coldplay e Bat For Lashes, agora reforçados pelo ótimo grupo cuiabano Vanguart – Rio (28/02) e Sâo Paulo (02/03); Beyoncé – Floripa (04/02), São Paulo (06/02), Rio (07/02) e Salvador (10/02); Franz Ferdinand – Porto Alegre (18/03), Rio (19/03), Brasília (21/03) e Sampa (23/03); Gossip – BH (12/03), São Paulo (19/03), e ainda shows em Brasília e no Rio, sem local e data confirmados. A confirmar, Lady GaGa, U2 e mais um monte de gente. Assim que a coluna tiver mais informações, elas estarão aqui.

Enquanto isso, em Vitória…
..o Udora volta a fazer show na praça. A banda toca no dia 15 de janeiro, muito provavelmente no Teacher’s Pub. (a data mudou para o dia 17 de janeiro, domingo, dentro do Rocket Festival, e quem “abre” para a banda mineira é este que vos fala, com o duo de DJs The Lebowskis)

Todo mundo tem que ouvir
Devagar vou descobrindo o que perdi em 2009. A primeira é a ótima Sleigh Bells, dupla novaiorquina que lançou um EP homônimo e colocou muita gente pra dançar no ano passado.
Formado por Derek Miller, veterano do hardcore, e Alexis Krauss, ex-cantora de banda teen pop e professora escolar, o duo une barulho e melodias pop como poucos. Vale ouvir.

Playlist
Retribution Gospel Choir – Bless Us All
Los Campesinos! – There Are Listed Buildings
Laura Veirs – Carol Kaye
Romulo Fróes – Destroço
Everything Everything – My Keys, Your Boyfriend
Midlake – Acts of Men
Mallu Magalhães – Bee On The Grass
Grizzly Bear – Dory
Beach House – 10 Mile Stereo
Black Kids – Look At Me (When I Rock Wichoo)

Escrito por Bruno Reis

janeiro 13, 2010 em 1:48 pm

Publicado em Coluna B

Coluna B, dia 02/01

com 2 comentários

Coluna B International Awards 2009

Para fechar a longa retrospectiva de 2009, apresento para os leitores o primeiro Coluna B International Awards, uma série de outras listas e destaques que ultrapassam os ultrapassados formatos de discos. Ao todo, só no ano passado, foram 271 álbuns baixados, recebidos ou escutados, um número muito maior do que eu poderia imaginar que conseguisse, mas que fez 2009 valer a pena com uma quantidade imensa de bons trabalhos, novas bandas e artistas que se consagraram. Veja os indicados, os vencedores e os perdedores de 2009. E feliz ano novo pra você.

Melhores Músicas de 2009:

1 – Stillness Is The Move – Dirty Projectors (do disco “Bitte Orca”)

2 – Zero – Yeah Yeah Yeahs (do disco “It’s Blitz!”)

3 – My Girls – Animal Collective (do disco “Merriweather Post Pavilion”)

4 – Islands – The Phantom Band (do disco “Checkmate Savage”)

5 – Cornerstone – Arctic Monkeys (do disco “Humbug”)

6 – Crystalised – The Xx (do disco “The Xx”)

7 – Throwing Bones – The Phantom Band (do disco “Checkmate Savage”)

8 – Heavy Cross – Gossip (do disco “Music For Men”)

9 – Lose Your Soul – Dead Man’s Bones (do disco “Dead Man’s Bones”)

10 – Lisztomania – Phoenix (do disco “Wolfgang Amadeus Phoenix”)

11 – Dog Days Are Over – Florence + The Machine (do EP “A Lot Of Love, A Lot Of Blood”)

12 – Just Breathe – Pearl Jam (do disco “Backspacer”)

13 – Surprise – Inara George (do disco “Accidental Experimental”)

14 – I Chose Rapture – cellardoor (do disco “Rites Of Passage”)

15 – Sleepyhead – Passion Pit (do disco “Manners”)

16 – Actor out of work – St. Vincent (do disco “Actor”)

17 – Check My Brain – Alice In Chains (do disco “Black Gives Way To Blue”)

18 – Jaykub – Danger Mouse & Sparklehorse (do disco “Dark Night of the Soul”)

19 – We Are Kids – Lacrosse (do disco “Bandages For the Heart”)

20 – 11th Dimension – Julian Casablancas (do disco “Phrazes For the Young”)

Melhores EPs de 2009:
1 – Animal Collective – Fall Be Kind
2 – Deradoorian – Mind Raft
3 – Florence and The Machine – A Lot Of Love, A Lot Of Blood
4 – Delorean – Ayrton Senna
5 – The Drums – The Drums
6 – Laura Jansen – Single Girls
7 – Cold War Kids – Behave Yourself
8 – Marina & The Diamonds – The Crown Jewels

Trabalhador do ano:
Josh Homme – O dono do Queens of the Stone Age produziu a grande parte das faixas do ótimo “Humbug”, terceiro e mais maduro do Arctic Monkeys. Depois, se uniu a Dave Grohl e John Paul Jones para formar uma das bandas do ano, o Them Crooked Vultures. Precisa mais?

Revelações do ano
Mundo:
The Xx
Dead Man’s Bones
The Phantom Band
Passion Pit

Brasil:
Lulina
André Paste
Banda Gentileza
Holger

Espírito Santo:
T.R.E.P.A.X.
cellardoor
JoeZee
F.U.E.L.

Melhor retorno inesperado:
Alice In Chains – confesso que criei essa categoria só por causa deles. A banda saiu do limbo em que entrou após a morte do vocalista Layne Staley com um disco surpreendentemente sensacional. Merece destaque.

Decepções do ano:
Joan As Police Woman – após um começo arrasador, um segundo álbum mediano e um terceiro, “Covers”, ainda mais falho. Uma pena.
Howling Bells – outra banda que prometia com um primeiro álbum excelente, mas escorregou feio na segunda tentativa.
M. Ward – após o She & Him, sua carreira solo ficou modorrenta demais.
Muse – Alguém ainda suporta o Muse tocando a mesma música há três discos?
Wolfmother – Após o fim oficial da banda, o vocalista chamou mais componentes e gravou esse disco anêmico. Era melhor ter ficado só na história.

Melhor show do ano:
Radiohead em São Paulo – Talvez não apenas do ano, mas da década, quem sabe de toda a vida. Um espetáculo audiovisual surreal.

Artistas improváveis:
Endah n’ Rehsa – Longe de mim querer ser desrespeitoso com o país, mas Endah n’ Rehsa são da Indonésia. Ok?
Ryan Goslin – um dos melhores atores desta nova geração, mas quem diria que seria um músico tão criativo?

Melhores filmes:
A Coluna B também vai ao cinema e se reserva o direito de escolher os 15 filmes que foram lançados ou vistos em 2009.
1 – Bastardos Inglórios
2 – Sinédoque Nova Iorque
3 – À Deriva
4 – O Lutador
5 – Up
6 – Dúvida
7 – Entre os Muros da Escola
8 – Arraste-me Para O Inferno
9 – Se Beber, Não Case
10 – Palavra (En)Cantada
11 – Deixe Ela Entrar
12 – JCVD
13 – 500 dias com ela
14 – Foi Apenas um Sonho
15 – Che

Escrito por Bruno Reis

janeiro 7, 2010 em 3:54 pm

Publicado em Coluna B, música

Primeiro Ópio de 2010

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Texto inédito na coluna da Paradoxo:

Acordo todos os dias e te dou bom dia. Faço o primeiro xixi da manhã e você passa pela porta do banheiro fazendo um rabo de cavalo. Jogo água gelada na cara para acordar direito, levanto o rosto e você está me olhando pelo espelho, o sorriso congelado de quem é feliz exatamente naquele momento. Abro o meu pão com uma faquinha de serra e você está na cadeira ao lado, mexendo o açúcar no seu café com a calma de quem não tem compromisso nenhum de manhã (…)

Quer ler tudinho? É só clicar aqui e ir pra lá.

Escrito por Bruno Reis

janeiro 6, 2010 em 12:43 am

Publicado em conto, crônica

Novidade para 2010: Style-A-Holic

com um comentário

Para começar o ano direitinho, com alguma coisa nova, diferente do que rolou em 2009, uma boa notícia: passo a partir de agora a contribuir para o blog Style-A-Holic, comandado pelo camarada Dudu.

O blog, que é muito bacana, aponta suas principais armas para a moda, mas cabe ali também design, comportamento e cultura pop. Minha estreia foi falando da ótima Sleigh Bells, que surgiu no final do ano passado e já tá sendo bombada por aí. Dá uma sacada, e vamo que vamo que 2010 já começou.

Escrito por Bruno Reis

janeiro 5, 2010 em 10:30 am

Publicado em cinema, cotidiano, música

Coluna B – Os melhores discos do ano

com um comentário

Nas duas últimas semanas, publiquei na Coluna B, em duas partes, minha lista dos 50 melhores discos do ano. Ao invés de colocar aqui as duas colunas como saíram no jornal, vou juntar todos os álbuns com os comentários originais, sem cortes. Bom proveito.

Top 50 discos de 2009

1 – The Phantom Band – Checkmate Savage
Há muito tempo um disco de rock – no melhor sentido da palavra – não me tirava o fôlego desta forma. É de se aplaudir de pé uma banda que soe genial sendo tão simples.
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2 – The Xx – The Xx
Só mesmo o bombardeio de referências que os jovens de hoje em dia sofrem seria capaz de criar um som tão original, bonito e criativo. Um disco que certamente ajudará a definir o som da segunda década deste século.
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3 – Dirty Projectors – Bitte Orca
David Longstreht queria ter uma banda pop. David Longstreht queria ter uma banda indie. David Longstreht queria ter uma banda experimental. O sexto álbum do Dirty Projectors, “Bitte Orca”, realizou os três desejos de seu fundador de uma vez só.
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4 – Animal Collective – Merriweather Post Pavilion
Conhecido pela sua veia experimental, o Animal Collective resolveu pingar uma gota de pop no seu esquema de fortes cores psicodélicas. Resultado: um disco fenomenal, acessível e incansável.
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5 – Dead Man’s Bones – Dead Man’s Bones
Um astro de Hollywood se une a um coral de crianças em um disco sombrio, que fala de zumbis, fantasmas e afins. Tinha tudo pra dar errado, mas deu certo até demais. Um salve para o talento de Ryan Goslin.
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6 – Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix
A música pop produz centenas de discos, EPs e singles todos os anos, mas pouquíssimos acertam tão na mosca como esses franceses acertaram. Canções deliciosas, grudentas e impossíveis de se ignorar.
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7 – St. Vincent – Actor
Quem escuta a voz de Annie Clark se encanta de cara. Quem investe seu tempo para ouvir cada nuance de suas canções presentes em “Actor”, se apaixona perdidamente. Uma artista completa.
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8 – Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz!
O terceiro disco do trio conseguiu unir os predicados dos álbuns anteriores. Há aqui algumas das músicas mais sensacionais deste ano, com melodias marcantes e a voz incrível de Karen O.
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9 – CALLmeKAT – Fall Down
Uma das grandes descobertas do ano. De voz e estampa incrivelmente sexys, a dinamarquesa Katrine Ottosen abusa dos barulhinhos viajantes para costurar um som moderno, lo-fi e altamente sedutor.
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10 – Grizzly Bear – Veckatimest
Os queridinhos do indie americano acertaram a mão novamente. Um disco abarrotado de canções lindas de morrer, sensível e poético como poucos conseguiram ser em 2009.
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11 – Alice In Chains – Black Gives Way To Blue
Após muitos anos sem gravar material inédito, desde a morte do vocalista Layne Staley, o grupo retorna ao cenário (capitaneados ainda por Jerry Cantrell) surpreendendo pelo material de altíssima qualidade.
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12 – Kasabian – West Ryder Pauper Lunatic Asylum
O terceiro disco da carreira dos ingleses é, na minha opinião, o único disco realmente memorável que a banda lançou até hoje. Demorou, mas quando acertaram, o fizeram em cheio. Um discaço.
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13 – Arctic Monkeys – Humbug
Produzidos por Josh Homme (em 8 das 10 faixas), a banda de Alex Turner deu mais uma vez a prova de que são um nível acima das trocentas bandas de sua geração. Destaque para a perturbadora “Cornerstone”.
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14 – John Frusciante – The Empyrean
O (ex?) guitarrista do Red Hot Chili Peppers segue impávido com sua excepcional carreira solo. “The Empyrean” é um álbum temático que traz Frusciante e sua guitarra jorrando qualidade pelo ladrão.
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15 – Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures
Quando escrevi sobre este disco, afirmei que não tinha como dar errado uma banda com essa formação. Mais do que isso, a estreia dos Vultures é fascinante, pesada e melódica como poucos foram em 2009.
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16 – Gossip – Music For Men
Beth Ditto é uma deusa do indie rock. Uma deusa moderna, com voz de trovão, letras nervosas e um pique inacreditável em cima do palco, que é traduzido com exatidão para este grande e frenético trabalho.
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17 – Banda Gentileza – Banda Gentileza
A melhor banda a surgir no país no ano de 2009. Os curitibanos lançaram um disco de estreia que atira para o samba, o rock, o pop e até para a música latina e do leste euroupeu – e acerta em todas.
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18 – Fever Ray – Fever Ray
A metade feminina do sensacional The Knife dá início a uma esperadíssima carreira solo com um álbum seguro, ousado nas melodias enegrecidas e acachapante na forma. Imperdível.
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19 – Norah Jones – The Fall
Minha musa inspiradora da vida toda lançou mais um disco sensacional. A beleza de “The Fall” está em cada detalhe, nas quase inéditas guitarras, na voz sussurrada e nos inclassificáveis arranjos de piano. Linda.
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20 – Danger Mouse & Sparklehorse – Dark Night of the Soul
Uma experiência sonora inesquecível que conta com convidados como Iggy Pop, Black Francis, Julian Casablancas, Wayne Coyne, Nina Persson, Gruff Rhys e muitos outrros.
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21 – Ohbijou – Beacons
Canadense, o grupo fez jus a sua origem e lançou esse álbum delicioso, tão suave e sensível que merece o posto de disco para chorar do ano. Destaque pra voz “fofa toda vida” de Casey Mecija.
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22 – Bat For Lashes – Two Suns
Depois de uma estreia arrasadora, Natasha Khan se encheu de novidades para esse lindo álbum. E ouçam muito, porque ela vem ao Brasil ano que vem acompanhando o Coldplay.
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23 – Pájaro Sunrise – Done/Undone
A banda folk espanhola tem uma carreira curta, mas já neste segundo disco mandou logo um álbum duplo. Ousadia? Sim, e cada música valeu a pena ter saído.
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24 – Franz Ferdinand – Tonight
O grupo escocês, um dos donos do rock nos anos 2000, continua a sua saga de lançar grandes discos. E, especialmente neste, se permite ir um pouquinho além do indie rock.
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25 – Omar Rodriguez-Lopez – Solar Gambling
O pró-ativo guitarrista do Mars Volta, acompanhado de sua namorada, a cantora e compositora mexicana Ximena Sarinana, põe na rua mais um trabalho visceral e inovador.
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26 – Regina Spektor – Far
Após o maravilhoso “Begin To Hope”, Spektor levou um bom tempo para gravar um novo álbum. “Far” mostra que, na vida e na música, vale a pena esperar.
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27 – Lulina – Cristalina
A cantora e compositora pernambucana vive em um mundo próprio e manda as notícias de lá através de sua música, sempre divertida e sensível.
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28 – Inara George – Accidental Experimental
A vocalista do Bird and the Bee estreia carreira solo com um disco delicado, onde o personagem principal é sua voz de veludo azul.
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29 – Leaves – We Are Shadows
Os islandeses do Leaves surgem do nada, somem, reaparecem, viram fumaça de novo, mas sempre que dão as caras, têm um belo disco em mãos.
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30 – Ben Kweller – Changing Horses
O menino prodígio do folk e do country alternativo americano já não é mais criança. “Changing Horses” traz algumas preciosidades que comprovam isso.
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31 – Julian Casablancas – Phrazes For The Young
O stroke que mais tempo demorou para lançar um trabalho solo finalmente saiu de suas longas férias com um disco esquisitão e delicioso.
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32 – Noah and The Whale – First Days of Spring
O lado mais poético do indie está aqui. Belas melodias, música sem pressa, sem medo de ser leve. E esse disco traz a belíssima “Blue Skies”.
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33 – Passion Pit – Manners
Música para dançar, acima de tudo, mesmo que juntinho. As melodias simples se envolvem com os arranjos detalhistas e formam uma das grandes surpresas de 2009.
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34 – Sophie Madeleine – Love. Life. Ukelele.
A moça empunha um ukelele, dá um trato na voz, pega uma dezena de refrões grudentos e grava um disco pra ficar no pódio daqueles que chamamos de “fofos”.
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35 – Laura Jansen – Bells
As influências pop desta holandesa fazem com que ela se saia bem demais em seu disco de estreia. Algo entre Feist e Lavender Diamond, se é que vocês me entendem.
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36 – The Raveonettes – In and Out Of Control
Grande álbum da dupla dinamarquesa. Um misto de potência roqueira com guitarras estridentes e melodias fofas com a voz da bela Sharin Foo se destacando.
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37 – The Boy Least Likely To – The Law of the Playground
Música indie infantil: talvez seja esta a mais perfeita descrição deste disco. Os arranjos cuidadosos e o clima inocente das canções ajudam a dar essa cara para a banda.
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38 – Lestics – Hoje
Uma das melhores bandas nacionais da atualidade, o Lestics ainda busca seu espaço entre os neo-grandes da música pop brasileira. Mas, com mais um grande disco, aqui o lugarzinho deles estará sempre reservado.
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39 – Taken By Trees – East Of Eden
A sueca Victoria Bergsman, vocalista da The Concretes, envereda por uma carreira solo quase inevitável e traz ainda a pérola “My Boys”, versão de “My Girls”, do Animal Collective.
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40 – Lacrosse – Bandages For the Heart
Mais um discaço vindo da querida Suécia. O sexteto consegue manter a alegria das músicas mesmo nas partes mais melancólicas do disco. Um belo álbum de estreia.
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41 – The Wooden Birds – Magnolia
Folk vai ao pop, toma duas colheradas e volta. É mais ou menos assim que o Wooden Birds fez para giravar seu disco. O trabalho, todo acústico, rendeu belíssimas canções.
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42 – Ramona Falls – Intuit
O vocalista do Menomena armou um belo disco solo – folk e rock, cheio de arranjos sensacionais e com canções que conquistam fácil.
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43 – Pearl Jam – Backspacer
O novo disco do Pearl Jam não chega aos pés do que a banda fez na década de 90, mas é um dos grandes lançamentos do grupo nos anos 2000 – e isso não é pouco.
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44 – Atlas Sound – Logos
Outro “dissidente”: desta vez é Bradford Cox, do Deerhunter, que grava com seu projeto solo. Uma maravilha de disco, cheio de momentos inspiradores.
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45 – HEALTH – Get Color
Os caras levam muito a sério aquele grito de guerra dos shows, “vamo fazer barulho!”. Mas o noise atacado do grupo é de uma beleza ímpar.
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46 – Megafaun – Gather, Form and Fly
Sossego total, com lindos arranjos de violão e passagens de percussão. Sentimentalismo em forma de música, com momentos divertidos no meio.
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47 – Marissa Nadler – Little Hells
Nadler tem uma delícia de voz e consegue passear pelo suave e pelo tenso com uma sensacional cara de século passado. Lindo disco.
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48 – Art Brut – Vs Satan
Depois de um segundo disco fraco, o Art Brut resolveu dar mais moral pras guitarras e deixar o Argos falando besteira em segundo plano. Deu certo.
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49 – Lucas Santtana – Sem Nostalgia
O cara praticamente reinventou a forma de se tocar violão. Além das viagens potentes com um instrumento tão tradicional, ainda criou grandes canções.
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50 – Sondre Lerche – Heartbeat Radio
Ele é o cara. Outro belo disco para sua carreira, mais uma vez sem uma direção definida, se deixando levar aos sabores das estações.

Escrito por Bruno Reis

dezembro 28, 2009 em 4:40 pm

Publicado em Coluna B

O último café

com um comentário

Pessoal, esta é a última coluna Ópio no Café de 2009.

“O que é pior, o amor que acaba ou o o amor que nem começa?”

Clica aqui e lê lá. Até ano que vem.

Escrito por Bruno Reis

dezembro 23, 2009 em 11:20 am

Publicado em conto, crônica

Coluna B, dia 12/12

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O Brasil sabe ser pop – parte 2
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Peço licença para continuar o assunto de semana passada. Para quem não leu, explico em linhas gerais: no último sábado comentei aqui sobre a falta de renovação da música brasileira no mainstream – para o grande público, a excelente nova safra de bandas e artistas nacionais simplesmente não existe. Roupa Nova, O Rappa, Jota Quest e afins continuam carregando uma bandeira escorraçada do pop rock nacional como se fossem mártires de um mercado falido, e isso não é culpa deles. Aproveitei o espaço para apresentar os pernambucanos Lulina, Otto (esse já velho conhecido) e Cidadão Instigado. Hoje a gente desce até Curitiba.

É de lá, do sul do país, que saiu a grande revelação nacional de 2009. Quando falei deles aqui algumas colunas atrás, citei que era uma banda ideal para os órfãos do Los Hermanos. Eu não menti. Assim como a sensacional banda carioca, que marcou época como o último grande grupo a surgir no país com autoridade bastante para ser indie e pop na mesma canção, a Banda Gentileza também consegue se sobressair por colocar em suas músicas uma mistura excelente de música regional, como o samba e a viola caipira, com ritmos universais, como o indie rock. Para completar, há nas faixas de “Banda Gentileza”, disco de estreia dos curitibanos produzido pelo músico e DJ Plinio Profeta, uma alegria incontida que os aproxima muito dos dois primeiros álbuns do Los Hermanos.

Honesta e extremamente coerente com sua filosofia liberal, a Banda Gentileza distribuiu seu primeiro disco na raça. Através de um perfil no Twitter, Heitor Humberto, Diego Perin, Artur Lipori, Tetê Fontoura, Emílio Mercuri e Diogo Fernandes (que se dividem entre os instrumentos básicos de uma banda de rock e outros como concertina, saxofone, viola caipira, cavaquinho, trompete, violino e ukelele) divulgaram um link para que seus seguidores baixassem o álbum de graça. No primeiro mês, 1.300 downloads foram feitos. Os elogios choviam de todos s lados, e não era à toa. Há também no som do grupo um incrível senso de gentileza para com os artefatos que são usados para compor sua personalidade musical. Aqui, pandeiro e guitarra têm a mesma importância. O “lalalá” que move refrões possui a mesma cadência de frases de efeito como “o que você faz não me diz respeito mais, mas desrespeitou”, presente na lindíssima “Coracion”, que abre o disco.

Ganham destaque imediato os arranjos criativos que a banda imprime em todas as músicas, das mais simples às mais rebuscadas. Do baixo saem linhas pulsantes, as guitarras e os violões estão sempre se encontrando, os instrumentos “convidados” vez ou outra roubam a cena, como o ukelele e a viola na ótima “Teu Capricho, Meu Despacho”. As muitas e variadas referências que os componentes trazem dão um tempero irresistível ao disco. A melódica e afiada música do leste europeu está presente com força em “Afinal de Contas” com sua troça de violinos, e em “O Indecrifrável Mistério de Jorge Tadeu”, faixa sensacional que recebe metais e pegada que lembram o Los Hermanos, recebendo ainda uma pitada de breguice com a intrigante citação a Reginaldo Rossi. O samba é artigo principal na deliciosa “Preguiça”, um hino maravilhoso à boa vida, e na animada “Maior Com Sétima”, que esmiuça o processo de composição da banda com bom humor invejável.

Se você quer algo com os dois pés no rock, preste atenção na dançante “Pseudo Eu”, com suas guitarras abusadas, acompanhamento no trompete e bateria salpicada, em “Sintonia”, de riffs poderosos e levada reggaeira, e na bonitinha “Pia do Prédio”, toda suingada. Se prefere a calmaria da música caipira, a curiosa “Sempre Quase” (que lembra o sumido Supercordas), de letra engraçadinha, é a melhor pedida. Outras que lembram a banda de Amarante e Camelo são a potente “33B”, com um belo jogo entre vocal e backing vocal, e a bela “O Estopim”, cheia de grandes momentos espalhados pela canção.

Com um disco de estreia tão bom, a Banda Gentileza me dá esperança de um futuro extremamente promissor para abanda – e, naturalmente, para a música pop nacional. A música nacional está em um ótimo momento, só não vê (ou ouve) quem não quer.

Notinhas

Portishead pela anistia
Portishead lançou uma nova faixa na última quinta em parceria com a Anistia Internacional. A data não foi ocasional: 10 de dezembro foi o dia internacional dos direitos humanos. A música “Chase The Tear”, de uma batida urgente e abafada, em contraste com a voz deliciosamente lamuriosa de Beth Gibbons, está disponível para download no site http://www.7digital.com/portisheadamnesty .

Novidades
O Massive Attack parece ser mais um nome para o mês de março de 2010 no Brasil. Pelo menos no Chile eles já estão confirmados. /// Aliás, março também marca a volta do She & Him, mas apenas em disco. A dupla da musa Zooey Deschanel anunciou seu “Volume 2″, com participação de Tilly and the Wall e inclusão duas covers, para o dia 23/03. Aguardemos. /// Já o Arcade Fire jogou um baldinho de água fria na turma ao avisar que seu disco deve sair apenas no fim do ano que vem. Oh, Deus. /// “Primary Colours”, do Horrors, foi escolhido o melhor disco de 2009 pela revista inglesa NME. E, segundo lugar ficou a estreia do XX, e em terceiro “It’s Blitz!”, do Yeah Yeah Yeahs. Uma lista honesta, até. /// Aproveito para dizer que, a partir da semana que vem, a Coluna B começa a divulgar suas listas de melhores do ano. Não perca.

Todo mundo tem que ouvir
O Animal Collective lançou em janeiro um dos discos do ano: “Merriweather Post Pavilion”. Não satisfeitos, fizeram agora o favor de lançar um dos EPs do ano.
O disquinho “Fall Be Kind” vem com apenas cinco faixas, mas parecem ter sido selecionadas com cuidado irreal. Mais um lançamento sensacional do Animal Collective.

Playlist
Death Cab For Cutie – Meet Me On The Equinox
Biffy Clyro – That Golden Rule
La Roux – Bulletproof
Wild Beasts – Hooting and Howling
Holger – WarHealth – Die Slow
Lulina – Subtexto
Otto – Lágrimas Negras
Lily Allen – The Fear
Memory Tapes – Bicycle

Escrito por Bruno Reis

dezembro 16, 2009 em 9:08 pm

Publicado em Coluna B

Ópio, sim

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Nova crônica na minha coluna da Revista Paradoxo, a querida Ópio no Café. Saca um trecho aí:
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(…) Quando foi que perdemos o viço, quando exatamente a cola que nos unia perdeu a liga, quando as tábuas que formavam nossa ponte se tornaram frágeis demais para suportar o nosso peso? Agora estamos aqui, você do lado de lá, eu do lado de cá, e nada no meio. Não sinto nem o rastro daquela força que nos guiava em direção ao outro. Aonde isso foi parar? (…)
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Tá a fim de ler tudo, tudinho mesmo? clica aqui, ó: Ópio no Café.

Escrito por Bruno Reis

dezembro 16, 2009 em 1:23 am

Publicado em conto, crônica

Coluna B, dia 5/12

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O Brasil sabe ser pop

Um tempo atrás, em uma discussão pacífica com um tio querido que, na época, estava produzindo um evento no interior do Estado, escutei que o grupo Roupa Nova era um dos poucos que realmente prestavam no Brasil. Discordei com veemência, mas ainda ouvi que hoje em dia nenhuma banda pop tem boas músicas como eles. Imediatamente listei uma meia dúzia de grupos novos que possuem um trabalho de destaque e que poderiam, em um futuro próximo e com o apoio que um grupo veterano como Roupa Nova recebe, estourar em qualquer canto do país. Resultado: meu interlocutor não conhecia nenhuma delas e manteve sua opinião intacta.

Com todo o respeito, esta coluna e a da semana que vem, quando falarei de mais novos e excelentes artistas nacionais, são dedicadas ao meu tio. A ele e a tantos outros que ignoram, mesmo sem querer, a nova geração da música brasileira. Nomes que surgem a cada dia, despertando o país de um sono pesado – aditivado por uma ressaca do rock nacional que há tempos não leva para o mainstream a qualidade que tem escondida em seu circuito alternativo. Hoje, os exemplos ficam apenas em um estado: Pernambuco, com Cidadão Instigado, Lulina e Otto. E você, caro produtor de espetáculos, abra os olhos. Em pouco tempo você pode estar correndo atrás de um desses nomes.

Cidadão Instigado
Um grupo como o Cidadão Instigado é capaz de encher qualquer casa de espetáculos do país. Pelo menos, a julgar pela qualidade musical da banda e pelo grande disco “Uhuuu!”, o terceiro da carreira do grupo de Fortaleza. Criado pelo guitarrista Fernando Catatau, o grupo tem um lado brega bem aflorado e faz um som bastante acessível, contando com belos arranjos de guitarra, alguns toques regionalistas e uma influência palpável do rock anos 70, gringo e nacional. As melodias de “Dói” e “Doido”, por exemplo, são acachapantes, cheias de suíngue e com palhetadas firmes. Enquanto isso, “Homem Velho” e “Como As Luzes” se deixam envolver pelo lado brega do grupo, mas mantendo-se divertidas o tempo todo. “O Cabeção” é espacial e criativa, já “Deus É Uma Viagem” é mesmo uma viagem, ligeiramente melancólica, que ganha aparato de metais e corais a certa altura, calibrando-a como uma das mais marcantes de um disco que merece ser ouvido por mais e mais pessoas.

Lulina
Se o mundo fosse um lugar justo, Lulina seria a cantora mais badalada do Brasil hoje, enfrentando de peito aberto toda essa geração de neo-sambistas de longos vestidos floridos e vozes empostadas. Mas Lulina tem um mundo próprio, o qual habita sozinha e de onde tira toda a matéria-prima necessária para tecer pequenas preciosidades do cancioneiro nacional atual. Em seu primeiro disco, “Cristalina”, a cantora de Recife, atualmente morando em São Paulo, recuperou diversas faixas de seus intermináveis EPs produzidos ao longo do tempo e regravou 17 faixas, deixando apenas uma, a irônica “Meu Príncipe”, para estrear no disco novo. A forma única de compor de Lulina, quando aborda desde assuntos fofinhos, como na suave “A Margarida”, passando por lindas declarações de amor como em “Nós”, até doenças esquisitas, como quando fala sobre bolhas na pleura em “Blebs”, é seu grande trunfo. Ela retrata tão bem esse universo paralelo que fica impossível não se ver lá por alguns momentos, observando minhocas malucas, ETs que sangram, paulistas com sotaques carregados ou o comediante Jerry Lewis, que recebe uma homenagem curiosa. O olhar de Lulina sobre o reveillon em “Bosta Nova” é uma boa forma de exemplificar como essa sensacional artista consegue fazer grandes letras, melodias de chorar e criar climas irresistíveis. Se o nosso mundo fosse o delicioso mundo de Lulina, tudo seria mais estranho e bonito.

Otto
Nunca fui lá muito fã de Otto. Escutava ressabiado suas canções, gostava de alguma coisa ali, outra aqui, mas me acostumei a não ver muita graça no cantor pernambucano. Até o dia em que me disseram que “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” era o disco que todo mundo sempre esperou que Otto gravasse. A prometida criativdade em misturar seu forte lado regional com um pop sem vergonha e um rock elegante, que antes permanecia apenas na promessa, torna-se imediatamente realidade por aqui. As participações de Céu e Julieta Venegas ajudam a colocar Otto nos trilhos, deixando até sua percussão mais pontual – “Filha” é uma emocionante mostra disso, além da ótima “Janaína”, da temperada “Crua” e da tristonha “Lágrimas Negras”. Dizem as más línguas que a potente injeção de melancolia que faz de “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” o melhor dos quatro discos de Otto foi dada pela separação do cantor e da atriz Alessandra Negrini. Se for assim, foi mal, Otto, mas tomara que você tome outros chutes na bunda. Tá fazendo bem.

Notinhas

Novidades pipocam
Ah, 2010. Se tudo se confirmar, o ano que vem vai ser uma profusão inacreditável de bandas gringas por aqui – pequenos festivais, atrações inesperadas, grupos enormes e nomes iniciantes, tudo o que você pensar. A novidade é a presença do Guns n’ Roses na América do Sul entre março e abril. Quem diria, Axl por aqui novamente. A outra história, soprada pelo blog Popload, é que o U2 vem mesmo – só não se sabe ainda quando. As opções são abril e novembro (no Chile, já se sopra a data em abril, mas sem certezas). Eles se juntam a Metallica, Coldplay, Franz Ferdinand, Gossip e Bat For Lashes, atrações já confirmadas. Vai ser fácil não. Todo mundo com a mão no bolso!

Mais discos
Para quem acha que estamos em dezembro de 2009, aviso logo que 2010 começou faz tempo. Pergunte para Spoon, que lança “Transference” em 18 de janeiro? Pergunte também para o Black Rebel Motorcycle Club, que anuncia trabalho novo para março, ou para o Keane, que vai lançar um EP com oito músicas em maio. Já para a Zooey Deschanel, deixa que eu pergunto, porque o She & Him já anunciou seu “Volume Two” para o começo do ano. Há também novidades vindo do Shout Out Louds (fevereiro), Goldfrapp (março) e New Young Pony Club (também em março). Ah, infelizmente o Babyshambles também planeja disco novo, para quem os suporta (não contem comigo). Mas a maior expectativa fica mesmo por conta do aguardadíssimo terceiro álbum do Arcade Fire, ainda sem data, mas já com fila de espera (conte comigo).

Todo mundo tem que ouvir
Não entendo como demorei tanto para escutar o Dead Man’s Bones. Quanto tempo perdido! O disco de estreia, auto-intitulado, é uma das obras mais sensacionais deste ano.
Para quem não sabe, esta é a banda do ótimo ator Ryan Goslin, com participação de um coral de crianças enfiados em uma atmosfera de filme de terror. Sacou? O Dead Man’s Bones é simplesmente genial. Corre que dá.

Playlist
Animal Collective – Bleeding
Zemaria – Any Distance
Washed Out – Hold Out
A Fine Frenzy – Wish You Well
Toro y Moi – Low Shoulder
The Watson Twins – The Brave Ones
Jacuzzi Boys – Island Avenue
Banda Gentileza – O Estopim
Why? – These Hands
Dirty Projectors – Stillness is the Move

Escrito por Bruno Reis

dezembro 13, 2009 em 6:57 pm

Publicado em Coluna B

Ópio no Café

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Povo do lado de lá da tela, cá está a minha coluna da Paradoxo desta semana: clica aqui que dá lá.

Escrito por Bruno Reis

dezembro 9, 2009 em 2:58 pm

Publicado em conto, crônica

Coluna B, dia 28/11

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Muito atrasada. #-/
A coluna da semana passada entra amanhã.

Química impecável

Pegue um músico de criatividade ilimitada que usa a guitarra como se fosse a continuação das suas mãos. Agora, cace por aí um baixista histórico, figurinha carimbada em qualquer lista de melhores de todos os tempos no instrumento. Pra completar, dê um jeito de arrumar um baterista sensacional, também um músico completo em todos os sentidos. Faça-os amigos, com prazer genuíno de tocar um com o outro. Junte todos em um estúdio, tranque-os lá até que saiam com um disco fenomenal em mãos, pesado, diferente, abusado. Um dos melhores do ano, sem dúvida.

É mais ou menos essa a fórmula do quase inacreditável Them Crooked Vultures. Josh Homme é líder, vocalista e guitarrista do Queens of the Stone Age (além do Desert Sessions, do Kyuss, etc), John Paul Jones foi baixista “apenas” do Led Zeppelin, uma das mais reverenciadas bandas do rock, e Dave Grohl foi baterista do Nirvana e é líder, vocalista e guitarrista do Foo Fighters. Sério, não parece uma combinação quase improvável? Mas não é. A união entre Homme e Grohl, na verdade, nem é nova. Os dois são amigos, já gravaram juntos no QOTSA e participaram de inúmeros projetos paralelos. As conexões começaram a se fechar quando Grohl tocou com Jones em alguns shows na Europa, fazendo participações especiais. E é claro que, para os dois mais jovens, tocar com uma lenda do rock é um prazer que não tem preço.

Como um grupo de amigos que resolve tirar um som no fim de semana, o Them Crooked Vultures surgiu e começou a decolar. A química era impecável. Gravar um disco não parecia nos planos dos três quando tudo se iniciou, mas mostrou-se algo absolutamente natural e necessário quando o encaixe do power trio se mostrou matador. Após alguns ensaios, os caras começaram a marcar shows de surpresa em que os ingressos se esgotavam em minutos. Montaram também um site e um perfil no twitter para revelar bem devagar como soariam as faixas de “Them Crooked Vultures”, álbum de treze incendiárias faixas lançado no mês passado. O mistério fez bem à banda. Poucos e mal gravados vídeos surgiam no YouTube, mas eram vistos por tanta gente que viravam hits imediatos.

Assim que liberaram em streaming o disco completo, a internet pegou fogo. Todo mundo estava ouvindo as guitarras pesadas de Homme ecoarem pelas faixas. O clima stoner de QOTSA, complementado com uma levada de rock setentista e as pancadas certeiras e desencontradas da bateria surtiam efeito. Hipnotizado, escutei sem parar o disco inteiro por quatro vezes seguidas. Não parei mais. A cada play, uma nova viagem se estabelecia. “Mind Eraser, No Chaser” me tirou do chão sem dificuldade – a levada quebrada se embrenhando em camadas e mais camadas de guitarras, os vocais de Homme e Grohl se encontrando no refrão, tudo fazia muito sentido. Eu flutuava. A sensacional “Scumbag Blues” (Led Zeppelin puro) me colocou em outra dimensão, por onde fiquei a visualizar pratos incandescentes e mulheres de biquini dançando com formigas gigantes. Viagem.

Era impossível me libertar. Nem que eu quisesse, conseguiria ignorar os solavancos tridimensionais de “Elephants”, uma das faixas mais impressionantes deste ano. “No One Loves Me & Neither Do I” abre o disco: suingada, bonitona, sensual, luxuosa – coisa de quem sabe fazer música boa. “Reptiles” busca as forças no heavy metal, “Gunman” é quase dançante, não fosse tão dark – e, por isso, diferente de tudo que já rolou. A dobradinha “New Fang” e “Dead End Friends” é metralhadora na cara, sangue voando, a violência musical que a gente precisa para viver, mas trazem melodias muito bem encaixadas para transformar o lobo em cordeiro. Sensacionais. Há ainda “Bandoliers”, em rotação mais lenta, a imensa “Warsaw, Or The First Breath You Take After You Give Up”, um blues de rosto desconfigurado, “Interlude With Ludes”, psicodélica, “Caligulove”, de teclados viajantes e refrão grudento, e muito mais. “Them Crooked Vultures” é uma pequena maravilha para quem gosta de rock pesado e não linear. Um presente para quem é fã de Homme, Grohl e Jones e, provavelmente, um presente deles para eles mesmos. Porque, ao final de tudo, a sensação é que eles se divertiram tanto ao fazer o disco quanto nós ao escutarmos.

Notinhas

Variantes
O Ringo chamou o Paul pra tocar no disco dele. Macca vai cantar e tocar baixo em umas duas faixas de “Y Not”, a ser lançado em janeiro de 2010. É o mais próximo que vamos chegar de uma reunião dos Beatles. /// O Belle & Sebastian deixou no site oficial uma pista de que um disco novo pode estar a caminho. Dedos cruzados. /// Sabe essa banda aí do lado, Them Crooked Vultures, que acabou de lançar o primeiro álbum? Então, eles já estão falando em lançar o segundo. “Agora que começamos, por quê parar?”, disse Homme ao jornal The Sun. Por mim, beleza. /// E lá vem a NME de novo, com outra lista cheia de opções esquisitas. Desta vez, as melhores canções da década. Em primeiro? “Crazy In Love” da Beyoncé. Posso parar ou continuo? Tá, então vai: em segundo, “Time To Pretend” do MGMT. Sério. São músicas boas, claro, mas para melhores da década tá complicado, né? Eu, hein.

Dos shows
Brett Anderson, ex-vocal do Suede, estará no país em janeiro. Em Curitiba e São Paulo, certamente. /// Da Ilustrada no Pop vem a notícia: estão em negociações para vir ao Brasil em 2010: U2, Green Day e Roger Waters. É mole? /// Shows imperdíveis que eu vou perder semana que vem: o sensacional Dirty Projectors, com abertura do Holger, em SP (dia 2), o fenomenal Macaco Bong, no Festival Música Livre, em Vitória (dia 4). Choro ou não choro? Se alguém puder fazer diferente de mim, por favor, não perca.

Todo mundo tem que ouvir
E o Beach House lançou o disco do ano… de 2010. Sim, a dupla americana marcou o lançamento de “Teen Dream” para janeiro próximo, mas o disco vazou faz tempo. Já falei aqui que eu amo a internet?
É claro que estou me adiantando ao dar a ele o título de melhor do ano que vem, mas o que há de músicas bonitas neste terceiro lançamento da banda, sinceramente, não é fácil. Audição obrigatória.

Playlist
Passion Pit – Little Secrets
Holger – War
Arctic Monkeys – Cornerstone
Dirty Projectors – Stillness is the Move
Lulina – 13 de junho
Atlas Sound – Quick Canal
Otto – Crua
Animal Collective – I Think I Can
Banda Gentileza – Afinal de Contas
Norah Jones – Back To Manhattan

Escrito por Bruno Reis

dezembro 8, 2009 em 11:30 am

Publicado em Coluna B